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4.1. Escola Estadual José Mamede de Aquino
Após o diálogo inicial, no dia 13 de novembro de 2014, os estudantes do G1 receberam as orientações e foi exibido no primeiro dia de pesquisa o episódio O tênis de Doug. Os alunos da 3a série tiveram dificuldade para se concentrar no desenho animado, alguns se distraíram durante a exibição e ocorreram conversas paralelas. Dos dez estudantes, apenas três conheciam a série, para os demais Doug Funnie era novidade. Os meninos demonstraram mais interesse pelo episódio.
Depois da exibição, iniciou-se a discussão. No entanto, o debate não fluiu de maneira espontânea. Foram necessárias provocações e intervenções por parte da pesquisadora para desenvolver o diálogo. Durante a discussão os alunos estavam inquietos e falavam sobre assuntos diversos, sempre em tom de voz alto. É perceptível a prática de brincadeiras agressivas e ofensas verbais entre as crianças. Assim, para promover o debate, algumas perguntas referentes ao episódio foram feitas aos alunos do G1, os comentários estão registrados a seguir. Todos os diálogos das crianças pesquisadas foram transcritos como verbalizados, sem correções gramaticais, para não haver o risco de distorção das falas que pudesse modificar a interpretação realizada pelos estudantes.
A respeito do episódio:
As crianças disseram ter gostado do desenho animado, no entanto, a maioria não soube explicar o porquê, relatando apenas que o desenho animado era legal. Dois alunos fizeram uma pequena explanação sem relação próxima com o conteúdo assistido.
G1-E2
Ensina a obedecer. G1-E6
Por causa que eles brincam, ele ensina nós fazer as coisas.
Importante registrar que quando questionados sobre o que mais gostaram na animação, muitas crianças responderam a casa do Doug e a quadra de tênis (na realidade uma quadra de basquete). Alguns comentários como o “os parentes dele” e “o Natal” também surgiram, nestes casos, personagens e situações que não estavam presentes no universo narrativo.
Sobre a interpretação de O Tênis de Doug:
Os alunos narraram partes pontuais do enredo como o jogo de basquete e a compra do novo calçado. Não conseguiram sintetizar a mensagem central do episódio. Não houve uma interpretação mais aprofundada que revelasse algum tipo de apropriação do conteúdo. Também não associaram fragmentos da narrativa às situações do cotidiano.
G1-E2
Ele viu que ele tinha um sapato feio e os outros tinham um sapato bem bonito, aí ele queria um sapato mais bonito e foi na loja pra comprar mas não deu o dinheiro dele.
Em relação aos personagens:
Houve dificuldade para identificar os personagens pelo nome. Algumas crianças não se lembravam do nome Doug minutos depois de terem assistido ao episódio. Para se referir aos
personagens, usaram adjetivos como “o cara mau” quando falavam do Roger ou aspectos da composição visual como “a menina de cabelo amarelo” para se referir à Patti Maionese. O personagem Costelinha foi o preferido pelas crianças, no entanto, elas não explicaram com clareza o motivo desta preferência.
G1-E6
Daquele cara mau. Por causa que ele era muito mau. Por causa que ele dava azar pro outro.
G1-E2
Do cachorro porque ele é legal.
Em seguida, foi apresentado o mesmo episódio de Doug Funnie ao G2. As crianças da 4a série, embora inseridas no mesmo ambiente escolar e contexto sociocultural, se comportaram de modo diferente ao do G1 durante a exibição do desenho animado e na discussão dos temas propostos. As crianças eram mais disciplinadas e amigáveis, não houve agressões verbais ou brincadeiras violentas, embora nas conversas tenham surgido comentários de brigas na turma. Um aluno (G2-E15) revelou que depois das brigas, eles pedem desculpas uns aos outros. Dois estudantes (G2-E14 e G2-E18) se mostraram bastante desambientados em relação ao grupo, afastados de todos, se sentaram ao fundo da sala de TV e não interagiram com os colegas, nem mesmo no decorrer da discussão. Durante a exibição, as crianças ficaram focadas na animação e as conversas que ocorreram eram referentes ao episódio.
