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The Evolution of Data Protection

Dans le document Mobility, Data Mining and Privacy (Page 119-123)

and Technologies, Opportunities and Threats

4.2 Privacy Regulations

4.2.2 The Evolution of Data Protection

Correndo-se o risco da indevida utilização dos dados captados na nuvem informacional (Linked Data Cloud) acerca dos alunos, ou de cruzamentos indevidos de dados (enquanto todos os procedimentos não estiverem automatizados) que originariam más indicações para os alunos ou, ainda, o excesso de personalização que poderá originar a dissolução da individualidade (singularidade), fazendo surgir uma nova vaga de massificação e de monopolização do ensino, há algumas questões (muitas, aliás) que devem ser acauteladas.

Assim, o campo da ética é cada vez mais um campo a ter em elevada consideração quando se fala dos temas da web semântica. Como venho advogando ao longo deste trabalho, com a introdução da tecnologia semântica, ao ser humano caberá funções especificamente humanas e, à máquina, funções que podem ser automatizadas, tornando-se esta um franco auxiliar na sua função. Porém, há que preparar a humanidade para esta mudança, passo que, na verdade, não será tão simples, pela necessidade da mudança de atitude. Estou em crer, no entanto, que ela se fará, porque o sentido da evolução vem-nos mostrando que o ser humano se vem humanizando cada vez mais.

Assim sendo, uma forte educação ética é necessária e urgente em todos os níveis de ensino. As características heutagógicas da educação encaminham-nos nesse sentido. A ética, assente na capacidade de pensar criticamente, deverá ser uma área central de todos os níveis e áreas de ensino.

Todos os agentes envolvidos (líderes institucionais, professores, funcionários, técnicos, alunos) deverão passar por uma forte educação de caráter ético e (é de salientar), o facto de que com mais acuidade ela deve ser estimulada nos criadores de

software e hardware, bem como de programadores informáticos. A capacidade de perceberem de forma prática (através do desenvolvimento da capacidade de pensarem criticamente) as implicações entre o plano das intenções e o plano das consequências e, ainda, as dimensões que estas podem ter, tanto no domínio pessoal como social e coletivo, é central para que a abordagem semântica seja, mais do que uma ameaça, uma mais-valia para a educação e para a humanidade, em geral.

A utilização da metodologia OST, envolvendo todos os participantes da vida da Academia, poderá ser um passo importante para o desenvolvimento de um pensamento crítico de conjunto procurando, ao mesmo tempo, encontrar-se soluções para os problemas da Academia ou da sociedade (comunidades, instituições, parceiros, empresas).

Além da sugestão do parágrafo anterior, a recomendação central para as Academias será a de ter incluído em todos os cursos (licenciatura) uma área de intervenção assente no pensamento crítico, associado a outras áreas de conhecimento, nomeadamente a áreas mais específicas. Um forte sentido ético só será validamente reconhecido, quando aplicado a realidades concretas.

Deste modo, o acautelamento de situações mais agudas relacionadas com o uso indevido da tecnologia serão acauteladas e, com as pessoas, será trabalhada a dimensão ética capaz de humanizar, cada vez mais, o ser humano.

Conclusões do Estudo

Tendo iniciado pela análise teórica da evolução da WorldWideWeb com a perspetiva de compreender a sua evolução em termos tecnológicos, deparou-se o estudo com os diferentes níveis de conectividade, único aspeto, talvez, capaz de fugir da artificialidade imposta, no uso geral, nas distinções web 1.0, web 2.0 e web 3.0. Com esta análise introdutória, a compreensão da web (e sua evolução) mostrou o aparecimento de uma nova forma de utilizar a tecnologia ancorada em dispositivos inteligentes, capazes de utilizar os dados introduzidos pelos utilizadores e de lhes devolver essa ação de forma automatizada, através de ambientes e conteúdos cada vez mais personalizados.

Sendo a web 3.0 fértil em possíveis consequências para a sociedade atual pela disruptibilidade que apresenta, a centragem na análise da web semântica, capaz de contextualizar os dados inseridos na rede pelos utilizadores e, assim, de a apresentar de forma útil e pragmática (pela versatilidade dos dispositivos de inteligência artificial em seriar informação a partir dos dados disponíveis na nuvem dos dados abertos vinculados) mostrou trazer sérias vantagens ao ser humano nas mais diversas tarefas de pesquisa, seleção, seriação e transformação da informação. Por isso, o estudo das diferentes formas de aplicabilidade da web semântica revelou que a sua aplicação, no domínio da educação, traz possibilidades diferenciadas das da web 2.0, pelo facto de se centrar, não já em redes humanas de informação, mas em aplicativos capazes de automatizar tarefas, substituindo o ser humano não apenas no rotineiro, mas em funções mais complexas, como sendo a seriação de dados (e por isso, de informação e conhecimento) e de apresentação de possibilidades de escolha, mediante os dados que cada utilizador for inserindo na rede (possibilitando a criação de ambientes virtuais de aprendizagem cada vez mais personalizados).

Este estudo possibilitou, também, concluir que a pesquisa de dados (através de motores de busca semânticos) e a sua georreferenciação são centrais em todo o processo e, neste caso, aplicado ao domínio educativo; por esse facto, o estudo de caso efetuado fez o cruzamento de uma aplicabilidade semântica geral (o motor de busca que utiliza um software de georreferenciação) com uma aplicabilidade específica em termos educacionais (a pesquisa de recursos educacionais abertos - REAs -) mostrando a potencialidade que a semântica pode ter, também, em termos de personalização (neste caso, em termos de aprendizagem).

