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5. NUCLEAR PROPULSION SYSTEMS

5.1. US directions

“O Grupo Martins (Martins Comércio e Serviços de Distribuição S.A.) é uma empresa de vendas por atacado que foi fundada na cidade de Uberlândia em 1953 por Alair Martins do Nascimento. É uma das maiores empresas atacadistas do Brasil e da América Latina, chegando a um faturamento, em 2002, de 1,2 bilhão de Reais e possui nove empresas integradas ao grupo”42.

As salas de aula ficam alocadas na Central de Armazenagem e Distribuição do grupo, no Distrito Industrial da cidade e são para o público exclusivo de trabalhadores da empresa.

Vale ressaltar aqui algo muito importante: na entrevista as salas de aula ali

existentes já não são mais do PMEA, pois constituem-se em salas multiseriadas de 6º ao 9º Ano da Educação de Jovens e Adultos, mas que começaram com o PMEA e, tendo os alunos concluído o 5º ano, o NEJA, em parceria com o Grupo Martins, viabilizou a continuidade das salas para atender ali a EJA de 6º ao 9º ano – o que, segundo a coordenadora Maria Geralda, foi de grande dificuldade, considerando as especificidades da carga horária obrigatória da EJA (diferentemente do PMEA), tendo sido rearranjado o currículo para que houvesse aprovação da Superintendência de Estadual de Ensino do Estado de Minas Gerais (órgão que regulamenta a educação também na Rede Municipal de Ensino de Uberlândia).

Os sujeitos inseridos nas duas salas dispostas no Martins são aqueles que começaram com as salas do PMEA ou que já haviam concluído em algum momento o 1º Ciclo (1º ao 5º ano), mas não tinham o 2º Ciclo (6º ao 9º ano). No momento da visita conversei com as professoras Taís e Daniela, além dos alunos – diferente do PMEA, ali são vários professores de diferentes disciplinas. A primeira turma (de 3 alunos) tem aulas de 12:40 às 15:00 horas e a segunda turma de 15:00 às 17:20 horas.

O perfil dos alunos é bem semelhante: pessoas que abandonaram cedo os estudos para trabalharem e que hoje mesmo empregadas, vê inclusive dentro da empresa onde estão, a cobrança para que “terminem os estudos” para terem chances de ascensão dentro da empresa.

41Anexo VII – Embora não marcado no mapa, o Setor Industrial fica nas proximidades do Setor Norte. Diversos

professores (6º ao 9º) / Aulas no período vespertino / Visita em 02/12/2016.

Algo que muito me tocou ali foi o interesse deles em continuarem os estudos no Ensino Médio, pois estavam encerrando o 9º ano. Porém, todos veem muita dificuldade em ir para uma “escola convencional” devido o horário que trabalham, a carga horária, distância e outras dificuldades. Ao término das entrevistas, me procuraram perguntando se eu não poderia fazer algo para ajudá-los, para manter ali o Ensino Médio. Como já me era sabido em diálogos com o NEJA, isso seria impossível para a prefeitura, considerando que, em seu Sistema de Ensino, não há o Ensino Médio e a Superintendência Estadual já havia sinalizado a inviabilidade devido ao número de professores, disciplinas, o número de alunos e demais fatores.

Outra situação que pude perceber e que desde meu projeto de pesquisa acenava como crítica é o fato de os/as alunos/as não disporem de tempo da sua carga horária de trabalho para a atividade escolar, tendo de frequentarem as aulas antes ou depois da carga horária de trabalho. Embora esses também percebam isso como uma dificuldade, pois em maioria realizam trabalhos pesados em jornadas que ou começam muito cedo ou que se estende noite a fora, ainda veem com bons olhos a oportunidade de terem a escolarização ali, por diversos fatores como não precisarem se deslocar para outro espaço, tem o transporte da empresa, são poucos alunos e todos se conhecem.

A sala de aula é bem aconchegante com carteiras estofadas, quadro branco, projetor e computador, ar-condicionado e o lanche é cedido pela empresa e fica disponível aos alunos antes e depois das aulas como pão com manteiga, bolacha, leite, café e suco. Porém, como a sala fica aos fundos, próxima à entrada e saída de caminhões que fazem a logística da empresa, percebi que há grande barulho, o que talvez possa atrapalhar um pouco.

Felizmente não tive grandes dificuldades de acesso às salas depois de prévio agendamento e documentação de encaminhamento da realização da pesquisa, mas por medidas de segurança tive de passar pelos mesmos procedimentos dos funcionários, que passam por scanners que detectam códigos de barras de produtos e aparelhos eletrônicos – as salas ficam num espaço ao fundo do Centro de Distribuição (que é imensuravelmente grande. Me explicaram o caminho – que era até perto e ainda assim tive de pedir ajuda no trajeto pois me parecia um labirinto). Até mesmo os professores para estarem ali passam por treinamentos de segurança oferecidos pela empresa aos demais trabalhadores.

O Centro funciona 24 horas e, como é o local onde ficam armazenados os produtos que são vendidos pela empresa e separados para distribuição, há a política de passar por detectores (que segundo uma funcionária), “detectaria qualquer produto que estivesse com uma pessoa pelo número de código de barras, evitando que alguém „pegasse‟ algo”. Fui

autorizado a entrar com o celular, garantindo que os únicos registros seriam na parte das salas de aula, uma vez que são proibidos nos demais espaços.

Apenas um aluno não quis ceder entrevista, pois disse não se sentir a vontade. Os demais foram muito solícitos em dialogar, assim como os professores e demais funcionários da empresa como a senhora Maria, que trabalha na área de Recursos Humanos da empresa e é a responsável por coordenar o Projeto SuperAção ali dentro. Nas salas do Grupo Martins, por orientação da empresa, foi o único lugar em que utilizei “Autorização” assinada pelos/as alunos/as.