Déjà: un marqueur procédural de subjectivisation
1.2 Etat de l'art
pelos adolescentes em acolhimento residencial
Tomando em conta a relação entre a dimensão de auto-estima (da ISS – Escala de Vergonha Interna) e as dimensões de suporte social vindo de amigos, de professores, de pessoas em geral e da família (da escala SSA – Social Support Appraisals), os resultados permitem confirmar a hipótese (Tabela 9).
Tabela 9 – Correlação r de Pearson entre a auto-estima e o suporte social percebido pelos adolescentes em acolhimento residencial
Dimensão do Suporte Social (SSA) Dimensão da auto-
estima (ISS) Amigos 0,56** Professores 0,42* Pessoas em Geral 0,61** Família 0,56** * p ≤0.05; ** p ≤ 0.01;
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Discussão dos resultados
Este estudo teve como objetivo analisar o modo como o suporte social se relaciona com as vivências de vergonha de adolescentes em acolhimento residencial. Foi também analisada a ligação do suporte social género, idade e auto-estima dos adolescentes em acolhimento residencial.
A vergonha é, seguramente, experienciada por todos durante o ciclo de vida - esta regula os nossos comportamentos e reações de acordo com indicadores sociais, seja de um modo positivo ou negativo. Tendo em conta o forte estigma existente acerca do acolhimento residencial e dos próprios adolescentes em acolhimento residencial, é possível que estes indivíduos estejam mais susceptíveis a vivenciar esta emoção social. O suporte social é uma das chaves para um desenvolvimento saudável, e através do suporte social é possível aprender e lidar com a vergonha de um modo construtivo e positivo. À semelhança da vergonha, que configura uma emoção com enfoque global sobre o self, a auto-estima é uma apreciação global do valor que o indivíduo tem sobre si mesmo. No entanto, enquanto a vergonha é uma emoção negativa, a auto-estima pode ser positiva e construtiva, fornecendo um desenvolvimento salutar e equilibrado e minimizando os efeitos da emoção de vergonha.
No que respeita ao presente estudo, procurou-se apurar se o suporte social pode ser um aliado em situações de acolhimento residencial – apesar dos obstáculos, as crianças e os adolescentes em acolhimento residencial poderão sentir-se apoiados pela família, amigos, professores e pessoas em geral.
Tendo em conta a primeira hipótese, que enunciava que a vergonha se relaciona negativamente com o suporte social percebido por adolescentes em acolhimento residencial, é possível afirmar que, quanto mais elevado é o suporte social percebido, menor é a vergonha interna e externa sentida pelos adolescentes em acolhimento residencial. Anghel (2015), citando Kumper (1999) e Meichenbaum (2005), enuncia que os laços com a família se tornam fatores protetores do indivíduo no decurso do um desenvolvimento ajustado. Deste modo, os dados obtivos neste estudo vão ao encontro da literatura anterior. Embora não se possam estabelecer relações de causalidade pela natureza correlacional das análises realizadas, é possível perceber que uma gestão das emoções negativas como a vergonha pode levar a um investimento mais seguro nas relações sociais, que traria como retorno uma maior perceção de suporte social e o
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contrário também é possível. Ou seja, quanto mais elevada a perceção de suporte social das redes sociais primárias dos adolescentes em acolhimento residencial, menor é a vivência de vergonhae o impacto da mesma.
No que concerne à segunda hipótese, que relacionava o suporte social percebido ao género, dados os resultados de estudos anteriores, o expectável seria que o género feminino sentisse mais suporte social. Segundo Reevy e Maslach (2001), o género feminino e a feminilidade obtêm mais e melhor socialização, apoio social e empatia do que o género masculino e a masculinidade. Barbee et al. (1993) sugerem que o papel feminino, que enfatiza expressões emocionais, facilita a ativação de suporte social no género feminino. Também Flaherty e Richman (1989) afirmam que a socialização atribuída ao género feminino faz deste o mais suscetível a dar e receber suporte social, dada a sensibilidade adquirida às suas necessidades e às de outros. Neste estudo, no entanto, à excepção da dimensão de suporte social vindo de professores – onde o género masculino reportou sentir mais apoio – não existem diferenças significativas entre géneros. O estudo de Cheng et al. (2014) indica que o género feminino reportava menores conexões sociais, explicando que poderá dever-se às expectativas sociais para o papel de jovem mulher. Como o comportamento esperado de adolescentes do género feminino é de maturidade, boas escolhas e, no geral, bom comportamento, é possível que algum mau comportamento vindo destas jovens adolescentes fosse visto como pior e menos merecedor de apoio, em comparação com os adolescentes do género masculino.
A terceira hipótese, que enunciava que o suporte social se relaciona com a idade, e onde se supõe que adolescentes mais velhos sentiriam mais suporte social foi, neste estudo, infirmada. No estudo de Nunes (2010), foi também demonstrado que não existem diferenças entre a idade e o suporte social percebido em adolescentes em acolhimento residencial. Ou seja, no intervalo etário abrangido pela amostra da população de adolescentes em acolhimento residencial em estudo, não se observou uma relação entre a idade e a perceção de suporte social. O tamanho da amostra e o facto de todos os sujeitos se encontrarem na mesma circunstância vivencial, ou seja, a viverem numa residência de acolhimento e longe da família, podem ser os motivos pelos quais não se registam variações na perceção de suporte social. No entanto, este resultado deverá ser confirmado em estudos ulteriores, com amostras maiores.
