2.3 Understanding illicit financial flows
4.3.1 Thin capitalization
Na aplicação do conhecimento buscamos a generalização dos conceitos que já foram estudados, o objetivo desse momento é fazer com que os/as alunos/as empreguem o conhecimento científico articulando a conceituação científica com situações reais. Nesse momento, analisamos o potencial explicativo e conscientizador das teorias científicas que foram estudadas (DELIZOICOV, ANGOTTI e PERNAMBUCO, 2011).
Na aplicação do conhecimento, a atividade realizada consistiu em escrever uma carta que foi entregue à Câmara Municipal de Natal no dia 13 de agosto de 2019. O objetivo dessa carta foi discutir a participação cidadã ativa na construção de políticas públicas que interferem diretamente na comunidade escolar e discutir as implicações que a emissão dos gases poluentes (dióxido de carbono, dióxido de enxofre, por exemplo) trazem à atmosfera. Assim, poderíamos entender que ser cidadão não é algo separado da nossa existência.
Inicialmente, os/as alunos/as reuniram-se em quatro grupos e escreveram, cada grupo, uma carta. Posteriormente reunimos as sugestões e informações desses escritos em uma única carta, um documento conjunto que será assinado e entregue por uma comissão de alunos/as.
A escrita das cartas pelos/as alunos/as perpassou exatamente os problemas e sugestões que foram dados nos questionários I, II e III. Como podemos observar nas
118 imagens 2, 3, 4 e 5, os/as alunos/as estruturaram as cartas, inicialmente, apontando os problemas presentes no trânsito em Natal e depois sugerindo implementações e mudanças no sistema de transportes. Os fatos que foram apontados como problemas no trânsito natalense foram os seguintes: poluição causada pelos transportes; falta de saneamento básico; ausência de sinalização, número reduzido de ciclovias e a falta de respeito com os/as ciclistas; infraestrutura das ruas e avenidas; quantidade insuficiente da frota de ônibus; ausência de paradas e a infraestrutura das paradas existentes; insegurança e o alto valor das tarifas de ônibus.
Os problemas mencionados nas cartas convergem para as falas dos/as alunos/as e moradores/as durante a ITF. No entanto, agora podemos observar que os direcionamentos das responsabilidades apontadas no QI-III estão mais coesos porque não estão direcionadas apenas para um grupo social específico. Com essa atividade finalizamos a aplicação da sequência didática, uma etapa de um trabalho que não tem fim, ou seja, a tomada de consciência observada nos/as alunos/as é o começo de um processo de conscientização que acompanhará a completude de suas vidas. A participação social deve ser compreendida como etapa primordial para o exercício da cidadania porque poderemos entender que ela não é algo abstrato, algo atingido automaticamente quando pronunciamos a palavra. A cidadania é uma produção, uma criação política construída com muito esforço (FREIRE, 2004).
CAPÍTULO 7
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Nossa pesquisa de mestrado se propôs a investigar como a articulação entre a abordagem temática freireana e o campo de estudos CTS pode auxiliar na reestruturação do conteúdo de Química na 3ª série do EM através da problematização do tema gerador e reflexão sobre as inter-relações CTS. Nossa hipótese foi a de que a contextualização torna o conteúdo mais significativo e que a sua ausência na Educação em Ciências conduz ao desenvolvimento de um currículo que diverge dos objetivos propostos para a educação básica. O objetivo da pesquisa foi realizar a reorientação curricular da disciplina Química na 3ª série do EM de forma contextualizada através da ITF e dos pressupostos do campo de estudos CTS.
Para investigarmos a nossa questão foco e atingirmos o objetivo, construímos uma SD problematizando o tema gerador bem-estar social e os conceitos químicos relacionados à termoquímica, especialmente as reações de combustão. A SD foi desenvolvida com base nos 3MP de forma dialógica e problematizadora. Esse aspecto da SD se remete ao nosso segundo objetivo específico, qual seja “discutir sobre os desafios da estruturação de currículos com base na ITF e articulação Freire-CTS no ensino de química na escola”., caráter interdisciplinar da proposta, é necessária a participação de todos os/as professores/as da escola para reconstruirmos o currículo escolar. Quando isso não ocorre precisamos trabalhar de forma interdisciplinar, mas apenas com a visão de um/a especialista isso resulta em uma limitação para exploração do tema gerador. Além disso, Paulo Freire propõe uma concepção de educação dialógica e problematizadora. E quando a escola não adota essa concepção, seu currículo tende a ser restrito e inflexível. Por exemplo, o fato de termos um livro didático adotado e a exigência de cumprimos todo o conteúdo presente nesse livro dificulta uma flexibilização. Ou seja, cria obstáculos a uma estruturação do currículo a partir dos temas que surgem do contexto dos/as alunos/as. Na abordagem curicular tradicional, os conceitos estão predeterminados e devemos estudá-los de forma em que o contexto não é considerado.
