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the right to personal integrity and dignity

Dans le document Human Rights (Page 131-137)

Dando continuidade a análise, neste segundo momento, será analisada a formação de conceitos sobre o diabetes mellitus a partir da inserção da cartilha educativa, que foi aplicada posteriormente ao questionário DKN-A. Esse planejamento se deu, devido à estratégia da pesquisadora em desenvolver uma ação no cuidado de enfermagem apropriada para a população em estudo, avaliando suas necessidades e características próprias. Proporcionando maior possibilidade de instigar os estudantes para a prevenção primária do diabetes mellitus, e consequentemente possibilitando a construção de conhecimento levando a um maior empoderamento a respeito desta doença.

No momento da aplicação da cartilha educativa, em forma de roda de conversa, utilizou-se uma linguagem simples tornando o encontro um momento rico de troca, em que os participantes expuseram suas ideias, crenças e histórias de vida. Depois da aplicação da cartilha, os estudantes responderam o segundo questionário, destinado à análise da formação de conceito.

Nesse contexto, quando questionados sobre o que é diabetes, foi possível evidenciar que 65,2% associaram o diabetes somente com a produção prejudicada de insulina pelo organismo, 17,4% associaram somente com a alta taxa de glicose sanguínea e 17,4% responderam de forma completa, associando o aumento da taxa de glicose devido à produção prejudicada de insulina no organismo. (Gráfico 2).

Gráfico 2. Concepção dos estudantes do 3° ano de ensino médio em relação à formação de conceitos sobre o Diabetes Mellitus, em uma escola estadual de Campina Grande – PB, 2014.

Ficando evidenciado nas falas dos estudantes quando questionados sobre o que é diabetes, pelos seguintes argumentos,

É uma doença causada ou pelo excesso ou pela falta de insulina, substancia regularizadora das taxas de açucares no sangue. Est. 1.

É uma doença causada pelo excesso de glicose no sangue. Est. 2.

Diabetes é uma doença causada pela falta de insulina no organismo. Est. 3.

Percebe-se que a formação de conceitos construída pelos estudantes foi significativa 100%, haja vista, que a SBD (2014) considera o diabetes mellitus como sendo uma síndrome metabólica de comprometimento do metabolismo dos carboidratos, das gorduras e proteínas, causadas pela deficiência na secreção de insulina e/ou resistência à insulina.

Insulina Glicose Ambas

Deste modo, a maioria dos alunos define a doença como uma característica secundária à resposta secretora defeituosa ou deficiente de insulina. Tal associação com um quadro de hiperglicemia pode ser considerada segundo Pace et al., (2003) uma resposta parcialmente correta.

Nesse contexto, Moreira et al., (2003) defende que o uso de métodos na divulgação de informações para a comunicação em saúde é fundamental uma vez que, estas influenciam diretamente nas decisões individuais e coletivas no sentido de melhorá-las. Para tanto, a eficácia dos programas sobre educação em saúde, passa a depender de uma correta comunicação da mensagem que se pretende repassar, assim como, da base científica da mesma, que está relacionada com a credibilidade da fonte e com o uso de canais familiares, para o conhecimento do público.

No que se refere ao questionamento sobre o diagnóstico do Diabetes Mellitus. (Gráfico 3).

Gráfico 3. Concepção dos estudantes do 3° ano do ensino médio em relação à formação de conceitos sobre o diagnóstico do Diabetes Mellitus, em uma escola estadual de Campina Grande – PB, 2014.

Percebe-se que 47,80% correlacionaram o diagnóstico com a realização de exames laboratoriais, no entanto, 30,45% relacionaram o diagnóstico com a realização do teste de glicemia casual e 21,75% associaram o diagnóstico com os sintomas clínicos da doença conforme as argumentações apreendidas,

Primeiro é realizado um processo para medir a quantidade de glicose no sangue se faz o teste de glicemia casual feito apenas com uma gota de sangue pode ser feita se a glicose estiver maior ou igual a 200 mg/dL é indicado a confirmação por meio de outros exames. Est. 4.

