Defini¸c˜ao 5.11 Seja (X, Y ) um par aleat´orio e g : R2 → R uma fun¸c˜ao quase-cont´ınua. Define-se valor m´edio ou valor esperado ou m´edia de g(X, Y ) como:
(a) E [g(X, Y )] = ∞ X i=1 ∞ X j=1
g(xi, yj)P (X = xi, Y = yj) 1, se (X, Y ) for vector aleat´orio discreto com
f. probabilidade conjunta pij = P (X = xi, Y = yj), ∀i, j.
(b) E [g(X, Y )] = Z +∞
−∞
Z +∞
−∞
g(x, y)fX,Y(x, y)dxdy2, se (X, Y ) vector aleat´orio cont´ınuo com fun¸c˜ao
densidade conjunta fX,Y(., .).
Nota: Em particular estaremos mais interessados no caso g(x, y) = xy, obtendo: X E [XY ] =P∞ i=1 P∞ j=1xiyjP (X = xi, Y = yj) X E [XY ] =R+∞ −∞ R+∞
−∞ xyfX,Y(x, y)dxdy
Defini¸c˜ao 5.12 Seja (X, Y ) um par aleat´orio. Sendo µX = E [X] e µY = E [Y ], define-se co-
variˆancia entre X e Y por:
cov (X, Y ) = E [(X − µX) (Y − µY)] ,
desde que o lado direito da igualdade exista.
Proposi¸c˜ao 5.3 Seja (X, Y ) um par aleat´orio. Ent˜ao, caso exista a covariˆancia entre X e Y , esta pode ser calculada atrav´es da f´ormula:
cov (X, Y ) = E (XY ) − E (X) E (Y )
A covariˆancia d´a uma indica¸c˜ao sobre a forma como as vari´aveis s˜ao relacionadas. Em geral, um valor positivo de covariˆancia entre X e Y ´e uma indica¸c˜ao que Y tende a crescer linearmente quando X cresce e um valor negativo indica que Y tende a decrescer linearmente quando X cresce.
Teorema 5.2 Sejam X e Y vari´aveis aleat´orias independentes tais que os seus valores m´edios, E [X] e E [Y ], respectivamente, existem. Ent˜ao,
E [XY ] = E [X]E [Y ]
Note-se que o teorema anterior ´e facilmente generaliz´avel a mais de duas vari´aveis aleat´orias.
1Caso esta s´erie seja absolutamente convergente, ficando doravante esta nota subjacente a todas as defini¸c˜oes deste
tipo.
2Caso este integral seja absolutamente convergente, ficando doravante esta nota subjacente a todas as defini¸c˜oes deste
Probabilidades e Estat´ıstica Isabel Nat´ario 59
Corol´ario 5.2.1 Se X e Y s˜ao vari´aveis aleat´orias independentes, ent˜ao cov(X, Y ) = 0.
Note-se que o resultado anterior trata-se de uma implica¸c˜ao e n˜ao equivalˆencia. Assim, pode haver vari´aveis cuja covariˆancia seja nula e elas ainda assim n˜ao sejam independentes.
Teorema 5.3 Sejam X e Y vari´aveis aleat´orias tais que existam as suas variˆancias, V (X) e V (Y ), respectivamente. Ent˜ao,
V (X ± Y ) = V (X) + V (Y ) ± 2cov(X, Y )
Tamb´em este teorema ´e facilmente generaliz´avel a mais de duas vari´aveis aleat´orias.
Corol´ario 5.3.1 Se X e Y s˜ao vari´aveis aleat´orias independentes, ent˜ao V (X ± Y ) = V (X) + V (Y ).
