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TP de physique - s´ eances 7 et 8 Chap 8: Mouvement de rotation

6.1. Sexo

tipicamente masculino assumem os rapazes como mais activos e menos cumpridores de normas e as raparigas como mais sossegadas e obedientes. No que se refere aos comportamentos indicadores de auto-controlo, os estudos tendem a confirmar estes estereótipos. Martin (1975) numa revisão da investigação, conclui que as raparigas são mais obedientes e auto-controladas, enquanto que os rapazes são mais agressivos. Estudos posteriores apresentam o mesmo tipo de tendência com crianças de diferentes idades e com diferentes metodologias de recolha de dados. Assim, numa amostra de crianças de quatro anos inglesas e húngaras os resultados são consistentes no sentido de revelar valores mais altos de auto-controlo e mais baixos de actividade focada nas raparigas, tanto na avaliação feita pelos pais como na avaliação feita pelos professores (Turner, Gervai & Hinde, 1988). Rapazes de idade escolar obtêm valores mais baixos na Self Control Rating Scale, indicativos de um auto-controlo mais baixo do que as raparigas (Kendall & Wilcox, 1979); estes resultados foram apoiados por Pires (1983), utilizando uma versão portuguesa desta escala com uma amostra de crianças também de idade escolar. Relativamente aos comportamentos de obediência às directrizes dos adultos, os estudos de observação directa revelam que os rapazes apresentam mais comportamentos de violação de normas, são punidos de forma mais grave e obedecem menos do que as raparigas (Minton, Kagan & Levine, 1971) e as raparigas obedecem mais do que os rapazes (Kuczynski et ai.,1987), apresentam valores mais elevados de obediência receptiva, indicadores de um nível superior de interiorização e valores mais baixos de desobediência passiva (Kochanska, 1995; Kochanska & Aksan, 1995) e são ainda mais susceptíveis de utilizar formas assertivas de desobediência (Power et ai., 1994).

De uma maneira geral, os estudos apontam para valores mais elevados em auto- controlo no sexo feminino (os estudos de Power e Chapieski, 1986 e de Londerville e Main,

1981, com crianças no seu segundo ano de vida, constituem duas excepções). Quais os determinantes destas diferenças? Em primeiro lugar, há a considerar os factores congénitos. Os rapazes apresentam um maior nível de actividade do que as raparigas. Será portanto para eles mais difícil gerir essa energia e torná-la adequada às situações sociais. Em segundo lugar, há a considerar os factores educativos, que revelam que as raparigas são mais controladas e restringidas pelos adultos do que os rapazes (Power et ai., 1994). Os estereótipos relativos aos comportamentos socialmente aceites num rapaz e numa rapariga serão responsáveis por esta diferenciação. Por exemplo, um empurrão dado por uma criança a um companheiro tenderá a ser interpretado como um comportamento assertivo se for apresentado por um rapaz e como um comportamento agressivo se for apresentado por uma rapariga. Assim, no primeiro caso trata-se de um comportamento considerado adequado e portanto não será alvo de censura, enquanto que no segundo caso haverá censura e provavelmente restrição. É

sabido ainda que em termos de objectivos educativos convencionais se privilegia no rapaz a autonomia e a assertividade e na rapariga a dependência e a submissão. Assim, os pais exercerão um controlo mais rígido nestas últimas, deixando os primeiros mais à vontade em relação aos seus comportamentos de cumprimento de regras. Do ponto de vista educativo, um outro aspecto a referir é o tipo de acção disciplinar mais frequentemente utilizada com rapazes e com raparigas, como se verá no capítulo seguinte. Pode-se já adiantar que os rapazes são mais punidos fisicamente; sendo esta forma de disciplina pouco informativa acerca da natureza intrínseca do acto inadequado, para além de estimular comportamentos com motivação externa e não interna, poderá explicar o facto dos rapazes apresentarem quase o dobro das transgressões das raparigas (Smetana, 1989).

6.2. Idade

Entre os 18 e os 30 meses o exercício do auto-controlo aumenta no que diz respeito à capacidade de esperar e à obediência às directrizes (Schaffer & Crook, 1980; Vaughn et al., 1984). A obediência (numa tarefa de arrumar os brinquedos) e o adiamento da gratificação aparecem claramente aos 24 meses mas não antes, havendo consistência ao longo das tarefas aos 30 meses (Vaughn et ai., 1984). Os estudos mostram também que a obediência receptiva e a interiorização também aumentam ao longo da idade (Holden & West, 1989; Kochanska, 1995; Kochanska & Aksan, 1995).