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No que concerne à quarta hipótese, que focava a relação negativa entre a auto- estima e a vergonha, é possível dizer que a mesma foi confirmada. Como a auto-estima é um dos fatores relacionados com a resiliência, segundo Albuquerque, Almeida, Cunha, Madureira e Andrade (2015), e a resiliência se correlaciona negativamente com a vergonha tanto interna como externa, é possível afirmar que, no que toca a esta amostra, quanto maior for a auto-estima sentida pelos adolescentes em acolhimento residencial, menores serão os sentimentos de vergonha interna e externa sentidos pelos mesmos. Passanisi, Gervasi, Madonia, Guzzo e Greco (2015) notam, na sua amostra, que os sujeitos com níveis de auto-estima mais elevados mostravam níveis de vergonha mais baixos.
Relativamente à quinta hipótese, que concernia a correlação positiva do suporte social com a auto-estima de adolescentes em acolhimento residencial, é possível afirmar que o nível de auto-estima é tanto maior quanto o nível de suporte social percebido pelos mesmos. O estudo de Pesce, Assis, Santos e Oliveira (2004; cit. por Albuquerque, Almeida, Cunha, Madureira & Andrade, 2015) confirma que o apoio da família, dos amigos e dos professores influencia grandemente a origem e o desenvolvimento da auto-estima na criança e no adolescente. Assis, Pesce e Avanci (2007; cit. por Albuquerque, Almeida, Cunha, Madureira & Andrade, 2015), afirmam que um dos fatores protetores do indivíduo é a auto-estima. Não se podendo obviamente inferir relações de causalidade entre as variáveis, é possível que, investindo no suporte social, se possa promover a auto-estima dos adolescentes em acolhimento residencial.
Conclusão
Tomando em consideração os resultados encontrados neste estudo, pode afirmar- se que o suporte social parece ser importante para o desenvolvimento psicossocial saudável dos adolescentes em acolhimento residencial.
Sobre a correlação negativa do suporte social com a vergonha, os resultados da análise da mesma indicam que, quanto maior for o suporte social sentido, menores serão as ocorrências de vivências de vergonha. Sendo que, de acordo com Kumper (1999) e Meichembaum (2005; cit. por Anghel, 2015), os laços com a família e pessoas em geral se tornam protetores do indivíduo, é expectável que essa proteção se estenda às
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vivências de vergonha, que ameaçam a estabilidade do desenvolvimento. É de notar, no entanto, a falta de literatura acerca destas duas variáveis.
Seria expectável que a parte da amostra referente ao género feminino reportasse sentir mais suporte social, de acordo com estudos como os de Reevy e Maslach (2001), Barbee et al. (1993) e Flaherty e Richman (1989), que realçam que o género feminino e a demonstração de feminilidade recebe e fornece mais suporte social. No entanto, os resultados deste estudo mostram que não existem diferenças de género na perceção de suporte social, à excepção da dimensão de suporte social vindo de professores, onde o género masculino reporta receber mais. Foi analisada também a diferença de idade na perceção do suporte social, colocando-se como hipótese o suporte social estar positivamente correlacionado com a idade. No entanto, os resultados deste estudo foram ao encontro dos de Nunes (2010), indicando que a idade não se relaciona com a perceção de suporte social.
Foi analisada também a correlação entre a auto-estima e a vergonha, e foi possível confirmar, tal como Albuquerque, Almeida, Cunha, Madureira e Andrade (2015), que quanto maior for a auto-estima sentida pelos adolescentes em acolhimento residencial, menor será a vergonha sentida pelos mesmos.
Relacionando o suporte social com a auto-estima, pode afirmar-se que os resultados vão ao encontro dos de Pesce, Assis, Santos e Oliveira (2004), confirmando que o apoio da família, amigos e professores influencia positivamente a auto-estima nas crianças e nos adolescentes. Ressalta-se, novamente, a falta de literatura específica para a população em causa, sobre estas variáveis.
Este estudo não responde a todas as questões que se poderiam colocar. Relativamente às limitações do estudo, é importante dar ênfase à dificuldade de obtenção de autorização para recolha de dados em instituições de acolhimento, que limitou o tamanho da amostra, e também à linguagem utilizada em alguns dos instrumentos utilizados, que suscitou dúvidas a alguns dos participantes relativamente a várias expressões escritas. Em termos de pistas futuras, é possível contemplar que seria pertinente o desenvolvimento de estudos a nível qualitativo, de modo a compreender melhor as vivências de vergonha e o suporte social percebido por estes adolescentes em acolhimento residencial, e também a nível longitudinal, de modo a averiguar o suporte
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social percebido ao longo do tempo de acolhimento residencial e a sua relação com as vivências de vergonha destes adolescentes.
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