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Une fourmillante planète Éléments de solution

Dans le document N° ISBN : 978-2-912846-89-1 (Page 128-132)

Os experimentos foram conduzidos nos municípios de Capão do Leão (31°52’ S e 52°21’ W) e Entre-Ijuís (28°22 S 54°18' W), situados a 6 e 215 metros de altitude, respectivamente. As análises de rendimento foram conduzidas no Laboratório de Análise de Sementes, do Departamento de Fitotecnia da FAEM - UFPel, Campus do Capão do Leão - RS.

Foram empregadas sementes de genótipos de milho (Zea mays L.) provenientes de diferentes localidades de agricultores familiares, de Centros de Pesquisa da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA) e empresas do setor sementeiro.

As sementes foram beneficiadas manualmente, removendo-se material inerte e aquelas visualmente danificadas, conforme metodologia descrita por Peske et al.

(2012). Foram utilizados oito materiais de milho, sendo três materiais de polinização aberta e cinco híbridos simples, onde os materiais utilizados foram: genótipos Amarelo, Vermelho e Branco, e os híbridos da Pionner (1, 2 3) e Coodetec (1 e 2).

A semeadura foi realizada manualmente, com espaçamento adotado entre linhas e entre plantas de 45 e 36 centímetros, respectivamente, resultando na densidade populacional de 55.000 plantas ha-1 (BORGHI e CRUSCIOL, 2007). Cada parcela constou de seis linhas de comprimento 4m, sendo utilizada 4 linhas centrais de 3m como área útil.

No município de Pelotas, o solo é classificado como Planossolo Háplico Eutrófico Solódico, pertencente à unidade de mapeamento Pelotas (STRECK et al., 2008). Os resultados da análise do solo apresentaram as seguintes características químicas e físicas: pH (H2O): 5,0; P: 46,0 mg dm-3; K: 53 mg dm-3; S: 19,8 mg dm-3; Ca: 3,2 cmolc dm-3; Mg: 0,9 cmolc dm-3; Al: 0,8 cmolc dm-3; B: 0,0 mg dm-3; Cu: 1,4 mg dm-3; Zn: 1,8 mg dm-3; Mn: 14,2 mg dm-3; Na: 50 mg dm-3 CTC: 5,3 cmolc dm-3; saturação por bases: 45%; matéria orgânica: 2,07%; argila:l 19%.

Para o município de Entre-Ijuís, o solo é classificado como Latossolo Vermelho Distroferrico Típico, pertencente à unidade de mapeamento Santo Ângelo (STRECK et al., 2008). A caracterização química apresentou: argila: 68%; pH (H2O): 6,0; índice SMP: 6,3; Fósforo (P): 47 dm-3; Potássio (K): 147,5 dm-3; Enxofre (S): 18,9 dm-3; Matéria orgânica (MO): 2,6%; Alumínio tóxico (Al): 0,0 cmolc-3; Cálcio (Ca): 6,1 cmocl dm-3; Magnésio (Mg): 2,7 cmocl dm-3; Capacidade de troca de cátions (CTC): 12,0 cmocl dm-3; Hidrogênio (H) mais alumínio (Al): 2,7 cmocl dm-3; % da CTC por base: 77,5; % de alumínio (Al): 0,0; Relação Cálcio (Ca)/magnésio (Mg): 2,2; Relação Cálcio (Ca)/potássio (K):15,0; Relação magnésio (Mg)/potássio(K): 6,9.

A semeadura dos materiais foi realizada manualmente nos dias 12 de dezembro de 2016 e 19 de dezembro de 2016, nos municípios de Capão do Leão e Entre-Ijuís, respectivamente. A área experimental utilizada teve seu pH previamente corrigida e a adubação foi realizada a lanço conforme recomendação no manual de adubação e calagem para os Estados do RS e SC e com base em análise química prévia (CQFS RS/SC,2004).

Os dados médios mensais de temperatura máxima, mínima e precipitação pluvial para os dois ambientes estão expostos na Figura 1.

Figura 1. Médias mensais de temperatura máxima ( ), mínima ( ) (a-Entre-Ijuís, c-Pelotas) e precipitação pluvial (b-Entre-Ijuís, d-Pelotas) durante os meses de dezembro de 2016 a março de 2017. Fonte: Estação Meteorológica de São Luiz Gonzaga e Estação Agrometeorologia de Pelotas.

