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Test as You Write the Code

Dans le document The Practice Programming (Page 148-152)

Before I built a wall I'd ask to know What I was walling in or walling out,

6.1 Test as You Write the Code

Optamos por trabalhar na análise das últimas cinco postagens realizadas por cada um dos escolhidos, a considerar a data de coleta desses dados – ocorrida entre os dias 30 de novembro e 2 de dezembro de 2014. Sendo assim, chegamos a um total de 250 selecionadas118F

119,

considerando aqui alguns critérios para nossa análise: (1) tipos de hashtags utilizadas; (2) número de hashtags; (3) tipos de comentários utilizados; (4) número de comentários; (5) tipo de fotografia postada; (6) tipo de legenda utilizada; (7) número de “curtidas”; (8) número de marcações.

Nessa análise, lidamos com alguns dados quantitativos, como o número de curtidas e o número de marcações, e outros qualitativos, como os tipos de comentários e a forma como o usuário inseria hashtags em suas postagens, com o objetivo de atingir diversas finalidades que discutiremos a seguir. A forma de lidar de maneira quantitativa deve-se ao fato desse valor poder nos trazer subsídios para o entendimento desse prestígio declarado pelos indivíduos, pois o número elevado de “curtidas” de uma fotografia, por exemplo, por si só pareceu relevante aos usuários.

Procuramos assim efetivar uma análise a partir de um método inseparável do contexto onde se desenvolve. Ao aprofundarmos o debate para levarmos também em consideração as tecnologias móveis de comunicação, como os smartphones com câmeras fotográficas, capazes de produzir e compartilhar imagens em situações diversas, tivemos aqui um material interessante para a observação das interações dos usuários em um contexto de grande exposição de si.

Desse modo, é possível entender que tal proposta metodológica teria relação com o direcionamento teórico do trabalho: compreender a possibilidade de se exercer performances sociais nesses ambientes mediados pelas tecnologias digitais. Ainda, a análise das interações se apresentaria para nós como relevante tendo em vista a possibilidade de mapeamento dos perfis dos indivíduos a partir de suas práticas comunicacionais nas plataformas sociais (AMARAL, 2007).

Além desses modos de interação peculiares nas ambiências digitais, não só a disponibilidade de informações na internet tornar-se-ia algo determinante para a emergência de

119 Para os casos dos usuários que também realizaram a postagem de vídeos, selecionamos apenas as últimas cinco

uma metodologia de pesquisa levando em conta essas ambiências, mas também a própria localização dos atores em um processo que passaria por várias mediações de forma complementar; em nosso caso, temos a mediação dos aplicativos, das ambiências digitais e dos conteúdos compartilhados, sobretudo a fotografia. Ainda, há de se considerar o posicionamento da internet “como próprio objeto de estudo em sua intrínseca relação com diversas culturas” (AMARAL et. al., 2008, p. 36).

Com relação aos procedimentos metodológicos para a pesquisa empírica, os estudos tendem a analisar os padrões de interações sociais entre os membros de uma cultura ou rede social. De acordo com Soriano (2007), o trabalho de observação nas ambiências digitais consiste em descrever as interações entre culturas e dentro da própria, e relacionar os padrões de interação com processos sociais e culturais mais amplos; ou seja, tratar-se-ia de entender processos de interação para relacioná-los aos aspectos sociais.

Buscando descrever as interações e relacionar os padrões de interação com processos sociais e culturais, nessa etapa da pesquisa, criamos algumas codificações que nos ancoraram na análise sob uma perspectiva qualitativa e quantitativa. Para tanto, essa etapa da análise119F

120 foi

também realizada parcialmente com o auxílio do software Atlas.ti, versão 7.5.2.

Uma forma eficaz de captura de dados consiste no apanhado de informações que o pesquisador observou das práticas comunicacionais dos usuários, das interações, simbologias e de sua própria participação (KOZINETS, 2002). Partindo dessas orientações, foram criadas codificações tendo em vista o modo como alguns padrões de ação nos traria elementos para se refletir sobre a performance social dos indivíduos considerando dados quantitativos – como o número de “curtidas” – e dados qualitativos – como o tipo de legenda atribuída à fotografia postada. Através da nossa observação empírica, os dados quantitativos foram analisados considerando uma média geral estabelecida, e partindo dessa média pudemos detectar em que valor estimado cada postagem se enquadraria.

Já para os dados qualitativos foram pensados em codificações considerando a saliência de determinados padrões de comportamentos e tipos de respostas para as questões. Combinamos, em nosso caso, pesquisa qualitativa e quantitativa em termos de dados, quando convergimos de uma estratégia para outra: de dados qualitativos para quantitativos, a partir do apanhado geral das codificações realizadas.

