FOR THE FUTURE OF PAYMENTS?
3. The transparency on pricing and information
Neste capítulo, reflecte-se sobre os resultados relativos à segunda parte do questionário, anteriormente caracterizado, e que dizem respeito à Planificação das aulas de Matemática que os professores inquiridos referem desenvolver.
Apresentaremos as questões, seguidas dos resultados apresentados em grelha e gráfico construídos com base nas grelhas de registo constantes do anexo 5, após o que vamos discutindo os seus conteúdos à luz das questões teóricas abordadas.
7.1 – Recursos utilizados na Planificação
A primeira questão posta nesta segunda parte, é a seguinte:
- Para desenvolver a planificação das aulas de Matemática, sobre a temática em
causa, quais os recursos que considera mais importantes?
Assim, e pela análise do quadro 22, poderemos constatar que os recursos mais valorizados pelos professores para planificar são “o seu grupo de alunos” (89%), a “sua experiência anterior” (53%) e o “programa” (51%).
Quadro 22 - Respostas dos professores sobre recursos mais importantes para a planificação
1 2 3 4 total
Recursos para a planificação
fi Fri % fi Fri % fi Fri % fi Fri % r nr A Programa 2 6 1 3 14 40 18 51 35 1
B Manual Escolar adoptado na Escola 9 25 15 42 9 25 3 8 36 0
C Outros Manuais Escolares 5 14 19 54 9 26 2 6 35 1
D Livros de Matemática/ Educação Matemática. 1 3 1 3 13 38 9 26 34 2
E Sua experiência anterior 0 0 0 0 16 47 18 53 34 2
F Cadernos de Programação Editados. 10 48 6 28 5 24 0 0 21 15
G Grupo de colegas da sua Escola 1 3 2 6 25 71 7 20 35 1
J Planificações de anos anteriores 10 29 14 40 10 29 1 3 35 1 Legenda: 1– menos importante, 5– mais importante; fi – frequência absoluta; Fri – frequência relativa; r – respostas; nr – não respostas
Curiosamente, os cadernos de programação editados foram considerados por 48% dos professores como o recurso menos importante, ao qual se seguiram as “Planificações de anos anteriores” (29%) e o “Manual Escolar adoptado na Escola” (25%).
No entanto, perante a questão 2 (de resposta aberta) - Dos recursos citados, quais os que utiliza, preferencialmente, na planificação das aulas sobre a temática em causa? Justifique - encontrámos respostas que, após uma primeira leitura flutuante, nos permitiram proceder a uma categorização73 da informação, que nos levou a resultados um pouco diferentes. Com as categorias assim levantadas, criou-se uma tabela onde se registou o número de vezes que cada uma aparecia, constituindo, por isso, a frequência absoluta (cf. quadro 23 e gráfico 4)
Quadro 23 - Respostas dos professores sobre os recursos que utiliza preferencialmente na planificação
Categorias encontradas nas 33 respostas Número de citações(fi)
Programa 22 Manual adoptado 6 Outros Manuais 8 Livros de Matemática 7 Experiência anterior 8 Cadernos de Programação . 9
Colegas da sua Escola 11
Colegas de outras escolas 8
Os Alunos 17
Planificações anteriores 3
Trabalhos de outros colegas 2
Pode-se observar que o “programa” é agora o recurso mais citado, seguido pelos “alunos”, e pelos “Colegas da sua escola”, recurso considerado muito importante só por 20% dos professores e de importância média (3) por 71% dos docentes. De realçar que os “cadernos de programação” foram, agora, referidos por 9 professores como integrando os recursos mais utilizados.
A comparação de tais resultados denota que os recursos considerados (mais) importantes não são, necessariamente, os que são usados preferencialmente.
73Tal como refere Bardin (1977), objectivo da categorização é “fornecer por condensação uma representação simplificada dos dados”
Gráfico 4 - Respostas dos professores sobre os recursos que utiliza preferencialmente na planificação 22 6 8 7 8 9 11 8 17 3 2 0 5 10 15 20 25 Programa
Manual adoptado Outros Manuais
Livros de Matemática Experiência anterior
Cadernos de Programação .
Colegas da sua Escola
Colegas de outras escolas
Os Alunos
Planificações anteriores
Trabalhos de outros colegas
Número de citações(fi)
7.2- Finalidades de utilização de cada recurso
A 3ª pergunta da parte II do inquérito vem questionar sobre a finalidade com que os professores utilizam os recursos citados na questão anterior, na planificação das suas aulas sobre os numerais decimais.-
No quadro 24, apresenta-se os resultados obtidos. Para se poder ter uma visão mais rápida de quais os recursos mais referidos para cada finalidade, apresenta-se, de seguida, gráficos relativos às várias finalidades propostas.