Exemplo 5.6 Retome-se o exemplo 5.1, da quantidade de batatas obtidas para diferentes esquemas
de aduba¸c˜ao. J´a vimos que estas vari´aveis n˜ao s˜ao independentes, pelo que a sua covariˆancia pode n˜ao ser nula. Vamos calcul´a-la:
E [XY ] = 5 X x=2 3 X y=1 xyP (X = x, Y = y) = 2 × 1 × 0.13 + 2 × 2 × 0.03 + 2 × 3 × 0.04+ + 3 × 1 × 0.10 + . . . = 7.33 E [X] = 5 X x=2 xP (X = x) = 2 × 0.2 + 3 × 0.3 + 4 × 0.3 + 5 × 0.2 = 3.5 E [Y ] = 3 X y=1 yP (X = y) = 1 × 0.33 + 2 × 0.33 + 3 × 0.34 = 2.01
cov(X, Y ) = E [XY ] − E [X]E [Y ] = 7.33 − 3.5 × 2.01 = 0.295
2
Proposi¸c˜ao 5.4 Sejam X, Y , W e Z vari´aveis aleat´orias, a, b, c e d constantes reais. Ent˜ao: X cov(X, Y ) = cov(Y, X);
X cov(X, X) = V (X);
X cov (a + bX, c + dY ) = bd cov (X, Y );
X cov (aX + bY, cZ + dW ) = ac cov (X, Z) + ad cov (X, W ) + bc cov (Y, Z) + bd cov (Y, W ). J´a dissemos que a covariˆancia entre duas vari´aveis aleat´orias X e Y d´a uma indica¸c˜ao da existˆencia de alguma rela¸c˜ao linear entre elas. A for¸ca desta rela¸c˜ao ´e medida atrav´es de uma quantidade chamada coeficiente de correla¸c˜ao.
Defini¸c˜ao 5.13 Seja (X, Y ) um par aleat´orio. Define-se coeficiente de correla¸c˜ao entre (X, Y ) como
ρ (X, Y ) = cov (X, Y ) pV (X) V (Y )
Proposi¸c˜ao 5.5 Seja (X, Y ) um par aleat´orio. Ent˜ao: X −1 ≤ ρ (X, Y ) ≤ 1;
X |ρ (X, Y )| = 1 se e s´o se P (Y = a + bX) = 1, sendo a e b constantes reais; X Se X e Y s˜ao v.a.’s independentes ρ (X, Y ) = 0.
Exemplo 5.7 Relativamente ao exemplo 5.1, calculemos o coeficiente de correla¸c˜ao entre o n´umero
de batatas por batateira (X) e o n´umero de adubagens (Y ). cov(X, Y ) = 0.295 E [X] = 3.5 E [Y ] = 2.01 V (X) = E [X2] − E2[X] = 5 X x=2 x2P (X = x) − 3.52 = = 22× 0.2 + 32× 0.3 + 42× 0.3 + 52× 0.2 − 12.25 = 13.3 − 12.25 = 1.05 V (Y ) = E [Y2] − E2[Y ] = 3 X y=1 y2P (Y = y) − 2.012 = = 12× 0.33 + 22× 0.33 + 32× 0.34 − 4.0401 = 4.71 − 4.0401 = 0.6699 Ent˜ao: ρ(X, Y ) = cov(X, Y ) pV (X)V (Y ) = 0.295 √ 1.05 × 0.6699 ' 0.35 Assim conclu´ımos que a rela¸c˜ao entre X e Y ´e fraca.
5.5
Exerc´ıcios Propostos
5.1 Considere o vector aleat´orio (X, Y ) com a seguinte fun¸c˜ao de probabilidade conjunta:
X \ Y 2 4 6 1 18 38 0 48 2 18 0 14 38 3 161 161 0 18 5 16 167 14 1
Probabilidades e Estat´ıstica Isabel Nat´ario 61
(a) Determine as fun¸c˜oes de probabilidade marginais de X e de Y . (b) As vari´aveis X e Y s˜ao independentes?
(c) Calcule P (X + Y ≤ 5) e P (Y − X ≥ 3).
(d) Calcule E [X], E [Y ], V (X), V (Y ), cov(X, Y ) e V (X + Y ).
5.2 Numa empresa de aluguer de avi˜oes informam-nos de que a procura di´aria de avi˜oes de pas- sageiros, X, e a procura di´aria de avi˜oes de transporte r´apido de correio, Y , constituiem um par aleat´orio (X, Y ), cuja fun¸c˜ao de probabilidade conjunta ´e dada por:
X \ Y 0 1 2 0 0 0.25 1 0.05 0.35 2 0.1 0.1 p + 0.2 3 0 0.1 p 0.2 0.5
(a) Qual a probabilidade de, num dia, a procura de avi˜oes de passageiros ser inferior `a procura de avi˜oes de transporte r´apido de correio?
(b) Deduza a fun¸c˜ao de probabilidade da procura total de avi˜oes de aluguer.