Problematizar a construção do conhecimento científico e entender que a construção científica não é neutra exige um esforço do/a professor/a para superar, diversas vezes, a sua formação acadêmica. O desenvolvimento de uma estrutura
120 dialógica e problematizadora requer uma postura investigativa do/a professor/a pesquisador/a - requer algo a mais. O caráter investigativo da educação freireana exige uma ruptura na forma como organizamos os conteúdos, a começar por quem os escolhe e a ordem com que são ensinados.
Há ainda uma certa resistência à educação dialógica e problematizadora, justamente, devido à flexibilidade do currículo que permite a inserção das discussões relacionada à ciência, à tecnologia e à sociedade. Por isso, defendemos a articulação entre os pressupostos freireanos e o campo de estudos CTS e a perspectiva da sustentabilidade na Educação em Ciências e no Ensino de Química. A promoção da educação problematizadora, crítica e emancipadora freireana converge para o campo de estudos CTS por motivos já discutidos na dissertação. Destacamos a convergência de ambos para o caráter social e participativo da formação. Seria essa participação o que acreditamos ser uma forma de exercício da cidadania, sendo esta um direito assumido através da conscientização que pode ser adquirida por meio de uma alfabetização científico tecnológica ampliada.
Em síntese, o tema gerador inicia o processo de tomada de consciência. A problematização das contradições que surgem a partir do tema gerador por meio dos conteúdos científicos contextualizados permite o início da alfabetização científico tecnológica e, ao sermos alfabetizados criticamente, conseguimos compreender e exercer a cidadania como direito, assumi-la em nossa vida e cotidiano. Para que isso ocorra é primordial a função mediadora do/a professor/a na organização dos conhecimentos científicos necessários para compreensão crítica desses temas e dos conhecimentos canônicos da Química e das Ciências Humanas.
Os resultados da investigação sobre as possíveis articulações entre o referencial freireano e o campo de estudos CTS nos mostraram que embora os/as professores/as estruturem seus planos de aula em uma perspectiva freireana do ponto de vista de uma educação dialógica, em que professor/a e aluno/a aprendem, a ITF ainda não é interpretada como primordial para que a concepção de educação freireana possa permear o currículo escolar. Assim, quando ocorre a articulação entre os referenciais Freire e CTS, o caráter temático das duas propostas faz com que os/as professores considerem a escolha do tema muito mais pelo viés CTS. Nesse caso, o/a professor/a determina o tema, sem que ele surja de uma investigação.
Assim, após a elaboração, aplicação e discussão dos dados da SD verificamos que é possível a contextualização no Ensino de Química por meio da ATF , problematizando as inter-relações entre ciências, tecnologia e sociedade, iniciamos o processo de alfabetização científico tecnológica.
Por meio das atividades que desenvolvemos na SD, concluímos que a alfabetização científico tecnológica é alcançada conforme cresce o nível de criticidade em analisar situações do cotidiano e deve servir ao/à aluno/a para resolver de forma prática essas situações, ou seja, agir. Essa resolução não é uma resolução do ponto de vista da aplicação de uma equação ou teoria apenas, mas, sim, de perceber as implicações que essa situação ocasiona ao contexto em que se vive. Para que isso ocorra é necessário que o/a aluno/a se distancie da situação. Ele/a precisa enxergar as situações como objeto, admirá-las para iniciar o processo de tomada de consciência e, simultaneamente. É um momento de aliança a um processo de alfabetização científica e tecnológica crítica, de forma a promover uma conscientização dos problemas para poder transformá-los.
No entanto, a inserção e arepresentação do/a aluno/a no tema gerador só poderá ser feita por meio da ITF, quando eles/as participam das atividades no processo de definição do programa disciplinar. Aí, sim, veremos os seus objetivos representados.
Esperamos que os resultados da pesquisa e o produto educacional possam ser apropriados por outros/as professores/as da Educação Básica e que as discussões aqui realizadas sobre a ITF possam embasar a sua prática e encorajá-los a dimensionar e realizar um trabalho tão amplo e complexo. Mesmo que esse trabalho seja, inicialmente, obra de um/a professor/a apenas pode inspirar e influenciar a prática de seus/suas colegas e modificar a Educação em Ciências, na direção de um compromisso de formação ética e cidadã.
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