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TRANSFORMATIONAL GOVERNANCE PILLAR

Chapter 2: District Over view

3.2 Main Issues at the District level driving the elaboration of the DDS

3.2.3 TRANSFORMATIONAL GOVERNANCE PILLAR

Em Minas Gerais, o estudo sobre o apagamento da vogal átona final, realizado por Oliveira (2006) e o artigo de Viegas e Oliveira (2008) que analisam dados de fala oral e escrita buscam mostrar, dentre as variáveis analisadas, o apagamento da vogal átona final, bem como identificar e analisar os fatores linguísticos e sociais que influenciam a variabilidade na fala da comunidade pesquisada. O apagamento pode ser verificado na localidade em realizações de fala do tipo [ama»RElU] ~ [ama»REl] ~ [ama»RE¬]; [»eli] ~ [»el] ~ [»e¬].

Para obter as ocorrências desejadas na Dissertação e no artigo, os autores utilizaram dois tipos de amostra: uma amostra de fala recolhida através de entrevistas gravadas na residência de cada informante, e uma amostra da fala escrita recolhida através de edições de quatro jornais de Itaúna. Foi utilizado também o banco de dados do Lael/PUC/SP, com vistas a fazer comparações com o corpus coletado. A seleção dos informantes foi realizada de forma bastante controlada. A amostra era constituída de 16 informantes, jovens e adultos, distribuídos em duas faixas etárias: 15 a 20 anos e 30 a 40 anos. Quanto à escolaridade, todos possuíam o 2º grau completo.

Para análise quantitativa dos dados foram utilizados os softwares GoldVarbX (Varbrul) que expressa resultados em peso relativo e o SPSS v.13.0 (SPSS) que expressa resultado em razão de chances de utilização da variante. Além disso, para análise acústica, foi utilizado o software PRAAT, versão 4.4.063, a fim de analisar alguns espectrogramas de fala natural.

Utilizando o modelo multinomial os autores apresentam resultados, para as variáveis independentes significativas, que mostram que o apagamento da vogal final na cidade de Itaúna é favorecido por fatores externos e internos. Dentre as conclusões a que chegaram, destacam as seguintes (Viegas e Oliveira, 2008, p.124-126):

- no que se refere ao sexo do informante, os homens apagam mais a vogal final do que as mulheres (2,9 vezes mais18) .

- a variável faixa etária não apresentou diferença significativa entre jovens e adultos (jovens RC = 0,9; adultos RC = 1,0).

Na interação entre gênero e faixa etária, os dados mostraram que homens jovens apagam mais (2,8 vezes mais), colocando-se, portanto, à frente dos processos.

- no que se refere aos fatores internos, o processo de apagamento é favorecido pela altura da vogal da variável, corroborando com a hipótese de que as vogais mais altas e mais reduzidas são as primeiras atingidas em um processo de redução e apagamento gradual das vogais (RC [i] = 3,7; RC [u] = 4,4).

- o apagamento da vogal é favorecido também por um contexto vocálico seguinte. O encontro de vogais na juntura favorece o apagamento da vogal final. Daí fala-se em processos de degeminação e elisão ou processo geral de apócope da vogal com possível ressilabação (contexto seguinte vogal RC = 2,6).

- o apagamento da vogal caracteriza-se como um processo mais geral, no qual não há atuação da classe da palavra (não há diferença estatística entre as classes: Nome = 1,1; pronome = 1,4; verbo = 1,0).

- Há indícios de um processo de etiologia articulatória19, podendo ser caracterizado como pós-lexical devido à gradualidade fonética e devido à ausência de atuação morfológica no processo.

2.3.2.1 No Esboço de um Atlas Lingüístico de Minas Gerais (EALMG)

Em Minas Gerais, área onde, segundo estudos de Viegas e Oliveira (2008), apresenta- se o apagamento da vogal átona final diante do /l/, encontra-se documentada a apócope e um alto índice de redução da vogal átona final no Esboço de um Atlas Lingüístico de Minas Gerais (EALMG). Tendo como autores Mário Roberto Lobuglio Zágari, José Ribeiro, José Passini e Antônio Gaio, o EALMG teve seu primeiro volume publicado em 1977, sendo o segundo atlas linguístico elaborado no Brasil.

