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O estudo do referencial teórico que envolveu o corpus dinâmico e o corpus estático já mencionados, possibilitou a construção dos conceitos, informações e inferências que constam na fundamentação teórica constante nos capítulos 2 Teoria Ator Rede, 3 Ambientes de Conhecimento Organizacional, 4 Alinhamento conceitual e Proposta Inicial. Esse material foi, também, necessário para levantar as categorias de análise a serem utilizadas para a elaboração dos instrumentos de pesquisa. Para a realização dessa parte do estudo, utilizou-se o método de análise de conteúdo nos moldes propostos por Bardin (2011), pelo qual compreende-se o referido método como empírico, misto – ou seja, quantitativo, por observar a frequência de determinados elementos presentes no conteúdo pesquisado, e qualitativo, por avaliar a existência ou inexistência de uma ou mais características em determinado discurso. A análise de conteúdo, ao permitir levantar evidências, possibilita que se realize inferências a respeito do tema pesquisado.

Os procedimentos para se realizar a análise de conteúdo são compostos de três etapas, conforme Quadro 4. Na primeira, a etapa de pré-análise, organiza-se o material que vai ser analisado, selecionando-se documentos, realizando-se leituras e estabelecendo-se qual será o material pertinente para apreciação. No presente estudo, realizou-se a pesquisa bibliométrica, na qual foram selecionados os documentos, e a análise sistêmica, na qual foram realizadas leituras preliminares e críticas dos textos relevantes, a fim de se construir o corpo de análise.

Na segunda etapa, é realizada a categorização, na qual se identificam categorias de contexto, categorias de análise e unidades de contexto, a partir do material levantado na revisão bibliográfica. Neste estudo foi realizada a exploração do conteúdo, codificando e categorizando o material que consta na revisão de literatura, a partir de categorias de análise, categorias de contexto e unidades de

registro levantadas. As categorias foram usadas para aferição do corpus dinâmico e como fundamentação para a construção dos questionários e entrevistas.

A terceira etapa, de tratamento de resultados, ocorreu após a coleta de dados da pesquisa. A seguir, apresenta-se as categorias de análise, categorias de contexto e unidades de registro da presente pesquisa em três quadros resumidos – os quadros completos encontram-se no Apêndice B:

Quadro 4 – Etapas de análise de conteúdo Análise de Conteúdo 1ª Etapa Organização do material Seleção de documentos Leituras preliminares 2ª Etapa Identificação de categorias de contexto Categorização de material 3ª Etapa

Análise propriamente dita, que ocorre após a coleta de dados de pesquisa

Fonte: Autoria própria (2017).

Preliminarmente, as categorias de análise utilizadas foram os descritores usados para a pesquisa bibliométrica – Aceleradoras, Startups, Teoria Ator Rede e conceito de ba (contexto capacidade, espaços compartilhados). Delas se extraiu as categorias de contexto.

Para a categoria de análise Aceleradoras foram trazidas duas categorias de contexto: características das aceleradora e programa de capacitação.

Para a categoria de análise Startups se extraiu duas categorias de contexto: especificidades das startups e tipificação de empreendedores.

Para a categoria de análise Teoria Ator Rede foram 11 categorias de contexto: atores ou actantes, intermediários, tradução, porta-voz, ponto de passagem obrigatório, interessamento, ator mundo, ator rede, caixa preta, convergência, irreversibilidade.

Para a categoria de análise Conceito de ba (contexto capacitante, espaços compartilhados) foram extraídas 32 categorias de contexto: conhecimento, conhecimento tácito, conhecimento explícito, conceito de ba, espiral do conhecimento, socialização, externalização, combinação, internalização, condições capacitadoras, intenção, autonomia, flutuação e caos criativo, redundância, variedade de requisitos, fases de criação de conhecimento, compartilhamento de conhecimento tácito, criação de conceitos, justificação de conceitos, construção de

um protótipo, difusão interativa do conhecimento, capacitadores de conhecimento, introduzir uma visão de conhecimento, gerenciar conversas, mobilização de ativistas do conhecimento, contexto capacitante, tornar global o conhecimento local, dimensões do cuidado, empatia, acesso à ajuda, suavidade no julgamento, coragem. Essa categorização preliminar encontra-se no Apêndice B.