5.3 O Jo˜ao costuma jogar, todas as semanas, 3 partidas de t´enis e 1 partida de xadrez, contra a sua namorada. Verifica-se que o Jo˜ao ganha a partida de xadrez com probabilidade 0.4. Quanto aos jogos de t´enis, ganha 40% das vezes as 3 partidas, 30% das vezes 2 partidas e 10% das vezes 1 partida.
Considere que os resultados do t´enis s˜ao independentes dos resultados do xadrez.
Represente X o n´umero de vezes que o Jo˜ao ganha, por semana, a partida de xadrez e Y o n´umero de vezes que ganha ao t´enis.
(a) Determine a fun¸c˜ao de probabilidade conjunta do vector aleat´orio (X, Y ) e as fun¸c˜oes de probabilidade marginais de X e de Y .
(b) Determine o n´umero m´edio de vit´orias do Jo˜ao no xadrez e no t´enis, por semana, e os respectivos desvios padr˜ao.
(c) Determine cov(X, Y ).
5.4 Um supermercado tem para venda leite de uma determinada marca, dispon´ıvel em embalagens de 1 litro e de 1/2 litro. Relativamente ao n´umero de embalagens desta marca vendidas diariamente, considere as v.a.’s X-no de embalagens de 1 litro e Y -no de embalagens de 1/2 litro. Acerca destas v.a.’s sabe-se que:
X O dom´ınio de X ´e {0, 1, 2, 3} e Y pode assumir valores 0 ou 1. X Os valores de Y s˜ao igualmente prov´aveis.
X 20% dos dias n˜ao se vendem embalagens de 1 litro e P (X = 1) = P (X = 2). X Todos os dias se vendem embalagens desta marca de leite.
X P (X = 2; Y = 0) = P (X = 2; Y = 1) = 0.15
X Os dias em que se vendem 3 embalagens de 1 litro e nenhuma de 1/2 litro, ocorrem com probabilidade 0.15.
(a) Deduza a fun¸c˜ao de probabilidade conjunta do par aleat´orio (X, Y ).
(b) Determine a probabilidade de num dia se venderem mais embalagens de 1 litro do que de 1/2 litro.
(c) Num dia em que se registou a venda de 1/2 litro de leite, qual a probabilidade de se ter vendido mais de que 1 embalagem de 1 litro.
(d) Estude a independˆencia das vari´aveis aleat´orias X e Y .
5.5 Tendo o par aleat´orio (X, Y ) a seguinte fun¸c˜ao de probabilidade conjunta:
X \ Y −a (a − 6) a 2a
0 k2 k2 k 0 2k
2 0 k2 k k2 2k
k
2 k 2k k2 1
(a) Determine o valor de k.
(b) Determine o valor de a sabendo que E [Y ] = 2E [X]. (c) Calcule cov(X, Y ).
5.6 Numa f´abrica produzem-se ratos de computador, que podem sofrer de dois tipos diferentes de defeitos - digamos A e B. Para cada rato produzido definem-se duas vari´aveis aleat´orias, X e Y , representando, respectivamente, o n´umero de defeitos do tipo A e do tipo B a si associados:
X =
0, rato sem defeito do tipo A
1, rato com defeito do tipo A Y =
0, rato sem defeito do tipo B 1, rato com defeito do tipo B Sabendo que P (Y = 0) = 0.80, P (X = 1|Y = 1) = 0.7 e P (X = 1|Y = 0) = 0.1:
(a) Determine a fun¸c˜ao de probabilidade conjunta do par aleat´orio (X, Y ).
(b) Justifique se para cada rato o n´umero de defeitos do tipo A ´e independente do n´umero de defeitos do tipo B.
(c) Calcule a P (X < Y ).
(d) Qual a probabilidade de o n´umero total de defeitos num qualquer rato da produ¸c˜ao ser inferior a 2?
5.7 Considere as fam´ılias de determinado pa´ıs com trˆes filhos. Neste universo representem X e Y , respectivamente, o n´umero de filhos dalt´onicos e o n´umero de filhos canhotos, por fam´ılia. Admita que o par aleat´orio (X, Y ) tem a seguinte fun¸c˜ao de probabilidade conjunta:
X\Y 0 1
0 0.50 1 0.25
2 0.05 0.05 0.1 0.8 0.2
Probabilidades e Estat´ıstica Isabel Nat´ario 63
(a) Sabendo que cov(X, Y ) = 0.09 complete o quadro das probabilidades conjuntas acima. (b) Qual a propor¸c˜ao de fam´ılias que n˜ao tˆem nenhum filho simultaneamente dalt´onico e can-
hoto? Qual a propor¸c˜ao de fam´ılias sem filhos dalt´onicos? E sem filhos canhotos? O que ´e que estes resultados lhe podem dizer quanto `a independˆencia entre o n´umero de filhos dalt´onicos e o n´umero de filhos canhotos?