O EALMG é a primeira publicação de uma série de três volumes previstos. Este atlas documenta dados linguísticos de 116 localidades do Estado de Minas Gerais, distribuídos por todo o estado de forma assimétrica, de modo a haver aproximadamente 70 km de distância entre um ponto e outro. Compreende 45 cartas analítico-sintéticas, fonéticas ou lexicais, e 29 sintéticas que resumem fatos fonéticos ou a distribuição diatópica das variantes lexicais.

Compõe o seu quadro de informante: homem ou mulher, casado ou solteiro, com idade variável entre 30 e 50 anos, cuja escolaridade não ultrapasse a quarta série do primeiro grau. Fez-se a pesquisa direta, in loco, a fim de coletar dados de fala espontânea, utilizando-se um questionário de fácil manejo, porém capaz de dar uma imagem dos principais aspectos

linguísticos da região. Também foi feita a pesquisa indireta através de questionário próprio por correspondência com finalidade exclusiva de teste e controle de respostas obtidas em determinadas áreas.

Os dados coletados no EALMG revelaram somente um caso de apócope da vogal átona, no entanto, mostram uma frequência alta de formas reduzidas de vogal átona final que podem indicar essa tendência. Na carta 35, a variante [»pik] (pique) ocorre, sem a vogal final, em 55 localidades, das 116 pesquisadas, apresentadas na ordem em que estão relacionadas no atlas:

5. Pirapora; 15. Almenara; 21. Teófilo Otoni; 23. Nanuque; 24. Santa Vitória; 25. Ituiutaba; 27. Monte Alegre; 30. Indianópolis; 38. Governador Valadares; 40. Prata; 42. Frutal; 44. Veríssimo; 45. Uberaba; 46. Sacramento; 47. Araxá; 49. Bom Despacho; 50. Bambuí; 51. Piu)i; 52. Cordisburgo; 55. Sabará; 57. Nova Era; 58. Timóteo; 59. Caratinga; 60. Galiléia; 62. Pará de Minas; 63. Itaúna; 65. Conselheiro Lafaiete; 67. Mariana; 69. Manhumirim; 71. Alfenas; 72. Varginha; 73. Formiga; 74. Oliveira; 75. Viçosa; 76. Muriaé; 77. Carangola; 79. Guaxupé; 80. Muzambinho; 81. São João del-Rei; 83. Ubá; 85. Poços de Caldas; 89. Lavras; 90. Andrelândia; 93. Santos Dumont; 95. Juiz de Fora; 97. Mar de Espanha; 100. Além Paraíba; 101. Pirapetinga; 2A. Unaí; 5A. Iturama; 5B. Campina Verde; 5C. Tupaciguara; 6A. Silverânea; 6B. Rodeiro; 7A. Itajubá.

Como se pode observar, as ocorrências estão distribuídas por grande parte do estado: Nordeste, Centro e Sul, inclusive no Triângulo Mineiro. Esses pontos em que ocorreu a apócope podem ser verificados na carta 35 do EALMG, ANEXO G.

As formas reduzidas estão documentadas em quase todas as cartas do atlas e há casos em que todas as ocorrências da variável nas cartas são de formas reduzidas como se pode ver, por exemplo, na carta 6, serenu [sE»Re)nu], na carta 8, mormaço [mçx»masu], na carta 15,

veranico [vERa)»niku] e na carta 31, gude [»gudi] em que as ocorrências refletem a variação com uma vogal átona final pouco nítida. Essa atonicidade final fraca está prevista na apresentação metodológica do atlas (1977, p. 35) “as vogais [a, i, u] impressas um espaço acima da cadeia sonora indicam atonicidade máxima ou final: /kaRta/”.