Existem dois exames. O primeiro é feito quando o paciente ha 8 horas em jejum, se o resultado for maior a 110 e 125 mg/dL ele tem a probabilidade de ter diabetes. O segundo é feito com a ingestão de 75 g de glicose, se o resultado for igual ou maior que a 200 mg/dL ele possui diabetes. Est. 5.

Exames Laboratoriais Texte de Glicemia Casual

Para o diagnóstico é necessário um exame de glicose para descobrir se as taxas de açúcar estão altas ou baixas, e geralmente existem sintomas para esta doença. Est.1.

Nota-se, a partir das falas, que ocorreu uma melhor compreensão em relação ao diagnóstico do diabetes mellitus, uma vez que é possível observar a utilização de parâmetros nas respostas, assim como, conhecimentos relativos aos sinais e sintomas que envolvem esta patologia, caracterizado como um fator essencial para a conscientização, o que permite ao indivíduo ficar atento aos sinais e sintomas e tomar atitudes de autocuidado apropriadas. (MURATA et al., 2004 apud RODRIGUES, 2011)

Dando continuidade com as análises, quando questionados sobre os possíveis tratamentos do Diabetes Mellitus. (Gráfico 4).

Gráfico 4. Concepção dos estudantes do 3° ano do ensino médio em relação à formação de conceitos sobre os possíveis tratamentos do Diabetes Mellitus em uma escola estadual de Campina Grande-PB, 2014.

Foi possível constatar que (100%) dos estudantes entrevistados referiram que o diabetes não tem cura, mas que tem tratamento. Assim, 56,50% responderam que o tratamento consiste na prática de atividade física, boa alimentação e uso de medicamentos, 26,10% associaram o tratamento apenas com a realização de atividade física e boa alimentação, e 17,40% associaram somente com a administração de insulina. Ficando evidenciado pelas seguintes falas,

É uma doença crônica, mas tem tratamento através da boa alimentação, atividade física e uso de medicamentos quando recomendado. Est.4.

Diabetes é uma doença crônica. O tratamento consiste numa boa alimentação, exercícios físicos moderados e acompanhamento médico. Est. 5.

Atividade física, boa alimentação e uso de medicamentos Atividade física e boa alimentação

O tratamento é através da reposição da insulina. Est. 6.

Smeltzer e Bare (2009) enfatizam que o objetivo do tratamento para diabetes consiste em alcançar os níveis glicêmicos normais sem ocorrência de hipoglicemia, para isto, o tratamento deve ter como base cinco componentes fundamentais incluindo a terapia nutricional, prática de atividade física, monitoração do nível glicêmico, a terapia medicamentosa e educação para o autocuidado.

Sendo assim,é tido como consenso que a prática regular de atividade física e a adesão a terapia nutricional trazem benefícios tanto para a prevenção, como para a reabilitação de diferentes tipos de doenças, dentre elas as endócrino-metabólicas, como é o caso do DM. (Maciel, 2008 apud Vilarta; Boccaletto, 2008)

Levando em consideração as respostas obtidas, percebemos que as informações, trazidas pela cartilha, relativas à utilização da insulina foram de fundamental importância, para que se posteriormente o estudante vier a utilizá-la, este terá desenvolvido competências para o cuidado de si, pois segundo Freitas et al., (2006), o primeiro passo para o tratamento com a utilização da insulina é a capacidade cognitiva do paciente, de aprender a manusear corretamente as injeções de insulina.

Quando os estudantes participantes da pesquisa foram questionados se a cartilha respondia claramente as questões nela contida, notou-se que 100% dos estudantes, responderam que sim.

Moreira et al., (2003) ressalta que o enfermeiro, entre outros profissionais da saúde, uma vez engajados com a educação em saúde, tem a função de escolher bem como preparar as mensagens que pretende passar nas ações educativas, assim como, de determinar o melhor meio de comunicação a ser utilizado, desde que seja possível estabelecer uma efetiva comunicação e assegurar uma assistência que atenda às necessidades a quem se destina.

