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Dans le document This book is dedicated to its readers. (Page 195-200)

No sentido da brincadeira verbal sustentada pelas histórias, Oliveira (2004) esclarece:

Em se tratando de se lembrar de história contada o processo é o mesmo: quanto mais acurada completamente o sujeito compreende uma história quando lhe é contada pela primeira vez, melhor ele se lembrará dela depois. As partes que não são bem compreendidas são esquecidas ou alteradas para fazerem sentido no contexto, assim da mesma forma, o sujeito tende a introduzir nova partes para tornar o todo coerente em si quando vê lacunas no mesmo (p. 172).

[...] não é a leitura do terapeuta que vai facilitar a tomada de consciência. Mas é principalmente o brincar em si que é terapêutico. (WINNICOTT, 1975, p.80).

Bonecas

Caixas embrulhadas em papel pardo sobre o armário da avó. Preservadas de mim, minhas bonecas não podiam brincar.

Aguardávamos sonhadoras o dia da faxina grande, da troca dos papéis, do desembrulhar de tudo.

Dia de festa, de vez em quando chegava. Intervalos e esperas, esquecimento.

Os olhos tornaram-se opacos, a pele de vinil desbotou. A mãe não sabia que bonecas envelhecem na caixa.

Uma culpa sem graça nos seus olhos negros, mais infantis que os meus (TEIXEIRA, 2005).

Oliveira (2005), em seu livro O brincar e a criança do nascimento aos seis anos, nos alerta para o fato de que o ambiente onde vivemos é bem mais do que um meio simplesmente físico e possui características específicas relativas a história de vida de cada um. Os vínculos pessoais e duradouros que criamos com as pessoas e objetos que nos cercam passam a fazer parte de nós mesmos, de nossa memória, de nosso eu, contribuindo para fortalecer laços que nos afirmam, definem e ainda nos fazem sentir uma profunda satisfação e segurança de pertencermos a um grupo.

“Aprender a tecer os fios que nos ligam aos outros de forma saudável e duradoura, mantendo a flexibilidade de ambos os lados não é nada fácil”. [...] Sabemos que a brincadeira é uma ação que ocorre no plano da imaginação, que tem o domínio da imagem simbólica. [...] No brincar casam- se a espontaneidade e a criatividade com a progressiva aceitação da regras sociais e morais. [...] é brincando que a criança se humaniza aprendendo a conciliar de forma afetiva a afirmação de si mesma à criação de vínculos afetivos duradouros (OLIVEIRA, p. 79 e 97).

Ainda na visão dessa autora, parece claro que, a realidade imediata fornece conteúdo para o indivíduo, atribuindo um significado e conseguindo por intermédio da brincadeira transformar esta realidade que ela “apropriou” em uma ação intuitiva onde suas emoções e idéias possam ser exteriorizadas. A brincadeira propicia a auto-estima auxiliando-a na superação de suas aquisições de maneira criativa e também na resolução dos problemas (p. 80).

Na abordagem Winnicottiana, o brincar tem grande influência na vida da criança e não é possível a criança ter um desenvolvimento adequado caso seja impossibilitada de brincar; o ambiente faz parte do próprio desenvolvimento pessoal do indivíduo e precisa ser incluído.

É no brincar, e talvez apenas no brincar, que a criança ou o adulto fluem sua liberdade de criação. O brincar e a experiência cultural podem receber uma localização caso utilizemos o conceito do espaço potencial existente no bebê.

É pertinente reconhecer no desenvolvimento dos diversos indivíduos que a terceira área de espaço potencial existente entre mãe e o bebê é extremamente valiosa, segundo a experiência da criança ou adulto que esteja sendo considerado (WINNICOTT, 1975, p. 79).

A fábula também é uma forma interessante de brincar. Quando o terapeuta narra uma fábula, ou comenta sobre um filme (que também é uma história) além de brincar com seu paciente, oferece a oportunidade para ele modificar sua imaginação ativa e criativa, que naturalmente proporciona uma mudança em seu comportamento, que conseqüentemente pode mudar seu estilo de vida.

Atualmente, as fábulas, os filmes, assim como o brincar, estão sendo resgatados pelos adultos sem nenhum preconceito; afinal, é possível observar adultos fazendo festas comemorativas em bufês infantis, usando trajes da Bela e a Fera, Cinderela, Peter Pan, Macacos, Onças, Formigas e Cigarras. Vestem-se também de branca de neve e os sete anões; brincam nos carrinhos bate-bate; escorregam no tobogã, de trenzinho e nadam na piscina de bolinha. Festas com lembrancinhas e com direito até ao cachorro quente, algodão doce e pipoca. Os donos da festa parecem felizes, pois proporcionam para seus amigos a volta aos bons tempos da infância, e ainda podemos observar esses adultos com olhos brilhando e verbalizando seus desejos de brincar quando estão em festas infantis. Um ou outro se arrisca, mas a maioria fica só desejando brincar. Esse comportamento mostra o quanto o adulto tem necessidade de momentos lúdicos. Ainda bem que, atualmente, o adulto tem se permitido brincar mais, sem preconceito ou culpa. E, por intermédio desta brincadeira, sente-se mais relaxado e, naturalmente, melhora sua capacidade imaginativa e, conseqüentemente, sua habilidade criativa. Ao assistir um filme, é como se a pessoa estivesse ouvindo alguém narrar uma fábula, pois o filme também é uma história. Quando o paciente não tem paciência ou não aprecia a narrativa, ou leitura de uma fábula, então o psicoterapeuta poderá recomendar um filme. Pois além de didático é também terapêutico. E, conseqüentemente, passa todas as mensagens necessárias nas entrelinhas, assim como quando este escuta uma fábula. Também, pelo fato do psicoterapeuta, ser essa pessoa que está resgatando a poder de ilusão, parece ajudar para a melhor elaboração dos conflitos inconscientes do indivíduo.

Santos (2000, p. 95) comenta que, por meio das brincadeiras, a criança mobiliza um cenário facilitador para compreender e lidar com suas dificuldades. Ao brincar está refletindo sobre sua realidade; criando uma distância para enxergar melhor sua vida. No entanto, este processo também pode ser observado em relação às fábulas que também auxiliam na diminuição da ansiedade; tanto o brincar quanto a fábula são experiências culturais comunicativas.

Winnicott (1975) cita que somente no brincar é possível a comunicação e por meio do brincar essa ocorre de maneira subjetiva. Diz ainda que sua descrição equivale a um pedido: que todo terapeuta permita que a capacidade de brincar, ser e criar do paciente possa ser manifestada no trabalho analítico. Winnicott afirma que a criatividade do paciente pode ser frustrada por um terapeuta que saiba demais. [...] não importa, na realidade, quanto o terapeuta saiba, desde que possa ocultar este conhecimento ou abster- se de enunciar o que sabe (p.79).

Dans le document This book is dedicated to its readers. (Page 195-200)

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