A respeito do episódio:
No G2, dos dez participantes, quatro conheciam Doug Funnie e sabiam o canal e horário de exibição do desenho animado – atualmente exibido pela TV Cultura –, alguns já haviam assistido ao episódio O tênis de Doug. Nove dos dez participantes afirmaram gostar da série, embora tenham admitido assistir à animação com o irmão mais novo. Os principais motivos são por considerar a animação legal e divertida, ter comédia e os personagens, especialmente o Skeeter, serem engraçados. Quando questionados a respeito do que mais gostaram no episódio exibido, o tênis de Doug foi o mais mencionado.
G2-E17
Da parte que ele foi trocar o tênis. Porque o tênis ficou grande. G2-E11
Eu gostei do tênis que ficou grande. G2-E15
Eu gostei na hora que o tênis falou. G2-E12
Um aluno de 12 anos comentou não ter gostado do desenho animado. Quando perguntado o motivo, ele disse não saber. Os colegas explicaram que ele se considerava “grandinho” para os temas abordados na série e o estudante acabou revelando que achava o desenho “sem graça”.
G2-E19
Eu não gostei do desenho.
Eu assistia quando era menor. Não tem mais graça parece. Sobre a interpretação de O tênis de Doug:
Neste grupo, as crianças encontraram verossimilhança entre a história narrada e as situações experienciadas por elas no ambiente escolar, criando nexos entre ficção e realidade. Nos discursos, os temas bullying e rejeição foram recorrentes.
G2-E13 É bullying.
G2-E17
Nunca troque seu tênis por outro. G2-E14
Eu não gostei porque todo mundo rejeitava ele por causa do tênis. G2-E17
O tênis tava chorando porque não queria que abandonasse ele. G2-E20
Eu entendi que mesmo se você, se alguém não goste do seu tênis não precisa abandonar porque a pessoa não gosta, só se você gostar você pode ficar com ele. Não é porque as pessoas não gosta que você tem que não gostar do tênis.
G2-E13
Cada um tem seu gosto. G2-E19
Não se deve julgar pelas aparências. G2-E15
Ele não precisou comprar o tênis para ganhar o autógrafo.
Curioso observar que o consumo infantil, tema principal deste episódio, não foi mencionado de maneira espontânea pelas crianças. Após provocação da pesquisadora a respeito de necessidades de consumo da turma, apenas um aluno (G2-E15) mencionou querer um Xbox, para os demais, especialmente para os meninos, o objeto mais desejado são as cartinhas, uma espécie de cartas decoradas colecionáveis que são disputadas em um jogo com as mãos25. As meninas não manifestaram nenhum desejo de consumo. De maneira geral, o tema consumo não animou a turma para o debate. Porém, as crianças ficaram frustradas por
25
Conhecido como jogo do bafo, as cartas colecionáveis ficam depositadas em um monte e cada participante do jogo deve movê-las apenas com o vento provocado pela batida das mãos na base sólida onde estão as cartas empilhadas. Cada competidor ganha as cartas que são viradas pela ação de suas mãos. O objetivo principal do jogo é aumentar a coleção destas cartas.
Doug não ter conseguido – na ficção – comprar um par de tênis novos. Mas, fato é que para estas crianças o consumo não é significativo.
Em relação aos personagens:
Quanto aos personagens, os comentários foram muito similares aos do G1. Houve dificuldade para memorizar os nomes, o Roger foi lembrado por suas maldades e Costelinha também foi o preferido entre as crianças deste grupo.
G2-E15
O Doug não conseguiu comprar o tênis, mas aí o cara conseguiu. G2-E13
Porque ele é mau pra caramba.
Como esta turma se mostrou mais receptiva e participativa em relação à pesquisa, foi feita uma nova provocação, desta vez a respeito da construção dos personagens. Foi perguntado qual era a percepção dos estudantes sobre os personagens de pele colorida. As crianças enxergaram com naturalidade esta composição diferenciada das animações limitadas o que leva a crer que o limite entre realidade e ficção é bastante claro para esta faixa-etária.
G2-E20 São ETs. G2-E13
Em desenho acontece tudo.
No segundo dia de pesquisa, 14 de novembro de 2014, o episódio Doug cai no rock foi exibido para cada uma das turmas da Escola Estadual José Mamede de Aquino.
Neste dia, por medida disciplinar, as crianças da 3a série não tiveram permissão para o recreio. Quando chegaram à sala de TV estavam muito agitadas. Depois de alguns minutos de conversa, se acalmaram para a exibição de Doug cai no rock. Ao assistir às imagens gravadas para a pesquisa, é possível perceber uma das crianças (G1-E3) provocando os colegas com conversas e brincadeiras agressivas. Aos 7 minutos de exibição, tornou-se impossível controlar os estudantes. Brigas, brincadeiras de luta e gritos tomaram conta da turma.
