A efetivação da fundamentação teórica e conceitual teve como principais temas a informação, o processo de tomada de decisões e o turismo podendo-se tecer algumas considerações. Inicialmente é preciso ressaltar a importância da informação enquanto recurso a ser administrável por organizações e pessoas. As organizações públicas ou privadas necessitam investir na informação assim como em recursos humanos, matéria-prima, capital e outros.
A Ciência da Informação surge como um campo científico com a responsabilidade de conhecer em profundidade a complexidade do gerenciamento da informação. A sociedade em redes pressupõe organizações interligadas por relações inter e intrapessoais através de nós. As redes representam importantes elos organizacionais que facilitam o gerenciamento da informação, uma vez que conecta indivíduos e permite o intercâmbio de informações no fluxo. A gestão da informação emerge como uma forma de orientar a condução das atividades ligadas à informação nas organizações. Nesse sentido, as técnicas e procedimentos utilizados no gerenciamento da informação possuem condições de determinar uma significativa parcela de êxito ou fracasso dos empreendimentos públicos ou privados.
Para a obtenção dos resultados esperados, a gestão da informação requer um processo contínuo de etapas ou fases pré-determinadas: o fluxo informacional. Há heterogeneidade conceitual entre os autores abordados no estudo quanto à seqüência, quantidade e relevância das etapas de um fluxo de informações. No entanto, observa-se que um fluxo de informações constitui-se basicamente por três fases. A primeira delas advinda do ambiente externo, através de fontes formais e informais da qual a organização faz uso. A segunda resultante da primeira, onde ocorre a classificação, o tratamento, o armazenamento e a distribuição interna das informações obtidas para os membros da organização. Esta
segunda etapa dá-se no ambiente interno, sendo preciso que a organização conheça as necessidades informacionais de seus gestores, funcionários e clientes. A terceira etapa consiste na utilização da informação pelos usuários da organização e destinada ao mercado externo. Significa afirmar que nesta fase, as informações produzidas pela organização serão disponibilizadas a clientes, fornecedores e concorrentes.
Ressalva-se que esse é um modelo de fluxo informacional genérico, baseado em Lesca e Almeida (1994), contendo as etapas indispensáveis à gestão da informação. Além da determinação das etapas do fluxo informacional, são de fundamental importância os usuários da informação. Estes representam a essência da atividade nas organizações, para quem e por quem é gerada, transformada, disseminada e utilizada a informação. Outro elemento que pode ser agregado à gestão da informação são os equipamentos ligados à tecnologia da informação, como softwares e hardwares.
Demonstradas as características e particularidades da gestão da informação e dos fluxos informacionais, é importante salientar um de seus desígnios básicos. Os dois recursos – a gestão e os fluxos – constituem ferramentas de apoio à tomada de decisões nas organizações. No contexto dinâmico com que as organizações têm de tomar decisões, torna-se cada vez mais explícita a necessidade dos gestores de agir em relação a uma decisão pautada em informações oportunas, verídicas e no tempo requerido. Nesse momento, o gerenciamento da informação pode, sobretudo, prover as informações demandadas para maximizar a certeza em determinadas decisões. Outros fatores determinantes são o aumento da qualidade e a segurança dos membros da organização quando decidem. O processo decisório por si só é uma atividade complexa que exige clareza e conhecimento de um maior número de variáveis possíveis de análise. A gestão da informação, através do fluxo informacional pode reduzir a incerteza e aumentar a confiabilidade das decisões, fundamentada nos subsídios proporcionados pela informação.
É sabido que alguns setores da economia estão há tempos investindo na gestão da informação para auxiliar o processo decisório. Porém, esta realidade não ocorre da mesma maneira, principalmente, em se tratando de uma atividade econômica recentemente instituída, como é o caso do turismo. O turismo como atividade econômica, mas também social e cultural, necessita de procedimentos
gerenciais condizentes com sua seriedade. Uma vez que a atividade acontece em uma destinação, precisa investir em recursos que garantam sua sustentabilidade no mercado turístico. Comumente, as destinações turísticas brasileiras em nível local, estão sob a jurisdição administrativa e legal das prefeituras municipais. A situação advinda dessa conjuntura é que, na maioria dos casos, a municipalidade, através dos órgãos de turismo (secretarias, departamentos), não se utilizam de procedimentos administrativos e gerenciais adequados.
Desse pressuposto, resultam destinações com condições favoráveis ao desenvolvimento turístico, mas que por gestão equivocada e mal preparada para o exercício de tal função, não potencializam sua atuação mostrando-se deficientes perante o mercado e seus clientes. Dentre as deficiências administrativas que enfrentam, insere-se a questão do processo decisório. Os membros dessas organizações são, muitas vezes, desprovidos de informações relevantes que possam maximizar as decisões tomadas e, por conseqüência, as ações a serem executadas. Do outro lado, encontram-se os turistas e visitantes dos órgãos municipais de turismo que possuem necessidade de informações úteis e satisfatórias disponibilizadas pela destinação. Tais informações deverão ser disponibilizadas através dos centros, postos ou locais específicos para o atendimento dos turistas e visitantes.
3 METODOLOGIA E PROCEDIMENTOS DE PESQUISA
O capítulo expõe a metodologia da pesquisa adotada, evidenciando o delineamento das etapas e procedimentos necessários ao desenvolvimento do trabalho. Abordou inicialmente o tipo de pesquisa adotado para em seguida delinear a metodologia descrevendo as suas etapas. Em terceiro lugar contextualiza os elementos de análise do fluxo informacional, apresentando o fluxo e os atores, bem como as variáveis e indicadores verificados em dissertações e pesquisas de iniciação científica, para finalmente selecionar as variáveis desta proposta.
As próximas subseções evidenciam os instrumentos de coleta de dados e a proposta para o desenvolvimento da pesquisa. Nesta última são identificados o ambiente e o sujeito da pesquisa, os pré-testes dos instrumentos de coleta de dados, a análise dos dados e os procedimentos de pesquisa.