Fica destacado o papel relevante da comunicação e das informações apresentadas na cartilha educativa, assim como do processo dialogado desenvolvido em sala de aula entre a pesquisadora e os estudantes evidenciados pelos seguintes argumentos,

Sim, a cartilha traz respostas claras e diretas. Est. 1

Sim, pois ela explicou detalhado e como devemos agir quem tem essa doença. Est. 7 Sim, é bastante útil. Est. 8

Quando solicitado para que fizessem algum comentário sobre a organização e estética da cartilha, constatou-se que 100% dos participantes referiram que a cartilha está bem organizada, corroborado pelas seguintes respostas,

Gostei muito da sistematização das paginas pois ela traz uma questão e logo após responde e exemplifica. Est. 12

Fica bem interessante com o uso dos bonequinhos e linguagem fácil. Est. 11

A cartilha está bem elaborada, bem explicativa e as ilustrações também estão ótimas, só tenho a declarar que foi bem elaborada. Est. 4

Achei muito bem organizada e bem feita esta cartilha, colorida e com certos balões para melhor entender, bem legal! Est. 19

Foi bem organizada esclarecendo todas as duvidas e detalhando todas as causas, sintomas, tratamento, etc. tornado cada vez mais atrativa por causa das figuras. Est. 9

De acordo com Moreira et al., (2003) é necessário desenvolver materiais educativos nos quais, na conclusão, a mensagem principal seja repetida para se facilitar à fixação. Nesse sentido, para a construção e elaboração de materiais impressos três aspectos devem ser considerados: o primeiro deles é a linguagem, em seguida o layout e a ilustração subsequentemente.

Para o autor a importância da ilustração para a legibilidade e compreensão de um texto é fundamental, cuja função é atrair o leitor, despertar e manter seu interesse pela leitura, complementar e reforçar a informação, ou seja, a ilustração deve permitir que as pessoas se identifiquem com a mesma. No que se refere ao layout e o design, estes tornam o material mais fácil para a leitura e mais atraente, técnica bem aceita, como fica evidenciado nas falas dos estudantes 4, 9, 11, 12 e 19, que destacam as ilustrações, uso de bonecos, linguagem fácil, figuras, dentre outras características ressaltadas pelos demais estudantes nesta avaliação.

Portanto, os estudantes apresentaram uma melhora significativa com relação aos conhecimentos a respeito da patologia a partir da utilização do material didático proposto neste estudo. Contudo, acredita-se que os estudantes também utilizaram como critério as suas vivências ou mesmo experiências para responder as perguntas, no entanto, a cartilha foi o meio majoritário para concretização do conhecimento que levaram às suas respostas.

Segundo Santos (2010), a falta de conhecimento com relação ao diabetes mellitus afeta significativamente as ações voltadas para o cuidado individual, bem como, de promoção da saúde, visto que não são compreendidos os prejuízos e nem as complicações para a saúde trazida por esta enfermidade.

Dessa forma, percebe-se que as respostas obtidas a partir da utilização da cartilha educativa são relevantes para o estudo, pois possibilitam analisar o que deve ser discutido melhor, e manifestam a possibilidade do profissional enfermeiro de atuar mais e cada vez melhor, no sentido de ser facilitador no processo de desenvolvimento de competências e estimulador do empoderamento dos estudantes, com o desenvolvimento e a utilização da tecnologia educacional para a prevenção do diabetes mellitus, por meio do processo dialógico que permitem o direito a expressão, a reflexão e a conscientização dos estudantes.

Valla (2000), afirma que é necessário que os profissionais de saúde se envolvam no processo de aquisição e construção do conhecimento, de compartilhar soluções e de promover a saúde nos mais variados contextos e situações.

É nesta perspectiva que propomos a utilização de um material que possibilite uma melhor compreensão e atratividade, por isso, o planejamento e o empenho destinado para a escolha das imagens e das mensagens contidas na cartilha, condizentes com as necessidades e que pudessem, principalmente, passar as informações desejadas sobre o diabetes mellitus, permitindo reflexões e ações em conjunto com a pesquisadora.