Após a apresentação do episódio, inúmeras foram as tentativas de iniciar uma discussão. Foi perguntado ao grupo o que entenderam da narrativa e as crianças criaram diferentes histórias sem nenhuma relação com Doug cai no rock.
G1-E5
Ele estava assistindo TV. G1-E7
Neste clima de desordem, a discussão se tornou impraticável e a pesquisa com o G1 foi encerrada. Preliminarmente, presume-se que alguns fatores tenham conduzido o grupo a agir de forma não receptiva à pesquisa, especialmente nos aspectos que se referem ao debate: 1) não houve identificação com a série Doug Funnie; 2) é característico das crianças desta turma a falta de concentração e a dificuldade de elaboração discursiva; e 3) a medida disciplinar aplicada ao grupo no segundo dia de pesquisa prejudicou o desempenho dos alunos.
A segunda turma a assistir ao episódio Doug cai no rock foi a 4a série. As crianças repetiram o comportamento do dia anterior, de maneira disciplinada e com pouca dispersão, observaram atentamente ao desenho animado. Importante registrar que no segundo contato com este grupo, um dos estudantes (G2-E14) que havia permanecido afastado dos colegas na primeira discussão se juntou ao grupo, interagindo por diversas vezes durante o debate. O outro aluno (G2-E18) continuou isolado, sentado ao fundo da sala, e em nenhum momento conversou com outras crianças ou contribui para a discussão.
A respeito do episódio:
O episódio Doug cai no rock agradou às crianças. O fragmento da narrativa mais citado como preferido foi o encontro de Doug e Skeeter com a banda The Beats.
G2-E15
Eu gostei da última parte quando eles viram mais de perto e ainda ganharam o brinde.
G2-E15
Eu gostei na hora que eles viram o cantor e ganharam a camiseta. G2-E14
Eu gostei da hora que eles dançaram porque eu achei legal.
A música despertou o interesse do grupo, além de sinalizar que houve mais identificação com o tema se comparado ao O tênis de Doug que aborda o consumo no universo infantil. Um dos estudantes (G2-E12) cantou a canção Mingau matador durante a discussão, fazendo gestos como se estivesse tocando uma guitarra imaginária – assim como Skeeter e Doug fazem no início episódio.
Para complementar o debate foi feita uma provocação, estimulando o grupo a falar a respeito de seus ídolos musicais. Os comentários foram surpreendentes. Em um cenário em que o sertanejo é o ritmo predominante, as crianças apresentaram um repertório diversificado em termos musicais. O estudante G2-E15 mencionou como ídolos Snoop Dogg e James Brown. A estudante G2-E17 disse ser fã de Luan Santana – ícone das jovens adolescentes – e dos Beatles que aprendeu a ouvir com a tia, esta aluna associou com facilidade The Beets –
banda fictícia criada para a série Doug Funnie – aos The Beatles. O estudante G2-E13 comentou gostar de Charlie Brown Jr. Importante destacar que estes artistas mencionados não possuem canções específicas para o público infantil. Das dez crianças, três afirmaram não ter um ídolo. As demais crianças mencionaram como preferência musical a Roberta, integrante da série Rebeldes e da banda RBD.
Sobre a interpretação de Doug cai no rock:
Parte das crianças sintetizou a narrativa em uma única mensagem e diferentes leituras surgiram.
G2-E17
Eu entendi que ele sempre se dá bem por causa que ele acreditou que ia conseguir ver os Beatles e ele conseguiu.
G2-E13
Ele não deixou o amigo dele para trás.
No discurso da estudante G2-E17 fica evidente a associação entre The Beatles e The
Beets. Na interpretação da aluna Doug é sempre favorecido, mesmo em situações adversas,
porque acredita naquilo que deseja. Para o grupo, a noção de “se dar bem versus se dar mal” está relacionada à atitude e ao comportamento pessoal. Roger foi citado como exemplo de “se dar mal” porque tem características de vilão; por outro lado, Doug, protagonista da série, é exemplo de “se dar bem” porque tem boa conduta, como ser solidário e companheiro ao não abandonar o amigo que está de castigo, como comentou o estudante G2-E13.
