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Le temps du soin, les rythmes individuels et le rythme de l’institution

Chapitre 2 : Le temps dans l’institution, les temps du quotidien et les temps de la vie

1) Le temps du soin, les rythmes individuels et le rythme de l’institution

Para Comblin os seres humanos querem que a paz e a justiça reinem na terra e muitas vezes esperam e oram incessantemente por isso, mas para o autor essa responsabilidade está entre os homens, e diz:

―O desejo secreto de muitos é de que Deus nos retire a liberdade e governe o mundo ele próprio com o seu poder divino. Somente assim haveria paz e justiça na terra. Não haveria mais malfeitores nem guerras e destruições. No entanto, Deus escolheu outro caminho. Quantas orações são feitas pedindo a Deus que venha estabelecer a paz e a justiça! Mas essas orações permanecem sem resposta, uma vez que a resposta já foi dada. A paz e a justiça são da nossa responsabilidade. Somos uma humanidade livre chamada a se fazer por si mesma‖250.

249 Idem pg. 97;

250COMBLIN, José. Da liberdade. Sociedade Arminiana da língua portuguesa.

A pacificação da sociedade está ligada a Justiça Social, o que entendemos sobre esse desdobramento em uma sociedade, como se declara acima: ou estarão do lado daquele que sofre e dizer não aos fatores que geram violência. Certamente a paz fará parte da vida e do cotidiano da humanidade, porém é necessário desenvolver uma ética da paz junto com a justiça, pois se acredita juntamente com Comblin que a paz e justiça andam de mãos dadas, e para os tempos atuais essa ética supõe um aprofundamento constante da dinâmica interna na sociedade da paz, pois sendo ela uma realidade tão complexa, exige da pessoa o reconhecimento de que a paz é uma conquista diária, uma constante superação de toda e qualquer maneira de violência que age no ser humano e na sociedade. Enquanto continuarem a existir milhares de vítimas de injustiça social não se conseguirá chegar à paz251 das boas novas.

A paz que o Evangelho propõe e tende a instaurar não é aceitação de qualquer situação estabelecida, esta resulta da ordem fundada na justiça que é amor, harmonia e a colaboração entre as classes, a manutenção da ordem e a paz social. Portanto, não quer dizer que a verdadeira paz não é tanto ausência de conflitos ou submissão à ordem imposta, mas transformação das pessoas dos seres vivos e dos seus sistemas e estruturas, o que envolve todas as dimensões da existência, visando tornar possível a dignidade da vida. Assim a paz só pode ser entendida na dinâmica do mandamento do amor ao próximo, tão importante quanto o amor a Deus (Mt. 22. 34-40). Esse amor exige do cristão um comportamento coerente e comprometido com a efetiva construção da paz e a superação de toda e qualquer maneira de violência. Em um mundo marcado pela violência entre pessoas e um mercado desenvolvido por uma cultura de morte faz- se necessárias atitudes de paz entre os humanos para existir um comprometimento com a justiça. Seja no nível pessoal de uma ética comprometida com o amor e doação, seja, ao mesmo tempo, na construção de uma nova ordem onde a vida seja o bem supremo. Uma justiça criadora e mantenedora de condições para o pleno desenvolvimento e realização das potencialidades humanas.

Finalmente, a Justiça Social se instala com atitudes dos convertidos ao Reino de Deus que deixam a ação de violência com os pobres, que é o pecado, para atos de amor ao ponto de

abrir espaços, para aqueles que nunca tiveram vida terem dignidade na sociedade e serem aceitos e colocados como seres humanos, que é a santidade, para Comblin dignidade se instala da seguinte maneira:

―A dignidade vem da importância do lugar que a pessoa ocupa na sociedade. Sente-se digna a pessoa que sabe e pode fazer, cujas capacidades são reconhecidas, que merece ser honrada. Todos os movimentos sociais salientam este aspecto: Primeiro a dignidade, ter um lugar na sociedade, ser tratado como pessoa. Essa dignidade humana supõe uma transformação total da sociedade. A esperança aspira a isto: um novo mundo, uma nova forma de convivência humana, em que todos possam ser reconhecidos como seres humanos livres e iguais. No fundo de cada ser humano existe essa aspiração a um mundo diferente‖252.