As avaliações foram conduzidas após a maturidade fisiológica das sementes, sendo efetuadas coletas de material vegetal. Para a avaliação morfológica de milho foram avaliadas a Altura de plantas: foi determinada em dez plantas representativas da área útil de cada parcela, medindo do nível do solo até a última folha completamente expandida. Altura de Inserção de espiga:pela média de dez plantas, se mediu do nível do solo até o nó de inserção da primeira espiga que possuía grãos formados. Diâmetro do colmo: obtido pela medição de dez plantas por repetição, com auxílio de paquímetro digital.

Para a avaliação do rendimento de sementes de milho foram avaliadas o comprimento da espiga: aferido utilizando uma régua, se mediu desde a extremidade da base até a ponta da espiga. Número de fileiras e de sementes por espiga: obtida por contagem direta. Número de sementes por fileira: obtida por contagem direta, onde foi contado o número de grãos por fileira da base até a ponta da espiga. Massa de mil semente: determinado pela massa de 100 sementes da área útil da parcela experimental, contadas ao acaso com auxílio de contador manual, e, em seguida, aferidas em balança de precisão. Rendimento: estimado em função da produção por área útil da parcela experimental e transformada de g parcela-1 para kg ha-1, e corrigido para umidade de 13%.

O delineamento experimental utilizado foi o de blocos casualizados com quatro repetições, em esquema fatorial 8 X 2 (genótipos X locais). Os dados foram submetidos à análise de variância, quando significativo a 5% pelo teste F, as médias dos tratamentos foram comparadas pelo teste de Duncan, a 5% de probabilidade.

3.3 Resultados e Discussão

A análise da variância revelou significância para a variável altura de plantas entre os genótipos e entre os ambientes de cultivo. No ambiente Pelotas, o híbrido Pionner 1 não diferiu dos genótipos Amarelo, Vermelho, Pionner 2 e Coodetec 1. As menores alturas de plantas foram verificadas para os genótipos Branco e o híbrido Coodetec 2, com uma altura de 197,5 e 206,4 cm, respectivamente (Tabela 1). No ambiente Entre-Ijuís, as maiores alturas de plantas foram para os genótipos Amarelo, Pionner 1, Pionner 3 e Coodetec 1. As menores alturas de plantas foram observadas nos híbridos Pionner 2 e Coodetec 2.

Na comparação entre os ambientes de cultivo, Entre-Ijuís obteve os maiores valores de altura de plantas em relação à Pelotas para os genótipos Amarelo, Pionner 3 e Coodetec 1 e 2. No entanto, não se constatou diferenças significativas para os genótipos Vermelho, Branco, Pionner 1 e Pionner 2 (Tabela 1). Segundo Gorgulho e Miranda Filho (2001), algumas características como altura de planta e altura de inserção de espiga variam dentro do grupo de genótipos, e, também, entre genótipos e híbridos.

A altura de planta é uma característica genética influenciada pelo ambiente (SOUZA et al., 2003), pela população de plantas (BRACHTVOGEL et al., 2012), e principalmente pela disponibilidade de nutrientes no solo (REPKE et al., 2013), que está diretamente ligada com à altura de inserção da espiga (CORTEZ et al., 2009). A maior altura de plantas verificada no ambiente Entre-Ijuís pode estar atrelada as condições edafoclimáticas desse ambiente, as quais possivelmente favoreceram o aumento do tamanho das plantas. No entanto, a maior altura pode ser um fator que venha contribuir com o acamamento dessas plantas, situação não desejada no cultivo dessa espécie (PATERNIANI, 1997).

A altura da inserção da espiga mostrou comportamento diferente entre os genótipos e entre os ambientes de cultivo (Tabela 1). Para o ambiente Pelotas, as maiores alturas da inserção da espiga foi observada nos genótipos Amarelo,

Vermelho, Pionner 1, Pionner 2 e Pionner 3, porém o Pionner 2 não diferiu do Coodetec 2. A menor altura foi constatada para o genótipo Branco (96,5 cm).

No ambiente Entre-Ijuís, os maiores valores de altura da inserção da espiga foram observados nos genótipos Amarelo, Pionner 3, Vermelho, Pionner 2 e híbrido Coodetec 2. A menor altura da inserção da espiga para esse ambiente foi observado no genótipo Branco (94 cm).