Outro ponto discutido foi justamente o castigo. As crianças pareceram não levar a sério tal ação punitiva. O estudante G2-E15 associou a postura do pai de Skeeter a de sua mãe.
G2-E13
Eu gostei na hora que o pai dele brigou com ele... porque ele tirou ele do castigo. G2-E15
Minha mãe também faz isso. Ela me deixa de castigo, daí eu faço bagunça, ela manda eu vazar.
Estas interpretações evidenciam como o telespectador infantil busca, no momento da fruição, referências em seus contextos de vida para legitimar o universo ficcional. Especificamente para a série Doug Funnie, esta interdependência entre ficção e realidade – que Todorov (2011) descreve como nível apreciativo – é coerente porque a estrutura de sentido do desenho animado interioriza as convenções sociais do mundo exterior para significar os códigos da narrativa.
A fala da estudante G2-E16 revela uma interpretação denotativa da narrativa. Em um fragmento do episódio, no concurso da rádio K-Bluf, Doug pega o telefone e fala “sem ideia”
porque desconhece a resposta correta, no entanto, por sorte, acaba acertando a última pergunta e ganha o prêmio. Tal sutileza não foi percebida pelo grupo.
G2-E16
A parte que eu mais gostei foi aquela parte que ele liga pra rádio pra conseguir os ingressos. Por causa que a última pergunta ele não sabia, aí o outro foi lá, pegou o telefone e acertou.
O estudante G2-E19 disse não ter entendido a história. G2-E19
Eu só entendi a música. Eu prestei a atenção no desenho, mas não entendi.
Em relação aos personagens:
O grupo teve a mesma percepção a respeito dos personagens. Roger foi considerado o mais “chato” da série. Esta rejeição está associada a fisionomia de vilão, expressa pelas dinâmicas visual e psicológica do personagem, especialmente, por suas ações que são amorais e em benefício próprio.
G2-E14
O outro queria se achar. G2-E15
Mas aquela hora ele foi mais gentil com a mãe do outro lá... do que com os meninos.
G2-E17
Só pra se achar. G2-E13
Porque ele tava com fome né.
Costelinha é o mais querido. Esta afetividade com o personagem não foi esclarecida pelo grupo. De maneira geral, a tipologia de Costelinha tende a ter boa aceitação por parte dos interlocutores.
G2-E12
Porque ele é um bicho né, ele pode considerar como de estimação.
Após 55 minutos de debate no segundo dia de investigação, a pesquisa empírica foi encerrada na Escola Estadual José Mamede de Aquino.
4.2. Colégio Engler Abelhinha Feliz
No Colégio Engler Abelhinha Feliz a pesquisa de recepção foi realizada em 05 de dezembro de 2014. O G3 foi composto por alunos da 4a série. Dos nove participantes deste grupo de discussão, oito conheciam a série. As crianças eram comunicativas e receptivas.
Durante a exibição de Doug cai no rock, ficaram atentas ao desenho animado e não houve distração. Após assistirem ao episódio, iniciou-se a discussão e os estudantes participaram ativamente. Os diálogos a seguir foram transcritos como verbalizados, sem correções, para descrever de maneira fidedigna as interpretações realizadas pelas crianças.
A respeito do episódio:
As crianças disseram gostar do desenho animado. A principal razão é porque a série é divertida. O fato de Doug ter descoberto uma banda favorita foi citado como a melhor parte do episódio.
G3-E29
Porque ele descobriu a banda que ele gostava.
Em um primeiro momento, os estudantes não se projetaram no universo da ficção, afirmando não haver verossimilhança entre Doug Funnie e o mundo real. Depois de alguns minutos, algumas associações foram feitas e a sequência entre Skeeter e o pai foi citada como verossímil. As crianças comentaram que as medidas disciplinares com a quais estão habituadas são ficar sem o celular e não ter permissão para passear. No entanto, reforçaram que raramente acontece. O fato de animais de estimação não poderem frequentar a escola também foi mencionado. Outros exemplos de situações verossímeis surgiram.
G3-E28
Aqui tem uma coisa igual ao amigo do Doug, aquele que maltrata ele. Uma coisa que aqui na escola tem um pouco né, em algumas salas, é a ser metido.
As crianças compararam o universo narrativo de Doug Funnie aos ambientes escolar e familiar nos quais vivem, apontando aspectos da série que são possíveis somente na ficção. Múltiplas leituras foram realizadas.
