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Procedures, Functions, and Methods

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A fertilização é o processo pelo qual os gâmetas feminino e masculino se unem, para formar uma nova célula, o zigoto (Tate, 2012b). A fertilização ocorre, normalmente, na região da ampola das trompas de Falópio, pelo que tanto o ovócito como o espermatozoide têm de ser transportados do seu local de produção, as gónadas, para a ampola (Sherwood, 2016; Young et al., 2014b).

Após ovulação, o ovócito é libertado na cavidade abdominal, sendo rapidamente, e em condições normais, apanhado pelas trompas de Falópio. A dilatação da porção final destas estruturas, que forma a zona do infundíbulo, assim como as fimbrias e respetivos cílios que revestem a sua superfície, são essenciais para que, através de movimentos coordenados, garantam a passagem do ovócito para as trompas de Falópio (Sherwood, 2016).

Eventualmente, o ovócito pode falhar a entrada nas trompas de Falópio e permanecer na cavidade abdominal. Caso tal aconteça, o ovócito pode ser igualmente fecundado, resultando, no entanto, numa gravidez abdominal ectópica, que se encontra associada a inúmeras complicações durante o período de gestação e que culminam geralmente no aborto espontâneo (Sherwood, 2016). Se a situação for

diagnosticada precocemente, será igualmente indicada a indução do aborto, uma vez que constitui uma situação de elevado risco para a vida da mãe (Widmaier et al., 2014). Uma gravidez ectópica pode também ocorrer quando o embrião não completa o seu trajeto até ao útero, onde normalmente deve implantar, permanecendo nas trompas de Falópio (Widmaier et al., 2014). Estas estruturas, por não apresentarem elasticidade suficiente para comportar uma gravidez, não permitem o desenvolvimento do feto até ao término do período gestacional.

Já no interior das trompas de Falópio, o ovócito é rapidamente impulsionado por contrações peristálticas e ação ciliar em direção à ampola, onde pode ser fecundado. Caso não seja fecundado, o ovócito começa a desintegrar-se cerca de 12 a 24 horas após a ovulação, sendo, consequentemente, fagocitado pelas células que revestem o trato reprodutor (Sherwood, 2016). Tendo em conta que o tempo de vida dos espermatozoides é consideravelmente superior ao dos ovócitos, sobrevivendo tipicamente 48 horas, mas podendo atingir os 5 dias ainda viáveis no trato feminino, a fertilização pode ocorrer quando o esperma é depositado entre 5 dias antes e 24 horas após a ovulação (Sherwood, 2016; Tate, 2012b). Assim, a fecundação pode ocorrer apenas durante um período de tempo limitado em cada ciclo, a que se designa período fértil (Sherwood, 2016).

Após a ejaculação dos espermatozoides para o interior da vagina durante a relação sexual, estes serão transportados até à região da ampola, passando através do colo e corpo do útero e demorando cerca de 30 minutos a completar este trajeto (Sherwood, 2016; Tate, 2012b). Aproximadamente 1 minuto após a deposição na vagina, o líquido seminal começa a coagular, tornando-se mais espesso e viscoso, de modo a evitar a perda de esperma pela vagina. Esta coagulação resulta da ação da enzima vesiculase, segregada pela próstata, que ao entrar em contacto com o fibrinogénio, proveniente das vesículas seminais, o converte numa complexa rede de fibrina (Jones e Lopez, 2014). Após cerca de 20 minutos, no entanto, o líquido seminal liquefaz novamente por ação de uma enzima fibrinolítica de atuação mais lenta, segregada também pela próstata, permitindo a continuação do trajeto dos espermatozoides em direção ao colo do útero (Jones e Lopez, 2014). O ambiente acídico da vagina, com um valor de pH de cerca de 4,2, inibe a motilidade dos espermatozoides, pelo que a alcalinidade do líquido seminal é essencial para equilibrar o pH no interior do trato vaginal feminino, atingindo um valor de pH de cerca de 7,2, que, por sua vez, aumenta a motilidade dos espermatozoides, permitindo a passagem do canal cervical (Jones e Lopez, 2014).

O colo do útero constitui a maior barreira à passagem dos espermatozoides, não só devido à sua anatomia altamente pregueada e musculada, mas principalmente devido à presença de muco cervical (Jones e Lopez, 2014). Ao longo da maior parte do ciclo menstrual feminino, o muco cervical é demasiado espesso para permitir a penetração dos espermatozoides (Sherwood, 2016; Shier et al., 2012b). No entanto, antes da ovulação, os níveis elevados de estrogénio combinados com os níveis baixos de progesterona irão promover a segregação de muco aquoso, que permitirá a passagem de espermatozoides apenas neste período específico (Jones e Lopez, 2014; Sherwood, 2016; Shier et al., 2012b). Desta forma, apenas os espermatozoides móveis e normais têm capacidade para atravessar esta barreira, onde os restantes ficam retidos (Jones e Lopez, 2014).

É nesta fase que os espermatozoides adquirem a sua capacidade de fertilização, um processo designado de capacitação (Fox, 2011; Widmaier et al., 2014). A capacitação dos espermatozoides ocorre quando estes se encontram expostos ao trato feminino e envolve a remoção e modificação de moléculas inibidoras seminais e colesterol, alterando a sua superfície (Fritz e Speroff, 2010; Guyton e Hall, 2016c; Jones e Lopez, 2014; Sherwood, 2016; Tate, 2012b). Estas alterações irão permitir que os espermatozoides sejam capazes de desencadear a reação acrossómica, com consequente destabilização das membranas celulares e do acrossoma, um importante passo no processo de fertilização (Fritz e Speroff, 2010; Jones e Lopez, 2014). Para além disso, a capacitação irá permitir a ligação dos espermatozoides à zona pelúcida dos ovócitos, assim como a aquisição de hipermotilidade, movimentos flagelares mais rápidos e vigorosos que os impulsionam em direção ao ovócito, de um modo mais eficaz (Fritz e Speroff, 2010; Jones e Lopez, 2014; Widmaier et al., 2014). As células germinativas masculinas que não sejam capazes de se mover rapidamente através do aparelho reprodutor feminino estarão vulneráveis à destruição pelo sistema imunológico, não atingindo o local de fecundação (Jones e Lopez, 2014). Apenas cerca de 10% dos espermatozoides sofrem capacitação (Fox, 2011).

O transporte dos espermatozoides ao longo do útero vai depender não só da hipermotilidade adquirida pelos espermatozoides que sofrem capacitação, mas principalmente das contrações do miométrio, induzidas por prostaglandinas presentes no líquido seminal, assim como pelos elevados níveis de estrogénio e pela hormona oxitocina libertada pela hipófise anterior aquando do orgasmo feminino (Guyton e Hall, 2016c; Jones e Lopez, 2014; Sherwood, 2016; Tate, 2012b).

Quando os espermatozoides alcançam as trompas de Falópio, a sua progressão é retardada pelo muco, permitindo mais uma vez a seleção dos espermatozoides capacitados que serão capazes de progredir, ao contrário dos que não apresentam hipermotilidade que ficarão retidos no epitélio tubar (Jones e Lopez, 2014; Sherwood, 2016). Os espermatozoides são assim atraídos em direção ao ovócito por termo e quimiotaxia, auxiliados por movimento ciliar e contrações ascendentes do músculo liso das paredes das trompas (Fox, 2011; Jones e Lopez, 2014).

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