Os podcasts são um recurso da Web 2.0 que oferece uma panóplia de oportunidades à aprendizagem da língua inglesa. A sua origem data de 2004, quando Adam Curry e Dave Winner conduziram o primeiro programa de rádio na Internet. O conceito de podcasting resulta da conjugação dos termos ipod, um leitor multimédia portátil lançado pela Apple e bradcasting, e pode ser definido como:
A podcast is a digital file that:
Plays audio (sound) or audio and vision (sound and something to view); with vision the term vodcast is sometimes used;
Is made available from a website;
Can be opened and/or downloaded (taken from the website offering it and placed in something of your own) and played on a computer; and/or
Is downloaded from a website to be played on a small portable player designed to play the sound and/or vision. (Salmon, Edirisingha, Mobbs &Dennett, 2008, p.1)
Esta tecnologia disseminou-se rapidamente devido à sua facilidade de produção e de publicação online. A sua notoriedade no ensino fica a dever-se a fatores como a facilidade de subscrição e a facilidade de utilização em ambientes diversos (Campbell, 2005), o facto de respeitarem os diferentes ritmos e estilos de aprendizagem (Carvalho & Aguiar, 2010) e, igualmente, pelo facto de se afigurarem como um elemento motivador para a aprendizagem e, inclusivamente, poderem potenciar uma melhoria da relação professor- aluno (Salmon et al., 2008). Na sua fase embrionária, os podcasts eram utilizados maioritariamente no ensino superior para a gravação e disponibilização de aulas, uma utilização que embora seja apreciada pelos alunos, mormente por potenciar a aprendizagem em contexto não formal, não esgota as potencialidades deste recurso educativo. De acordo com Edirisingha, Rizzi e Rothwell (2007), os podcasts deverão assumir diferentes propósitos pedagógicos, nomeadamente a promoção de uma aprendizagem autónoma,
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colaborativa e ativa; a provisão de recursos complementares às aulas; a disponibilização de instrumentos e procedimentos a utilizar numa atividade ou contexto específico. Para a operacionalização destas potencialidades, Edirisingha e Salmon (2009) sugerem oito contextos de utilização:
A divulgação de um podcast antes de uma aula teórica, de forma a antecipar a exploração de conceitos-chave;
A disponibilização de screencasts de demonstração de determinado software; A emissão de feedback relativo a trabalhos efetuados;
O fornecimento de orientações adicionais relacionadas com o processo de aprendizagem;
O provimento de orientações para a aprendizagem a distância; A promoção de competências reflexivas;
A promoção da aprendizagem individualizada e autónoma.
Apesar de todas as potencialidades elencadas, a utilização pedagógica de podcasts não se confina à sua utilização pelos professores. A tendência atual é para a utilização de podcasts gradualmente se dissociar da transmissão de conteúdos para potenciar aos estudantes criar e divulgar os seus próprios materiais, encorajando a aprendizagem autónoma, bem como o desenvolvimento de competências metacognitivas (McLoughlin & Lee, 2010).
No sentido de reconhecer e validar as potencialidades dos podcasts no domínio educativo, vários estudos têm sido levados a cabo. Destaca-se, seguidamente, o trabalho desenvolvido por Carvalho e Aguiar (2010), que culminou na conceção de uma taxonomia (ver Quadro 22) para “organizar, classificar e distinguir os vários podcasts utilizados no ensino” (Carvalho & Aguiar, 2010, p.7).
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Taxonomia de Podcasts, segundo Carvalho e Aguiar (2010)
Tipo Formato Duração Autor Estilo Finalidade
Expositivo/ informativo Feedback/ comentários Instruções/orientações Áudio Vídeo: - vodcast - screencast Enhanced Podcast Curto Moderado Longo Professor Aluno(s) Outro Formal Informal Informar Analisar Motivar/ sensibilizar Resumir/ sintetizar Refletir Questionar Incentivar Explicar Etc.