Quadro 24- Respostas dos professores sobre recursos utilizados para cada uma das finalidades a)
a b c d e total
Finalidades
Recursos fi Fri% fi Fri% fi Fri% fi Fri% fi fri fi fri
A Programa 27 73 13 22 8 19 3 6 7 12 58 23
B Manual Escolar adoptado 3 8 8 14 1 2 3 6 1 2 16 6
C Outros Manuais Escolares 1 3 15 26 1 2 9 19 18 30 44 18
D Livros de Mat. / Educação Mat 0 0 6 10 6 14 8 17 5 8 25 10
E Sua experiência anterior 0 2 3 14 33 6 12 5 8 27 11
F Cad. de Programação Editados. 3 8 4 7 3 6 3 5 13 5
G Grupo de colegas da sua Esc. 1 3 2 3 4 9 3 6 8 14 18 7
H Grupo de colegas de outras esc 0 2 3 0 0 0 2 1
I O seu Grupo de Alunos 2 5 6 10 6 14 12 25 12 20 38 16
J Planificações de anos anterior. 0 0 3 7 1 2 0 4 2
Legenda das finalidades expressas nas alíneas: a) para seleccionar os objectivos das aulas; b) para preparar os conteúdos; c) para seguir a metodologia proposta nesses recursos; d) para seleccionar tarefas e) para preparar provas de avaliação
O recurso indiscutivelmente mais citado para seleccionar os objectivos das aulas é o Programa (cf. gráfico 5). Como esse documento refere objectivos muito latos, pelo menos no que se refere a este tema, como adiante se analisará, os professores deverão ter muitas dificuldades em formular objectivos mais específicos a perseguir, com todas as repercussões nefastas daí decorrentes.
Gráfico 5 - Respostas sobre os recursos mais utilizados para seleccionar os objectivos das aulas (%) 73% 8% 3%0%0% 8% 3%0% 5% 0% Programa
Manual Escolar adoptado Outros Manuais Escolares Livros de Mat. / Educação Mat Sua experiência anterior Cad. de Programação Editados. Grupo de colegas da sua Esc. Grupo de colegas de outras esc O seu Grupo de Alunos Planificações de anos anterior.
As opiniões sobre os recursos utilizados para preparar os conteúdos (gráfico 6) encontram-se bastante divididas entre, principalmente, o Programa (22%) e outros manuais que não o adoptado na escola (26%), seguidos, na escolha, pelo manual adoptado (14%) e, em pé de igualdade, pelos livros de Matemática e respectivo grupo de alunos (10%), surgindo, por fim, os cadernos de programação (7%) e, apenas com uma citação os restantes recursos (3%). Os planos anteriores não foram mencionados por qualquer professor.
Tais resultados parecem denotar que os professores precisam de documentos que, mais do que discriminar as temáticas a abordar, as aprofundem de uma forma acessível aos professores.
Curiosamente, salienta-se, em relação ao recurso mais utilizado para seguir a metodologia proposta nesses recursos (gráfico 7), a “sua experiência anterior” (33%)
que, como podemos pensar torna-se um recurso muito variável de professor para professor, mas, provavelmente muito constante, considerando cada docente individualmente.
Gráfico 6 –Respostas dos professores sobre “Recursos mais utilizados para preparar os conteúdos”(%) 22 14 26 10 3 7 3 3 10 0 Programa
Manual Escolar adoptado Outros Manuais Escolares Livros de Mat. / Educa¨‹o Mat Sua experi•ncia anterior Cad. de Programa¨‹o Editados. Grupo de colegas da sua Esc. Grupo de colegas de outras esc O seu Grupo de Alunos Planifica¨›es de anos anterior.
Este é seguido pelo “Programa” (19%), que, como sabemos apresenta propostas metodológicas muito gerais, e não especificamente direccionadas para este tema. Apenas 14% dos docentes se referem aos “livros de Matemática” e, na mesma percentagem, ao respectivo grupo de alunos. Os recursos “colegas da sua escola”, “planos anteriores” e manuais surgem a seguir com, respectivamente, 9%, 7% e 2%. Quer os Cadernos de Programação editados, quer os colegas de outras escolas são recursos aos quais os professores não acorrem para esse efeito.
Gráfico 7- Respostas dos professores sobre “Recursos mais utilizados para seguir a metodologia proposta nesses recursos” (%)
19 2 2 14 33 9 0 14 7 Programa
Manual Escolar adoptado Outros Manuais Escolares Livros de Mat. / Educação Mat Sua experiência anterior Cad. de Programação Editados. Grupo de colegas da sua Esc. Grupo de colegas de outras esc O seu Grupo de Alunos Planificações de anos anterior.