As crianças mais velhas possuem competências cognitivas e linguísticas relativamente sofisticadas que tanto são usadas para obedecer, como para boicotar as directrizes maternas. Porém, o comportamento de desobediência às directrizes do adulto não implica obrigatoriamente uma falta de auto-controlo; pode tratar-se antes de um comportamento indicador de autonomia através de uma atitude de afirmação pessoal, como se viu atrás. De facto, as formas mais maduras de desobediência (comportamentos de recusa simples e de negociação) aumentam em frequência ao longo da idade (Kuczynski & Kochanska, 1990; Kuczynski et ai., 1987; Power et ai., 1994; Vaughn et ai., 1984), enquanto que as formas menos maduras (comportamentos de desafio directo e desobediência passiva) diminuem (Kochanska & Aksan, 1995; Kuczynski & Kochanska, 1990; Kuczynski et ai., 1987; Power et ai., 1994).

Assim de uma forma geral, entre os dois e os seis anos as crianças apresentam menos birras e maior capacidade de adiamento da gratificação e tolerância à frustração, maior

capacidade para regular a sua actividade motora em relação às exigências situacionais e uma maior capacidade para focar a atenção na informação relevante para a tarefa e procurar exaustivamente essa informação (Maccoby, 1984a).

6.3. Temperamento

Por temperamento entende-se as constelações de características comportamentais que, sendo observáveis desde muito cedo, se apresentam como relativamente estáveis ao longo do tempo (Thomas & Chess, 1977). Apesar de serem pouco permeáveis às contingências educativas presentes na vida da criança, interagem com elas de forma complexa (Kochanska, 1993). Actualmente a inclusão do temperamento nos estudos sobre a socialização está a ganhar novo ímpeto, salientando-se a sua contribuição para os padrões afectivos e comportamentais da criança ao longo de uma variedade de situações.

Quais as características temperamentais relacionadas com a manifestação de auto- contrôlé na criança? Parece-nos que uma das características mais importantes terá a ver com a disponibilidade/receptividade da criança para se deixar socializar (Maccoby & Martin, 1983). Existem crianças que à partida estão receptivas para obedecer às directrizes do adulto (Stayton et ai., 1971), mesmo quando este não está presente, enquanto que outras, ou pelo seu elevado nível de actividade ou pela sua grande necessidade de autonomia, não se dispõem a apresentar comportamentos conformes às exigências ou às regras dos adultos, apesar de estas estarem interiorizadas. Poder-se-ia afirmar que as primeiras apresentam um temperamento fácil, enquanto que as segundas apresentam um temperamento difícil.

O conceito de criança fácil/difícil tem sido abordado na literatura de diversas formas. Por exemplo, Thomas e Chess (1977) identificaram nove categorias que, depois de avaliadas numa escala de três pontos, permitiram a identificação de três tipos de crianças: fáceis, difíceis e de aquecimento lento . As crianças fáceis são as que apresentam fundamentalmente um funcionamento bio-fisiológico regular, uma abordagem positiva aos novos estímulos, boa capacidade de adaptação à mudança e de lidar com a frustração. As crianças difíceis, pelo contrário, apresentam um funcionamento pouco regular, reagem negativamente a situações novas, em que haja alterações e em que os seus desejos sejam negados. Finalmente, as crianças lentas apresentam uma combinação de características dos dois tipos anteriores, caracterizando-se essencialmente por uma abordagem negativa das situações novas que muda

para uma abordagem positiva logo que esse carácter de novidade é ultrapassado.

Um outro conjunto de investigações que lida igualmente com o conceito de fácil/difícil é o realizado por Bugental e colaboradores (Bugental & Shennum, 1984; Bugental, Blue & Lewis, 1990). Estes autores definem a criança fácil/difícil pela tendência que esta têm para obedecer/não obedecer às directrizes maternas bem como pela adequação social do seu comportamento.