(c) Determine ρ(X, Y ). Comente.
5.8 Suponhamos que M1 e M2 s˜ao duas m´aquinas que funcionam independentemente e sejam X e Y
vari´aveis aleat´orias que representam, respectivamente, no di´ario de avarias de M1 e o no di´ario
de avarias de M2. Sabendo que:
X A m´aquina M1 nunca avaria mais do que uma vez por dia e, que a m´aquina M2 avaria, no m´aximo, duas vezes por dia;
X A probabilidade de M1 n˜ao avariar ´e de 0.7;
X A probabilidade de M2 n˜ao avariar ´e 0.5 e a de avariar duas vezes ´e 0.3,
Construa a tabela da fun¸c˜ao de probabilidade conjunta e marginais associada ao par aleat´orio (X, Y ).
5.9 Sejam X e Y duas v.a.’s tais que V (X) = σ2 e V (Y ) = 2σ2. Considere novas v.a.’s T = 2X + Y
e W = X − Y . Sabendo que V (W ) = σ2, calcule: (a) O coeficiente de correla¸c˜ao entre X e Y . (b) V (T ).
(c) cov(W, T ).
5.10 Seja (X, Y ) um par aleat´orio para o qual V (X) = V (Y ) = σ2e coeficiente de correla¸c˜ao ρ. Sejam as novas v.a.’s U = X + Y e W = X − Y . Mostre que V (W ) = 2σ2(1 − ρ) e cov(U, W ) = 0.
5.11 ‡ Seja (X, Y ) um vector aleat´orio com a seguinte fun¸c˜ao densidade probabilidade conjunta:
f (x, y) =
k(x + 2y), 0 < x < 1, 0 < y < 1
0, c.c.
(a) Determine k.
(b) Determine as fun¸c˜oes densidade marginais de X e Y . (c) As vari´aveis X e Y s˜ao independentes?
(d) Calcule P (15 < X < 25). (e) Calcule P (X < Y ).
(f) Calcule P (15 < X < 25|Y > 12),
5.12 ‡ Seja (X, Y ) um vector aleat´orio com a seguinte fun¸c˜ao densidade probabilidade conjunta:
f (x, y) =
k, x > 0, y < 0, y > x − 2 0, restantes valores de (x,y)
(a) Determine k.
(b) As vari´aveis X e Y s˜ao independentes?
5.13 Diga, justificando, se as seguintes afirma¸c˜oes s˜ao verdadeiras ou falsas:
(a) Sejam X e Y duas vari´aveis aleat´orias. Se cov(X, Y ) = 0 ent˜ao X e Y s˜ao vari´aveis independentes.
(b) A covariˆancia entre duas vari´aveis aleat´orias ´e uma quantidade sempre positiva ou nula. (Exerc´ıcio de exame)
5.14 Diga, justificando, se as seguintes afirma¸c˜oes s˜ao verdadeiras ou falsas: (a) Seja X uma v.a. tal que E[X] = µ e V (X) = σ2. Ent˜ao cov(X, X) = 0.
(b) Sejam X1 e X2 duas vari´aveis aleat´orias independentes e identicamente distribu´ıdas, com
valor m´edio µ e variˆancia σ2. `A custa desta vari´aveis definam-se as seguintes outras duas
vari´aveis aleat´orias: Y1 = X1+ X2 e Y2 = 2X1. Ent˜ao a cov(Y1, Y2) = 0.
(c) O Francisco e o Jo˜ao costumam encontrar-se todas as semanas. O Jo˜ao chega atrasado a esses encontros com probabilidade 0.5 e o Francisco chega atrasado com probabilidade 0.2 - assuma independˆencia entre encontros e tamb´em entre os atrasos dos dois amigos. Seja X (respectivamente Y ) a vari´avel aleat´oria que conta, em 2 semanas quaisquer, quantas vezes se atrasa o Francisco (respectivamente o Jo˜ao). Ent˜ao a fun¸c˜ao de probabilidade da vari´avel aleat´oria que conta o n´umero de vezes que o Francisco se atrasa, nessas duas semanas, sabendo que o n´umero de atrasos do Jo˜ao ´e 2, ´e dada por:
P (X = x|Y = 2) = 0.64, x = 0 0.32, x = 1 0.04, x = 2
(d) A covariˆancia entre duas vari´aveis aleat´orias tem sempre de ser maior do que o correspon- dente coeficiente de correla¸c˜ao entre as vari´aveis.