Na comparação entre os ambientes de cultivo, pode-se dizer que houve diferenças para a variável altura da inserção da espiga apenas para o híbrido Pionner 1 (Tabela 1), com superioridade para Pelotas. É possível estabelecer uma relação positiva entre a altura de planta e altura de inserção da espiga, onde os genótipos mais altos tem maior altura de inserção, do mesmo modo que os genótipos mais baixos apresentam menor altura de inserção. Essa relação também foi observada por Foloni et al. (2008) ao avaliar competição de híbridos sobre espaçamento reduzido.

Valores elevados de altura de planta e de inserção de espigas no colmo têm sido encontrados por outros autores (ARAÚJO e NASS, 2002). De acordo com Miranda et al. (2003), a altura de planta extrema e a alta proporção entre altura de plantas e altura de inserção de espiga podem fazer com que a cultivar apresente maior suscetibilidade ao acamamento. Porém, Campos et al. (2010) estudando a relação da altura de planta e inserção de espiga com acamamento e quebra de plantas de 49 variedades comerciais em cinco regiões, não observaram nenhuma relação entre altura de planta e inserção de espiga com as taxas de acamamento.

Conforme Cadore (2008), a altura de inserção da espiga consiste no comprimento vertical da planta, medida obtida do solo até a inserção da espiga, é uma característica de extrema importância para a cultura do milho, pois distâncias menores entre o nível do solo e o ponto de inserção da espiga contribui para o melhor equilíbrio da planta (KAPPES et al., 2013). Esta variável pode ser influenciada pela população de plantas, adubação equilibrada (RODRIGUES et al., 2014; SANTOS et al., 2010;) e genótipo (MEIRA, 2009). Todavia, apesar dessa variável ser dependente das condições de ambiente, para os resultados obtidos ela apresentou diferenças significativas somente para o híbrido Pionner 1 demonstrando que o mesmo foi menos influenciado pelo ambiente de cultivo.

De acordo com Silva (2000), plantas mais altas resultam em maiores alturas de inserção da espiga, sendo essa característica relacionada a fatores genéticos.

Com maior altura de planta, altura da inserção da espiga e com o menor diâmetro de colmo, aumenta a fragilidade do colmo contribuindo com o número de plantas acamadas, problema apontado por alguns autores ao tratar de genótipos de milho (CARVALHO, 2007). Todavia, se observou pouco problema de acamamento entre os genótipos estudados.

Para a variável diâmetro do colmo, no ambiente Pelotas, os híbridos Pionner 1, Pionner 2, Pionner 3, Coodetec 1, Coodetec 2 e o genótipo Amarelo não diferiram. No ambiente Entre-Ijuís, os híbridos Pionner 1, Pionner 2, Pionner 3 e Coodetec 1 não diferiram. Na comparação entre os ambientes de cultivo, não foram verificadas diferenças para o diâmetro do colmo (Tabela 1).

O número de fileiras por espiga, no ambiente Pelotas, demonstrou superioridade para o híbrido Pionner 1, e inferioridade para os genótipos Vermelho e Branco. Todavia, não diferiram do genótipo Amarelo e dos híbridos Pionner 2, Pionner 3, Coodetec 1 e Coodetec 2. No ambiente Entre-Ijuís, o número de fileiras por espiga apresentou médias superiores para os híbridos Pionner 1 e Pionner 2, e médias inferiores para os genótipos Vermelho e Branco. Não foi observada diferença significativa entre ambientes (Tabela 1).

O número de fileiras por espiga sofre influência de fatores, tais como genética (NETO et al., 2003, VALDERRAMA et al., 2011), adubação (CARMO et al., 2012), e espécies de plantas de cobertura (ALBUQUERQUE et al., 2013). Os resultados dessa variável mostraram que o ambiente de cultivo não influenciou no aumento ou diminuição no número de fileiras por espigas. Mesmo não havendo diferenças entre ambientes para essa variável, os resultados mostraram superioridade para o híbrido Pionner 1 nessa característica em ambos ambientes de cultivo na comparação entre diferentes genótipos, mostrando que esse resultado pode ser uma característica genética desse híbrido.

O número de sementes por fileira apresentou no ambiente Pelotas superioridade para o genótipo Vermelho (33,3 sementes) e inferioridade para o genótipo Amarelo (26,3 sementes), onde ambos não diferiram significativamente dos demais. O ambiente Entre-Ijuís apresentou similaridade entre todos os materiais. Na comparação entre os ambientes de cultivo não foram constatadas diferenças significativas (Tabela 1).