Frequentemente, as escalas de avaliação dos traços temperamentais é feita pelos pais (cf. Kochanska, 1995; Kochanska, DeVet, Goldman, Murray & Putman, 1994), o mesmo acontecendo com a avaliação do nível de facilidade ou dificuldade em lidar com a criança. Neste caso, o conceito de facilidade/dificuldade deixa de ser uma variável exclusiva da criança, para passar a ser a percepção que os pais têm das características da criança e, neste sentido, estará também relacionado com as suas próprias características pessoais. Isto é demonstrado por Bugental e Shennum (1984) na análise transacional que fazem das interacções entre mães e crianças de idade escolar responsivas e não responsivas às directrizes do adulto (em situação laboratorial). A consideração das crianças não responsivas como mais difíceis estava relacionado com a atribuição de poder que as mães faziam a si próprias e com os seus padrões de comunicação. As mães que se auto-atribuiam baixo poder, consideravam as crianças não responsivas como mais difíceis do que as crianças responsivas, enquanto que as mães que se auto-atribuiam um alto nível de poder não apresentavam qualquer diferença na percepção de facilidade/dificuldade em lidar com a criança. Elas, não só as avaliavam como semelhantes, como os seus comportamentos de interacção com umas e com outras eram semelhantes. As crianças não responsivas mantinham o seu nível de não responsividade comportamental face a mães que se atribuíam baixo poder, enquanto que face às mães que se atribuiam alto poder, estes comportamentos de não responsividade diminuiam consideravelmente.

Bugental, Blue e Lewis (1990) analisaram as diferenças comportamentais entre as crianças avaliadas como fáceis e as crianças avaliadas como difíceis pelos seus pais. Observadores neutros avaliaram as crianças difíceis como apresentando padrões comportamentais "não habituais, singulares ou inapropriadas", que consistiam por exemplo, em fugir com o olhar às situações de interacção com a mãe ou com estranhos, quando estes procuravam o contacto ocular. As crianças consideradas mais difíceis são mais propensas a maus tratos, na medida em que apresentam padrões comportamentais considerados pelos pais

como "ameaçadores" (Bugental, 1992). Porém, nem todos os pais inflingem maus tratos aos seus filhos difíceis; os que inflingem parecem ser especialmente reactivos às situações de

stress. De facto, as condições de vida influenciam a forma como um pai ou uma mãe vêem o

seu filho e à medida que o stress aumenta ou se torna crónico, as crianças são vistas de forma cada vez mais negativa (Conger, McCarty, Yang, Lahey & Kropp, 1984). Pode-se assim concluir que as atribuições negativas acerca das crianças reflectem em parte as dificuldades emocionais dos pais associadas a condições de vida difíceis.

Em resumo, apesar de os dados da investigação não serem conclusivos quanto às tendências temperamentais relacionadas com o nível de auto-controlo das crianças, parece-nos que os estudos existentes lançam pistas para o estabelecimento de uma relação entre crianças difíceis e baixo nível de auto-controlo, por um lado, e crianças fáceis e alto nível de auto- controlo, por outro lado.

7. Síntese

Este capítulo teve como principal objectivo contribuir para a clarificação conceptual do auto-controlo. Cremos tratar-se de uma clarificação necessária já que existem diversos conceitos-afins, que são frequentemente empregues como sinónimos. O facto de estes conceitos terem a sua origem em tradições teóricas diversas levanta a questão da sua integração. Mas a diversidade de conceitos não tem a sua origem apenas na multiplicidade de tradições teóricas, mas também na multiplicidade dos domínios comportamentais em que o auto-controlo se pode manifestar. O auto-controlo é assim definido como um conceito multidimensional, em que cada dimensão é relativamente independente das outras. Trata-se também de um conceito complexo, na medida em que comporta uma componente cognitiva - competências, capacidades, cognições - uma componente comportamental - conjunto de acções e estratégias comportamentais - e uma componente motivacional - intrínseca ou extrínseca, que regulamenta a passagem das competências a acções.

A génese e desenvolvimento do auto-controlo comporta igualmente um conjunto complexo de estruturas e mecanismos intra-psicológicos. Não sendo de desprezar as suas origens neuro-fisiológicas (cf. Kopp, 1982), são fundamentais os contributos dos mecanismos cognitivos (como a atenção e a compreensão) e dos mecanismos de cariz mais socio-cognitivo (como a representação e a linguagem) e motivacionais. O estudo das diferenças observadas em função do sexo, da idade e do temperamento da criança apela à

interacção dos factores congénitos e educativos na determinação do auto-controlo.

O auto-controlo é também um conceito de natureza socio-interactiva, assumindo os pais, enquanto parceiros mais competentes da interacção, um papel fundamental na interiorização do controlo. Assim, a sua análise passa obrigatoriamente pelo estudos dos determinantes parentais. Aquilo que os pais pensam acerca das crianças e da sua educação, bem como a forma como se comportam com elas nos momentos cruciais de transmissão das mensagens de socialização, serão alvo de análise nos dois próximos capítulos.

CONTROLO PARENTAL DO COMPORTAMENTO DA CRIANÇA

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