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A. Pilotage des transistors à effet de champ en GaN

4) Transfert d’ordres de commande

Uma parte importante da produção artística armorial está na poesia e, embora a considere o centro de sua obra, Suassuna tem preferido guardar boa parte dos seus poemas para o romance que está a escrever desde 1981 com novas aventuras de Quaderna. A primeira publicação de Ariano Suassuna foi o poema Noturno, editado quando este tinha 18 anos de idade, daí em diante alguns poemas seus foram publicados em suplementos e revistas literários, dentre as quais destaca-se a revista Estudantes da Faculdade de Direito de Recife. Dez anos depois da publicação de Noturno, em 1955, o autor fez uma selecção dos poemas que tinha escrito até então, à qual deu o título de O

Pasto Incendiado, porém o livro continua inédito. Encontra-se dactilografado, com

epígrafe e sumário, montado numa encadernação artesanal. O Pasto Incendiado divide- se em duas partes, cada uma corresponde a cinco anos da produção poética de Suassuna:

A Taça (1945-1950) e O Pasto (1950-1955). A obra reúne ainda alguns poemas de

outros autores – como Nelson Saldanha, José Laurenio de Melo e Manuel de Lira Flores -, enviados a Ariano através de correspondências poéticas. Ainda em 1955, Suassuna publica Ode, em duas edições pelo O Gráfico Amador. A primeira edição contou com uma tiragem de apenas doze exemplares, e é composta por um único poema, A

Laurenio; a segunda edição, segundo Carlos Newton Júnior, ficou em torno de 25

exemplares. Em 1969, Ariano participou da antologia Presença Poética do Recife, organizada por Edilberto Coutinho, com o poema Canto Armorial ao Recife: Capital do

Reino do Nordeste. A última publicação conhecida da poesia de Suassuna em livro será

encontrada na Seleta em Prosa e Verso de Ariano Suassuna, publicada em 1974, na Colecção Brasil Moço, dirigida por Paulo Rónai. O seu último lançamento poético fica a cargo do CD intitulado A poesia viva de Ariano Suassuna (1998). Suassuna nunca abandonou a poesia que produz de forma fervorosa e intensa, embora seja mais conhecido como dramaturgo e romancista. Pode-se dizer que a culpa do grande público não conhecer sua produção poética, em parte, é do próprio autor. Ele mesmo assume que é “de propósito”82. Suassuna afirma que nunca quis que a sua obra poética ficasse dispersa83, por isso a guarda para compila-la no seu próximo romance, bem como julga

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SUASSUNA, Ariano. Aula proferida no Theatro Municipal do Rio de Janeiro a 10 de Junho de 2007 em comemoração aos seus 80 anos. A mestranda teve acesso através do vídeo da Aula, disponiblizado pelo Jornal O Globo Online na edição de 11 de Junho de 2007.

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“Eu não queria que a minha poesia aparecesse de forma fragmentada, porque ela faz parte de um conjunto maior”. SUASSUNA, Ariano. Cadernos de Literatura Brasileira. Op. Cit. p. 32.

que a sua poesia é “muito obscura, cheia de símbolos e imagens”84, o que a torna menos ‘editável’. “Eu não gosto de poesia muito clara. Então, a minha poesia é

carregada de imagens, metáforas, portanto meio difícil. Schelling dizia que a poesia é feita dos melhores momentos e dos melhores espinhos. E não é?”85. Suassuna distribui a outra parte da culpa de não ser conhecido como poeta aos editores. “Os editores não se

interessam muito por poesia não, principalmente quando eles sabem que a gente escreve outras coisas. Quando eles sabem que a gente escreve teatro, romance e conto, perguntam logo se não temos algo nesses géneros, não é? Porque poesia vende pouco”86. Nos anos 60, os suplementos literários dos dois principais jornais de Recife, o

Diário de Pernambuco e o Jornal do Commercio, publicavam poemas armoriais, bem

como as revistas Estudos Universitários, editada pela Universidade Federal de Pernambuco e uma de bolso intitulada Lírica, agrupavam e editavam poemas de autores armoriais a exemplo de Marcus Accioly, Ângelo Monteiro e Janice Japiasssu. Alguns dos poemas de Suassuna foram também publicados quer em ensaios críticos, em colecções ou mesmo avulsos, o que ainda não houve e espera-se é de uma Antologia que dê conta da sua obra poética como um todo.

