3.1. Definição e caracterização das variáveis.
Ao formular as hipóteses o investigador está, no fundo, a identificar as variáveis e a definir as suas relações, ou seja o respetivo papel na investigação. A explicitação das variáveis e das suas relações constitui um novo passo importante na definição do modelo de análise do problema.
Almeida e Freire (1997, p. 49)
As variáveis são as unidades de base da investigação, são qualidades, propriedades ou características de pessoas, objetos, de situações suscetíveis de mudar ou variar no tempo e tomam diferentes valores, que podem ser medidos, manipulados ou controlados Fortin (2009). De acordo com o papel que cada variável desempenha pode ser designada de independente, dependente, parasita e de controlo (Almeida & Freire, 1997).
A variável independente identifica-se com a dimensão ou a característica que o investigador manipula deliberadamente por conhecer o seu impato na variável dependente, ou seja, influencia o comportamento da variável dependente. A variável independente pode ser manipulada durante a investigação. Essa manipulação tem um efeito na variável dependente, efeito que é medido durante a investigação. A variável dependente é a variável que aparece ou muda se o investigador aplicar, suprimir ou modificar a variável independente. Chama-se parasita à variável associada à variável independente que afeta os resultados da variável dependente. Designa-se variável de controlo à variável que é alheia à investigação mas influencia os resultados e atua de forma interativa (Almeida & Freire, 1997; Fortin, 2009).
Sendo assim, como variável dependente (VD) para todas as hipóteses temos: Perceções/representações e autoestima profissional dos professores do ensino básico face à aprendizagem na sala de aula dos alunos com PEA.
Tendo por base os critérios de análise da definição das variáveis, a VD quanto à métrica, apesar de ser uma escala de métrica ordinal (escala tipo Likert), é operacionalizada partindo dos valores absolutos adquiridos no total das escalas e das suas diferentes dimensões, passando estas a ter uma métrica de intervalo ou de razão.
Para operacionalizar esta variável utilizaram-se as seguintes escalas: as perceções dos professores sobre a aprendizagem na sala de aula e a autoestima profissional. Ambas do Professor Doutor Ramos Leitão (2012).
Formulou-se uma variável independente (VI) para cada uma das hipóteses: VI 1 - nível de ensino lecionado.
VI 2 - experiência com alunos com PEA.
VI 3 - número de anos de experiência profissional. VI 4 - idade.
VI 5 - género.
Como VI apresentaram-se as seguintes variáveis: nível de ensino lecionado, experiência com alunos com PEA, número de anos de experiência profissional, idade e género.
As VI nível de ensino lecionado, número de anos de experiência profissional e idade são de métrica ordinal. As VI experiência com alunos com PEA e género são de métrica nominal e quanto ao número de grupos amostrais são dicotómicas, pois
assumem dois valores e foram operacionalizadas através de um questionário de caracterização dos sujeitos.
O facto de todos os professores serem do ensino básico e lecionarem no mesmo agrupamento no ano letivo 2012/2013 é a variável comum.
Não foram controladas as variáveis parasitas/estranhas: habilitações literárias, tempo de serviço no agrupamento e contactos na infância/juventude com pessoas com deficiência.
3.2. Fundamentação dos sistemas de análise.
Ultrapassada a fase da revisão bibliográfica e considerando o objeto de investigação e o quadro de referência teórico que o suporta foi necessário escolher os instrumentos.
Almeida e Freire (1997) afirmam que existem diferentes instrumentos de avaliação, como: escalas, provas, grelhas de entrevista, que têm uma série de itens ou questões mais ou menos organizadas e que cobrem o domínio ou domínios que se pretendem avaliar.
Nesta investigação foram aplicados os seguintes instrumentos para a recolha de dados: um questionário de caracterização da amostra e duas escalas: as perceções dos professores sobre a aprendizagem na sala de aula e a escala de autoestima profissional, da autoria do Professor Doutor Ramos Leitão (2012) Os instrumentos aplicados, compreendem um conjunto de questões que têm como objetivo recolher dados da caracterização dos sujeitos e medir as perceções dos professores do ensino básico (Anexos A, B e C).
Fortin (2009) afirma que o questionário é um instrumento de medida que traduz os objetivos de um estudo com variáveis mensuráveis, ajudando a organizar, a normalizar e a controlar os dados, de forma a permitir que as informações procuradas possam ser colhidas de uma maneira rigorosa. Por isso, na opinião de Ghiglione e Matalon (1997) as questões devem ser rigorosamente estandardizadas tanto no texto como na ordem, de forma a garantir a comparabilidade das respostas dadas pelos diferentes sujeitos.
O questionário de caracterização da amostra serve para ajudar na descoberta e na interpretação dos dados recolhidos. A escala sobre as perceções dos professores sobre a aprendizagem na sala de aula e a escala de autoestima profissional são constituídas por questões fechadas, objetivas e de fácil compreensão que fornecem ao sujeito inquirido opções de entre as quais ele faz a sua escolha Fortin, Grenier e Nadeau (1999).
