• Aucun résultat trouvé

Villes et châteaux : la genèse

I. Des châteaux à l’origine de villes

2) Le type secondaire

A Enfermagem centra-se no processo e experiência do ser humano que lida com transições, facilitando a melhoria do estado da condição de saúde e a perceção de bem-estar como resultados sensíveis aos seus cuidados. Apesar das diferenças individuais, os estudos têm vindo a demonstrar que os clientes em transição apresentam respostas semelhantes ao longo da transição sendo, por isso, possível falar em padrões de resposta. Os padrões de resposta às transições podem ser monitorizados através de indicadores capazes de traduzir, entre outros, o nível de conhecimentos e o nível de desempenho necessários para fazer face às novas situações e contextos e ao impacto do evento na saúde (3) (4). Os resultados da monitorização dão indicações sobre a evolução da transição.

As transições podem ser consideradas saudáveis ou não saudáveis (3). A transição não saudável, ou ineficaz, é caracterizada por défice no desempenho de papel, isto é, dificuldade na compreensão e/ou desempenho de um papel, ou nos sentimentos e objectivos associados ao comportamento, tal como é percebido pelo próprio ou por significativos.

A transição saudável é caracterizada pela existência de mestria nos comportamentos e nos sentimentos associados ao novo papel e identidade. Quando a transição é saudável os sentimentos de stresse iniciais são substituídos pela sensação de bem- estar (3) (4). A mestria refere o domínio de ‘novas’ competências para lidar com a ‘nova’ condição adequadamente.

O bem-estar emocional, as relações interpessoais e a mestria têm sido considerados indicadores de sucesso da transição (3) (9) (13) (18). São, também, considerados indicadores de uma transição saudável: a qualidade de vida, a adaptação, a auto- atualização, a capacidade funcional, o maior nível de consciencialização, a transformação pessoal e a energia disponível (13).

A identificação do término da transição toma como referência, por um lado, o nível de mestria revelado nas competências adquiridas e nos comportamentos necessários para lidar com a situação ou ambiente e, por outro, a perceção de satisfação com o equilíbrio atingido (4).

As respostas das pessoas ao longo da transição são denominadas de indicadores, sejam eles de processo ou de resultado.

1.2.4.1. Indicadores de processo

Os indicadores de processo constituem aspetos que permitem caracterizar as respostas à transição e o modo como esta se está a desenrolar. Dada a natureza longitudinal da transição importa definir e avaliar as dimensões relativas ao seu progresso, de modo a obter dados comparáveis com os resultados esperados ao longo do tempo.

Na teoria das transições de Meleis são considerados indicadores de processo: o sentir-se ligado, o interagir, o sentir-se situado e o desenvolver confiança e coping.

1.2.4.1.1. Sentir-se ligado (feeling connected)

A necessidade de estabelecer relações com os outros, sentindo-se e estando “ligado”, é um aspecto fundamental para o bem-estar. A interação com os outros, quer em novas relações quer em relações mais antigas, assume-se como relevante para o desenrolar da transição, em particular como fontes de apoio e informação. Esta circunstância assume particular relevo quando se trata da necessidade de sentir-se ligado ao profissional de saúde, enquanto recurso para o desenrolar da transição. Aliás, sentir-se confortável na relação com o profissional de saúde tem sido considerado um indicador positivo da experiência da transição (4).

1.2.4.1.2. Interagir

Por vezes, os eventos exigem a reorganização da forma de interagir com os outros. De facto, as interações com os outros podem ser influenciadas pelas mudanças na condição de saúde. Há situações em que a lógica da interação necessita ser reformulada pois pode haver compromisso, por exemplo, da capacidade de mobilização ou a necessidade de outros para a realização de tarefas que antes conseguia realizar sem ajuda. Apesar de o diagnóstico de uma determinada doença constituir um evento crítico para todos, o significado atribuído ao défice na capacidade para o autocuidado e para a necessidade de tomar conta é diferente de díade para díade, influenciando, por essa via, a interação (4). Assim, a qualidade e a natureza da interação determinam o nível de eficácia e de harmonia na relação entre precisar e ajudar.

1.2.4.1.3. Sentir-se situado

O sentir-se situado traduz a consciencialização e a aceitação da condição de saúde. A reconstrução dos significados face aos eventos e respostas à transição favorecem o sentir-se situado, já que contribuem para uma perceção mais ajustada da realidade. Meleis et al. (4) (3) referem que a comparação da vida anterior com a atual facilita a construção do sentir-se situado, em termos de tempo, de espaço, de relacionamentos e aceitação do estado de saúde. Assim, o sentir-se situado vai depender da congruência entre a realidade e a perceção, as expectativas e a consciencialização que a pessoa tem da sua própria circunstância e do modo como está a lidar com a

mudança e diferença. Importa, por isso, que os enfermeiros monitorizem de forma sistemática estes aspetos enquanto indicadores de processo.