O número de sementes por fileira por espiga que a planta produz pode variar entre híbridos (FERNANDES et al., 2005, VALDERRAMA et al., 2011), nutrição

mineral (CARMO et al., 2012) e tamanho da espiga (KAPPES et al., 2009). Trabalhando com genótipos de polinização aberta, Balbinot Júnior et al. (2005) observaram que o número de grãos por fileira é componente que apresenta a maior correlação com o rendimento total.

Os resultados obtidos para número de sementes por fileira mostraram que essa característica não apresentou influência do ambiente de cultivo e que as diferenças para essa variável no ambiente Pelotas podem ser devido ao fato de que a nutrição do solo está mais desequilibrada, mostrando que cada híbrido ou genótipo pode responder de forma diferente, e a nutrição pode ser umas das possíveis causas da variação entre os genótipos (Tabela 1). Já, para Freitas et al. (2013), o número de fileiras de grãos por espiga tem forte controle genético e, por isto, normalmente é pouco influenciado por fatores externos.

Para a variável número de sementes por espiga (NSE), a análise de variância mostrou-se significativa somente para o materiais de milho no ambiente Entre-Ijuís, o maior NSE foi observado no híbrido Pionner 1, com média de 593 sementes, todavia, este híbrido se diferiu somente do genótipo Branco, com uma média de 409 sementes.

Tabela 1 – Altura de planta (Alt), diâmetro do colmo (DC), altura da inserção da espiga (Alt. Ins. Esp.), número de fileiras por espiga (NF) e número de sementes por fileira (NSF) de diferentes genótipos de milho produzidos em dois locais.

Genótipo Alt (cm) DC (cm) Alt. Ins. Esp. (cm) NF NSF

Pelotas E. Ijuís Pelotas E. Ijuís Pelotas E. Ijuís Pelotas E. Ijuís Pelotas E. Ijuís Amarelo 226,2abB* 248aA 3,6abc 3,6bcd 120,8aA 122aA 15ab 16abc 26,3b 28,5a Vermelho 228,8abA 234,9bA 3,2c 3,1de 122,8aA 120abA 13,5b 14,5bc 33,3a 34a

Branco 197,5cA 201,5dA 3,3bc 2,9e 96,5dA 94dA 13,5b 14c 30,5ab 29,25a

Pionner 1 234,5aA 237,4abA 4a 3,7abc 121,8aA 113,8bcB 16,5a 17,5ª 32,5ab 33,75a Pionner 2 223,2abA 217,6cA 3,8ab 4,2a 118,5abA 119abA 16ab 17,5ª 30,8ab 29a Pionner 3 222,6bB 239,7abA 3,7abc 3,4abc 120,8aA 122,3aA 14,5ab 15abc 31ab 29,75a Coodetec 1 230abB 242,3abA 3,7abc 3,9ab 110cA 110,8cA 16ab 17ab 28,75ab 31ª Coodetec 2 206,4cB 221,2cA 3,5abc 3,3cde 111,5bcA 118,5abA 15ab 15,5abc 32,75ab 34,5a

Média 221,15 230,33 3,6A 3,51A 115,34 115,05 15A 15,81A 30,72A 31,22A

CV (%) 3,2 8,99 4,37 10,69 13,15

O NSE é um importante componente do rendimento das lavouras, uma vez que, o rendimento do milho é determinado pelo número de sementes por planta/espiga e por unidade de área, e, em menor escala, pela massa do grão (LOPES et al., 2007). A elevação do NSE é atribuída às mudanças nas práticas culturais, ao melhoramento genético, às alterações climáticas e à interação entre esses três fatores (TOLLENAAR e WU, 1999). Deste modo, a diferença para esta variável entre os materiais estudados pode estar relacionada às características genéticas. O NSE e a massa de sementes segundo Mohammadi et al. (2003) foram os componentes mais importantes na predição do rendimento.

Para a massa de mil sementes (MMS), no ambiente Pelotas, as maiores médias foram obtidas pelos híbridos Coodetec 1 e Pionner 3, com valores de 297,86 e 297,45 g, respectivamente. Todavia, as menores médias foram apresentadas pelos genótipos Amarelo, Vermelho e Branco. No ambiente Entre-Ijuís, a maior média foi observada para o híbrido Coodetec 1, enquanto as médias inferiores foram apresentadas pelos genótipos Amarelo, Vermelho e Branco (Tabela 2).

Conforme resultados, os maiores valores de MMS foram obtidos pelos híbridos (Tabela 2), possivelmente pelo fato de os híbridos serem potencialmente mais produtivos que genótipos de polinização aberta, apresentando maior uniformidade de plantas e espigas (CRUZ et al., 2011). Além disso, podem apresentar maior estabilidade e adaptabilidade de produção, independente do sistema de manejo adotado, conforme constatado por Sangoi et al. (2006).

