O modelo Triple Helix leva em consideração as múltiplas relações em diferentes estágios do processo de geração e disseminação do conhecimento entre universidade- governo-empresa. Para Plonski (1999), a relação pode ser definida como um arranjo entre instituições de naturezas diversas, que tem finalidades e formas diferentes umas das outras.
Etzkowitz; Leydesdorff; (2000) ao compararem os MDCI – Modelo de Difusão de Conhecimento e Inovação, consideraram que seu modelo subjacente é analiticamente diferente dos Sistemas Nacionais de Inovação (FREEMAN, 1989 ; LUNDVALL, 1988 ; NELSON, 1993), o qual considera a empresa como líder no papel de inovação e do
modelo Triângulo de Sábato (SÁBATO ; BOTANA, 1968), em que o Estado exerce certa soberania sobre o processo de inovação. Para Etzkowitz; Leydesdorff (2000) seu modelo está concentrado na sobreposição da rede de comunicações e expectativas, que remodelam os arranjos institucionais entre universidades, indústrias e órgãos governamentais.
Ressalta-se que o modelo Triple Helix nem sempre foi dessa forma. De acordo com Etzkowitz; Leydesdorff (2000), dentre diversos fatores contribuíram para uma remodelagem da relação dos atores, os quais são destacados dois: a evolução dos sistemas de inovação e o conflito sobre qual caminho deve ser tomado nas interações universidade- indústria-governo. Consequentemente, isto provocou um impacto direto na atuação do empreendedorismo acadêmico.
No tocante a evolução do sistema de interação dos agentes, Leydesdorff (2010) menciona que o modelo Triple Helix percorreu três estágios: Desse modo, suas configurações se apresentam em três modelos: o modelo estático, o modelo laissez-faire e o modelo atual triple helix (ETZKOWITZ; LEYDESDORFF, 2000). A Figura 2.2 apresenta a evolução dos modelos e suas representaçãoes geometricas que implicaram diretamente no papel desenvolvido pelas universidades.
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Figura 2.2: Representação dos modelos da Triple Helix, na perspectiva dos autores. Fonte: Adaptado por Etzkowitz; Leydesdorff (2000, p.111).
Universidade Empresa Governo Governo Empresa Universidade Universidade Empresa Governo Modelo estático
Modelo Hélice Tríplice
Modelo laissez-faire
Observa-se que na Triple Helix I, o governo engloba a universidade e a empresa, regulando as relação dos atores. O caráter normativo imposto, fruto das diretrizes determinadas pelo governo, limita a dinâmica entre universidades e empresas (GOMES; PEREIRA, 2015). Assim, o empreendedorismo acadêmico fica limitado aos ditames governamentais, minimizando a liberdade no campo da inovação. A relação dos atores acontece mediante transferências de tecnologias e contratos de cooperação técnica. Para Castillo et al (2015), nesse caso, o modelo assemelha-se ao Triângulo de Sábato.
De acordo com Leydesdorff; Etzkowitz (2000) a versão mais forte deste modelo pode ser encontrado na antiga União Soviética e nos países do Leste Europeu, enquanto que as versões mais fracas foram elaboradas nas políticas de muitos países latino- americanos e, em certa medida, em países europeus como a Noruega.
Na segunda versão do modelo Triple Helix, as esferas institucionais foram separadas por fortes fronteiras, dividindo assim as relações circunscritas entre elas (ETZKOWITZ; LEYDESDORFF, 2000). Dessa forma, além das limitações trazidas pelas fortes barreiras, as relações foram predefinidas (CASTILLO et al, 2015). O empreendedorismo acadêmico agora possui certa independência, uma vez que o principal intuito do modelo era reduzir a soberania do Estado. Para Etzkowitz; Leydesdorff (2000), este modelo pôde ser visto na Suécia e nos Estados Unidos.
Na última versão do modelo Triple Helix, se admite que as esferas institucionais (universidade, industria e governo) realizem as atividades umas das outras. Nesse sentido, é gerada uma infraestrutura de conhecimento em termos de sobreposição de esferas institucionais com cada uma assumindo o papel das outras (ETZKOWITZ, 2003).
Sendo assim, nestas áreas de interface ou interfaces surgem as organizações híbridas e uma área ideal denominada redes trilaterais(CASTILLO et al, 2015). Com isso, emerge no campo universitário a criação de empresas voltadas para o aproveitamento da tecnologia desenvolvida no seu ambiente denominadas de start-ups, spin-offs e spin-outs (KOSTER, 2004; OCDE, 2013).
De acordo Koster (2004), essas organizações híbridas são consideradas empresas inovadoras, que se diferenciam pelas formas que são criadas e desenvolvidas. Nessa perspectiva, a Figura 2.3 apresenta o posicionamento dessas entidades híbridas conforme o “compartilhamento de recursos” e o apoio da empresa-mãe.
Figura 2.3: Posicionamento das Organizações Híbridas. Fonte: Adaptado por Koster (2004, p.5)
Ao analisar tais organizações híbridas nesse dimensionamento (apoio da empresa- mãe e compartilhamento de recursos) Koster (2004) chega a seguinte conclusão: as empresas start-ups são baseadas em recursos que se originam do empresário ou individuo, enquanto que as spin-offs e spin-outs são construídas sobre os recursos já existentes, neste caso da empresa-mãe. Nesse sentido, a diferença entre spin-offs e spin-outs está na gestação, em que os spin-outs não são diretamente suportados pela empresa-mãe.
Corroborando com o autor, Kadji-Youaleu; Filion (2002) consideram a empresa - mãe, o empreendedor e a inovação tecnológica como os três principais elementos de um processo de construção das organizações híbridas. De acordo com a OCDE (2013) tais organizações auxiliam a sustentar a inovação, impulsionar o crescimento da produtividade e criar oportunidades de empregos de boa qualidade.
No contexto acadêmico, a universidade é considerada a empresa-mãe, onde os empreendedores (discentes, docentes ou pesquisadores) atuam em suas diversas atividades, incorporando conhecimentos tecnológicos que posteriormente são utilizados para a produção de novos produtos/serviços que serão comercializados por meio da formação de uma “nova empresa”. Em uma conjuntura mais ampla, todas instituições de C&T podem serem consideradas como empresas-mãe (KADJI-YOUALEU; FILION, 2002). sim Compartilhamento de recursos não ne nhu m comple to Spin-out Start-up Spin-off Apoio da e mpr es a- mãe
2.2 Formas de relacionamento entre universidade e empresa