A taxonomia considera seis dimensões:
Tipo – nesta dimensão distingue-se entre podcasts do tipo expositivo / informativo que “contêm e fornecem informações de natureza diversa” (Carvalho & Aguiar, 2010, p.27), como por exemplo uma súmula de matéria lecionada, a análise de um texto, a gravação de um poema, etc.; podcasts do tipo feedback / comentários, relacionados com a emissão de uma apreciação crítica a tarefas / trabalhos desenvolvidos; podcasts do tipo instrução / orientação, que “disponibilizam indicações e/ou instruções para realizar determinadas tarefas ou executar trabalho prático, orientar o estudo ou fornecer recomendações” (Carvalho & Aguiar, 2010, p.28).
Formato – como já foi referido anteriormente, os podcasts poderão assumir o formato áudio, vídeo, ou a combinação da locução com imagens ou a captura do ecrã do computador.
Duração – As autoras distinguem entre podcast curto, com uma duração até cinco minutos; moderado, com um limite temporal de cinco a 15 minutos; ou longo, quando a duração ultrapassa os 15 minutos. Alertam, também, para as vantagens da utilização de podcasts de duração curta e moderada, optando por, no caso de conteúdo extenso, o segmentar em vários podcasts sequenciais, na medida em que
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associada à utilização de podcasts de longa duração está, geralmente, uma diminuição da concentração e, consequentemente, da compreensão.
Autoria – A taxonomia apresenta como autores os professores, os alunos e, também, outras entidades. Os professores têm sido os principais criadores de podcasts, produzindo-os para alcançar um conjunto diversificado de objetivos que poderão ir desde a disponibilização de conteúdos à divulgação de avisos ou alertas, ou à emissão de feedback. Os alunos poderão ser, também, criadores e vários autores (Carvalho & Aguiar 2010, McLoughlin & Lee 2010) destacam este aspeto como o grande potencial deste recurso, na medida em que o desenvolvimento e divulgação de conteúdos por parte dos alunos poderá contribuir para uma autorregulação do processo de aprendizagem, favorecendo, igualmente, o desenvolvimento de metacompetências. Por último, os podcasts poderão ter como autores outros agentes que não o professor e o aluno. Aqui distingue-se entre os podcasts produzidos especificamente para o contexto pedagógico e os podcasts produzidos no âmbito de outros contextos, mas passíveis de serem explorados no contexto educativo. Estes podcasts assumem particular relevância no âmbito da aprendizagem de línguas estrangeiras, em que são uma ferramenta privilegiada para o desenvolvimento da compreensão oral.
Estilo – o estilo, que poderá ser formal ou informal, está intrinsecamente ligado ao tipo de podcast, à sua finalidade e, também, à natureza da relação estabelecida entre professores e alunos.
Finalidade – apesar de elencarem algumas das finalidades mais recorrentes da utilização de podcasts, segundo Carvalho e Aguiar (2010), “a imaginação é o limite” (p.34). Um aspeto fundamental é que aquando da opção pela utilização deste recurso haja uma, ou várias, finalidades associadas.
Relativamente à aprendizagem da língua inglesa, têm sido reconhecidas as potencialidades dos podcasts em domínios como a pronúncia, a acentuação e a fluência. Paralelalmente, a disponibilização de podcasts aos alunos providencia oportunidades acrescidas para estes contactarem com a língua quando e onde o desejarem, respeitando, assim, os ritmos de aprendizagem de cada um (Jobbings, 2005). Cain (2007) destaca que os podcasts permitem uma imersão dos alunos em contextos de aprendizagem autênticos, contribuindo para uma melhoria na compreensão dos conteúdos e para o desenvolvimento de competências de
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compreensão e produção oral. Outro aspeto relevante prende-se com a possibilidade de adequar os podcasts aos diferentes níveis de desempenho dos alunos, o que poderá levar a um incremento do envolvimento e da motivação dos alunos com mais dificuldades na língua inglesa, na medida em que existe um decréscimo da ansiedade geralmente associada ao facto de falar em público numa língua estrangeira. Moura e Carvalho (2006), por seu lado, destacam as mais valias da produção de podcasts em língua inglesa por parte dos estudantes, quer ao nível individual, quer ao nível da turma, pelo facto de se consubstanciarem em profícuos momentos de reflexão sobre a língua e sobre a aprendizagem.