Ao comparar os ambientes de cultivo é possível observar que as maiores médias de MMS para os genótipos Amarelo, Branco e para o híbrido Coodetec 1 foram obtidas no ambiente de cultivo Entre-Ijuís. Essa variável pode sofrer interferência da adubação (VELOSO et al., 2006), sistema de produção e ambientes de cultivo (CASTOLDI et al., 2011). Esse fator é amplamente influenciado pela duração do período de enchimento de grãos e das condições climáticas ocorridas durante a fase de enchimento de grãos, como a umidade, nutrientes disponíveis e temperatura (FLOSS, 2004). Logo, as maiores médias obtidas no ambiente Entre- Ijuís possivelmente estão atreladas a condições mais apropriadas para o enchimento dos grãos neste local.

Para o tamanho da espiga não foi constatada diferença significativa entre os genótipos e locais. Entretanto, verifica-se que em programas de melhoramento de milho visando ao aumento da massa de grãos, deve-se considerar o tamanho da

espiga, pois este atua indiretamente no aumento do massa de grãos (FANCELLI e DOURADO NETO, 1999).

O resultado obtido a partir do presente estudo demonstrou que ocorreu diferença significativa na variável rendimento em função do genótipo e do ambiente de cultivo. Para o ambiente Pelotas, o maior rendimento médio foi obtido pelos híbridos Coodetec 2 e Coodetec 1, com produtividade média de 9090 kg ha-1 e 9002 kg ha-1, respectivamente. Todavia, para o ambiente Entre-Ijuís, os híbridos Coodetec 1, Coodetec 2 e Pionner 3 foram os mais produtivos. Tais resultados demonstram o alto potencial produtivo dos híbridos simples, devido ao maior aproveitamento da heterose (BORÉM, 2013) e, possivelmente, pela maior uniformidade morfológica e fenológica, características que otimizam o aproveitamento de água, luz e nutrientes (MADDONI e OTEGUI, 2004).

Entre os genótipos de polinização aberta, o mais produtivo para o ambiente Pelotas foi o Vermelho, com um rendimento médio de 6705 kg ha-1, enquanto que o genótipo Amarelo foi o mais produtivo para o ambiente Entre-Ijuís, com uma média produtiva de 123,09 sc ha-1 (Tabela 2). Estes resultados corroboram com os resultados de Araújo e Nass (2002) e Cordeiro Filho et al. (2009), que em experimento com genótipos de milho obtiveram uma amplitude produtiva similar com às apresentadas no presente trabalho.

De maneira geral, os genótipos apesar de apresentarem menor rendimento que os híbridos, tiveram rendimento médio de grãos superior às produtividade médias brasileiras (5700 kg ha-1) na safra 2016/17 (CONAB, 2017). Além disso, os genótipos de milho tem maior plasticidade sob condições de estresse se comparados aos híbridos simples, triplo e duplo (EMYGDEO et al., 2013), isso tem sido amplamente discutido em trabalhos que vêm sendo conduzidos com o intuito de avaliar em que condições e em que níveis tecnológicos deve ser recomendados o cultivo de genótipos.

Tabela 2 - Número de sementes por espiga (NSE), comprimento da espiga (CE), massa de mil sementes (MMS), rendimento e sacas por hectare (Sacas) de diferentes genótipos de milhos produzidos em dois locais.

Genótipo NSE CE (cm) MMS (g) Rendimento (kg ha

-1) Sacas (Sc ha-1) Pelotas E. Ijuís Pelotas E. Ijuís Pelotas E. Ijuís Pelotas E. Ijuís Pelotas E. Ijuís Amarelo 397a* 458,5ab 16,98 17,7 234,04 cB 270,59 dA 6277,5 eB 7391,5 dA 104,32 eB 123,095 dA Vermelho 445,5a 492ab 16,99 17,7 252,50 cA 269,76 dA 6705 dA 6962,5 eA 111,74 dA 116,06 eA