Segundo estes autores os questionários são pouco dispendiosos e permitem recolher informação de uma forma rápida, dando ao investigador a possibilidade de fazer comparações entre as respostas dos diferentes sujeitos da amostra.
Com o questionário de caracterização dos sujeitos pretende-se caracterizar os sujeitos do estudo segundo determinados parâmetros: género, idade, habilitações literárias, nível de ensino lecionado, número de anos de experiência profissional, experiência com alunos com NEE, experiência com alunos com PEA e contactos na infância/juventude com pessoas com deficiência. Este questionário é composto por dez questões.
A escala sobre as perceções dos professores sobre a aprendizagem na sala de aula pretende analisar as perceções que os professores do ensino básico têm sobre a aprendizagem na sala de aula dos alunos com PEA. Como já foi referido é da autoria do Professor Doutor Ramos Leitão (2012) e já foi aplicada noutros estudos. Tem cinco dimensões: interdependência aluno/aluno (aprendizagem ativa e cooperativa); interdependência professor/aluno; negociação; meta-aprendizagem; interdependência professor/professor (ensino cooperativo) e é constituída por 25 questões, distribuídas pelas cinco dimensões:
1) interdependência aluno/aluno - aprendizagem ativa e cooperativa (5 questões: 1,11,14,17,25)
2) interdependência professor/aluno (5 questões: 3,6,9,18,22) 3) negociação (5 questões: 4,10,15,19,23)
4) meta-aprendizagem (5 questões: 5,7,13,21,24)
5) interdependência professor/professor - ensino cooperativo (5 questões: 2,8,12,16,20). Foi utilizada uma escala de tipo Likert com um diferenciador semântico que varia entre raramente (1) e sistematicamente (6) ou seja, para se compreender qual o tipo de perceção que os professores têm sobre aprendizagem na sala de aula dos alunos com PEA, verificando-se se são positivas ou negativas, a cada nível de escolha, que vai de Raramente a Sistematicamente, foi atribuído um valor, que varia entre 1 e 6:
Raramente 1 – 2 — 3 — 4 — 5 — 6 Sistematicamente. Na questão 15 a pontuação é inversa:
Deste modo, a escala utilizada avalia, para cada dimensão e na sua totalidade, os níveis de perceções através da soma simples das cotações atribuídas a cada questão.
Quanto à escala de autoestima profissional, também da autoria do Professor Doutor Ramos Leitão (2012), pretende avaliar a autoestima profissional dos professores desta amostra face à aprendizagem na sala de aula dos alunos com PEA, e, também, já foi aplicada noutros estudos. Possui quatro dimensões: sentimento de competência e capacidade; satisfação pessoal nas relações profissionais; perceção do reconhecimento pelos outros; relação com os alunos. É composta por 12 questões, distribuídas pelas quatro dimensões:
1) sentimento de competência e capacidade (3 questões: 2,6,12). 2) satisfação pessoal nas relações profissionais (3 questões: 1,3,9). 3) perceção do reconhecimento pelos outros (3 questões: 5,8,11). 4) relação com os alunos (3 questões: 4,7,10).
Para se compreender qual a autoestima profissional dos professores, verificando- se se é positiva ou negativa, a cada nível de escolha, que vai de raramente a sistematicamente, foi atribuído um valor que varia entre 1 e 6:
Raramente 1 – 2 — 3 — 4 — 5 — 6 Sistematicamente.
Estas escalas foram elaboradas pelo Professor Doutor Ramos Leitão a partir de instrumentos produzidos pelo Ministério da Educação e foram trabalhadas por este autor tendo como referência os textos de Mel Ainscow, perito da UNESCO, sobre Educação Inclusiva. Na análise das escalas, o Professor Doutor Ramos Leitão efetuou uma análise da consistência interna da escala através do alpha e a escolha das dimensões efetuadas através da análise dos componentes principais (Encarnação, 2012; Mendes, 2001; Valente, 2012).
A escala as perceções dos professores sobre a aprendizagem na sala de aula foi usada e validada por Joana Subtil numa investigação, em 1998, efetuada na Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologia, em conjunto com o Professor Doutor Ramos Leitão, na altura coordenador da E.C.A.E do Cacém e, posteriormente, utilizada noutras investigações (Encarnação, 2012; Mendes, 2001; Valente, 2012).
Para a validação da escala as perceções dos professores sobre a aprendizagem na sala de aula o Professor Doutor Ramos Leitão fez a análise da consistência interna, tendo obtido um alpha no valor de 87,2, o que indica uma boa consistência interna e uma boa fidelidade global. Através da análise dos componentes principais encontraram-se 5
dimensões que explicam 53% da variância (Encarnação, 2012; Mendes, 2001; Valente, 2012).
Quanto à escala da autoestima profissional o Professor Doutor Ramos Leitão fez também a análise da consistência interna, tendo obtido um alpha no valor de ,879 indicador de uma boa consistência interna e de uma boa fidelidade global entre os itens que compõem a escala.
Ambas as escalas são de 2012 e estão validadas para a população portuguesa (Encarnação, 2012; Mendes, 2001; Valente, 2012).