D. Formation de Grotto Beach
2. Membre de Cockburn Town
2.2. présentation de la coupe type de Betsy Bay Nord
2.3.2. terrasses récifales de la côte ouest
2.3.2.1. terrasse de la région de North West Point
Os ensinamentos hassídicos, voltados para a renovação no interior da tradição judaica, possibilitaram a Buber vislumbrar uma perspectiva de direção em relação ao posicionamento pessoal em vistas ao reconhecimento da alteridade. Tal reconhecimento pressupõe o ato de indagar-se sobre o seu lugar no mundo, bem como da responsabilidade pessoal que se tem na medida em que se ocupa este lugar. Podemos encontrar tais preocupações buberianas, de uma forma mais preponderante, em suas obras O problema do homem e O caminho do homem, nas quais é estabelecido o caminho do homem como um caminho singular e comum a todos, o qual tem como o ato de direcionar-se a humanidade como um imperativo à realização da verdadeira existência. Esta não é compreendida a partir de uma atitude de omissão com o mundo, pois os acontecimentos e eventos do mundo dizem respeito à forma pela qual o homem efetiva sua presença neste. Aqui se evidencia a responsabilidade pessoal como atitude que diz respeito aos acontecimentos daquilo que se realiza como fenômeno no mundo. Portanto, faz-se necessária a busca reflexiva acerca do caminho específico do homem no
intento de investigar sobre a relação existente entre este e o reconhecimento da alteridade como pressupostos à efetivação de uma ética contemporânea.
A partir do ponto de vista religioso, Buber afirma a inexistência de um caminho único, o qual possibilitaria à humanidade guiar-se por ele e obter êxito no tocante à realização de sua existência singular, bem como, da coletiva. O caminho próprio é legado por ele como uma postura de escolha da pessoa de viver segundo a sua própria especificidade. Sobre este caminho, posiciona-se Röhr (2003, p.13) no que segue: “o caminho do homem não é o mesmo nem para todos, nem para alguns. O caminho é absolutamente individual”. Logo, o outro não pode ser alcançado por uma prática do homem que se presta a imitar o caminho de outrem, nem tão pouco este homem alcançará a realização de si mesmo. A imitação revela a vida a partir da aparência, a qual se coloca como um problema ao inter-humano por não favorecer ao encontro. Sendo o caminho individual, sua conquista, se dá pela não imitação, pelo reconhecimento do que nos é próprio, o qual se nos apresenta, sobretudo, pelo reconhecimento da alteridade.
A problemática que se apresenta no reconhecimento do caminho próprio nos conduz à reflexão sobre o ser. O conhecimento de si, da própria essência, ou seja, o autoconhecimento nos possibilita o conhecimento do nosso próprio caminho, e este pode ser encontrado mediante a dedicação efetiva à busca que se faz em direção ao ser próprio. A proposta buberiana de autoconhecimento sinaliza a primeira atitude a ser tomada. O esclarecimento sobre tal sinalização pode ser encontrado nas anedotas hassídicas interpretadas por Buber (1990, p.18), sobretudo, na pergunta feita a Adão: onde estás? O questionamento expressa a preocupação com o vínculo do homem com sua situação concreta, com a própria vida, numa atitude atualizadora do questionamento divino ao ser do homem. Nesse instante, um sentimento perturbador o toma provocando uma análise autorreflexiva de sua conduta.
O questionamento de Deus a Adão, se lhe apresenta como um movimento de fora para dentro, o qual lhe propicia a autocontemplação devido ao reconhecimento de sua responsabilidade em relação ao mundo. A questão endereçada a Adão encontra no ato de “esconder-se de Deus” uma resposta na obra O caminho do homem, a saber, Buber (1990, p.21) diz: “Adão se esconde para não precisar prestar contas, para fugir da responsabilidade da própria vida. Do mesmo modo se esconde cada homem, porque cada homem é Adão, na situação de Adão”. Tal situação vivenciada por Adão se assemelha à de todos os homens, pois a pergunta “onde você está” aponta para uma provocação de Deus para a pessoa e Sua intenção é atingir o coração. Ao esconder-se, numa atitude de livrar-se da responsabilidade, a existência humana é transformada em um amontoado de esconderijos, pois, esconder-se do
olhar divino é imergir-se no que é errado. A tentativa de esconder-se do olhar de Deus leva o homem esconder-se de si mesmo, portanto, a pergunta de Deus se inscreve na vida humana no intento de despertar no homem o desejo de sair.
