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The District Vision, Mission and Objectives

Chapter 2: District Over view

4. Strategic Framework

4.1 The District Vision, Mission and Objectives

A Chapada Diamantina está no coração geográfico da Bahia. Chapada é a denominação usada para as grandes superfícies, por vezes horizontais, e a mais de 600 metros de altitude. Segundo registros do IBGE, o termo Chapada Diamantina foi utilizado oficialmente pela primeira vez na resolução nº 143, de 13 de julho, da Assembléia Geral do Conselho Nacional de Geografia. A Chapada Diamantina configura-se como uma imponente muralha de cotas altimétricas superiores a 2.000 metros, separando o Vale do São Francisco, situado a Oeste e a região que a Leste se estende até o litoral.

A divisão regional do Brasil em Mesorregiões e Microrregiões Geográficas aprovada pela presidência do IBGE através da Resolução PR – 51, de 31/07/89 redistribui os municípios que compunham a Chapada Diamantina (Meridional e Setentrional) em duas Mesorregiões (Centro Norte Baiano e Centro Sul Baiano) e sete Microrregiões (Irecê, Jacobina, Boquira, Brumado, Jequié, Livramento do Brumado e Seabra), desaparecendo assim, o antigo designativo de Chapada Diamantina Meridional e Setentrional.

Não se pode falar de Seabra e Beco sem antes conhecer um pouco sobre o aspecto histórico do povoamento da Chapada Diamantina. São três localidades e uma única história. Seabra e Beco são apenas as veias por onde escoava toda a produção diamantífera da época como atesta Sá Teles (1990, p.9) “Eram, sobretudo, caminhos que desde o século XIX levavam aos garimpos do ouro, diamante e carbonatos, que floresceram em Rio de Contas, Lençóis, Andaraí, Palmeiras, Mucugê, Jacobina e Morro do Chapéu”.

Esses caminhos aos quais se refere o autor já existiam desde a primeira fase da mineração. Santos (2001) ressalta que o caminho do rio das Velhas para o Recôncavo Baiano tinha duas finalidades: uma era estabelecer a ligação mercantil entre a região das novas minas e a “cidade da Bahia” e outra era prover de gado a mesma região, trazendo dos vales dos rios das Velhas e São Francisco as famosas boiadas para o consumo da sua população. Para o autor, a designação caminho está inteiramente inserida no contexto histórico geral e explica a questão terminológica:

Tanto a denominação “caminho do rio São Francisco” quanto ”caminho da cidade da Bahia para minas do rio das Velhas”, bem como variações de ambas, são encontráveis nos contextos contemporâneos da primeira fase da mineração. Já os historiadores referem-se ora ao “caminho do São Francisco”, “estrada do São Francisco”, “caminho dos currais do São Francisco”, “caminho dos currais”, ou por fim, “caminho da Bahia” (p.118).

Na verdade esses caminhos eram rotas do homem a pé ou a cavalo, dos tropeiros, viajantes, boiadas ou cavalhadas que levavam dos principais centros distribuidores, através do “caminho da Bahia”, as mercadorias para Salvador. O caminho da Bahia funcionou durante longas décadas como a via de ligação das áreas mineradoras com o Recôncavo Baiano. Também era via por onde escoava o gado dos rios das Velhas e do São Francisco.

O povoamento da Chapada Diamantina está intimamente ligado ao ciclo do ouro e ao ciclo do diamante. As Lavras Diamantinas atraíram muitos exploradores, principalmente paulistas e mineiros, que desbravavam o sertão em busca de riquezas. Ocorreu, nesse momento, uma verdadeira corrida para a fortuna. Houve um deslocamento maciço de homens de todas partes para a exploração do diamante em terras baianas. Nessa época, a cata do diamante se tornou a principal atividade econômica no interior do país (Cf. Bandeira, 1995, p.41).

Os primeiros rumores de produção diamantífera em território baiano, datam de 1817, mas, segundo Bandeira (1995, p.42), guardou-se segredo porque as extrações de diamantes estavam proibidas em território baiano desde 16/03/1731 por Carta Régia assinada pelo governador Vasco Fernandes César de Menezes. Bandeira (1995, p.44), compactua com a afirmação de Prado Júnior20 de que “as jazidas diamantíferas foram conhecidas em 1732”, portanto três anos após as descoberta nas lavras do Tijuco, Minas Gerais e conclui “Assim seguramente concluímos que a primeira descoberta do diamante na Bahia aconteceu em 1732, em Jacobina, conforme ocorreu com o ouro”.

Quando um grupo de garimpeiros descobria uma jazida, erguia-se em pouco tempo um arraial. Verdadeiros conglomerados humanos propiciaram a criação de vilas, que, depois, tornavam cidades. Quatro dessas vilas compuseram as Lavras Diamantina e, assim, criou-se, em 1847, a Vila de Santa Isabel do Paraguaçu (Mucugê), em 1856, a Comercial Vila dos Lençóis (Lençóis), em 1884, a Vila de Andaraí (Andaraí) e, finalmente em 1890, a Vila Bela das Palmeiras.

