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CHAPITRE 6. Discussion et perspectives

2. Les trajectoires d’évolution du travail des salariés en élevage

EXTERNO INTERNO Fonte: Pettigrew ( 1987) CONTEXTO CONTEÚDO PROCESSO EXTERNO INTERNO Fonte: Pettigrew ( 1987)

conjunto de procedimentos que definem um operacional da pesquisa e é compreendida como um processo cíclico, dinâmico, envolvendo a intuição, a sensibilidade do pesquisador, o marco teórico constituído na revisão da literatura. Enfim, é essa metodologia entendida muito mais como se estivesse o pesquisador, como um estudioso de arte, em frente a uma tela de Rembrandt, por exemplo, e fosse descobrindo em cada olhar novos movimentos vibratórios no espaço, as oscilações rítmicas e as dimensões da luz, nos seus avanços, recuos, e assim por diante...

Sem seguir regra padronizada, em termos de procedimentos metodológicos, mas ao formar sistemas de informação foram empregadas técnicas qualitativas em duas fases da pesquisa, que se caracterizam por formas diferentes de obtenção da informação, que, no entanto, confluem para uma síntese teórica. Contêm ambas as fases, gerações de hipóteses e, também, são coerentes com a epistemologia qualitativa assumida.

1.1.1 - Primeira Fase da Pesquisa

Com o objetivo de se ter uma visão abrangente das mudanças organizacionais no Banco do Brasil, sobretudo as relacionadas com a esfera do trabalho e, assim, poder compreender, no presente, o sentido que as pessoas na dinâmica das relações sociais têm da criatividade, utilizou-se o procedimento de Pettigrew (1987), por considerá-lo abrangente e ser uma estrutura de referência como forma de organizar os fatos historicamente.

Dentro de uma abordagem contextualista para entender a origem, desenvolvimento e implementação da mudança organizacional, Pettigrew (1987) entende que se deve examinar o conteúdo, o contexto e o processo de mudança, bem como as suas interconexões, conforme Figura II:

Figura II – Abordagem contextualista de Pettigrew (1987)

O conteúdo refere-se aos aspectos ou áreas sob transformação tais como tecnologia, pessoal e produtos, entre outros.

O processo refere-se às ações, reações e interações entre as partes interessadas, e como elas tentam realizar as mudanças.

sociais, econômicos, competitivos e políticos do ambiente externo. O contexto interno é observado pela estrutura, a cultura corporativa e a política interna.

Pettigrew (1987) afirma que muitas pesquisas sobre criatividade e mudança organizacional são não-históricas, não-processuais e não-contextuais. O autor constata que grande parte dos estudos procura caracterizar a mudança como episódios com claro começo e fim, por meio da utilização de uma série limitada de dados e sem a preocupação com os mecanismos e com o processo de mudança.

Ao se utilizar o procedimento de Pettigrew (1987), o conteúdo foi estudado por meio da pesquisa documental, que segundo Godoy (1995) representa uma forma que pode se revestir de um caráter inovador, trazendo contribuições importantes no estudo de alguns temas, uma vez que, por meio do exame de materiais que ainda não receberam um tratamento analítico, pode-se chegar a novas interpretações e/ou interpretações complementares.

Pettigrew, Woodman & Cameron (2001) comentam que à exceção de Amabile (1983), Woodman et al. (1993), a pesquisa sobre criatividade organizacional tem negligenciado o papel do contexto. Para os autores existem muitos desafios analíticos implícitos na investigação contextualista, por exemplo, ao reconhecer que os processos de mudanças são incorporados nos contextos, eles só podem ser estudados como tais e isso cria uma necessidade de estabelecer conceitos e estudar o campo interativo dentro dos quais as mudanças emergem nos seus respectivos tempos.

Para Pettigrew et al. (2001), os níveis mais gerais que se encontram na literatura organizacional para se estudar um fenômeno em mudança, são arrolados nos questionamentos como: o quê, quem, onde, por que, quando e como. Ressaltam os autores que a análise da mudança organizacional requer sensibilidade, uma vez que o tempo não é apenas um fator mecânico do relógio ou cronológico. Tempo, segundo os autores, não é uma coisa que “está lá”, como uma cronologia neutra, e sim, também “está aqui”, como uma construção social. Portanto, existe um constante desafio para os estudos de eventos e sua construção social no contexto dos ciclos de tempo, que modelam os ritmos implícitos dos sistemas sociais. A análise temporal deve também identificar eventos e cronologias para usar como passos necessários na busca de uma configuração.

