Os instrumentos de coleta de dados em uma pesquisa devem estar alinhados com os objetivos pretendidos, além de conseguirem captar o máximo de dados necessários possíveis. Portanto, é recomendável utilizar diversas fontes, como pessoas, observação, documentos. Essas múltiplas fontes permitem a triangulação de informações e a profundidade para entender o fenômeno no estudo de caso (GIL, 2008; CRESWELL, 2014). Tendo isso em vista, esta pesquisa fez uso de quatro instrumentos de coleta, a saber: análise documental, entrevistas semiestruturadas, grupo de discussão e o mapeamento de processo.
A análise documental é uma técnica de coleta de dados que deve levar em consideração não apenas os documentos no suporte de papel, mas também os que estão em outros suportes (quadro, fotografias, vídeos etc.). Coopera para esclarecer o corpus da pesquisa, contextualizando os assuntos, suprindo lacunas de informações (GARCIA JUNIOR; MEDEIROS; AUGUSTA, 2017). Neste trabalho essa análise reuniu a Lei Federal de Estágio de nº 11.788/2008, o Regimento da UFRN, o Regulamento dos Cursos Regulares de Graduação da UFRN, a Resolução de Estágio da CGEP de nº 01/2018. Também foram reunidos e analisados os documentos de estágio dos discentes em um total de 393 (sendo 183 obrigatórios e 210 não obrigatórios), cadastrados do dia 01/03/2016 a 28/02/2019, que estão sob a guarda da CGEP (checklist, termos de compromisso de estágio, apólice de seguro contra acidentes pessoais, relatórios de estágios, termos aditivos, termos de rescisão de estágio). Eletronicamente foram analisados os e-mails da Coordenação relacionados aos estágios, bem como as informações presentes no Módulo Central de Estágio.
Essa análise foi essencial para compreender as regras e procedimentos que compõem os estágios (obrigatórios e não obrigatórios), bem como o fluxo informacional e processual que ocorre na Universidade, especificamente na CGEP. Também serviu para atingir os objetivos específicos de descrever os requisitos de cada etapa do fluxo informacional existente no processo de estágio na Coordenação, colaborando com a identificação das lacunas entre o processo de estágio na CGEP e a Central de Estágio.
As entrevistas semiestruturadas foram feitas de modo individual para a CGEP e para a COEST. Nesse momento exploraram-se questões relacionadas às necessidades e aos fluxos de informação, aos fluxos processuais do acompanhamento de estágio, e ao uso do Módulo Central de Estágio. Esses pontos serviram de base para a montagem dos questionários aplicados nesse público (conforme APÊNDICE A). A utilização de entrevistas semiestruturadas mostrou-se ser uma decisão acertada, tendo em vista que são “adequadas para a obtenção de informações acerca do que as pessoas sabem, creem, esperam, sentem ou desejam, pretendem fazer, fazem ou fizeram, bem como acerca das suas explicações ou razões a respeito das coisas precedentes” (MARCONI; LAKATOS, 2010, p.109).
O grupo de discussão (GD) também foi utilizado como instrumento de coleta de dados porque, de uma forma qualitativa, o pesquisador consegue obter a compreensão, as percepções, as crenças que determinado grupo tem sobre algum produto, serviço ou assunto (MEINERZ, 2011). Algumas vantagens na utilização desses grupos estão na maior inserção do pesquisador na cultura criada pelo grupo; promoção de reflexões dos participantes sobre o tema debatido e isso inclui correção de situações outrora distorcidas, o uso de vocábulos menos formais, menos engessados, dentre outros (WELLER, 2013).
O GD diferencia-se do grupo focal por ser mais flexível, não tão direcionado quanto esse e por gerar significações nas conversas, para além da informação (SILVESTRE; MARTINS; LOPES, 2018). Por isso, não só as palavras, mas também são analisados comportamentos, expressões, o próprio ambiente, na busca pelo discurso coletivo grupal. Além dos participantes, existe o moderador que conduz os assuntos norteadores para os participantes, mas esse deve interferir o mínimo possível e ser pontual ao fazê-lo, pois o interessante é “deixar o grupo falar” (GODOI, 2015).
No caso deste trabalho, o GD foi composto por três professores do Departamento de Engenharia de Produção, os quais, até a época de realização da coleta, eram os que mais tinham orientado estágios desde a implantação do Módulo. A pesquisadora atuou como moderadora e conduziu o roteiro-base (que pode ser consultado no APÊNDICE B). Essa técnica visou atingir os objetivos específicos de verificar as necessidades de informação a nível tático (gerencial) e também para identificar as lacunas entre processo de estágio na CGEP e o Módulo.
Outra ferramenta que se fez uso foi o mapeamento. Por essa pesquisa ter se desenvolvido em um ambiente público governamental, esse mapeamento é umas das técnicas indicada pelo Governo Federal Brasileiro quando se trabalha com fluxos de dados e de processos (BRASIL, 2011). Com o auxílio do software Visio, o qual une o gerenciamento
organizacional e a comunicação, foi possível visualizar o fluxo de trabalho e também os fluxos informacionais, de materiais e documentais envolvidos no processo. Ademais, representa os papéis dos atores atuantes no processo (SANTOS et al, 2015). Nesse mapeamento foi possível descrever graficamente o fluxo informacional do processo de estágio na CGEP, identificando lacunas, auxiliando na compreensão desse estudo, portanto.
Para relacionar melhor os objetivos específicos deste trabalho com as técnicas de coleta de dados, foi elaborado o Quadro 4 a seguir:
Quadro 4 – Objetivos específicos alinhados com os instrumentos de coleta Objetivos específicos Método de coleta 3. Identificar as lacunas entre o processo de estágio na CGEP e o
Módulo; Análise documental
1. Descrever o fluxo informacional existente do processo de estágio na CGEP;
3. Identificar as lacunas entre processo de estágio na CGEP e o Módulo.
Análise documental; Mapeamento do processo 2. Verificar as necessidades de informação tática (gerencial);
3. Identificar as lacunas entre processo de estágio na CGEP e o Módulo.
Entrevistas semiestruturadas; Grupo de discussão Fonte: Elaborado pela autora (2019)
No que diz respeito aos protocolos de coleta de dados, especificamente as entrevistas semiestruturadas e o roteiro do grupo de discussão, ambos foram submetidos a um pré-teste com o intuito de avaliar se as questões eram consistentes, claras, objetivas e não constrangedoras. Essa é uma ação indicada não apenas no estudo de caso, mas também pode ser adotada em outros tipos de pesquisa, aumentando o grau de confiabilidade do trabalho (CHAER; DINIZ; RIBEIRO, 2011). Para a entrevista semiestruturada referente à Coordenadoria de Estágios, o pré-teste foi realizado com um dos servidores que compõe essa equipe. Em relação à Coordenação de Engenharia de Produção, o pré-teste foi realizado com um dos representantes da Coordenação de Engenharia do Petróleo. Embora cada coordenação tenha singularidades para conduzir os processos de estágio, foi importante realizar o pré-teste dentro da mesma área de conhecimento (tecnológica) até mesmo para verificar se existem aproximações e distanciamentos de procedimentos de estágio. Quanto ao grupo de discussão, o pré-teste foi realizado com outro docente do Departamento de Engenharia de Produção que não pertencia ao grupo selecionado.
Em todas as situações de testagem, os participantes avaliaram as questões como coerentes, indubitáveis e sem dificuldades para respondê-las. Sendo assim, esses roteiros foram aprovados sem ajustes.