• Aucun résultat trouvé

5.2 Notre proposition : étapes de l’approche proposée

5.2.4 Phase d’apprentissage

Para o estudo das Relações de Objeto, utilizou-se Bell Object Relations and Reality

Testing Inventory Form O (BORRTI-O) (Bell, Billington & Becker, 1986; Bruscato &

106

O BORRTI-O é um instrumento que visa identificar relações objetais e encontra-se alicerçado em pressupostos psicanalíticos e de recursos das avaliações psicológicas empíricas atuais. Constitui-se em um inventário autoadministrável, com 45 declarações descritivas que o sujeito marca como "verdadeiro" ou "falso", de acordo com suas experiências mais recentes. Este instrumento oferece quatro tipos de resultados ou de fatores interpretativos, os quais demarcam quatro modos de relação objetal internalizada, além de um resultado numérico. Estes fatores são: Vinculação Insegura, Alienação, Egocentrismo e Incapacidade Social.

A Vinculação Insegura está presente em indivíduos que são muito sensíveis à rejeição, pouco tolerantes a separações, perdas e solidão e que frequentemente têm reocupações neuróticas sobre se são estimados e aceites pelos outros. As relações são psicologicamente importantes para eles, mas estão frequentemente preocupados, ciumentos, com sentimentos de culpa e ansiosos levando a padrões desadaptativos o que os faz estar muito atentos a sinais de potenciais abandonos e totalmente devotados à relação. A Vinculação Insegura prende-se assim, com a inabilidade para conseguir proximidade, com sentimentos de culpa, preocupação e ciúme, podendo levar a vínculos intensamente sadomasoquistas.

A Alienação tem refere-se a uma falta de confiança básica nos relacionamentos, à incapacidade para experienciar relações próximas e ao sentimento de falta de esperança de atingir intimidade com os outros. Para estes indivíduos, normalmente, experienciam falta de confiança nas relações, sendo estas instáveis e não gratificantes, revelando dificuldades de intimidade e desta forma as relações que existem são, frequentemente, superficiais. Os indivíduos com pontuações mais elevadas na subescala de alienação apresentam dificuldade de empatia e podem isolar-se como uma tentativa de autoproteção da raiva e da hostilidade que projetam nos outros.

O Egocentrismo elevado sugere desconfiança nas motivações dos outros, a perceção dos outros em função de si próprio e ideia de que os outros existem para ser manipulados para os seus próprios fins. Estes indivíduos não manifestam empatia verdadeira, pois não têm uma consciência ou preocupação real dos sentimentos dos outros. Indivíduos com elevado egocentrismo não apresentam preocupação nem interesse pelos sentimentos dos outros, acreditando que as pessoas humilham e destroem-se umas às outras, vendo-se frequentemente como omnipotentes e o centro do universo.

A Incapacidade Social refere-se à experiência pessoal de inaptidão social caraterizada por timidez, nervosismo, incerteza de como interagir com pessoas do outro género e

107

dificuldade em fazer amigos. Os indivíduos com valores elevados nesta dimensão percecionam as relações como imprevisíveis e desconcertantes e a sua ansiedade é frequentemente fruto da evitação e fuga das relações interpessoais, desta forma evitam, frequentemente, a ansiedade que acreditam ser inerente às relações, escapando a qualquer interação social (Bell, Billington, & Becker, 1986).

A versão original apresenta boa fidelidade em todas as dimensões, com valores α de Cronbach de .90 para a alienação, de .82 para a vinculação insegura, de .78 para o egocentrismo e de .79 para a incompetência social. A escala apresenta ainda boa validade discriminante e boa validade convergente (Bell, 1995).

O BORRTI-O é um instrumento que tem vindo a ser utilizado nos Estados Unidos em numerosos estudos que exploram as suas propriedades psicométricas, utilizando amostras não psiquiátricas e também grupos psiquiátricos. Encontra-se validado para a população brasileira e os estudos de validade demonstram até ao momento, que sua utilização é bastante promissora. No Brasil, o instrumento foi utilizados em alguns estudos (Bruscato & Iacoponi, 2000; Dias, 2007), tendo sido traduzido e validado por Bruscato (1998), que encontrou índices estatisticamente adequados de validade e confiabilidade, tais como correlações satisfatórias dos scores com a versão em inglês do BORRTI-O (.62 para alienação, .82 para vinculação insegura, .83 para egocentrismo e .78 para incapacidade social). Quanto aos escores de confiabilidade, os valores do alpha de Cronbach para todos os itens foram de .59 e a confiabilidade das metades, corrigida pela fórmula de Spearman-Brown, de .63.

