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Techniques de la théorie de la représentation discursive segmentée (SDRT) 36

2.3 Approche symbolique

2.3.4 Techniques de la théorie de la représentation discursive segmentée (SDRT) 36

Atualmente podemos falar da chamada “psicanálise vincular” (ou psicanálise das relações vinculares), como nos refere Fernandes, Svartman e Fernandes (2003), fazendo alusão aos trabalhos de Enrique Pichon -Riviére e às suas teorias do vínculo. Pichon-Riviére (1998) desenvolveu a suas ideias constituindo uma “psicanálise dos vínculos” que segundo ele pretende organizar os conhecimentos já existentes, abrindo um campo de estudo com uma visão mais ampla no que toca à Psicanálise, abrangendo as instituições, os grupos, os casais e as famílias.

Como nos referem Bernstein e Puget (1993), o termo vínculo é utilizado, na literatura psicanalítica, de maneiras muito diversas e com diferentes significados. Em todo caso, para os autores torna-se necessário acrescentar algum outro termo, que amplie a descrição do

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fenómeno para o qual se tenta utilizá-lo. O termo vínculo é também utilizado na clínica, tanto para descrever a relação com o analista, como para as relações com os objetos internos. Daí se encontrarem expressões como vínculo com o objeto externo, vinculo com o objeto interno, vínculo transferencial, vínculo familiar, relação de objeto interno, relação de objeto externo, e muitas outras mais. Ambos os conceitos, vinculo e relação, recobrem uma área de problemas da teoria, que, segundo estes autores, abrangem tanto a noção de ego e de objeto, como a difícil concetualização dos limites entre o mundo interno e o externo, ou, noutra versão, entre o intrasubjetivo e o intersubjetivo. Num nível de maior complexidade, poder-se-á acrescentar, o nível do transubjetivo, mediante a inscrição inconsciente dos modelos socioculturais. Estabelecendo uma diferença entre uma relação objetal, como formação intrasubjetivo, intraterritorial em relação ao aparelho psíquico, e uma relação entre um ego e outro ego, com características de extraterritorialidade, à qual os autores chamam de vínculo ou relação intersubjetiva, considerando a relação intersubjetiva a que é estabelecida entre um ego e o macrocontexto social.

Atendendo à origem da palavra “vínculo”, esta vem do latim vinculum que significa atar. Assim, vínculo significa aquilo que liga, une, ata duas (ou mais), coisas ou pessoas, como que uma ligadura com nós, pressupondo uma certa durabilidade na união mas com clara delimitação (Pichon–Riviére, 1998; Zimerman, 2010). Como nos referem os autores, o vínculo situa-se entre o mundo intra, inter e transubjetivo, constituindo um lugar de ilusão, como que um desdobramento do imaginário, instituindo as modificações que ocorrem durante toda a vida do sujeito nos três níveis referidos. Na perspectiva destes autores, entre outros, a noção de vínculo engloba a realidade interna e a realidade externa uma vez que o Vínculo é a estrutura relacional em que ocorre uma «experiência emocional» entre duas ou mais pessoas ou partes da mesma pessoa. Pode ser intrasubjetivo, intersubjetivo e transubjetivo

Pichon-Riviere (1998), questiona-nos: “Porque utilizamos o termo vínculo?”. Segundo o autor, na realidade, estamos acostumados a utilizar, na teoria psicanalítica, a noção de relação de objeto. No entanto, para ele, a noção de vínculo é muito mais concreta, considerando que relação de objeto é a estrutura interna do vínculo. Um vínculo é então, considerado pelo autor, como um tipo particular de relação de objeto, sendo esta constituída por uma estrutura que funciona de uma determinada maneira. É uma estrutura dinâmica em continuo movimento, que funciona acionada ou movida por fatores instintivos, por motivações psicológicas. Para Pichon-Rivière (1998), o vínculo inclui a conduta, procurando

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definir o vínculo como uma relação particular com o objeto, relação particular essa que tem como consequência uma conduta mais ou menos fixa com esse objetivo, formando um

pattern, uma pauta de conduta que tende a repetir-se automaticamente, tanto na relação