A descoberta da possibilidade da criação de ambientes de aprendizagem cada vez mais personalizados levou ao estudo da aprendizagem em ambiente semântico de onde se pôde concluir o encaminhamento para uma aprendizagem analítica (Learning Analytics) e rizomática: a primeira, potenciada pela tecnologia (capaz de prever para o estudante o melhor curso devido às suas características individuais, experiências anteriores, redes e contactos e / ou de adaptar o currículo, dependendo do caminho escolhido pelo estudante - mesmo que a opção desta não coincida com a fornecida por aquela -) e a segunda, como extensão da web social, agora e com o auxílio da semântica, com um pendor mais criativo e autónomo do que anteriormente (precisamente pelo facto de o estudante ficar mais liberto para atividades significativas de aprendizagem que estimulam a partilha, cooperação, criação autónoma e cocriação).

Pelo pendor de abertura característico da web 2.0, deparou-se o estudo com a impossibilidade de tais aprendizagens surgirem em ambiente fechado, sendo estas modalidades de aprendizagem potenciadas pelas redes abertas que proliferaram em ambiente social (web 2.0) e que, agora, auxiliadas pela tecnologia (colocada exclusivamente ao serviço da utilidade) possibilitam, de forma determinante, o aparecimento de cursos online (MOOC, SOOC, OOC, POOC, entre outros) com contextos e conteúdos personalizados, de bibliotecas digitais vivas e de recursos educacionais abertos, com a inteligência acrescida pela tecnologia (por motores de busca e sistemas de georreferenciação semânticos capazes de criar ambientes cada vez mais personalizados de aprendizagem onde a autonomia e a (co)criação são alvos preferenciais), rompendo-se com limites artificiais entre conteúdos e contextos.

Encontrando-se o fator personalização – aqui a hermenêutica ricoeuriana foi um precioso auxílio, pela capacidade de mostrar como a identidade pessoal que vive da dialética entre a mesmidade e a ipseidade, entre aquilo que é persistente e aquilo que se sujeita à temporalidade, é capaz de ultrapassar a cisão pela narratividade e de se ir formando através das diferentes histórias que vai criando em contexto social virtual (web 2.0). Nesta criação narrativa, a descoberta da alteridade na dialética do si e do diverso de si, a dimensão semântica (virtual) faz emergir uma identidade capaz de, ao mesmo tempo que ultrapassa a aporia da mesmidade e da ipseidade, acrescentar a esta uma dimensão ética e moral. O si-mesmo como um outro é o postulado desta identidade que se afirma narrativamente e que, ao mesmo tempo, se descobre como ética (e moral, também) como o repto da inovação tecnológica agudizada pela inteligência semântica – anexado à reflexão filosófica, esta levou ao encontro de um equilíbrio entre o ser

humano e a máquina (ela é capaz de completar ou aumentar as capacidades do ser humano), recuperando-se a necessidade da dimensão humanista e universal.

No final deste trajeto extensivo de investigação, o estudo deparou-se com a defesa de uma tecnofilia ética capaz de providenciar visão à cegueira dos tecnicistas, ancorando-se na educação (ética, isto é, polarizada nas dimensões deontológico- utilitarista) com especial ênfase nos princípios do dever e da responsabilidade dos criadores da tecnologia, em particular, para que estes sejam conscientes e responsáveis nas suas escolhas criativas, evitando que um novo olhar utilitarista, sem a coresponsabilização humana, seja implementado.

A pesquisa social-semântica de REAs, através do estudo da criação e implementação do motor de busca semântico Serendipity, que constituiu a dimensão prática deste estudo, compreendeu a complementaridade entre a arquitetura social e semântica do mesmo, como fonte de possibilidades de emancipação da dimensão aberta ligada a recursos educacionais, bem como a sua potencialidade na criação de um ambiente mais personalizado de aprendizagem, enunciado nas palavras de Nelson Piedra.

Da inteligência semântica à personalização de ambientes e conteúdos, o passo é pequeno, mas a mudança de largo espectro. Porque o tema norteador desta tese se centrou na necessidade reflexiva relativa à mudança de paradigmas o que, com esta investigação se conseguiu inferir, foi que as mudanças têm vindo a acontecer num sentido positivo de personalização individual (através do movimento dos REAs, OCW e MOOC) que vem concedendo à humanidade a possibilidade de avançar em termos educacionais (e, certamente, também em termos médicos, económicos e outros), pessoais (uma identidade mais consolidada) e sociais (possibilitando a abertura para o domínio do Bem Comum).

Por isso, esta investigação termina com um capítulo onde algumas recomendações às Univerdades são feitas como resultado final de todo o estudo efetuado sobre os domínios da tecnologia, da educação e da ética potenciadas pela inteligência semântica.

No alvor de uma nova civilização, a web semântica é o primeiro prenúncio que, com a sua disruptibilidade, é capaz de alcançar a visão que desde os gregos a humanidade perdera. Perdidos na especialização tecnológica, a perceção de uma identidade narrativa recoberta pela alteridade permitiu uma reflexão de caráter ético capaz de recuperar uma dimensão tecnofílica, a qual possibilita ao ser humano participar, de forma responsável

e consciente, no movimento aberto e partilhado que desobstrui o caminho na direção de considerar o conhecimento como um bem da humanidade, que é cada vez mais à medida das necessidades e das capacidades de cada um. Esta é a tese defendida ao longo desta investigação que, apesar de consciente das limitações, reconhece na tecnologia o poder e recoloca no ser humano a responsabilidade pela sua correta utilização.

Dans le document Mobility, Data Mining and Privacy (Page 119-123)