Para seleccionar tarefas, os professores optam (gráfico 8), em primeiro lugar, pelo recurso ao seu grupo de alunos (25%), seguindo-se outros manuais que não o adoptado (19%), livros de Matemática (17%) e sua experiência anterior (12%). Torna-se um pouco estranho o facto do recurso “alunos” ser apontado com tanta representação para a selecção de tarefas. De facto, eles podem e devem colaborar na selecção das tarefas, mas será este o motivo que está subjacente à escolha dos professores? ou será que a partic ipação dos alunos na selecção das tarefas está muito condicionada pelo seu comportamento? ou ainda, a diversidade de competências dos alunos será vista como variável a ter em conta nesta questão?
Seria interessante vir a aprofundar, em estudos seguintes, esta questão.
Gráfico 8 - Respostas dos professores sobre “ Recursos mais utilizados para seleccionar tarefas”(%) 6 6 19 17 12 6 6 0 25 2 Programa
Manual Escolar adoptado Outros Manuais Escolares Livros de Mat. / Educação Mat Sua experiência anterior Cad. de Programação Editados.
Grupo de colegas da sua Esc. Grupo de colegas de outras esc
Como recurso para preparar provas de avaliação (gráfico 9), é apontado em primeiro lugar outros manuais que não o adoptado na escola (30%), tal como se verificou para a selecção de conteúdos. No entanto, não temos a certeza de se tratar dos mesmos
documentos, já que existem manuais específicos no mercado que designam como objectivo a avaliação formativa, sendo o seu conteúdo composto por fichas de avaliação das várias áreas de estudo. Era também uma questão que deveria ser aprofundada, para melhor se perceber este assunto.
Mais uma vez, o respectivo grupo de alunos é indicado como um dos recursos a utilizar (20%), assumindo, pela primeira vez, os colegas de escola, uma posição cimeira (14%). O que estará na génese desta opção? Tentativa de aferir aprendizagens, ensino, ou ambos? Porquê só relativame nte a esta componente? Porquê os Programas (12%) serem agora preteridos em favor dos outros recursos? Terá a ver com o facto dos professores valorizarem exemplos concretos, em detrimento das orientações gerais explicitadas naquela fonte?
Gráfico 9 - Respostas dos professores sobre “recursos mais utilizados para preparar provas de avaliação” (%) 12 2 30 8 8 5 14 0 20 0 Programa
Manual Escolar adoptado Outros Manuais Escolares Livros de Mat. / Educação Mat Sua experiência anterior Cad. de Programação Editados. Grupo de colegas da sua Esc. Grupo de colegas de outras esc O seu Grupo de Alunos Planificações de anos anterior.
7.3- Princípios/Critérios subjacentes à planificação dos numerais decimais
Entretanto, e dado que se torna importante perceber o que é que os professores mais valorizam como motor que os leva à planificação, propusemos que nos indicassem quais os princípios/critérios mais importantes para planificar os numerais decimais, através da questão 4. No quadro 25 apresentam-se os principais resultados.
Quadro 25– Respostas dos professores sobre os Princípios/critérios mais importantes para planificar momentos de Ensino e de Aprendizagem na área de Matemática sobre o tema
1 2 3 4 5 Níveis: 1 a 5 (mais menos importante)
princípios/ critérios fi Fri % fi Fri % fi Fri % fi Fri % fi Fri % T r T= f 1+ 2 f 2 + 3 f 3 + 4f 4 + 5 f 5 O cumprimento dos Princípios/ Orientações
Gerais do Currículo
0 0 3 9 10 30 5 15 15 45
33 131
O cumprimento dos objectivos formulados no Programa
0 0 1 2 8 22 16 44 11 31
36 145
O cumprimento dos conteúdos explicitados no Programa
0 0 1 2 9 26 16 47 8 24
34 133
O nível das aprendizagens de alunos de outras turmas do mesmo ano da Escola
13 40 6 19 8 25 4 13 1 5
32 70
O nível das aprendizagens dos alunos da sua turma
1 3 0 0 1 3 3 8 31 86
36 171
O tipo de metodologias que os programas preconizam
0 0 9 27 12 36 12 36 0 0
33 102
O tipo de materiais didácticos que os programas sugerem
2 5 6 17 8 23 16 46 3 9
35 117
Os tipos de avaliação que os programas explicitam
1 3 4 13 12 39 13 42 1 3
31 102
Os instrumentos de avaliação que os programas sugerem
0 0 4 13 12 40 14 47 0 0
30 100
Pode-se observar que como princípio/critério menos valorizado surge “O nível das aprendizagens de alunos de outras turmas do mesmo ano da Escola” (70) em contraste com o mais valorizado “O nível das aprendizagens dos alunos da sua turma” (171). A este seguem-se, como mais valorizados pelos professores, o cumprimento dos objectivos (145), dos conteúdos (133) e dos princípios/orientações (131) formulados no Programa. Por último, surgem os materiais didácticos (117), as metodologias (102) os tipos (102) e instrumentos de avaliação (100) propostos pelos programas.