Além desses fatos declarados pelo autor, pode-se dizer que o desastre que está imposto na sociedade pode ser substituído pela felicidade ao ponto de vermos essas ações que destroem o homem sendo substituídas por fatores primordiais para uma humanidade mais humana. Os filhos e filhas de Deus não podem aprovar a indiferença à miséria, se alguém espera que o reino lhe seja oferecido, se faz necessário viver essas atitudes aqui e agora como um mundo novo, Comblin propõe:

―Felicidade é poder livrar-se da miséria, da violência, do temor e do pecado. A felicidade consiste em poder participar das mudanças já a este mundo, para que todos possam ter acesso aos bens que garantam vida digna, e que não se acomoda esperando apenas a felicidade futura no céu‖253.

Gostaríamos de terminar com dois pensamentos, um do autor americano Ronald Sider254.

252 COMBLIN, José. O Caminho: um ensaio sobre o seguimento de Jesus São Paulo: Paulus Editora, 2005, pg.

32.

253 COMBLIN, José. A Vida: Em Busca de Liberdade. São Paulo: Paulus Editora, 2007, pg.61.

254 Ronald Sider James: Nasceu em 17 de setembro de 1939 na cidade de Ontário, teólogo ativista cristão. Ele é

frequentemente identificado por outros como da esquerda cristã, embora ele pessoalmente não aceite qualquer inclinação política. Ele é o fundador de Evangélicos para a Ação Social, uma associação que visa desenvolver

… ―quando se trata de injustiça no arraial cristão: ―Com tristeza, devo confessar meu temor de que a maioria dos ‗cristãos‘ de todas as categorias teológicas tenham dobrado os joelhos diante de Mamon. Temo que, se tivessem que escolher entre defender seus luxos e seguir a Jesus entre os oprimidos, eles imitariam o jovem rico‖.255

E outro, pelo motivo da acumulação de riqueza e o medo do futuro denunciado pelo autor acima, Comblin nos afirma:

―Há pessoas que vivem construindo um futuro: o futuro da sua carreira pessoal, da família, de uma causa, de uma instituição, da pátria, da nação, do partido ou da revolução: sempre o futuro devora o presente. Perdem até o gosto, o desejo, a arte de viver. Taís metas, porém, nunca são alcançadas. A pessoa chega ao fim da vida sem perceber que a vida se esgotou, que acabou o tempo que lhe fora dado: nem teve tempo para viver. E, no fim da vida, o fim não obteve. Há uma maneira tão absoluta de se dedicar a construir o futuro que o presente desaparece, enquanto esse futuro não chega a ser realmente vivido por pessoas concretas: é um horizonte que recua na medida em que a gente se aproxima dele‖256.

soluções bíblicas para problemas sociais e econômicos, também fundou outra organização denominada Vida Justa que se tornou um comitê de ação política que lutava por uma ética consistente a favor da vida e por isso contra o aborto, pena de morte, armas nucleares e a pobreza. Ele também foi professor de teologia, holística e ministério público da igreja no Seminário Teológico Palmer em Wynnewood, Pensilvânia e hoje é professor no Eastern Batiptist Theological Seminary.

255 COMBLIN, José. A Vida: Em Busca de Liberdade. São Paulo: Paulus Editora, 2007, pg.234. 256 COMBLIN, José. O Espírito no Mundo. São Paulo: Editora Meditações Evangélicas, 1989, pg 44.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os conceitos de conversão e Justiça Social estão intrinsecamente ligados à vida de Comblin. No decorrer de sua vida na América Latina vivenciou momentos de crise, críticas e sofrimento, dentre eles, a ditadura no Brasil onde foi injustiçado por alguns da Igreja devido à inveja dos próprios irmãos na fé. Por exemplo, quando em 1968 o documento elaborado por Comblin para a reunião do CELAM, que se realizaria em Medellín, foi parar nas mesas da Câmara dos Vereadores de Recife; o exílio em 1972, sendo expulso do Brasil de uma forma brutal, sem ao menos poder se despedir dos amigos, e em 1980, quando mais uma vez provou o exílio, agora do Chile devido à implantação da ditadura.