interna como na relação externa com o objeto. Desse modo, deparamo-nos com dois campos psicológicos no vínculo: um interno e outro externo, uma vez que sabemos que existem objetos externos e objetos internos. É possível estabelecer um vínculo, uma relação de objeto, com um objeto interno e também, com um objeto externo, Podemos dizer que aquilo que mais interessa do ponto de vista psicossocial é o vínculo externo, enquanto, do ponto de vista da psiquiatria e da psicanálise aquilo que mais interessa e o vínculo interno, isto é, a forma particular que o eu tem de se relacionar com a imagem de um objeto colocado dentro do próprio sujeito, vínculo interno esse que vai condicionar aspetos externos e visíveis do sujeito. Encontramo-nos assim, nos dias de hoje, perante uma nova perspectiva no que diz respeito ao conhecimento e entendimento das relações precoces, sua génese e desenvolvimento, em que a intersubjetividade tem um papel essencial, fundador da possibilidade de comunicação e construção das relações e, concomitantemente, do nascimento da vida psíquica. Ao olharmos esta questão numa perspectiva relacional e intersubjetiva e não tanto pulsional, passamos a dar ênfase à motivação central do ser humano que é a procura de relação com o outro (Biscaia, 2011). Sendo na relação com esse outro que se constitui a vida mental, o intrapsíquico resulta da forma como cada sujeito vive e internaliza as suas experiências interpessoais.

Desta forma, autores tais como Stern, Golse, Travarthen, Meltzof, Lyons–Ruth, Holmes, Braten, Salde ou Lierberman, entre outros, têm vindo, segundo Fonagy (2001), a discutir as questões da intersubjetividade e da vinculação à luz das novas conceções psicanalíticas e dos novos conhecimentos oriundos das neurociências, considerando o vínculo enquanto intra, inter e transubjectivo. Para Braten, (2007), o conceito de intersubjetividade tem emergido explícita e implicitamente enquanto denominador comum nas abordagens sobre a comunicação interpessoal na infância inicial, ao levar em conta uma discussão sobre as possibilidades de compreensão por parte da criança acerca do universo privado (pensamentos e sentimentos) de outros.

A conceção analítica do ser humano foi tornando-se cada vez mais uma teoria da interdependência entre subjetividade e intersubjetividade. O sujeito não se pode criar a si mesmo; o desenvolvimento da subjetividade requer experiências de formas específicas de

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intersubjetividade. No início, a subjetividade e a psique individual não coincidem: “um bebé é algo que não existe” como nos diz Winnicott. A constituição do espaço entre mãe e bebé é mediada por eventos psicológicos–interpessoais, tais como a identificação projetiva, a preocupação materna primária, a relação especular, o relacionamento com objetos transicionais e as experiências de uso do objeto e de compaixão.

A apropriação do espaço intersubjetivo pelo bebé representa um passo crítico no estabelecimento da capacidade do indivíduo de gerar e manter as dialéticas psicológicas (por exemplo, consciência e inconsciente, eu e não-eu, eu e mim, eu e tu), por meio das quais ele é simultaneamente constituído e descentrado como sujeito.” (Ogden, 1994)

A afirmação de que há, a partir de um certo momento, uma “apropriação do espaço intersubjetivo” por parte do bebé, sugere que a constituição da subjetividade nunca se acaba, e que a dialética entre subjetividade e intersubjetividade nunca se interrompe (Coelho Junior,1999).

A experiência e o conceito de intersubjetividade constituem assim, componentes decisivos na teorização e na prática psicanalítica contemporânea, não sendo possível evitar a reflexão sobre a fundamental presença das assim chamadas experiências intersubjetivas na teorização e prática psicanalíticas de hoje. Contudo, não nos podemos esquecer que algumas das mais fundamentais proposições intersubjetivas no campo psicanalítico já apareciam nas investigações clínicas de Ferenczi (1981), como pode ser reconhecido com a publicação tardia de seus Diários Clínicos. Em Ferenczi, como em cada um dos autores da psicanálise interpessoal e dos teóricos das relações de objeto, há uma evidente preocupação em estabelecer transformações na conceção do processo analítico, afastando-se, nalguma medida, de modelos técnicos forjados a partir da clássica formulação freudiana voltada para o plano das articulações intrapsíquicas. Com estes autores, claramente, o plano das relações intersubjetivas ganha corpo e espaço na clínica psicanalítica.

Esta abordagem remete-nos para o âmago do nosso trabalho, a vinculação-pré-natal. Os estudos sobre a descoberta do outro para os bebés, ou sobre o mundo interpessoal do lactente, têm aproximado, nessas últimas décadas, os estudos psicanalíticos de alguns estudos em psicologia do desenvolvimento e em etologia (Stern, 1985; Apprey & Stein, 1993; Braten, 1998).

Na relação entre a mãe e o bebé (tal como na relação entre o analista e o analisando), a tarefa não é desembaraçar os elementos constitutivos da relação, num esforço para determinar

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que qualidades pertencem a cada indivíduo que participa dela, mas antes, um debruçar sobre o ponto de vista da interdependência entre sujeito e objeto, na tentativa de descrever o mais completamente possível a natureza específica da experiência de interjogo da subjetividade individual e da intersubjetividade (Ogden,1994).