Villes et châteaux : la genèse
I. Des châteaux à l’origine de villes
3) Le type tertiaire
Partiu-se do pressuposto de que a Enfermagem, no domínio do autocuidado, se interessa por todas as variáveis identificáveis ou que os seus clientes identificam como importantes para a saúde (39). O primeiro grupo de artigos refere-se a estudos que sugerem fatores que facilitam ou dificultam a prática do autocuidado.
A conceção de autocuidado adotado pelo Departamento de Saúde do Reino Unido remete-nos, ainda em consonância com aquilo que vários autores postulam, com lugar de destaque para Orem, para a gama de fatores que influenciam o envolvimento e as atividades de autocuidado das pessoas. Aqui, inscrevem-se fatores como: a história e experiência pessoal; o nível de conhecimento; as crenças e valores; as habilidades cognitivas e aptidões literárias; os antecedentes culturais; a confiança, autoestima,
autoeficácia e autocontrolo; a capacidade de avaliação da realidade; a capacidade de tomar decisões; a capacidade de avaliação da informação existente e a forma como esta é apresentada; a evidência dos benefícios do suporte para o autocuidado e o suporte e encorajamento dos profissionais de saúde (1) (37) (47) (48). Sendo que, deste largo espectro de variáveis, merecem relevo os aspetos relativos à história e percurso de vida de cada pessoa (47).
Os fatores a que fomos fazendo referência, de acordo com a literatura disponível, podem ser classificados em cinco grandes categorias: fatores cognitivos; fatores psicológicos; fatores físicos; fatores demográficos; e fatores socioculturais (1) (37) (47) (49)
(50) (51) (52) (46) (40) (36) (53). Como é possível perceber as quatro primeiras categorias
reportam aspetos intrínsecos à pessoa, e a última categoria inclui aspetos relativos a variáveis extrínsecas à pessoa.
Assim, os fatores cognitivos relacionam-se com as capacidades de aprendizagem, de resolução de problemas e de organização da pessoa; a memória, os conhecimentos e a perceção de autoeficácia (46) (45) (36). O conhecimento pessoal surge da interação entre as pessoas. Conhecemos através do outro e adaptamo-nos à medida que transformamos o conhecimento transmitido, produzindo respostas adequadas, processo esse que depende da curiosidade individual (54) (55) (48). A aprendizagem é dirigida ao ambiente exterior, constituindo um processo conscientemente construído
(40)
. Por tudo isto, proporcionar conhecimentos nem sempre aumenta a aprendizagem do indivíduo (55).
Os fatores psicológicos têm que ver com aspetos que dizem respeito à personalidade, à autoestima, à autodisciplina e autoconceito dos indivíduos, assim como à motivação e à confiança que possuem (47) (56) (53). A personalidade é um fator a ter em conta. Constata-se que o pessimismo dos indivíduos poderá fazer com que estes não procurem cuidados de saúde, por considerarem que nada mais poderá ser feito por si e/ou que as terapêuticas eventualmente propostas perturbariam a sua atual qualidade de vida (36). Aqui, enquadram-se os indivíduos com uma história de vida dura, pois geralmente são mais deprimidos, apresentam pior atitude face ao envelhecer, pior satisfação com a vida e menos autocuidado (43). O locus de controlo, sendo uma dimensão da personalidade, desempenha um papel fundamental, dada a sua relação com a confiança, no estabelecimento de objetivos pessoais e na adoção de comportamentos de saúde (57).
A autoeficácia, entendida como um sentimento pessoal de sucesso perante um conjunto de competências desencadeadas como resposta a uma determinada
situação (48), permite aos indivíduos aumentar a capacidade para desempenhar atividades de autocuidado, conquistando o controlo da sua vida e satisfazendo os seus objetivos pessoais (40). Assim, a autoeficácia dá uma noção de controlo sobre o ambiente. Consistindo numa avaliação subjetiva sobre o que a pessoa consegue fazer, influencia inevitavelmente o que as pessoas sentem, pensam e realizam (58). O estabelecimento de objetivos de vida pode variar de acordo com as circunstâncias. De facto, o estabelecimento de objetivos é influenciado por muitos fatores nomeadamente a idade, o sexo, a personalidade, as experiências e a sociedade. Os indivíduos podem estabelecer objetivos: autoimagem; motivação abstrata, como o poder, a fama, a riqueza; pessoais, como a carreira, a família e relacionamentos; contextuais, tais como ter melhores resultados académicos; e, por fim, para ações imediatas, como ler e escrever (59). O atingir de objetivos proporciona bem-estar (59). Constata-se ainda que, apesar de frequentemente estarem relacionados com a motivação e interesse em participar, os objetivos relacionados com tratamento nem sempre são coincidentes para todos os intervenientes, sendo que esta discordância nem sempre é clara (57) (59). Por vezes, apenas a reorientação de objetivos ajudará o indivíduo a lidar com a doença; pois não são raras as expectativas irrealistas, posteriormente geradoras de ansiedade e desconforto. No entanto, é de salientar que indivíduos com uma maior perceção de bem-estar identificam melhor os seus objetivos de vida, têm maior dedicação aos mesmos e maior sensação de sucesso na sua concretização, ao passo que a sua ausência conduz à perda do sentido de vida, à apatia e até mesmo ao suicídio, em situações extremas (59).
