• Aucun résultat trouvé

Les usages de déjà

Déjà: un marqueur procédural de subjectivisation

2.1 Les usages de déjà

“Ser um profissional significa manter um comprometimento com a investigação ao longo de toda a vida.” (Day, 2004, p.103)

Os desafios de uma sociedade em permanente mudança apresentam novas exigências individuais e institucionais, principalmente para os profissionais de educação, porque a escola reflete a sociedade onde se insere.

Day afirma que “no século XXI, a participação no próprio desenvolvimento ao longo de toda a carreira é um requisito básico para quem quiser ser reconhecido e para quem quiser agir como um profissional” (2001, p.312).

Autores como (Formosinho, 1991; Hargreaves, 1998; Day, 2001) fundamentando-se numa visão holística da formação dos professores, consideram que devem existir oportunidades de aprendizagem e de desenvolvimento profissional; constatando que os saberes e competências adquiridos na formação inicial já não são suficientes para enfrentar as novas exigências.

Urge uma nova visão de formação que está expressa no relatório da UNESCO, quando declara que “hoje em dia, ninguém pode pensar em adquirir, na juventude, uma bagagem inicial de conhecimentos que lhe baste para toda a vida, porque a evolução rápida do mundo exige uma actualização contínua dos saberes apesar da educação inicial dos jovens tender a prolongar-se.” (Delors, et al, 1998, p.103) Este, complementa ainda a ideia afirmando que a distinção entre educação inicial e educação permanente precisa de ser repensada.

Também Formosinho (1991), diferencia a formação inicial da formação contínua, afirmando que esta última surge posteriormente à formação inicial. Para além disso, o autor declara que independentemente dos conteúdos aplicados, a formação inicial distingue-se da formação contínua pelos destinatários, sendo esta última ministrada a adultos com experiência profissional. Tendo como referência esta conceção, Day (2001)

24

complementa a ideia de formação contínua definindo-a “como um acontecimento planeado, um conjunto de eventos ou um programa amplo de aprendizagens acreditadas e não acreditadas, de modo a distingui-la de actividades menos formais de desenvolvimento profissional dentro da escola, de redes de parcerias dentro e fora da escola.” (p.203)

A formação contínua visa “proporcionar uma aprendizagem intensiva, durante um período de tempo, e, apesar de poder ser planeada em conjunto, tem geralmente um líder nomeado cuja função consiste em facilitar, mas também estimular, a aprendizagem de uma forma activa” (Idem, p.204).

Alarcão e Tavares concluem ainda esta ideia afirmando que “a formação de um professor não termina, porém, no momento da sua profissionalização, pelo contrário, ela deve prosseguir, em continuidade, na chamada formação contínua” (Alarcão & Tavares, 2003, p.113).

Day (2001) refere-se ainda à formação contínua como “uma área necessária e potencialmente rica do desenvolvimento profissional contínuo dos professores”. (p. 233) Nesta perspetiva, e considerando que os indivíduos aprendem ao longo de toda a vida, em todos os lugares e circunstâncias, a formação inicial e a formação contínua integram-se e articulam-se num mesmo processo. Nesta linha de pensamento, João Formosinho (2014) afirma que a formação contínua visa o aperfeiçoamento de saberes e habilidades necessárias ao exercício da profissão docente. E tem como finalidade última não apenas o desenvolvimento pessoal, profissional e social de cada individuo, mas também do contexto escolar onde está inserido. Este modelo de formação é capaz de transformar as escolas “em organizações autónomas, capazes também elas de aprender (…) veiculando uma intenção estratégica de transformar a própria escola.” (p.32)

Quando nos reportamos à legislação sobre formação contínua, verificamos que em Portugal, na Lei de Bases do Sistema Educativo n.º 46/86, de 14 de outubro, alterada pela Lei n.º 49/2005, de 30 de agosto, reconhece o direito à formação contínua a todos os educadores e professores, prevendo que esta seja diversificada, de modo a assegurar o aprofundamento e atualização dos conhecimentos e competências profissionais e possibilitar deste modo a progressão na carreira. Verificamos nesta alteração uma evolução no conceito de formação contínua, pois na legislação em vigor, o conceito surge

25

de uma forma mais ampla permitindo ao professor a possibilidade de escolher as ações de formação que mais se adequem ao seu desenvolvimento profissional e pessoal e sensibilizando ainda para a autoformação e a prática da investigação e inovação.

No que se refere ao contributo da formação contínua para o desenvolvimento pessoal, Nóvoa (2002) afirma que “a formação contínua deve estimular uma perspectiva crítico-reflexiva, que forneça aos professores os meios de um pensamento autónomo e que facilite as dinâmicas de autoformação participada”. (p.38)

Nóvoa defende as práticas da formação contínua que tenham como referência as dimensões coletivas, promovendo deste modo a autonomia profissional promovendo deste modo uma profissão que seja autónoma na produção e na construção dos seus saberes.

Tendo como alicerce esta visão holística, considera-se importante desenvolver processos de formação contínua que possam responder às necessidades e interesses dos professores, e que estes possam ser sujeitos ativos, capazes de produzir conhecimento e de valorizar o conhecimento produzido por outros, nomeadamente da comunidade científica. Uma formação que proporcione um trabalho de reflexividade crítica sobre as práticas e de (re)construção permanente de uma identidade pessoal. É fundamental, portanto, a formação de um profissional docente prático-reflexivo, dotado de conhecimentos e habilidades e principalmente capaz de refletir sobre a sua própria prática.

É neste contexto que a formação contínua tem como principal objetivo melhorar e desenvolver as competências técnicas dos profissionais de educação. Um processo de aprendizagem que permite aprofundar e alargar os seus quadros teóricos e práticos no âmbito do conhecimento curricular, do conhecimento de conteúdos e do conhecimento pedagógico (Spodek e Saracho, 2003).

Esta conceção de formação contínua e reflexiva, segundo Nóvoa (1992), traduz- se num processo de mudança pessoal e social, pois qualquer formação tem como ponto de partida a necessidade de mudança; “a formação não se faz “antes” da mudança, faz-se “durante”, produz-se nesse esforço de inovação e de procura dos melhores percursos para a transformação da escola”, e por isso “deve ser encarada como um processo permanente, integrado no dia a dia dos professores e das escolas”. (p.p. 28,29)

26

Através deste processo evolutivo, que visualiza a ideia de uma aprendizagem constante orientada para a mudança, a formação contínua surge, deste modo, como um instrumento fundamental para o desenvolvimento profissional.

Documents relatifs