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Types d’expressions figées en chinois

FIGEMENT ET TRADUCTION DES EXPRESSIONS FIGÉES DANS LE RÊVE DANS LE PAVILLON ROUGE

1. Types d’expressions figées en chinois

A temática do corpo tem perpassado e acompanhado a história das culturas, civilizações, religiões e filosofias, sendo um tema central nas ciências humanas contemporâneas considerado, na ótica de Vaz (1993), um dos polos organizadores do imaginário social das sociedades, refletindo problemas, anseios ideais, princípios e valores da Vida e do Homem, vigentes em cada época (Bento, 2009).

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Desde os primórdios até à atualidade, o Homem não cessou de mostrar insatisfação com o seu corpo, com a sua forma, fiabilidade e plasticidade. A vida e identidade humana sempre se caracterizaram pela corporeidade (Bento, 2009).

Neste sentido, o corpo próprio, ou em termos filosóficos, a categoria da corporalidade, não pode ser considerado um problema apenas para a Antropologia Filosófica, sendo, no entanto, o seu ponto de partida, uma vez que, a auto compreensão do Homem encontra o seu núcleo germinal na compreensão da sua condição corporal (Turner, 1994; Vaz, 1993). Neste sentido, as reflexões culturais atuais sobre a temática do corpo situaram-se nomeadamente no campo filosófico e antropológico (Heras, 1994).

Segundo Turner (1997), o estudo do corpo é de genuíno interesse sociológico, na medida em que o corpo é a característica mais próxima e imediata do eu social e da identidade pessoal de cada indivíduo. Neste sentido, segundo o mesmo autor, o corpo deve ser tido em consideração, como um dos problemas centrais da teoria social contemporânea (Heras, 1994).

Em jeito de contextualização, a filosofia ocidental vem convivendo, há mais de vinte e cinco séculos, com a diferença entre a razão e a imaginação, entre o corpo e espírito (Sérgio, 2004). E para uma total compreensão do corpo próprio importa aqui referir a distinção, no Homem, do corpo enquanto substância material (totalidade física) e como organismo (totalidade biológica) e o corpo como corpo próprio (totalidade intencional), sendo que, neste aspeto, o corpo pode ser assumido na autoexpressão do sujeito, podendo-se falar de um Eu corporal, o que não é o caso do corpo físico e do biológico (Vaz, 1993).

Neste sentido, nas duas primeiras referências, o Homem é simplesmente o seu corpo físico e biológico, “simples” matéria, tal como os animais. Em relação ao corpo próprio é capaz de lhe fornecer uma intencionalidade que transcende o nível físico e biológico. Assim, segundo Vaz (1993), partindo da distinção entre o ser e o ter corpo que o corpo é, para o Homem, um “corpo vivido”, não no sentido da vida biológica, mas da vida intencional.

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Podemos aqui referir as palavras de Patrício e Sebastião (2004, p. 68), quando referem que: “viver não é difícil. O povo diz: “Viver não custa. Mas nós

já vimos que uma coisa é viver e outra é existir.” Segundo estes autores, viver

trata-se de um acontecimento biológico e existir toma a dimensão metafísica e religiosa.

Assim, o que constitui o facto mais imediato e abrangente da consciência não é o pensamento, mas o fazer parte de tudo o que vive, dado que, o próprio Homem é também natureza humanizada, não tendo apenas corpo, mas é corpo, existência corpórea (Borges, 2003).

Pelo corpo o Homem está presente no mundo e vive no seu corpo como sujeito corpóreo, corpo-sujeito, corpo próprio e matéria pessoal, o corpo é o “eu” próprio voltado para os outros (Borges, 2003; Vaz, 1993).

De facto, o corpo quando encarna o homem é a marca do indivíduo, a fronteira, o limite que, de alguma forma, o distingue dos outros. Na medida em que se ampliam os laços sociais e a teia simbólica, provedora de significações e valores, o corpo é o traço mais visível do indivíduo. Le Breton (1953), tomando por base Durkheim, defende que o corpo é um fator de "individualização”.

Dado que a crise da legitimidade torna incerta a relação com o mundo, o Homem procura, empenhar-se em produzir um sentimento de identidade mais favorável, dando atenção redobrada ao corpo, uma vez que o corpo é lugar da diferenciação individual, supõe-se que possua a prerrogativa da possível reconciliação. Procura o segredo perdido do corpo, numa tentativa de o tornar não um lugar da exclusão, mas o da inclusão e da união. Segundo Le Breton (1953), este é um dos imaginários sociais mais férteis da modernidade.