No plano da estrutura, a produção poética suassuniana é metrificada, com rima e estrofação regulares. Em seus primeiros poemas percebe-se sempre o eco da sua genealogia literária que o acompanhará por toda a vida. São eles: Camões, Dante, Shelley e Keats, bem como os brasileiros Ascenso Ferreira e Jorge de Lima e acima, no panteão, os poetas do século de ouro espanhol, com destaque para Federico Garcia Lorca. Através de Lorca é que Suassuna tem contacto com o Romanceiro ibérico, fonte de inspiração para além da sua obra e projecto, para a sua vida. Tendo passado a infância no sertão Suassuna há muito que era um admirador do romanceiro popular nordestino, logo, o contacto com a poesia de Lorca e com o Romanceiro ibérico possibilita a Suassuna trilhar caminhos poéticos muito particulares. Seus primeiros poemas ligados a este romanceiro como A Morte do Touro Mão de Pau, Beira-mar, Os

Guabirabas, Encontro e A Barca do Céu, segundo o pesquisador Carlos Newton

Júnior87, possuem uma rima toante que é influência do romanceiro ibérico, por outro lado, em vez da quadra ibérica, Ariano dá preferência à sextilha ou repente, a estrofe mais usada pelos cantadores do sertão nordestino. O mesmo estudioso defende que já é

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SUASSUNA, Ariano. Aula proferida no Theatro Municipal do Rio de Janeiro a 10 de Junho de 2007. Op. Cit. 2007

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SUASSUNA, Ariano. Cadernos de Literatura Brasileira. Op. Cit. p. 32. 86

SUASSUNA, Ariano. Entrevista ao Jornal Folha de São Paulo. São Paulo, 26 de outubro de 1991. 87

possível falar-se de uma poesia Armorial desde 1946 e que aquando da deflagração do Movimento em 1970, Suassuna já se encontrava em plena maturidade poética. Newton Júnior vai além e afirma que para si o “amadurecimento de Ariano em direcção ao

Armorial passa, necessariamente, pela poesia”88. Suassuna já tinha utilizado a palavra

armorial antes mesmo da proclamação do Movimento, em três poemas: Canto Armorial

de 1950; Canto armorial ao Recife, capital do Reino do Nordeste, 1961 e, por fim, no verso “Bandeira, poeta Armorial!” do Poema de Arte Velha, de 1963. Toda a obra de Ariano é profundamente ligada às raízes artísticas populares nordestinas. Na poesia essa ligação manifesta-se em dois níveis específicos: primeiro no uso das formas poéticas do romanceiro popular nordestino, aliada à reelaboração erudita dos temas e assuntos de lá colhidos, que fazem surgir uma poesia que traz à luz o universo sertanejo com a música dos cantadores, as histórias das guerras sertanejas, as vestimentas dos vaqueiros e sua fauna e flora; o segundo nível fica por conta do carácter emblemático do texto verificado nas suas alusões às bandeiras, estandartes e ornamentos recriados na poesia através de imagens épicas.

O Sol de Deus

Mas eu enfrentarei o sol divino,

o Olhar sagrado em que a Pantera arde. Saberei porque o laço do Destino não houve quem cortasse ou desatasse.

Não serei orgulhoso nem covarde, que o Sangue se rebela ao som do Sino. Verei o Jaguapardo e a luz da Tarde, Pedra do sonho, cetro do Divino.

Ela virá – Mulher – aflando as asas, com o mosto da Romã, o sono, a Casa, e há de sagrar-me a vista o Gavião.

Mas sei também que, só assim, verei a coroa da chama, e Deus, meu Rei,

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assentado em seu trono do Sertão.89