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Management of volatile capital flows and other policy measures

Dans le document World Economic Situation Prospects (Page 92-95)

A Transferência de Tecnologia U-E refere-se ao relacionamento de quaisquer parte do sistema de ensino superior com a indústria visando a troca de conhecimento e/ou tecnologia (SIEGEL et al, 2003). Corroborando com os autores, Plewa et al (2013) definem a cooperação U-E como ligações bidirecionais entre a universidade e a indústria, estabelecidas para permitir a difusão de criatividade, ideias, habilidades e pessoas com o objetivo de criar valor mútuo ao longo do tempo. Considera-se nesse contexto o termo “indústria” de forma ampla, como sendo todo setor produtivo, incluindo as empresas.

A troca de conhecimento envolvendo essas diferentes entidades ocorre por meio dos “mecanismo” ou “atividades” de interação. Em um estudo recente, Perales (2014) identificou na literatura 47 tipos de atividades de interação entre universidades e indústrias. Esse maior número de tipologia pode ser atribuído a uma combinação de pressões das duas partes: universidades e indústrias, conforme vemos no Quadro 2.8 (GIULIANI; ARZA, 2009).

Quadro 2.8: Aspectos importantes para busca de relacionamento entre universidade e empresa

Organizações Aspectos Autores

Universidade

Novos conhecimentos Hagen (2002)

Alta dos custos e problemas financeiros Hagen (2002) Interesse em relacionamento externo Hagen (2002)

Experiência em problemas práticos Santoro; Gopalakrishnan (2000) Indústria

Mudança tecnológica Bettis; Hitt, (1995); Wright et al (2008) Intensa concorrência global Bettis; Hitt, (1995); Wright et al (2008) Curtos ciclos de vidas de produtos Bettis; Hitt, (1995); Wright et al (2008) Vantagem Competitiva Santoro; Gopalakrishnan (2000) Fonte: Bettis; Hitt, 1995; Santoro; Gopalakrishnan, 2000; Hagen, 2002; Wright et al, 2008.

Observa-se que tais pressões de ambos os lados se apresentam como estímulo para aumento da interação universidade-empresa em uma busca de maior competitividade econômica mediante a troca de conhecimento entre o ambiente acadêmico e o comercial (PERKMANN et al, 2013). Concomitante ao crescimento da parceria, sucede a evolução/criação das “novas” atividades de interação, procurando realizar de maneira mais eficaz a troca de conhecimento e definindo novos rumos de cooperação.

2.3.2 Caracterização

As atividades de interação entre universidades e empresas podem ser vistas por meio de duas perspectivas. Na primeira é defendida o contexto da tangibilidade, da formalidade do processo, da saída codificada da informação, algo encontrado nas propriedades intelectuais como patentes e licenciamentos, ou na criação de instalações físicas: start-ups, spin-off e spin outs (BONZEMAN, 2000; COHEN et al, 2002; ABREU; GRINEVICH; 2013; MAIETTA, 2015).

A segunda perspectiva abancasse em uma visão mais informal do processo, em uma relação, às vezes, construída “cara-a-cara”, apenas entre o pesquisador e a empresa, sem a intervenção da universidade (PERKMANN et al, 2013; FRANCO; HAASE; 2015). O conhecimento em sua maioria é transmitido de maneira tácita (ARUNDEL; GEUNA, 2004).

O presente subcapítulo não pretende citar as diversas atividades existentes no processo de Transferência de Tecnologia U-E, algo já encontrado nesse trabalho no detalhamento das formas de cooperação, e sim, limitar-se de forma clara, nas vantagens e desvantagens dos principais meios utilizados nas universidades.

Nesse contexto apresenta-se como as principais atividades de interação entre universidades e empresas as incubadoras, start-ups, patentes, licenciamentos, palestras, pesquisas colaborativas/contratadas, consultorias e publicações (BONZEMAN, 2000;

COHEN et al, 2002; PERKMANN; WALSH, 2007; PERKMANN et al, 2013; MAIETTA, 2015). O Quadro 2.9 apresenta todas essas atividades com suas vantagens e desvantagens na perspectiva de diversos autores.

Ao analisar o Quadro 2.9, observa-se que as incubadoras oferecem diversas vantagens relacionadas a disponibilização de recursos tanto físico quanto de pessoal qualificado, os quais colaboram com o desenvolvimento de empresas em estágio inicial (ALMEIDA, 2005). No entanto, o desenvolvimento ocorre em local reduzido, o segredo do negócio acaba sendo compartilhado e nem sempre as incubadoras possuem competências voltadas para finalidade da empresa.

As start-ups são normalmente desenvolvidas em incubadoras universitárias, em que os empreendedores procuram fazer uso de suas ideias para fins comerciais (criação de novas empresas), com menos burocracia. Por outro lado, o desenvolvimento de start- ups pode apresentar diversos empecilhos como escassez de recursos, maior volume de trabalho e mudança continua.