7.4 - Situações que dificultam ou impedem a planificação segundo os princípios/critérios apontados
Consideramos que a planificação é uma parte muito importante do trabalho do professor, pois é ela que intencionaliza a acção educativa, permite a antecipação de diversas situações inerentes à actividade a desenvolver, desde a avaliação diagnóstica das competências dos alunos à identificação de objectivos a perseguir, de conteúdos, de estratégias e materiais adequados a utilizar e dos significados pessoais a construir. Então, formulámos a questão nº5 sobre situações impedem ou dificultam a sua planificação de espaços de ensino e de aprendizagem, sobre o tema, de acordo com os critérios que cons iderou mais importantes?
Sendo uma pergunta aberta, da informação recolhida foram criadas categorias, procedimento já anteriormente usado, para questões semelhantes:
Os dados foram agrupados em 3 categorias – alunos, condições de trabalho, ausência de situações de impedimento - que se subdividem em subcategorias, conforme se apresenta no quadro 26 e gráfico 10.
Quadro 26 - Respostas dos professores à pergunta sobre - Quais as situações que o impedem ou dificultam de planificar segundo os critérios/princípios apontados, de acordo com as categorias consideradas
Categorias Sub - categorias Número de
citações
Falta de apropriação de pré requisitos para iniciar o tema 4
Heterogeneidade de níveis no mesmo ano 5
Heterogeneidade de anos de escolaridade na turma 4
Número excessivo de alunos por turma 1
C1- alunos
Comportamento inadequado dos alunos 1
Falta de materiais nas escolas 5
Falta de condições nas salas de aula 2
Falta de propostas/estratégias motivadoras 2
C2 - condições de trabalho
Não continuidade dos professores nas escolas 1
C3- ausência de situações de impedimento
Nenhuma situação é impeditiva 3
Como se pode observar, as categorias que apresentam maior incidência são as que se referem aos alunos. Assim, é visto como obstáculo à planificação, segundo os critérios/princípios apontados, a heterogeneidade de níveis dos alunos no mesmo ano (5), assim como, a falta de apropriação de pré requisitos para iniciar o tema (4) e a heterogeneidade de anos de escolaridade na turma (4)
Gráfico 10 - Respostas dos professores à pergunta – Quais as situações que o impedem ou dificultam de planificar segundo os critérios apontados - de acordo com as categorias consideradas
4 5 4 1 1 5 2 2 1 3 0 1 2 3 4 5 6
Falta de apropriação de pré requisitos para
iniciar o tema
Heterogeneidade de níveis no mesmo
ano
Heterogeneidade de anos de escolaridade
na turma
Número excessivo de alunos por turma Comportamento inadequado dos
alunos
Falta de materiais
nas escolas
Falta de condições nas salas de aula
Falta de
propostas/estratégias
motivadoras
Não continuidade dos
professores nas
escolas
Nenhuma situação é
impeditiva
C1- alunos C2 - condições de trabalho C3- ausência
de situações de
Em relação às primeiras duas sub-categorias mencionadas, acontece que elas podem, na realidade, implicar alteração do rumo da planificação, dado algum desencontro que pode existir nos níveis de conhecimentos dos alunos, o que acarretaria que o professor tivesse que perspectivar um leque mais diversificado de objectivos e conteúdos na sua planificação. No entanto, as desigualdades agravar-se-ão caso a planificação não se efectue ou não tenha em conta as especificidades relativas aos vários alunos. Por outro lado, não podemos pensar a planificação só em termos de objectivos e conteúdos, mas, e principalmente, identificando estratégias e materiais que ajudem a co-construir todo um contínuo que possa prever as diversas áreas sensíveis de aprendizagem, desde o nível mais elementar do significado institucional que se pretende atingir, evoluindo para uma abordagem em que as diversas entidades identificadas no objecto e seu significado se vão gradativa e intencionalmente articulando de forma sistémica.
Também é focado com grande peso a falta de materiais (5). Torna-se um pouco compreensível que os professores apontem este factor. Se a aprendizagem deve contemplar a manipulação de materiais para a exploração de situações matemáticas, a sua falta pode impedir que a planificação siga aquele princípio. No entanto, há professores (3) que consideram que nenhuma situação os impede de planificar, segundo os princípios/critérios apontados.
Parece estar, de facto, aqui subjacente uma perspectiva vê os alunos como construtores participantes com as suas características em oposição a uma perspectiva que considera
os alunos à parte de um plano executado para uma média de aluno que não existe, ao qual se pretende aplicar um currículo “ pronto a vestir”.