Outro assunto que os autores enfatizam é a história que não se restringe a eventos e cronologia. A história é transportada na consciência humana. O passado sobrevive no presente

e pode modelar o futuro, porém tudo é trajetória. A trajetória da mudança é probabilística e carregada de incertezas, resultantes dos contextos, da ambigüidade e complexidade da ação humana.

A técnica utilizada de análise documental serviu para se ter um panorama dos diversos momentos da organização, aumentar o conhecimento e conceber hipóteses de trabalho, no sentido de confrontar as experiências vivenciadas com o momento atual e, assim poder constituir indicadores. Vale ressaltar que pela atual conjuntura de trabalho torna-se muito difícil reunir os atores que vivenciaram as mudanças nos seus respectivos contextos, entretanto, considera-se que os documentos analisados são fontes de subjetividade social.

A análise dos documentos foi feita a partir de diferentes fontes, como: artigos de jornais, revistas especializadas; periódicos, filmes, material de treinamento interno, relatórios de administração, coletâneas de livretos distribuídos ao público interno do banco (por ocasião da implementação de programas e projetos específicos) e trabalhos acadêmicos dissertações e teses.

Nessa primeira fase da pesquisa, além de levantar hipóteses, as informações obtidas se complementaram à segunda fase, na interpretação do pesquisador. Ambas trataram como categoria o sujeito e a subjetividade social, seja por meio do discurso empresarial apreendido na pesquisa documental, ou pelos depoimentos e pelas interpretações de outros pesquisadores em seus momentos empíricos, na constituição de seus estudos: teses e dissertações.

1.1.2 – Segunda Fase da Pesquisa

Dejours (2003) e González Rey (2005) buscam na experiência clínica os aportes teóricos que permanecem subjacentes à pesquisa e ao trabalho de interpretação.

O método proposto por Dejours é a escuta, a interpretação, sendo explicitamente contrário ao uso de questionários. O autor impõe restrições à observação do cotidiano de trabalho e prioriza a escuta do trabalhador no coletivo.

Para Dejours & Abdoucheli (1994), “o que interessa (...) é a vivência subjetiva do trabalho e o lugar do trabalho na regulação psíquica dos sujeitos, compreendemos que só entrando numa relação intersubjetiva com os trabalhadores é que teremos a chance de ter acesso à realidade” (p.139). De modo que para os pesquisadores, os trabalhadores reunidos em grupo, no espaço da pesquisa, são capazes de reconstruir a lógica das pressões de trabalho

e, também, surge oportunidade ímpar para poderem aparecer as estratégias de defesa coletivamente construídas, que aparecem na luta contra os efeitos adversos e patogênicos do trabalho.

Seguindo os ensinamentos de González Rey (2005b), o espaço da pesquisa para o grupo vai gerando novas necessidades, mas tendo sempre presente o objetivo concreto do estudo, que não são necessariamente dominantes no espaço empírico. Por isso, o autor, dentro de uma ruptura, a qual ele denomina de epistemologia estímulo-resposta, que veio se consagrando na pesquisa social, adotou o termo, na metodologia qualitativa, como sistemas conversacionais, “os quais permitem ao pesquisador deslocar-se do lugar central das perguntas para integrar-se em uma dinâmica de conversação que toma diversas formas e que é responsável pela produção de um tecido de informação o qual implique, com naturalidade e autenticidade, os participantes” (González Rey, 2005b, p. 45).

Assim, essa seção descreve o uso do instrumento sistema conversacional, que na realidade corresponde a uma dinâmica, na qual, para o grupo elegido, o espaço social da pesquisa se converte em um espaço portador de sentido subjetivo.

Os sentidos subjetivos aparecem de forma gradual e diferente dentro do espaço de expressão do sujeito, e cabe ao pesquisador transitar nessa experiência pelos espaços que se abrem para conversação e expressão. Nessa dinâmica, o sujeito estudado passa a ser sujeito de suas construções, tendo em vista que nesse processo irão comprometer novas zonas de sua experiência, pois facilitará, assim, a emergência dos elementos dos sentidos comprometidos com o estudado, via essencial para estudar as configurações subjetivas implicadas nesses sentidos.

As configurações subjetivas representam formações psíquicas dinâmicas e em constante desenvolvimento dentro das diferentes práticas sociais dos sujeitos. Vale lembrar que cada configuração de sentidos relativos a uma experiência ou campo de expressão pode estar associada a sentidos referentes a diferentes espaços da vida social.