As vivências compartilhadas, as informações e as práticas do viver possibilitaram a socialização do saber entre os pesquisados e a pesquisadora. Para a realização da ação de cuidado utilizou-se como estratégia o diálogo, realizado de forma horizontal, sem imposições, pois acredita-se que facilita à compreensão nas ações necessárias para o desenvolvimento de competências. (HAMMERSCHMIDT, 2007).

Desta forma, é evidente que a abordagem do profissional de saúde, como também, a possibilidade dos professores utilizarem a cartilha para construção de conhecimento, faz com que os estudantes desenvolvam reflexões e ajam segundo um raciocínio crítico. Deste modo, acredita-se que foram alcançados os objetivos propostos, uma vez que a tecnologia que foi apresentada e discutida favoreceu as práticas do processo de ensino e aprendizagem no cuidado, como um elemento essencial para promoção e prevenção do diabetes mellitus.

7. CONSIDERAÇÕES FINAIS

A cartilha educativa é uma tecnologia educacional entendida como conjunto de informações e agires aplicados à produção de novos conhecimentos. No caso deste estudo, foi desenvolvida para suscitar o conhecimento dos estudantes e instigá-los a desenvolver competências para o cuidado de si na prevenção primária do diabetes mellitus.

Este processo se deu por meio do desenvolvimento de tecnologia educacional no cuidado de enfermagem para a promoção e a prevenção do diabetes mellitus junto aos estudantes. A cartilha foi desenvolvida com vista ao desenvolvimento de competências e empoderamento, com a finalidade de inovar as experiências de ensino e aprendizagem, como também, tornar as abordagens de educação em saúde no cuidado de enfermagem estimulantes e motivadoras, tanto para os profissionais de saúde e educadores, quanto para o público-alvo de suas ações, utilizando-se de uma ferramenta interativa e ao mesmo tempo com uma proposta didático-pedagógica na educação em saúde.

Segundo Silva et al., (2008) é possível conduzir à aquisição consciente de comportamentos preventivos ou de promoção da saúde, o que amplia as possibilidades de prevenção, de reabilitação e de tomada de decisões que favoreçam a vida saudável.

Além disto, os temas transversais abordados nos Parâmetros Curriculares Nacionais fazem referência à escola como sendo um espaço privilegiado ideal para ações de promoção para a saúde, pois é durante a infância e adolescência que a escola assume um papel de destaque por sua potencialidade para o desenvolvimento de um trabalho sistematizado e contínuo. (BRASIL, 1998)

Sendo assim, é necessário que a escola com o apoio do setor saúde assuma explicitamente a responsabilidade pela educação para a saúde, por meio da inserção de temáticas relacionadas à saúde e aos fatores de risco para doenças e agravos não transmissíveis como o DM, uma vez que a conformação de atitudes também está fortemente associada aos valores que o professor e toda a comunidade escolar imprimem aos alunos durante o convívio. (COPETTI, et al., 2012)

Portanto, acredita-se que este estudo contribui de forma significativa para uma aprendizagem crítica e reflexiva, para a autopercepção por parte dos jovens pesquisados diante das situações de vulnerabilidade que podem estar vivenciando, com possibilidade de modificações de comportamento.

Por fim, este estudo demonstrou que a cartilha teve uma contribuição valiosa para o desenvolvimento de habilidades e favoreceu a autonomia do indivíduo. Sendo importante,

portanto, criar, desenvolver e produzir materiais de apoio didático-pedagógico de qualidade que alcancem as necessidades de um ensino cada vez mais exigente na formação do cidadão crítico e reflexivo. Além disso, este estudo evidenciou a necessidade da aproximação e envolvimento dos profissionais da saúde em ações de promoção de saúde e prevenção de doenças, e de valorizar e utilizar a escola como espaço de produção e multiplicação do conhecimento.

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