No final do século XIX, com o surgimento das cidades e a corrida pelo diamante, a Chapada Diamantina transformou-se numa disputa acirrada pelo poder. O poder do sertão era dividido entre as oligarquias locais quase sempre representadas por um coronel em uma facção política dominante. A figura do coronel era a própria lei. O analfabetismo reinante, as precárias condições de vida, o desemprego, a falta de assistência são alguns fatores que, naquela época, fizeram do sertanejo um prisioneiro do coronel que quase sempre os acolhia

20 Caio Prado Junior. Formação do Brasil Contemporâneo, apud IBGE, Enciclopédia dos Municípios

em troca de “gratidão”. Eram todos transformados em jagunços para lutar quando o coronel sentisse o seu domínio ameaçado.

A Chapada Diamantina transformou-se num palco de lutas e intensos conflitos entre os coronéis na busca incessante pelo poder. Bandeira (1995, p.49) descreve:

A jagunçada de prontidão prepara emboscadas. Cometem-se crimes bestiais. A guerra está declarada nas Lavras Diamantina, e o coronel Felisberto de Sá impõe uma perseguição implacável ao seu opositor, o coronel Heliodoro de Paula Ribeiro.

E diz ainda:

Por esse tempo, o coronel Heliodoro de Paula Ribeiro ainda desfrutava de algum prestígio com o governador Luis Viana, com o qual consegue deslocar um esquadrão de polícia para Cochó do Malheiro, onde foi aquartelar-se, juntando-se com dezenas de jagunços que recebiam voz de comando do ardiloso e valente José Montalvão.

A Chapada Diamantina viveu um longo período envolvida em conflitos, desafetos, crimes e acerto de contas. A instabilidade era geral nessa época, como mostra Bandeira (1995, p.51):

O perigo rondava as feiras livres, os garimpos, os caminhos que conduziam de um povoado ao outro, enfim, em qualquer local, num piscar de olhos, o inimigo poderia se confrontar com o seu desafeto. Ai de quem tivesse contas para acertar com Pedro Mariano, José Montalvão, José Beiço Rachado, Vitor Matos, Tanajura entre outros.

A guerra entre coronéis, na Chapada Diamantina, termina quando morre Horácio de Matos, silenciando para a eternidade, o mais aguerrido dos coronéis, como afirma Bandeira (1995).

Na primeira metade do século XX, outro grande momento de instabilidade vivido na Chapada Diamantina foi a passagem da Coluna Prestes que empreendeu uma marcha revolucionária pelo interior do país que durou dois anos e três meses. A Coluna Prestes era conhecida como “revoltosos” no Nordeste, como descreve Bandeira (1995, p.56).

Inicialmente, a Coluna dos rebeldes, ou revoltosos, como eram denominados no Nordeste, marcharam no sentido Norte/Nordeste. Após alguns meses de percurso, em meio a muitos combates com as forças legalistas, já em solo goiano, penetram pela primeira vez no Estado da Bahia, em setembro de 1925.

Quando as forças legalistas perceberam que estava sendo difícil combater nos moldes militares a Coluna Prestes, foram criados Batalhões Patrióticos, formados às custas do

Governo Federal para reagir à Coluna. Tais Batalhões eram compostos de civis, militares e jagunços dos coronéis do sertão da Bahia e de Goiás.

A simples notícia dos revoltosos espalhava pânico por toda a região. As pessoas abandonavam suas casas e fugiam para lugares mais seguros. Sobre esse fato, Bandeira (1995, p.58), comenta:

Foi um alvoroço. A falta de notícias corretas e atualizadas deixava as pessoas desorientadas, e, que, via de regra, abandonavam suas casas e escondiam-se no mato, sobretudo as que residiam na linha de rota por onde a marcha dos revoltosos passaria, aumentando, portanto, a ansiedade e a insegurança.

A passagem dos revoltosos foi um fato que deixou marcas indeléveis na história das comunidades que situavam na via por onde eles passavam. As atrocidades cometidas pelos revoltosos ou pelas tropas legalistas marcaram uma geração que, apesar de jovem e criança na época, conviveu com o medo e a insegurança espalhados por toda parte.

3.2 DE COCHÓ21 DO PEGA A SEABRA

Seabra é uma das Microrregiões da Chapada Diamantina e Mesorregião Centro Sul Baiano, além de ser o Centro Geográfico do Estado. O município de Seabra foi criado como território da Freguesia de “Nossa Senhora da Conceição do Campestre”, desmembrado do município de Lençóis, com a denominação de “Vila Agrícola do Campestre” pela Lei provincial Nº 2652, de 14/05/1889, sendo instalado em 14/12/1889.

Em princípios do século XVII, florescendo as minas de ouro de Jacobina e de Rio de Contas, a metrópole determinou a abertura de uma estrada que ligasse os dois núcleos de exploração aurífera. Essa estrada que cortava as terras hoje pertencentes ao atual município de Seabra, então desertas, atraiu os seus primeiros povoadores constituídos na maior parte de portugueses que, depois de desiludidos com as exigências reais vinculadas à mineração, aí se fixaram, organizando fazendas de criatórios e de lavouras. Documentos e registros públicos referentes a doações feitas pelo governo imperial de fazendas aos antigos desbravadores deste território confirmam a maneira do seu povoamento no início.

Os núcleos de povoações surgiram, consequentemente, a partir de 1665. Um desses núcleos foi o povoamento de Cochó do Pega, distante a doze quilômetros da vila Campestre,

21 Palavra não dicionarizada. De acordo com Cid Teixeira, a designação Cochó significa depressão, vale, lugar baixo. Tomando por base o contexto histórico, Cochó foi o local exato em que teve um “pega” entre os homens de Horácio de Matos e a polícia.