Para se atingir os objetivos propostos desta fase da pesquisa, foram realizados seis encontros, ou melhor, sistemas conversacionais, compreendidos como um instrumento grupal e considerando o social como um elemento inseparável da expressão e do desenvolvimento humanos. De acordo com Heller (1994), “o homem percebe e manipula o mundo em que nasce partindo sempre de si mesmo” (p. 35), o que leva a entender que as necessidades e

possibilidades humanas se articulam no social e, ao mesmo tempo, possuem um sentido particular, subjetivo. Assim, a questão que se coloca é tentar dar visibilidade para essa experiência humana que se constitui na articulação do social com o individual.

No âmbito deste estudo, os sistemas conversacionais foram denominados dinâmicas conversacionais. As seis dinâmicas realizadas compreenderam ao todo 24 participantes. Foram quatro participantes de cada agência localizada no Distrito Federal. Estabeleceu-se como critério para escolha dessas agências o econômico-financeiro. Assim, solicitou-se à Superintendência Estadual do Banco do Brasil, no Distrito Federal, que indicasse as três maiores agências em rentabilidade e as outras três com os mais baixos desempenhos. Vale ressaltar que o objetivo é sempre procurar a qualidade das expressões. Além desse objetivo buscava-se entender como os sujeitos, inseridos nesses contextos distintos em termos de critério da organização, mobilizavam subjetivamente no individual e coletivo e, também, conhecer as vivências de prazer-sofrer nesses ambientes distintos.

Independente desse critério estabelecido, a organização coletiva da dinâmica permitiria a atuação de cada participante de forma reflexiva, ouvindo e elaborando suposições suas e de outro participante, juntamente com este pesquisador, num processo cheio de dúvidas, tensões e experiências, mas que marcaria o surgimento dos sentidos subjetivos.

Os procedimentos foram os mesmos para ambos grupamentos de agências. As dinâmicas eram agendadas com antecedência, e solicitava-se ao primeiro gestor da agência que informasse os objetivos da pesquisa aos funcionários. Necessário que a adesão à pesquisa fosse espontânea e, que, se possível, pudesse ter um representante das diversas unidades de trabalho.

Ao iniciar as dinâmicas foi distribuída uma folha, solicitando que cada participante completasse com dados pessoais, embora fosse esclarecido sempre o caráter de anonimato. Continha também um complemento, no qual pedia que informasse o (s) fato (s) mais marcante (s) de sua vida no banco. O objetivo do complemento de frase era remeter aos sentidos subjetivos relacionados ao espaço organizacional, como sínteses de momentos culturais e históricos, portanto, sendo também uma ferramenta para a construção interpretativa, pois os fatos mais significativos podem estar vinculados a outros identificados nos trechos de informação e, assim, constituir a trama de sentido subjetivo.

O pesquisador utilizou um caderno de campo para registrar todas as expressões não- verbais, inclusive o silêncio e o não-dito, também, aspectos da ambiência, e situações imprevistas. Todas as dinâmicas foram gravadas, em um total de aproximadamente 360 minutos de gravação em fitas cassetes. As fitas foram transcritas na íntegra pelo pesquisador, que as mantém conservadas.

Após transcrição, essas dinâmicas conversacionais foram lidas, exaustivamente, até que o seu conteúdo e o seu significado fossem apreendidos, de forma congruente e observando-se a continuidade da informação, para se chegar à identificação dos indicadores. Segundo González Rey (2005a, 2005b), os indicadores são elementos ou conjunto de elementos que adquirem significados a partir da interpretação do investigador, e que se constroem com base em informações implícitas ou indiretas.

Vale lembrar que os sentidos subjetivos não correspondem linearmente às representações do sujeito, sendo, muitas vezes, contraditórios a essas. “A representação de algo nunca esgota os sentidos subjetivos presentes em suas manifestações verbais e icônicas, sendo apenas um momento possível de sentido que adquire significação em sua relação com outros momentos e formas de expressão do sujeito ou dos espaços sociais estudados” (González Rey, 2005b, p. 126).

A identificação dos indicadores iniciou-se com o instante das dinâmicas, em que o pesquisador destacou as frases e palavras-chave no caderno de campo, que, no contexto do espaço do diálogo, demonstraram muita afetividade, tanto na conversação quanto na elaboração da expressão, incluindo os aspectos de ambiência.

Para González Rey (2005a, 2005b), os indicadores representam categorias que facilitam o andamento dos complexos processos que caracterizam qualquer investigação contextualizada no estudo da subjetividade humana. O desenvolvimento dos indicadores conduz necessariamente ao desenvolvimento de conceitos e categorias novas no curso da investigação, o que representa um dos momentos essenciais, mais ricos, delicados e criativos da investigação. As categorias representam um momento na construção teórica de um fenômeno – por meio delas pode-se entrar em novas zonas de sentido do estudado, que conduzem a novas categorias. Para o autor, toda categoria ou teoria concreta tem diante de si