As patentes e os licenciamentos são as propriedades intelectuais que atraem maior atenção dos pesquisadores, universidades e empresas (BONZEMAN, 2000; COHEN et al, 2002, FRANCO; HAASE, 2015). Tem como principal vantagem a geração de riqueza, mas produz grandes transtornos no momento da divisão dos royalties (LAMBERT, 2003; CHAPPLE et al, 2005; GARNICA; TORKOMIAN, 2009).

As palestras e consultorias reconhecem os saberes e competências dos pesquisadores, ao mesmo tempo que provocam na instituição problemas internos de liberação/conciliação de horários dos pesquisadores acadêmicos.

As pesquisas colaborativas e contratadas, geralmente apresentam as mesmas vantagens e desvantagens. Para as empresas o que diferencia uma da outra será a capacidade de seu P&D interno em trabalhar em conjunto com a instituição no desenvolvimento de tecnologia e/ou solução de problema, no caso da pesquisa colaborativa, ou caso não seja possível, realizar de forma independente por meio da contratação da pesquisa (ARUNDEL; GEUNA, 2004; FERNÁNDEZ-ESQUINAS et al, 2015).

Quadro 2.9: Vantagens e desvantagens das principais atividades de interação entre U-E

Atividades Vantagens Desvantagens

Incubadoras

 Apoio e orientação de profissionais experientes;

 Disponibilidade de serviços compartilhados como telefone, internet, água, luz e segurança;

 Facilidade para captação de recursos e redução de custos;

 Promove a troca de informações sobre tecnologia.

 Privacidade do negócio;  Isolamento do mercado;  Habilidade da incubadora;  Local reduzido. Start-ups  Aproveitamento de ideia;

 Nova fonte de captação e produção de recursos financeiros;

 Menor burocracia.

 Desenvolvimento em local desconhecido;

 Escassez de recursos;

 Maior volume de trabalho;

 Mudança continua. Patentes e

licenciamentos

 Aproveitamento de tecnologia;

 Obtenção de maior retorno financeiro;

 Disponibilidade de equipe especializada;

 Parâmetro para desenvolvimento tecnológico no país.

Definição de royalties;

 Dificuldades para registro.

Palestras e Consultorias  Reconhecimento de saberes e competências;

 Construção de uma rede de relacionamentos.

 Menor retorno financeiro que outras atividades;

 Problemas internos na instituição. Pesquisas Colaborativas/

Contratadas

 Produção de novas tecnologias;

 Resolução de problemas reais;

 Testes de produtos e processos.

 Privacidade de negócios e processos;

 Problemas de relacionamento.

Publicações

 Forma de disseminação de conhecimento e informação para sociedade;

 Construção de prestígio social.

 Restrições técnicas e financeiras para publicações de trabalhos científicos.

Fonte: Bonzeman, 2000; Cohen et al, 2002; Kadji-Youaleu; Filion, 2002; Seggatto-Mendes, 2002; Chesborough, 2003; Lambert, 2003; Pirnay; Surlemont; Nlemvo 2003; Koster, 2004; Almeida, 2005; Garnica; Torkomian, 2009; koste, 2010, Abreu; Grinevich, 2013; Kalar; Antoncic 2015; Maietta, 2015.

As publicações de trabalhos científicos contribuem para propagação da informação e do conhecimento na sociedade (MAIETTA, 2015). Entretanto, a ampla gama de procedimentos técnicos utilizados pelas revistas cientificas dificultam tanto a leitura como a escrita dos usuários. Outro fator de desestímulo está na cobrança de altas taxas para publicação em periódicos, onde nem sempre a universidade ressarce o valor devido ao pesquisador.

Ressalta-se que o direcionamento da transferência de tecnologia entre universidade-empresa não se restringe, somente, a definição de seu papel, conforme observado no modelo tríplex helix, na importância e participação da universidade, conforme visto por meio do Sistema de Inovação ou nas vantagens e desvantagens das principais atividades de interação.

No próximo capítulo são apresentados diversos aspectos que norteiam a transferência de tecnologia entre universidades e empresas, os quais podem modificar radicalmente o tracejado da parceria.

Dentre os principais aspectos encontram-se: os fatores determinantes, as motivações dos participantes, os problemas enfrentados na realização de parcerias colaboração (barreiras) e os benefícios da cooperação entre universidades e empresas.

CAPÍTULO 3

FATORES, MOTIVAÇÕES, BARREIRAS E BENEFÍCIOS DA INTERAÇÃO ENTRE UNIVERSIDADES E EMPRESAS

Este capítulo procura abordar de forma ampla os principais aspectos de atração e impedimento que envolvem a realização da transferência de tecnologia entre universidades e empresas. Assim, são detalhados os fatores determinantes, as motivações das partes interessadas, as barreiras da interação e os benefícios da cooperação U-E.

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