Das categorias de análise elencadas de forma preliminar, utilizou-se para a pesquisa somente a de conceito de ba (contexto capacitante ou espaços compartilhados), reformulando-se as categorias de contexto para: (i) Espiral do Conhecimento, (ii) Fases do Conhecimento, (iii) Condições Capacitadoras, (iv) Capacitadores do Conhecimento, (iv) Dimensões do Cuidado.

A fim de aferir a incidências de elementos que compõem essas categorias de contexto, foram utilizadas como unidades de registro: (i) para Espiral do Conhecimento, Socialização, Externalização, Combinação e Internalização; (ii) para Fases do Conhecimento, Compartilhamento de Conhecimento Tácito, Criação de Conceito, Justificação de Conceito, Difusão Interativa do Conhecimento (iii) para Condições Capacitadoras, Intenção, Autonomia, Flutuação ou Caos Criativo, Redundância e Variedade de Requisitos (iv) para Capacitadores do Conhecimento, Introduzir uma Visão de Conhecimento, Gerenciar Conversas, Mobilizar Ativistas do Conhecimento, Criar Contexto Capacitante e Tornar Global o Conhecimento Local e; (iv) para Dimensões do Cuidado, Empatia Ativa, Acesso à Ajuda, Suavidade no Julgamento, Coragem.

Dessas categorias de contexto, derivaram as unidades de registro que foram utilizadas para desenvolver a pesquisa. Segue um exemplo da categorização realizada no Quadro 5, o quadro de categorização encontra-se, na íntegra, no Apêndice C.

Quadro 5 – Categorização

Categoria de análise: Conceito de ba (contexto capacitante, espaços compartilhados)

Categoria de contexto Unidade de Registro Unidade de Contexto

Espiral do

conhecimento

Socialização Na socialização, ocorre a conversão do conhecimento tácito em novo conhecimento tácito, que opera no originating ba, compreendido como o mundo em que o indivíduo compartilha sentimentos, emoções, experiências e modelos mentais (NONAKA; KONNO, 1998). A socialização ocorre num plano não verbal, em que se aprende um conhecimento por meio do exemplo, da prática, da entonação de voz, entre outras formas.

Externalização Conversão do conhecimento tácito em explícito, que ocorre no interacting ba, pelo qual, por meio do diálogo, modelos mentais individuais são convertidos em termos e conceitos comuns (NONAKA; KONNO, 1998).

São exemplos de externalização debates, palestras, aulas expositivas, entre outros.

Combinação Conversão do conhecimento explícito em explícito, que ocorre no cyber ba, no qual ocorre a interação no mundo virtual, em que o conhecimento explícito se combina com a informação existente e com os conhecimentos gerados e sistematizados dentro da organização (NONAKA; KONNO, 1998).

Internalização Conversão do conhecimento explícito em tácito – vincula-se o exercising ba, em que, por meio de treinamento, ocorre a transformação do conhecimento explícito em tácito (NONAKA; KONNO, 1998).

Fonte: Autoria própria (2018).

Com o apoio do Software MAXQDA, as unidades de registro foram aplicadas às entrevistas semiestruturadas realizadas.

A título exemplificativo, segue uma nuvem de palavras com unidades de registro de trecho do artigo de Cohen e Hochberg (2014), criada a partir do software online TagCrowd (2018, online), tratando da caracterização de aceleradoras:

Figura 5 – Nuvem de Palavras

Fonte: Autoria própria (2018).

As palavras em destaque são usadas como unidades de análise e unidades de registro. Apresentadas as categorias de análise, categorias de contexto, unidades de registro e um exemplo de nuvem de palavras com unidades de registro, passa-se a detalhar o protocolo de pesquisa e os procedimentos de coleta de dados.