Ao nos identificar com Adão, a nosso ver, Buber sinaliza, para o cerne do principal problema que se apresenta à vivência de uma ética na contemporaneidade, o qual se expressa por dois indicativos. Tais indicativos se encontram interligados e de uma forma indissociável, eles são: o não reconhecimento da alteridade como condição indispensável a tal vivência; bem como o não reconhecimento de uma ética que tenha como imperativo o ato de assumir o próprio caminho numa atitude responsável com as “exigências” de Deus para a vida humana.
A afirmação de que o homem tem um caminho que lhe é próprio nos remete a perguntar sobre sua natureza. Teria então o homem uma mesma natureza? Röhr (2003, p.13) “afirma haver uma desigualdade no tocante à natureza do homem, logo, qualquer imperativo ético que tenha como princípio de sua realização a natureza humana está fadado ao fracasso ao encontrar nessa natureza seu limite de realização”. Cada pessoa é diferente, então são insuficientes quaisquer ensinamentos éticos que se coloquem de uma forma vertical a essa indiferença. Segundo Buber (1990, p.27), “Com cada homem vem ao mundo algo de novo, algo único e novo [...] Cada homem é coisa nova no mundo e deve realizar a própria natureza neste mundo”. Sendo assim, torna-se clara a ineficácia de um pensamento ético que tome os homens a partir de uma natureza comum buscando torná-los iguais no seu agir.
A proposta ética de Buber se presta a alcançar um foco: Deus. Ele reconhece a igualdade de possibilidade dos homens de acessá-Lo, mas o acesso não se dá por um caminho universal, comum a todos, e sim, unicamente por um caminho individual, particular. Um princípio universal não atenderia autenticamente à especificidade de cada homem. A proposta ética buberiana sinaliza o que nós chamamos de determinação no ser. Chamamos de determinação a “ousadia” do homem em caminhar segundo o que lhe é próprio, segundo o que lhe conduz em direção a sua natureza. Tal caminho proposto requer muito mais do que a simples observância às normas socialmente construídas, mas o reconhecimento de si como ser que assume o real sentido de existir, ou seja, como ser que responde à palavra proferida numa atitude de reconhecimento da alteridade. Assim, como condição necessária de tal reconhecimento, atenta-se para a proposta buberiana de começar consigo.
A questão postulada por Buber sobre o ato de começar consigo remete ao compromisso particular do homem com o mundo. Segundo Lima (2011, p.129):
É urgente uma decisão originada no seio da própria vontade, um olhar que se volta para dentro, para perceber-se como dono de uma parcela de
responsabilidade nos acontecimentos, eventos que são um resultado exterior ao homem.
A urgência aponta para dois problemas cruciais acerca da relação com a alteridade: a atribuição de culpa ao outro pelos fatos acontecidos; bem como o desejo que ele reconheça sua parcela de culpa livrando-nos do peso de nossa existência. Tal atitude é identificada por Santiago (2008, p.300) como uma atitude de fuga que significa:
atribuir ao outro a culpa pelo acontecido, pela fuga expressa em tomar para si a responsabilidade pelo vivido. Tal fuga revela-se frequentemente por nossa insistência em exigir que os demais envolvidos reconheçam sua parcela de responsabilidade e mudem suas atitudes.
O peso da existência não deve recair sobre os ombros do outro numa postura de busca de sua corresponsabilidade para fazer o caminho que nos é próprio. A palavra endereçada não responde a si mesma, mas solicita ao ser a quem ela se direciona a confirmação de seu som. Não obstante, o olhar do homem para critérios subjetivos, no intento de fornecer uma resposta a estes, não o coloca em direção a seu caminho, pois, somente quando este homem é capaz de reconhecer algo fora de si, é que ele encontra o caminho que lhe é próprio.
O reconhecimento da alteridade se inscreve como imperativo à realização da ética na medida em que nos possibilita, pela dinâmica alternante da distância e da relação, conhecer o nosso caminho como pressuposto para sua realização. A vida ética necessita de uma preocupação honesta em realizar ações coerentes que indiquem nossa responsabilidade pessoal em relação ao mundo, sob a condição de tornar-se efetiva a realização da existência humana. Tal realização sinaliza para nosso ponto de partida. É do lugar onde se está que ela pode ser alcançada.
2.5 A realização da existência e o ponto de partida: a relação com o Outro como