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Tokens Versus Terminals

Dans le document Second Edition (Page 66-69)

O principal método de colheita de espermatozoides é a masturbação, sempre que esta é possível. Neste caso, a amostra deve ser colhida numa sala privada perto do laboratório, à temperatura ambiente, de modo a limitar a exposição do esperma a flutuações de temperatura e a controlar o tempo entre a recolha e a análise. A amostra deve ser recolhida após um período mínimo de 2 dias e um máximo de 7 dias de abstinência sexual, devendo ser obtida por masturbação e ejaculada para um recipiente limpo e comprovadamente não tóxico para os espermatozoides (World Health Organization, 2010).

Em circunstâncias excecionais, a colheita da amostra pode ser também feita em casa, sendo que deve ser entregue no laboratório até 1 hora após a colheita. Durante o transporte para o laboratório, a amostra deverá ser mantida entre 20 °C e 37 °C, de modo a não afetar a qualidade dos parâmetros espermáticos (World Health Organization, 2010)

O tempo de abstinência é essencial para a qualidade espermática, uma vez que, após ejaculação, alguns espermatozoides permanecem ainda no epidídimo, aos quais se vão acumulando novos espermatozoides, na ausência de ejaculações subsequentes. Estes vão perdendo qualidade ao longo do tempo, pelo que quanto maior o período de abstinência, mais as caraterísticas do esperma serão afetadas, nomeadamente a sua motilidade (Silverberg e Turner, 2012; World Health Organization, 2010). Por outro lado, um curto período de tempo pode afetar negativamente o volume de fluido seminal e a concentração de espermatozoides, embora possa melhorar a sua motilidade (Silverberg e Turner, 2012).

A porção inicial de sémen expelido aquando da ejaculação é rico em espermatozoides e fluidos prostáticos, enquanto as porções seguintes são principalmente fluidos das vesículas seminais, apresentando, portanto, uma concentração de espermatozoides muito inferior ao que na realidade o indivíduo é capaz de produzir. Assim, é essencial informar que toda a amostra deve ser colhida e caso haja perda de amostra durante a colheita, esta deve ser mencionada, principalmente caso se trate da primeira porção (World Health Organization, 2010).

Quando há incapacidade de obter a amostra por masturbação é também possível fazer a colheita recorrendo a um preservativo não tóxico, sem espermicidas, especialmente desenhado para a recolha de esperma, durante a relação sexual (NAFA e ESHRE-SIGA, 2002). Os preservativos de látex comuns não podem ser utilizados para a colheita de esperma, uma vez que contêm substâncias nocivas que interferem com a motilidade dos espermatozoides (World Health Organization, 2010). Também o coito interrompido não é um método aceitável para a colheita de espermatozoides, devido ao risco de contaminação bacteriana e perda da primeira fração de ejaculado (Silverberg e Turner, 2012; World Health Organization, 2010).

Em casos em que não seja possível obter uma amostra de esperma para avaliação, pode recorrer-se ao teste pós-coital para obter algumas informações relativamente à qualidade espermática, embora nestes casos as técnicas de RHA com utilização de amostra espermática a fresco não sejam uma opção (World Health Organization, 2010).

3.1.1. Outros métodos de colheita para tratamentos de RHA

Nos casos de azoospermia obstrutiva e não obstrutiva, a recolha de uma amostra por masturbação não é possível, pelo que é necessário recorrer a métodos de colheita cirúrgicos.

Em casos de azoospermia obstrutiva, várias técnicas de recolha de espermatozoides têm sido desenvolvidas entre elas a recolha diretamente dos vasos deferentes, através da técnica de MVSA (do Inglês Microscopic Vasal

Sperm Aspiration) e PVSA (do Inglês Percutaneous Vasal Sperm Aspiration), ou ainda

do epidídimo recorrendo às técnicas de MESA (do Inglês Microscopic

Epididymal Sperm Aspiration) e PESA (do Inglês Percutaneous Epididymal Sperm Aspiration). Em ambos os casos, as técnicas percutâneas permitem a recolha de

espermatozoides sem manipulação invasiva, enquanto as técnicas microscópicas pressupõem a realização de uma pequena incisão que permita manipular diretamente os ductos (Shin e Turek, 2013).

A principal vantagem da extração de espermatozoides dos vasos deferentes é a maior maturidade da colheita, uma vez que os espermatozoides presentes nestas estruturas, já completaram, teoricamente, todo o processo de maturação após passagem pelo epidídimo (Shin e Turek, 2013). No entanto, estas técnicas não permitem, na maioria dos casos, obter um número aceitável de espermatozoides, pelo que foram progressivamente substituídas pelas técnicas de recolha através do epidídimo.

A técnica de MESA, embora mais eficaz, é muito demorada e dispendiosa, pelo que recorrentemente se passou a utilizar à técnica de PESA. No entanto, esta, por seu lado, apresenta também como desvantagem um risco aumentado de lesões do epidídimo, devendo a sua utilização ser bem estudada (Leung et al., 2014).

Quando a recolha de espermatozoides não é conseguida através destas técnicas, pode recolher-se diretamente à aspiração de espermatozoides do testículo pela técnica de TESA (do Inglês Testicular Sperm Aspiration). No entanto, tal como todas as técnicas aspirativas, a TESA tem como desvantagem os efeitos nefastos da pressão exercida para a aspiração dos espermatozoides, tornando-a menos aconselhável para recolha de gâmetas masculinos para técnicas de RHA (Leung et al., 2014).

Assim, foi desenvolvida a técnica de extração de espermatozoides do testículo, a TESE (do Inglês Testicular Sperm Extraction), que pode também ser aplicada a pacientes com azoospermia não obstrutiva (Bernie et al., 2015). Esta técnica consiste na realização de uma pequena incisão no escroto, que permite expor o testículo, do qual são biopsiados vários fragmentos de tecido. O risco de lesões testiculares, assim como o baixo número de espermatozoides recolhidos através deste procedimento, levou ao desenvolvimento de uma outra técnica de recolha, a micro-TESE (do Inglês

Microdissection Testicular Sperm Extraction) (Bernie et al., 2015). Esta envolve a

utilização de um microscópio para ajudar a identificar os túbulos seminíferos que aparentam conter um maior número de células germinativas, permitindo obter resultados mais favoráveis (Leung et al., 2014).

As técnicas cirúrgicas de recolha de espermatozoides podem também ser úteis em casos de disfunção ejaculatória, sem obstrução física, tal como acontece em pacientes com lesão medular, esclerose múltipla ou diabetes mellitus.

Alternativamente, é possível recorrer a métodos de ejaculação assistida, como a eletroejaculação com sonda retal e a estimulação vibratória peniana. Estes são métodos não-evasivos e que permitem a recolha de amostras espermáticas de elevada qualidade, quando estas patologias não se encontram associadas a nenhum fator de infertilidade (Ibrahim et al., 2016; Shin e Turek, 2013).

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