Percebe-se na vida deste corajoso homem, que apesar de todas as injustiças impostas sobre ele, não deixou de lutar pela justiça, por uma vida mais digna para os pobres e um mundo mais igualitário e justo. Diversas pessoas o inspiraram a ter essa fé que o levou a lutar pelos menos afortunados, e dentre esses uma das maiores influências de sua vida foi Ibiapina. Este santo homem que perdeu o pai e o irmão na guerra das confederações do Equador observou seus familiares envolvidos com a luta pela libertação da opressão que os estados sofriam do Império. Ele sempre foi determinado a lutar pela justiça, passou por vários cargos públicos visando à defesa dos pobres, mas resolveu voltar ao sacerdócio e estar do lado daqueles que não possuíam vida, os injustiçados, e assim, deixou um legado de fé através das casas de caridades no sertão nordestino construídas pelos irmãos de fé. Outra grande influência do padre belga com coração latino americano foi Dom Hélder Câmara, que com coragem sempre se policiou ao lado dos pobres, como também mostrou forte resistência diante das pressões da ditadura militar.

Pode-se dividir as atividades de Comblin na América Latina em dois momentos: o primeiro foi dedicado à formação dos sacerdotes nos colégios e seminários e o segundo foi totalmente dedicado à formação de missionários leigos e populares do mundo, onde ele encontrou grande realização e vibração por ver alguns pobres sendo libertados das opressões dos dominadores dos países onde passou. Neste período foi motivado por

pessoas simples e semináristas cansados dos métodos tradicionais de formação de sacerdotes. Ao coordenar grupos de estudantes que viveriam com os agricultores pobres para desenvolver a partir do conhecimento empírico entre os pobres uma nova forma de formação teológica denominada Teologia da Enxada, ele estabeleceu um marco para a educação e formação teológica de seminaristas e leigos influenciados pela pedagogia de Paulo Freire.

Preocupado com as ações na sociedade, também lutava para desenvolver uma teologia mais próxima da vida das pessoas e não da eternidade. Pode-se encontrar no pensamento de Comblin dois sentidos de teologia.. No sentido mais óbvio, a teologia se relaciona com a atividade pastoral para desenhar suas questões a partir de situações pastorais e modestamente oferecer ajuda. Sua opção por fazer a maioria de seus trabalhos pastorais em associação com bispos voltados para as causas populares, ao invés de seminários ou universidades, exemplifica este aspecto, assim como o grande número de suas obras cujo ponto de partida é a situação pastoral da Igreja. No entanto, o sentido fundamental – que norteia o pensamento de Comblin – e talvez o mais importante seja o da ―ação humana total‖, por referirem-se as ações de seres humanos livres que transformam a situação em torno delas e juntos tornam-se profundamente humanos. A ação poderia ser a mais modesta, como uma comunidade ou grupo de construção de casas, assim como esta ação poderia ser tão grande quanto uma campanha nacional para acabar com a fome. Já em 1962, afirmava que a teologia é orientada para a ação e não simplesmente a ação pastoral da Igreja, mas as ações para tornar o mundo mais humano.

Incansável, o padre morreu quando lecionava um curso para comunidades de base na Bahia. Encontramos em sua obra sempre de modo coerente alguns temas constantes taís como: do povo de Deus, da situação dos leigos na Igreja e o movimento de justiça entre os seres humanos na sociedade, porque para este homem a Igreja foi enviada ao mundo e por isso ela tem que estar e trabalhar para que o mesmo se torne fraterno e igualitário. É possível indicar que a vida deste escritor foi uma luta obstinada através de sua palavra e ação, pela conversão do povo para a igualdade fundamental de todos os seres humanos, direito dos pobres e por uma sociedade mais justa.