5.15 Nas urgˆencias do hospital de S. Sebasti˜ao gasta-se, por cada 1 hora, X sacos de algod˜ao e Y seringas. No quadro abaixo representa-se a fun¸c˜ao de probabilidade conjunta deste par aleat´orio (X, Y ), que se encontra incompleto:
X\Y 0 1 2
0 1/12 1/12
1 0
1
(a) Complete a fun¸c˜ao de probabilidade conjunta sabendo que a probabilidade de se gastar 1 seringa ´e o dobro da probabilidade de se gastarem 2 seringas e que a probabilidade de se gastarem 0 seringas ´e o triplo da probabilidade de se gastarem 2 seringas.
(b) Calcule a probabilidade de o n´umero de sacos de algod˜ao gastos numa hora ser superior ao n´umero de seringas gastas nessa hora.
Probabilidades e Estat´ıstica Isabel Nat´ario 65
(c) Determine a fun¸c˜ao de probabilidade do n´umero de sacos de algod˜ao gastos numa hora, X, e a sua correspondente fun¸c˜ao distribui¸c˜ao.
(d) Determine o n´umero m´edio de sacos de algod˜ao gastos numa hora e o n´umero m´edio de seringas gastas nesse mesmo per´ıodo.
(e) Determine a covariˆancia entre as vari´aveis X e Y . Comente este resultado, referindo se o pode usar para decidir quanto `a independˆencia entre as vari´aveis. Justifique.
(Exerc´ıcio de exame) 5.16 O Sr. Z´e e a SraMaria trabalham na mesma loja. Todas as manh˜as pode acontecer que cada um
deles tenha de se ausentar do seu posto de trabalho. Assim, representando a vari´avel aleat´oria X o n´umero de vezes que isso acontece ao Sr. Z´e, por manh˜a, e a vari´avel aleat´oria Y o n´umero de vezes que tal sucede `a SraMaria, por manh˜a, conhecemos a fun¸c˜ao de probabilidade conjunta destas duas vari´aveis:
X\Y 0 1 2
0 0.125 0.05 0.075 0.25
1 0.25 0.1 0.15 0.5
2 0.125 0.05 0.075 0.25
0.5 0.2 0.3 1
(a) Deduza a fun¸c˜ao distribui¸c˜ao do n´umero de vezes X que o Sr. Z´e se ausenta do seu posto de trabalho por manh˜a.
(b) Determine a probabilidade de, numa determinada manh˜a, o Sr. Z´e se ausentar do seu posto de trabalho no m´aximo uma vez.
(c) Determine a probabilidade de, numa manh˜a de trabalho, o Sr. Z´e se ausentar do seu posto de trabalho no m´aximo uma vez, sabendo que nessa mesma manh˜a a SraMaria ausentou-se uma ´unica vez. Explique em que sentido ´e que o resultado obtido lhe permite come¸car a tecer considera¸c˜oes sobre a independˆencia das vari´aveis X e Y .
(d) Determine E [X +2], V(X +2) e V(X +Y ), justificando convenientemente os passos dados. (Exerc´ıcio de exame) 5.17 Por dia, o n´umero de pacientes com queixas de tens˜ao baixa atendidos em determinado servi¸co
de urgˆencias hospitalares ´e uma vari´avel aleat´oria X com a seguinte fun¸c˜ao de probabilidade:
X
1 2 3 4
0.4 0.3 0.2 0.1
Sabe-se ainda que o n´umero de pacientes com desmaios, Y , atendidos neste mesmo servi¸co, por dia, ´e sempre dado pelo n´umero de pacientes com queixas de tens˜ao baixa, X, mais 5 pacientes (com outras queixas): Y = X + 5.
(a) Qual a probabilidade de, num qualquer dia, aparecerem neste servi¸co de urgˆencias 2 pa- cientes com queixas de tens˜ao baixa e 7 pacientes com desmaios? E qual a probabilidade de, num qualquer dia, aparecerem neste servi¸co de urgˆencias 2 pacientes com queixas de tens˜ao baixa e 8 pacientes com desmaios?