G3-E25
E uma coisa que não é parecida é que o cachorro não sabe dançar, não usa peruca. G3-E22
Porque eles estão em outro país. G3-E22
Diferente dos Estados Unidos que é onde se passa. Nos Estados Unidos o jeito de viver é diferente do Brasil, o castigo, o quarto.
G3-E27 O gato roxo. G3-E26
O menino, ele é verde. G3-E25
O outro amigo dele também é verde. G3-E25
Apesar de observar a natureza própria do estilo de animação da série, as crianças disseram achar normal a concepção visual destes personagens.
G3-E25
É para deixar o desenho engraçado. Sobre a interpretação de Doug cai no rock:
Os estudantes interpretaram como mensagem principal do episódio a relação de ajuda entre Doug e Skeeter e a importância de incentivar um amigo em circunstâncias adversas.
G3-E28
Porque o Doug, ele não era roqueiro, aí o amigo dele incentivou ele a conhecer os
Beets e ele ficou roqueiro.
G3-E24
Que o amigo dele incentivou ele. G3-E25
Ajudou ele a saber que banda ele gostava, que tipo de música.
Explorando a temática do desenho animado, foi perguntado aos estudantes a respeito dos ídolos musicais. As crianças apresentaram gosto musical diversificado e as bandas internacionais foram as mais lembradas: Underreaction, Big Tiger Rush, RDB, Demi Lovato e Selena Gomez. Luan Santana – do gênero sertanejo universitário – e Bruna Karla – cantora gospel – também foram citados.
Em relação aos personagens:
Doug e Costelinha foram apontados como os personagens favoritos pela maioria das crianças. Um aspecto diferente desta turma é a lembrança dos nomes dos personagens após assistir ao episódio. Skeeter também foi indicado como preferido.
G3-E25
Eu gostei do Skeeter porque que ele incentivou o Doug a gostar de uma banda. Fedido e Roger foram os personagens que tiveram rejeição.
G3-E25
O gatinho porque ele é feio. G3-E29
Do Roger porque ele é muito chato.
Após a discussão, a pesquisa foi encerrada com o G3. As crianças permaneceram na sala de TV por mais alguns minutos e conversaram sobre os programas televisivos, histórias em quadrinhos e personagens preferidos. Um gosto comum aos estudantes é o gibi da Turma
da Mônica Jovem, segundo eles, a temática voltada aos adolescentes, cujas experiências eles
O G4 foi composto por dez alunos da 5a série. As crianças, muito disciplinadas e educadas, estavam receptivas à pesquisa. Após as orientações iniciais, foi exibido o episódio
O tênis de Doug. Durante a exibição, os estudantes permaneceram atentos à animação e não
houve dispersão. No debate, foram participativos e demonstraram boa capacidade de interpretação e de elaboração discursiva.
A respeito do episódio:
As crianças afirmaram gostar da série de animação Doug Funnie. Dos dez estudantes, três conheciam o episódio O tênis de Doug.
G4-E37
Eu gostei deste episódio porque ele não muda por causa da gracinha dos outros. G4-E33
Eu gostei da parceria que ele fez com aquele jogador de basquete. G4-E33
As vezes ele é educativo.
No entanto, os alunos comentaram que as experiências de Doug na ficção não apresentam verossimilhança com realidade vivenciada por eles no cotidiano escolar.
G4-E33
Eu não tenho um colega chato igual aquele. G4-E39
Ele tem tipo um negócio de detetive quase.
A capacidade inventiva de Doug para enredar fatos reais à fantasia foi considerada pelos alunos como algo verossímil que está presente no dia-a-dia das crianças. De fato, o imaginário infantil, segundo Sarmento (2002), revela as formas de interação e ação da criança com o mundo para expressar seus contextos de vida ou negar esta realidade.
G4-E39
Uma única coisa, imaginação.
Sobre a interpretação de O Tênis de Doug:
Os estudantes apresentaram competências de recepção para compreender a história e interpretá-la. Após assistirem ao episódio, sintetizaram a narrativa em um único pensamento, elaborando discursos com base nas apropriações e recriações do desenho animado.
G4-E31
Não é nossas roupas que faz a gente ser legal. Nós temos que ter nossas opiniões. E não é por causa da opinião de uma pessoa que você tem que mudar.