O pensamento de Comblin sobre conversão tem algo diferenciado em relação a alguns teólogos por acreditar em um processo de conversão que é um convite à mudança radical de vida, uma jornada que dura a vida toda, pois se um cristão deixa de mudar ele deixa de ser cristão257. Outro elemento referente à conversão é que a mesma nos impulsiona para uma vida mais próxima dos necessitados, levando-nos da solidão do egoísmo para a vida comunitária, no seu sentido amplo da palavra, ao ponto de se importar com a comunidade maior que é a sociedade e sua dinâmica envolvida com estruturas de pecado com grande poder de destruição do ser humano. A conversão impulsiona o ser humano convertido a lutar contra toda estrutura posicionada para exterminar a vida do mais fraco. Por isso, a conversão vai além de um ritual interno de uma religião, ela extrapola as regras impostas e se firma no amor ao próximo, onde o Reino de Deus acontece. Comblin acredita que a conversão não é para instituição religiosa, se fosse, seria apenas proselitismo.Ao confundirmos o convertido com o frequentador de instituições religiosas e o não convertido com aquele que está fora destas mesmas, cometemos um grande erro, pois desconstruímos o significado de ―transformação existencial‖ ao ponto de ser mera adesão a uma nova religião. Por isso, pode-se afirmar que a conversão não é o processo que leva o

ser humano a se tornar um frequentador da Igreja, mas sim o condutor ao pertencimento do Reino de Deus.

Para Comblin, a Igreja como povo de Deus comete alguns equívocos por tentar interpretá-la com categorias de comunidade e instituição, caíndo no erro de pensar que a mesma é a única forma de se aproximar de Deus e agradá-lo. Assim acaba se enclausurando em si mesma e consequentemente se tornando antropocêntrica e vazia não se importando com o próximo e infelizmente não compreendendo a parte mais importante do cristianismo que é a pessoa do Cristo. O profeta afirma: ―A Igreja fala para si, ouve a si mesmo e contempla-se a si mesma258‖, desta forma a missão acaba e a Igreja morre, pois deveria ser um instrumento para inserir a humanidade no movimento de cooperação com o próximo que sofre. Este movimento que se dinamiza através das atitudes de bondade dos

257 COMBLIN, José. Evangelizar. São Paulo: Paulus Editora, 2010, pg. 10. 258 COMBLIN, José. A teologia da Missão. Petrópolis: Editora Vozes, 1980, pg.20.

cristãos em relação ao próximo necessitado, revelando assim a pessoa de Deus. Ele denomina este movimento como Reino de Deus e, para ele, Reino é hoje uma palavra de cunho pejorativo e deveria ser substituida pela terminologia Vida, já que a vida plena almejada pelo ser humano deveria ser a vida desejada por Deus para suas criaturas. Afinal, o ser humano foi criado à imagem e semelhança de Deus para que todos pudessem viver dignamente o dom da vida e, para isso, a sociedade deveria ser o lugar onde esta dinâmica da Vida de Deus pudesse acontecer. Mas sabe-se que por razão da inconsistência e da imperfeição humana esta vida para todos não acontece, porém, é possível sinalizar e concretizar o Reino através de concretização da justiça entre os homens, pois, quando o ser humano se converte a prática da justiça começa a ser cotidiana na vida dos que pertencem ao Reino de Deus.

Através do pensamento de Comblin, pode-se expressar que os cidadãos deste Reino são os pobres e os que cooperam com a libertação dos mesmos. Para ele, o Reino pode ser alcançado quando deixamos a opressão, nos desnudamos de todo o poder e nos tornamos dependentes de Deus, de suas ações e do próximo como se fossemos uma criança.

A conversão ao Reino de Deus se dá quando o ser humano se encontra com Deus no encontro com o próximo e se depara com a realidade sofrida, transformando esta como desafio para própria vida, colocando-se em ação para ver o necessitado obtendo a vida que Jesus prometeu. Assim, não há conversão ao Reino de Deus se a pessoa estiver fechada nela mesma sem olhar para o outro.