Várias correntes defendem que o corpo trata de uma realidade cultural e socialmente construída e que a sua construção está dependente de estímulos provenientes do exterior. Assim, os fatores biológicos que o compõem passam para segundo plano, frente à ação imposta pela sociedade, nomeadamente pelo desenvolvimento da medicina, entre outros aspetos, que modificam e recriam a realidade biológica (Salinas, 1994). O corpo é considerado um produto cultural,

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moldado por diferentes valores, crenças e cânones estéticos que vigoram na mesma (Heras, 1994).

A este respeito Le Breton (1953) acrescenta que modelado pelo contexto social e cultural em que o Homem se insere, o corpo é o vetor semântico pelo qual a evidência da relação com o mundo é construída, e antes de qualquer coisa a existência é corporal. O mesmo autor, tomando por base Marx, refere que o corpo não é pensado somente do ponto de vista biológico, mas como uma forma moldada pela interação social. Corpo humano enquanto manifestação da existência e não apenas da vida. O corpo é também um produto cultural.

Neste sentido, a passagem progressiva da questionável antropologia física, que deduz do aspeto morfológico as qualidades do Homem, para a consciência de que o Homem constrói socialmente seu corpo, estabelece o primeiro marco da sociologia do corpo: o Homem não é o produto do corpo, produz ele mesmo as qualidades do corpo na interação com os outros e na imersão no campo simbólico, assim, a corporeidade é socialmente construída (Le Breton, 1953).

A este respeito importa focar as seguintes palavras de Entralgo (2003, p. 31): “Somos tão irremediavelmente filhos do nosso tempo, que a nossa primeira

imagem do corpo não é a que na realidade é mais imediata, a fenomenológica, mas a mediada por um conjunto enorme de explicações científicas. A nossa “atitude natural” perante o corpo é menos ingénua, encontra-se repleta de hipóteses e de teorias de todo o tipo, científicas e filosóficas, que todos tendemos a considerar como factos reais e indiscutíveis.”

O corpo é o meio pelo qual temos a possibilidade de tantas experiências advindas das interações sociais e, desta forma, faz parte do projeto reflexivo que compõe os diferentes modos de ser e estar no movimento da vida. Assim, o corpo é tido como o primeiro e mais natural instrumento do Homem, sendo este o modo pelo qual comunica e é capaz de adaptar-se constantemente aos objetos, situações condicionadas e condicionantes da sociedade na qual se insere (Santiago, 1999). A este respeito, Le Breton (1953) acrescenta que, assumindo o papel de emissor ou recetor, o corpo produz sentidos

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continuamente e assim insere o Homem, de forma ativa, no interior de dado espaço social e cultural.

No entanto, não pode ser esquecido que os corpos são tomados e transformados em resultado da vida em sociedade, permanecendo como entidades materiais, físicas e biológicas (Shilling,1993).

Desta feita, enquanto seres humanos somos entidades corpóreas, ou seja, todos possuímos um corpo. No entanto, o corpo não é apenas algo puramente físico que nos limitemos a ter separadamente da sociedade, na medida em que, segundo Anthony Giddens (2009, p. 146) “Os nossos corpos

são profundamente afectados pelas nossas experiências sociais, bem como pelas normas e valores dos grupos a que pertencemos.”

Assim, o corpo não é estritamente biológico, mas biológico e cultural, dado que encerra em si a sociedade e o tempo nos quais se formou e viveu. Sendo através da socialização que o ser humano interioriza os padrões culturais que após integrados passarão a reger o seu comportamento, quer a nível cultural como biológico, dado que o Homem é biologicamente um ser social, diríamos mesmo um ser cultural, que vai para além do se social, e inserido num tempo histórico (Jana, 1995).

Segundo Le Breton (1953), as representações do corpo são representações da pessoa, que é muito mais do que o corpo per se. O corpo parece explicar-se a si mesmo, mas nada é mais enganoso. O corpo é socialmente construído, tanto nas suas ações sobre a cena social, quanto nas teorias que explicam seu funcionamento ou nas relações que mantém com o Homem que encarna. A caraterização do corpo, longe de reunir consenso nas sociedades humanas, mostra-se surpreendentemente difícil e levanta várias questões epistemológicas. O mesmo autor refere que o corpo é uma falsa evidência, não é um dado inequívoco, mas o efeito de uma elaboração social e cultural, o que mostra que o homem não é simplesmente o seu corpo.

Assim, ainda segundo Le Breton (1953), a designação do corpo e a definição dos constituintes da carne do indivíduo, quando estas são possíveis,

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traduzem um fato do imaginário social que, de uma sociedade para outra, apresentam uma variabilidade infinita.