(b) Determine a fun¸c˜ao de probabilidade conjunta do par aleat´orio (X, Y ).
Sugest˜ao: Comece por enumerar quais os valores que a vari´avel Y pode tomar. (c) Encontre o coeficiente de correla¸c˜ao entre X e Y . Comente o seu valor.
(d) Qual o n´umero m´edio de pacientes com queixas de tens˜ao baixa neste servi¸co, por dia? E qual o seu coeficiente de varia¸c˜ao?
(Exerc´ıcio de exame) 5.18 Uma certa m´aquina de fax est´a avariada. Assim ´e frequente enviarem-se faxes que nunca chegam
ao seu destino. Seja X o n´umero de vezes que um fax ´e enviado e Y o n´umero de vezes que esse fax ´e recebido. (X, Y ) ´e um par aleat´orio que tem a seguinte fun¸c˜ao de probabilidade conjunta:
X \ Y 0 1 2
1 0.4 0.2 0 0.6
2 0.2 0.15 0.05 0.4
0.6 0.35 0.05 1
(a) Calcule P (Y < X). Comente.
(b) Qual o n´umero m´edio de faxes enviados e qual o n´umero m´edio de faxes recebido? Comente. (c) Sabendo que V (Y ) = 0.3475, calcule o coeficiente de correla¸c˜ao entre X e Y . Comente. (d) Calcule a probabilidade de receber 2 faxes sabendo que foram enviados 2 faxes.
(e) O que pode dizer quanto `a independˆencia entre as vari´aveis X e Y . Justifique.
(Exerc´ıcio de exame) 5.19 Considere o par aleat´orio (X, Y ) em que X e Y representam o n´umero de golos marcados pelo
Benfica e pelo Sporting, respectivamente, no cl´assico derby Benfica-Sporting. Sabe-se que: • X, Y ∈ {0, 1, 2}.
• A probabilidade do jogo terminar empatado ´e de 1/3 sendo que as diferentes possibilidades de empate tˆem igual probabilidade de ocorrer.
• A vit´oria de qualquer equipa s´o pode eocorrer pela diferen¸ca de um golo.
• A probabilidade de vit´oria do Benfica ´e o dobro da do Sporting, sendo que P (X = 1, Y = 0) = P (X = 2, Y = 1) e P (X = 0, Y = 1) = P (X = 1, Y = 2).
(a) Determine as fun¸c˜oes de probabilidade conjunta e marginais. (b) As vari´aveis X e Y s˜ao independentes?
(c) Qual a probabilidade de vit´oria do Benfica?
(d) Qual a probabilidade de no total serem marcados trˆes golos? (e) Calcule cov(X, Y ).
(Exerc´ıcio de exame) 5.20 Seja X a vari´avel aleat´oria que indica o n´umero de vezes que a electricidade de uma moradia ´e
“cortada” por falta de pagamento, num ano, e a vari´avel aleat´oria Y indica o n´umero de vezes que a ´agua ´e “cortada” pela mesma raz˜ao. Sabe-se que a fun¸c˜ao de probabilidade conjunta do par aleat´orio (X, Y ) ´e a seguinte
Probabilidades e Estat´ıstica Isabel Nat´ario 67
X\Y 0 1 2
0 c1 c2 0.1
1 0.1 0.1 c3
2 0.1 0.0 0.1
(a) Complete a tabela e determine as fun¸c˜oes de probabilidade marginais de X e Y sabendo que E(XY ) = 0.5 e E(Y2) = 1.1.
Se n˜ao resolveu a al´ınea a) considere c1 = 0.2, c2 = 0.1 e c3 = 0.2.
(b) Qual a probabilidade da electricidade ser “cortada” num ano em que n˜ao houve cortes de ´
agua?
(c) Determine o coeficiente de correla¸c˜ao entre as vari´aveis X e Y . Comente o valor obtido. (d) Determine a fun¸c˜ao de probabilidade do total de cortes num ano.
Distribui¸c˜oes especiais
Este cap´ıtulo trata de algumas distribui¸c˜oes de probabilidade que s˜ao mais frequentemente usadas em aplica¸c˜oes pr´aticas, bem como algumas das suas propriedades. Come¸ca por se introduzir primeiro algumas distribui¸c˜oes discretas seguindo-se com outras do tipo cont´ınuo.