A respeito dessa forma de se analisar os fenômenos, Flick (2006) a denomina de análise de conteúdo hermenêutico-classificatório, a qual integra ideias e procedimentos de hermenêutica objetiva em uma análise de conteúdo principalmente quantitativa. Foi nessa direção que efetuamos a codificação de dados através do software Atlas.ti – trabalhando no sentido de elaborar classificações e interpretações em uma unidade hermenêutica estruturada no software. Esse apanhado nos forneceu números para indicarmos padrões de ação, de respostas e de comportamentos pelos usuários do Instagram.

Dessa forma, na análise das postagens partimos das seguintes codificações elaboradas na unidade hermenêutica criada a partir de categorias de códigos – denominadas de famílias no Atlas.ti – apresentadas na tabela 6:

Tabela 6 – Famílias de códigos criadas para a análise das páginas dos usuários.

Matriz analítica

Família Descrição

1. Tipos de Hashtags Codificação referente aos tipos de hashtags utilizados. Dados qualitativos 2. Número de Hashtags Codificação referente ao número de hashtags para cada postagem, buscando

atingir uma média de uso. Dados quantitativos

3. Tipos de comentários Codificação referente aos tipos de comentários nas postagens. Dados qualitativos

4. Número de comentários Codificação referente ao número de comentários em cada postagem, buscando atingir uma média de uso. Dados quantitativos

5. Tipos de fotografias Codificação referente aos tipos de fotografias compartilhadas pelos usuários. Dados qualitativos

6. Tipos de legendas Codificação referente aos tipos de legendas utilizados pelo usuário que faz a postagem das suas fotografias. Dados qualitativos

7. Número de “curtidas” (likes)

Codificação referente ao número de “curtidas” (likes) em cada postagem, buscando atingir uma média de uso. Dados quantitativos

8. Número de marcações Codificação referente ao número de marcações em cada fotografia, buscando atingir uma média de uso. Dados quantitativos

Fonte: Pesquisa de campo.

Como pode ser observado na tabela 6, os códigos e as famílias foram criadas e cada uma acompanha a sua descrição, de modo a demonstrar a incidência dos códigos nas 250 postagens analisadas.

As codificações criadas nessa etapa foram oriundas de uma observação não-participante do corpus empírico. Segundo Kozinets (2002), essa técnica é menos invasiva, já que é possível se comportar como um observador não-participante perante comportamentos corriqueiros de uma rede social durante seu funcionamento, fora de uma situação formatada para a coleta de dados de uma pesquisa – com todo o risco de enviesamento que tal formatação é capaz de

suscitar –, sem que o pesquisador interfira diretamente no processo como participante em co- presença física. A observação não-participante abriria então espaço para o pesquisador ter acesso a processos que dificilmente teria, assim como reduziria possíveis enviesamentos que por ventura aconteceriam no ambiente, caso se apresentasse como tal.

Ainda com relação à observação não-participante, Soriano (2007) acredita que a ferramenta possui vantagens como o papel de maior neutralidade em relação ao objeto e à possibilidade de empregar outros recursos durante a pesquisa de campo. Em nosso caso, buscamos deixar claro que a observação realizada seria apenas no perfil público dos usuários e para os fins específicos da nossa tese; mesmo assim, achamos cabível solicitarmos a autorização de cada eleito para a observação.

Dentre as diversas formas de aferir hipóteses no corpus empírico, Kozinets (2002) apresenta quatro critérios para a escolha de seus informantes e grupos estudados: (1) indivíduos familiarizados entre eles, (2) comunicações que sejam especificamente identificadas e não- anônimas, (3) grupos com linguagens, símbolos, e normas específicas e, (4) comportamentos de manutenção do enquadramento nas fronteiras de dentro e fora do grupo. Sendo assim, percebemos que a nossa forma de analisar o fenômeno se configuraria enquanto uma metodologia apropriada em nossa pesquisa, com o objetivo de preservar os detalhes da observação, como nos aplicativos em dispositivos móveis, para a observação dos envolvidos. Pudemos realizar a análise compreendendo como as sociabilidades ocorrem entre os seguidores e seguidos no Instagram, através de performances sociais expostas abertamente para os interessados em estabelecer interações, e com isso criando imagens do indivíduo e dos seus grupos sociais de uma maneira mais ou menos planejada, a depender da ocasião e dos envolvidos no aplicativo.

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