1.2.4.1.4. Desenvolver confiança e coping

Um outro indicador a valorizar para caracterizar o processo de transição é o aumento do nível de confiança para lidar com a nova condição e a capacidade para tomar decisões em relação ao novo modo de viver. O desenvolvimento da confiança é manifestado tanto pelo nível de compreensão dos aspetos associados ao diagnóstico, tratamento, recuperação e viver com limitações, como pelo nível de utilização de recursos, e pela adoção de estratégias para gerir com eficácia a nova condição de saúde.

O coping corresponde a um processo progressivo, durante o qual as pessoas vão revelando maior e mais consistente conhecimento sobre a situação e melhor compreensão sobre os eventos e pontos críticos da situação, como resultado da sua experiência vivida. De acordo com o ICN, coping é descrito como a disposição para gerir o stresse face a situações que desafiam os recursos individuais de modo a satisfazer as exigências da vida, caracterizando-se por sentimentos de controlo, diminuição do nível de stresse, verbalização da aceitação da situação e aumento do conforto psicológico (21).

1.2.4.2. Indicadores de resultado

Um indicador corresponde a um parâmetro que mede a diferença entre a situação que se espera atingir e a situação actual. Os indicadores de resultado, por seu turno, indicam os resultados em função do esperado. Assim, os indicadores de resultado permitem duas situações: por um lado, facilitam a identificação do final da transição; e, por outro, possibilitam a avaliação da evolução do desenvolvimento de competências, comparando com os resultados finais determinados. Os indicadores de resultados podem ser definidos em patamares intermédios, ao longo do tempo, permitindo a identificação, faseada e final, dos ganhos em saúde.

Meleis et al. (4 p. 26) apresentam dois indicadores de resultado: a mestria e uma nova identidade (4). De facto, importa desenvolver competências para gerir a nova condição e desenvolver novos padrões de pensar e agir face à situação actual. Assim, a consequência da transição saudável será a perceção de conforto na nova identidade, isto é, ‘a fluid yet integrative identity’ (4 p. 26).

1.2.4.2.1. Mestria

O fim de uma transição é determinado a partir do momento em que a pessoa evidencia domínio dos conhecimentos, das habilidades e dos comportamentos necessários para lidar com as novas circunstâncias (15). O desempenho de papel com estas características é designado de mestria.

A mestria desenvolve-se a partir da incorporação de capacidades e da reformulação das relações com as novas capacidades, adquiridas e/ou desenvolvidas, e dos novos equilíbrios nas relações, ao longo do processo de transição (4). A mestria possui como componentes: (a) a competência associada ao conhecimento ou habilidade cognitiva; (b) a iniciativa; (c) a destreza psicomotora; (d) a auto-confiança; e, (e) a capacidade para tomar decisões e empreeender acções, implicando, nesta conjetura, um desempenho de papel com satisfação e perícia (15).

O desempenho com perícia de uma determinada habilidade leva tempo. Por isso, é esperado que não se evidencie nas fases iniciais da transição. Todavia, com o passar do tempo, a mestria pode indiciar uma crescente estabilidade.

No estudo desenvolvido por Schumacher & Meleis (18) foram identificados como indicadores de mestria da família prestadora de cuidados: o verbalizar a capacidade para tomar decisões face à nova condição; o possuir as competências necessárias para prestar cuidados a outros; o monitorizar e interpretar sintomas; o providenciar cuidados e o aceder a recursos; entre outros.

1.2.4.2.2. Identidade integradora fluida – reformulação da identidade

A experiência da transição resulta numa reformulação da identidade, enquanto reorganização que os indíviduos fazem da realidade social (4) (9) (26). A reformulação da identidade resulta de um processo de integração, caracterizado pelo ajustamento entre a pessoa e o contexto e pela coordenação entre os antigos e os novos papéis (27). É com base nestes fundamentos que se assume a noção de que a identidade é dinâmica e variável, sendo influenciada e influenciando o contexto. Assim, é esperado que cada pessoa, na procura de um novo equílibrio, redefina a natureza das relações que estabelece com o ambiente e com os outros, de forma dinâmica e ao longo do tempo.

Ao lidar com as mudanças e diferenças, cada pessoa necessita reformular o seu modo de viver, incorporando novos modos de ser e de estar na sua identidade. Este processo não é estático, nem estável, antes pelo contrário, é dinâmico e fluido (4). Conhecer as respostas, reais e potenciais, à transição, permite valorizar o conhecimento que a pessoa possui sobre o que está a viver, sobre os seus próprios recursos e a forma como poderá lidar com os momentos críticos que possam surgir ao longo do processo; o culminar de uma transição de forma saudável, para além de se manifestar pela mestria no desempenho do papel, evidencia-se pela capacidade de integrar de forma dinâmica as novas circunstâncias e condições na sua identidade - identidade integradora fluida.

Acresce ainda o facto de a identidade reformulada ser, após o atingimento do equilíbrio, tendencialmente estável, como por exemplo a identificação de alguém que teve um filho, com a identidade materna. Todavia, outras há em que a nova identidade é fluída e dinâmica, e tendencialmente instável. O exemplo apresentado por Meleis et al. (4) para caracterizar esta situação é o caso dos emigrantes, cuja nova identidade tende a ser mais fluída e inconstante, dada a natureza dinâmica da transição.