Branco 412,5a 409b 16,33 17,02 239,65 cB 265,37 dA 6120 eA 6349,00 fA 102,00 eA 105,81 fA Pionner 1 535a 593ª 16,41 16,12 275,17 bA 280,16 cdA 8057,5 bcA 8380 bA 134,29 bcA 139,74 bA Pionner 2 493,5a 511ab 17,65 16,12 294,45 abA 297,37 bcA 7697,5 cA 7857 cA 125,9 cA 130,95 cA Pionner 3 457a 450,5ab 16,98 16,6 297,45 aA 305,7 bA 8327,5 bB 9327 aA 138,8 bB 155,45 aA Coodetec 1 455a 528ab 19,78 17,76 297,86 aB 326,45 aA 9090 aA 9195 aA 151,50 aA 153,24 aA Coodetec 2 491a 536,25ab 18,74 18,3 286,64 abA 287,36 bcdA 9001,75 aB 9533,75 aA 150,03 aB 158,78 aA Média 460,81A 497,28A 17,23A 17,16A 272,22 287,84 7892,11 8124,46 127,60 135,40

CV (%) 18,52 12,81 5,12 3,75 3,75

Entre os locais de cultivo, somente houve significância para o genótipo Amarelo, o qual apresentou rendimento de aproximadamente 15% menor em Pelotas em relação ao ambiente Entre-Ijuís. A estabilidade de genótipos de milho foi verificada por Vogt et al. (2011), por outro lado, variedades de polinização aberta de milho têm se mostrado responsivas às variações de manejo e condições do ambiente de cultivo (KUHNEM JÚNIOR et al., 2007; DALLASTRA et al., 2009), sendo possivelmente o fator que gerou maior rendimento para esse genótipo em Entre-Ijuís.

3.4 Conclusões

Para os genótipos estudados, o Vermelho apresentou superioriodade no ambiente Pelotas, com um rendimento médio de 6705 kg ha-1, enquanto que o genótipo Amarelo foi superior no ambiente Entre-Ijuís, com uma média produtiva de 7391,5 kg ha-1.

Entre os híbridos, o Coodetec 1 e 2 apresentaram superioridade no ambiente de cultivo Pelotas, enquanto que no ambiente Entre-Ijuís os híbridos Coodetec 1, Coodetec 2 e Pionner 3 foram superiores.

O rendimento de híbridos e genótipos de polinização aberta é influenciada pelo local de cultivo, com superioridade para o ambiente Entre-Ijuís.

4 CAPITULO III

Adubação nitrogenada de base em milho: crescimento de plantas e vigor das sementes produzidas

4.1 Introdução

O milho (Zea mays) é uma planta cuja origem acredita-se que ocorreu no México e que posteriormente foi difundido por povos pré-colombianos para os demais continentes (TEIXEIRA, 2008). A produtividade deste cereal é cultivares, solo, adubação, clima, práticas culturais, pragas e moléstias (FANCELLI e DOURADO NETO, 2004; FORNASIERI-FILHO, 2007). Sendo assim, é importante e necessário o desenvolvimento de estudos na tentativa de solucionar os vários problemas que envolvem esses fatores, buscando obter altas produções, com elevada qualidade.

No que diz respeito a práticas culturais, o manejo da adubação é fator preponderante na busca de maiores produções e na obtenção de sementes de qualidade. Neste sentido, o manejo do nitrogênio (N) tem sido uma das práticas agrícolas mais estudadas na busca de melhorar a sua eficiência de uso.

Diferentes concentrações de nutrientes afetam o crescimento de cereais (NIKLAS, 2006; DIATLOFF et al., 2008), enquanto que o adequado fornecimento destes elementos favorece a produtividade da cultura do milho (ZUCARELI et al., 2014). O N é um dos principais nutrientes para plantas, sendo exigido em grandes quantidades (MAESTRELO et al., 2014).

A aplicação adequada de nutrientes no solo é fator importante que interfere no rendimento da cultura, na atividade dos microrganismos e na melhoria da qualidade do solo. Essa necessidade existe porque a maior parte do N do solo encontra-se em combinações orgânicas, sendo essa forma indisponível para os vegetais e, em geral, os solos não suprem a demanda da cultura em termos de N (MALAVOLTA, 2006). Logo, para obter maiores rendimentos em milho se faz necessária a aplicação de fertilizantes nitrogenados.

O nitrogênio é importante no metabolismo da planta ao participar de várias rotas metabólicas de suma importância às plantas (SANGOI et al., 2008). Pesquisas indicam que altas concentrações de N na zona radicular são benéficas para promover o rápido crescimento inicial da planta e o aumento na produtividade de grãos (YAMADA, 1996). Além disso, o fornecimento de N nos estádios iniciais favorece uma maior absorção de fósforo (MARSCHNER, 1995), facilitando o

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