A terceira categoria refere-se aos fatores físicos, como a destreza, a força e outras capacidades psicomotoras, no fundo, o estado funcional (54). A capacidade para desempenhar o autocuidado é, por si só, uma condição necessária para o executar (54)
(40). Como exemplo pode-se referir a diminuição da acuidade visual, sendo encarada
como perturbadora do autocuidado (50).
Os fatores demográficos reportam-se à idade, ao sexo, à educação, ao nível socioeconómico e ao estilo de vida dos indivíduos (37). Assim, relativamente ao sexo, o feminino está associado a mais comportamentos de saúde, melhor autoeficácia e maior capacidade de autocuidado, o que, no entanto, se vai diluindo à medida que as pessoas envelhecem (52). Por sua vez, constata-se que as pessoas que têm uma atitude negativa face ao envelhecimento desenvolvem menos práticas de autocuidado
(43). Ainda na comparação por sexos, o feminino tende a valorizar mais a família, os
aspetos relativos ao cuidado doméstico e a dimensão social, enquanto o masculino destaca as dimensões económica e profissional (59).
Finalmente, os fatores socioculturais estão relacionados com o suporte familiar, com o suporte social, com as crenças e práticas culturais, com as crenças e valores sobre a saúde e, também, com os recursos materiais disponíveis (53) (60) (50) (36).
O apoio proporcionado pela família é também de vital importância (43) (59). Aliás, alguns autores consideram que o apoio social é o mais importante dos fatores extrínsecos (43). Os indivíduos com maiores níveis de suporte social têm maiores probabilidades de se adaptarem às situações. Por último, o apoio que os profissionais de saúde proporcionam é fundamental para a motivação para o autocuidado (59). Contudo, estes também aumentam as dependências e diminuem a tomada de decisão do indivíduo
(32). Por exemplo, quando os profissionais de saúde demonstram pessimismo face à
evolução positiva dos indivíduos, provocam desmotivação nestes, ou seja, acabam por induzir na pessoa um certo conformismo em relação à situação (50). Outra situação semelhante acontece quando os profissionais comentam publicamente o facto de alguns indivíduos serem muito passivos e nunca pedirem ajuda para nada, transformando tal passividade num modelo a seguir pelos restantes; assim, de forma consciente ou não, os próprios enfermeiros podem incentivar à permanência da dependência, não estimulando o autocuidado (50).
Na literatura, foi possível encontrar-se numerosos fatores, intrínsecos e extrínsecos ao sujeito, capazes de influenciar as atividades de autocuidado. As vivências de uma situação patológica que obriga a pessoa a passar subitamente a depender de terceiros para desenvolver as atividades de vida diárias, que até aí desenvolvia sem dificuldade, são eventos ou acontecimentos que dão origem a um processo difícil e moroso de reconstrução da autonomia, processo esse que é influenciado por múltiplos fatores. Planear a mudança para capacitar a pessoa a reconstruir a autonomia requer conhecimento empírico substantivo acerca do problema. Contudo, embora o autocuidado esteja gradualmente a ganhar importância, o conhecimento disciplinar neste domínio ainda é escasso para explicar as transições que os indivíduos com défices de autonomia desenvolvem. De facto, os profissionais, nomeadamente os enfermeiros, dispõem de conhecimento insuficiente acerca dos conteúdos específicos nesta área e das relações entre as diversas variáveis que se relacionam com o fenómeno, estando, por isso, limitados na promoção de respostas mais eficazes para ajudar os seus clientes a lidar com estas transições.