Este estudo mostra que é possível obter bons resultados com informações já disponíveis em órgãos públicos, na literatura ou de livre acesso na internet, já que quase não se utilizou verbas públicas ou privadas para aquisição dos dados. Isso mostra o quanto é importante o compartilhamento e a organização de um banco de dados consistente para incentivar a pesquisa em benefício de todos.
Aquíferos cársticos são importantes reservatórios de água subterrânea para o abastecimento de água em várias cidades do mundo. Contudo, devido a sua alta anisotropia e heterogeneidade, devem ser feitos estudos hidrogeológicos detalhados para explorá-los de maneira sustentável. O mapa de favorabilidade hidrogeológica mostrou ser uma ferramenta importante para a gestão desses recursos hídricos, principalmente em cidades que dependem da captação de água subterrânea para o abastecimento público, ajudando os gestores no planejamento de expansão urbana, na seleção de locais estratégicos para perfuração de poços, além de evitar a concentração de poços.
Sete Lagoas está em uma região influenciada pelas estruturas presentes nas rochas e a dissolução de rochas carbonáticas. Os grabens e horsts do embasamento e a deformação compressiva leste-oeste foram os principais responsáveis pela padronização e orientação no desenvolvimento da carstificação do calcário, a qual desenvolveu na interseção dos planos de acamamentos com fraturas subverticais de direções principais E-W e NE, controlando também a evolução geomorfológica da região.
Hidrogeologicamente, a região é composta pelo sistema aquífero cárstico-fissural da Formação Sete Lagoas e embasamento, de regime de fluxo semiconfinado, podendo ser livre, quando conectado ao aquífero poroso da cobertura cenozoica e nos condutos secos ou parcialmente preenchidos por água; ou confinado, quando sotoposto por metapelitos ou solo argiloso do Aquitarde Serra de Santa Helena. O fluxo de água subterrânea regional é para NE, podendo ter variações locais para leste ou norte, dependendo da rede de condutos locais. As taxas de recarga de origem autogênica são elevadas e concentradas, ocorrendo durante os períodos de chuva, enquanto as recargas alogênicas são menos intensas, difusas e ocorrem, preferencialmente, durante os meses de excedente hídrico, de dezembro a março. A concentração dos poços com elevada vazão de bombeamento causa um cone de rebaixamento na região central e aumenta a fragilidade do sistema cárstico, podendo agravar problemas geotécnicos, como subsidência e colapso do solo.
A estimativa do balanço hídrico para a bacia que engloba a cidade de Sete Lagoas mostra que a captação de água anual na região corresponde a 84% do volume da reserva renovável anual, sem contar o volume de água captada pelos poços ilegais não cadastrados, deixando a cidade em uma situação de alerta, com possível superexplotação do aquífero cárstico no centro da cidade, caso a demanda por
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recursos hídricos aumente e não sejam tomadas providências nos próximos anos, podendo comprometer a sustentabilidade e dinâmica dos aquíferos da região.
A favorabilidade hidrogeológica cárstica em Sete Lagoas está correlacionada, indiretamente, com: 1) densidade de lineamentos morfoestruturais e geofísicos; 2) densidade de feições cársticas na superfície; 3) espessura total acumulada da zona carstificada interceptada pelos poços; e 4) taxa de recarga, correspondendo as regiões com maior conexão e densidade de fraturas, mais carstificadas, com maior percolação e transmissão de água subterrânea e com boas condições de recarga.
Os poços mais produtivos estão: 1) na região central da área urbana, limitada pelos grabens e sobre a cobertura cenozoica, ou seja, onde os calcários são mais espessos e mais carstificados; 2) nas zonas de maior densidade de lineamentos, principalmente sobre os lineamentos tendendo para E-W e NE; 3) quando interceptam maior espessura acumulada de zona carstificada; e 4) próximos às lagoas e feições cársticas da superfície.
Apesar do método de mapeamento da favorabilidade hidrogeológica cárstica ter sido validado e calibrado com os valores de vazão específica e transmissividade dos poços, a perfuração de poços pouco produtivos é bastante comum em regiões cárstica, devido à complexidade da rede condutos e fraturas. Por isso, são necessários estudos mais detalhados na escala local, como mapeamento geológico- estrutural e feições cársticas locais, elaboração de mapa potenciométrico detalhado com poços e piezômetros da região, caminhamento geofísico terrestre (eletrorresistividade), assim como a regularização e obtenção da outorga dos poços, contribuindo com novos dados para melhorar o conhecimento sobre o aquífero.
Além da regularização dos poços, é recomendável a organização e atualização dos dados dos poços públicos e privados, principalmente, vazão e tempo de bombeamento para estimar com maior precisão o volume de água de descarga da bacia e atualização do cálculo do balanço hídrico. Testes de vazão e testes de aquífero também são importantes para obtenção dos parâmetros hidrodinâmicos, possibilitando a atualização do modelo hidrogeológico conceitual. Para calibrar o mapa de recarga, sugere-se a medição direta da taxa de recarga, utilizando traçadores e lisímetros e a comparação com o fluxo de base da bacia com nova série histórica da medição da vazão do ribeirão Jequitibá.
É recomendável a medição dos níveis estáticos dos poços para elaboração de nova superfície potenciométrica atual, além da instalação de datallogers em poços ou piezômetros estratégicos para monitoramento automático da variação do nível d´água em épocas de chuva, possibilitando novos estudos para obtenção de parâmetros hidrodinâmicos ou nova estimação da recarga.
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