Nesta dissertação, limitamo-nos a tratar a questão da Justiça Social através da exclusão social focalizada somente nos pobres. Devido à sociedade estar envolvida em um pecado estrutural, somente pode-se aplicar a Justiça Social quando se supera as leis fundamentais dessa estrutura que exclui e gera destruição da vida, Por isso, é necessário entender a dinâmica e a estrutura do pecado na sociedade. A violência é uma das dinâmicas e potencialmente é uma realidade entre as pessoas injustiçadas que tem o acesso restringido à comida, saúde e habitação. Tal violência ocorre silenciosamente e destrói os afligidos

sem incomodar os que deveriam estar atentos ou que não querem perceber essa realidade, com poder aniquilador mais letal do que qualquer guerra instalada no mundo. Além desta luta, temos hoje um sistema chamado neoliberalismo que parece um gigante indestrutível instalado no mundo econômico para criar regras e definir quem pode viver ou morrer, onde a única regra de sobrevivência é ser consumidor, sem se importar com a pessoa como ser humano. O neoliberalismo divide a sociedade em consumidores e sobrantes, excluindo os pobres das condições que permitem viver. Esse sistema transforma a sociedade ao invés de ser compassiva e solidária para os que sofrem numa gigantesca multidão insensível, priorizando as coisas supérfluas, o acumulo de riqueza e outros valores em detrimento ao acesso do atendimento das necessidades básicas do próximo.

A mídia está comprometida com seus próprios interesses exclusivamente comerciais apoiando até a destruição desde que a mesma proporcione o lucro, alienando e anestesiando o povo, perpetuando a miséria dos pobres, proclamando com veemência a doutrina da resignação. Nessa situação de injustiça, muitas igrejas se limitam em anunciar que todo sofrimento é causado porque ―Deus assim o quis‖, cooperando com o pensamento dos dominantes da sociedade.

Tal doutrina da resignação desta estrutura pecaminosa se manifesta, como afirma Comblin, nos sistemas políticos e econômicos, com suas engrenagens que fazem o possível para ocultar os lados negativos e exibir somente as belezas da sociedade estabelecida, procurando convencer o homem da necessidade de aceitar as coisas como são sem considerar a possibilidade de mudança. Quem pretende praticar a justiça precisa fugir destas ações259.

P

ara isso precisa-se determinar passos para a libertação necessária. Para o nosso autor, santidade é uma maneira de se fazer justiça, pois a conversão é um processo do pecado para santidade260, portanto, justiça está entrelaçada com a santidade e a mesma tem alguns fatores fundamentais nas relações de amor ao próximo, que procede de Deus e é a única ordem de Jesus. Ao nos depararmos com este amor, devemos afirmar: quem ama não

259 COMBLIN, José. A teologia da Missão. Petrópolis: Editora Vozes, 1980, pg. 61.

consegue ver seu próximo passar necessidade sem fazer nada e, por isso, precisa atuar a fim de fazer cumprir o desejo de Deus que é a vida para todos e todas, igualdade social entre as pessoas, compartilhando os bens e proporcionando a emancipação dos pobres. O Evangelho expressa claramente que o amor é uma ação, os sentimentos, gestos e sinais simbólicos não são suficientes. O grande valor do amor são os atos práticos que produzem resultados visíveis e realmente beneficiam o outro e não somente um discurso ou sentimento.

Amar é uma opção de vida e por isso resulta de uma conversão – aquela que constitui a orientação definitiva da nossa vida261. Amar é dar vida, ou, pelo menos ajudar a ter mais vida, já que somente Deus dá a vida. Amar é fazer com que o outro que não era seja - que aquele que estava rejeitado seja aceito - aquele que estava excluído seja incluído, somente amando podemos observar a justiça ser aplicada na sociedade através desta inclusão proporcionada exclusivamente pelo amor.

A religião para Comblin é um fator primordial para qualquer sociedade e cultura, porém, a inquietação deste profeta é o que fazer com a apatia e ausência de amor concreto geradas pela religião. Religiões assim têm oprimido o povo e criado regras para que as pessoas não amem quem está do lado de fora do ―arraial‖ da instituição religiosa. Se o ser humano não se libertar desse tipo de religião e se converter ao reino de Deus, sempre estará em uma posição de contemplação e inércia para com o outro, enquanto que a conversão ao