A versão portuguesa deste instrumento utilizada nesta investigação, para a qual se obteve a autorização da Western Psychological Services3 (empresa que detém os direitos legais sobre o instrumento) corresponde a uma tradução da Dra. Nina Prazeres. Contudo, foi impossível obter dados sobre a qualidade psicométrica do inventário quando aplicado a populações portuguesas.

3

A licença de utilização do material relativo ao BORRTI Forma O, com o copyright © 1995 da Western psycological Services, limitou-se apenas a esta investigação. Nenhuma reprodução adicional, em parte ou total, por qualquer meio e para qualquer propósito, pode ser realizada sem o consentimento prévio e a autorização escrita da WPS, 12031 Wilshire Boulevard, Los Angeles, California 90025, U.S.A.

108 10.6. Escala de Ajustamento Diádico

A Escala de Ajustamento Diádico (Dyadic Adjustment Scale - DAS), foi desenvolvida por Spanier em 1976 e adaptada para a população portuguesa por Gomez e Leal (2008).

Esta escala foi construída na perspetiva de se encontrar uma medida de ajustamento conjugal que integrasse definições nominais, definições operacionais e mensuração. Além disso, segundo Hernandez (2008), a mesma foi pioneira na inclusão de casais que coabitam independentemente da formalização de sua união.

A DAS (Spanier, 1976; Gomez & Leal, 2008), que avalia a qualidade da relação conjugal, está organizada em quatro fatores ou dimensões: Consenso, Satisfação, Coesão e Expressão do Afeto. A DAS foi criada com o objetivo de introduzir uma medida do ajustamento conjugal mais informativa, que combinasse as pontuações subjetivas da relação com o efeito de comportamentos e acontecimentos concretos. A escala foi testada numa amostra total de 312 pessoas (homens e mulheres), das quais 218 estavam casadas ou a viver conjugalmente em média há treze anos e 94 estavam separadas ou divorciadas em média há dez meses. A versão final ficou constituída por 32 itens, (inicialmente eram 40), dos quais trinta são cotados numa escala tipo Likert com 5-7 opções de resposta e dois são respondidos ‘sim’ ou ‘não’; a maioria dos itens tem seis opções de resposta, que são cotadas de 0 a 5 e variam entre ‘sempre em desacordo’ a ‘sempre em acordo’ ou desde ‘sempre’ a ‘nunca’.

Os resultados da análise fatorial exploratória permitiram apresentar um modelo multidimensional do Ajustamento Conjugal, teoricamente consistente, de acordo com o qual os casais com níveis elevados de Ajustamento Conjugal se caracterizam por elevado grau de consenso entre os dois parceiros em questões que afetam a vida conjugal, como por ex., questões financeiras, atividades recreativas ou formas de lidar com familiares - dimensão de Consenso, (15 itens, de 1 a 15); baixa frequência de conflitos e avaliação globalmente positiva da relação e do futuro da relação - dimensão de Satisfação (10 itens, 16 a 23, e 31 e 32); elevada frequência de interações positivas e atividades partilhadas, como por exemplo rirem em conjunto ou terem uma troca de ideias estimulante - dimensão de Coesão, (5 itens, de 24 a 28); e elevada concordância em questões relacionadas com demonstração de afeto e relações sexuais - dimensão de Expressão de Afeto, (2 itens, 29 e 30). No seu estudo, Spanier (1976), reportou níveis satisfatórios de consistência interna para as quatro subescalas (alfas de Cronbach entre .73 e .94) e para a escala global (.96).

109

Em 1983, Thompson e Spanier apresentaram uma revisão de estudos nos quais as notas das subescalas foram usadas isoladamente, e cujos resultados suportavam o modelo multidimensional proposto. Contudo, a replicação exata das quatro subescalas mostrou-se problemática em análises fatoriais posteriores, o que gerou um debate sobre a estrutura dimensional da DAS (Crane et al. 1991; Dinkel & Balck, 2006; Kazac et al.1988; Kurdek, 1992; Shek, 1995, referidos por Gomez e Leal, (2008).

Posteriormente, num artigo de 2001, Spanier apresentou toda uma série de estudos que validam a DAS, evidenciando que esta mede um importante constructo com forte utilidade interpretativa e preditiva, na caracterização das relações maritais e outras relações diádicas. Para além de apresentar variadas referências a estudos de diversos tipos de validade (conteúdo, por referência a critério, concorrente e preditiva, e convergente), defende que o modelo dos quatro fatores é válido e apropriado, recorrendo a múltiplos trabalhos de análise fatorial exploratória e confirmatória.

Esta escala tem sido utilizada em diversos estudos, em diversos países, estudos esses que relacionam o ajustamento conjugal e a fase da gravidez (Dulude et al. 2002; Graham et al. 2006; Magagnin et al., 2003, Nelson et al., 2012; Wishman et al., 2011).

Em Portugal, a DAS foi estudada por Gomez e Leal ( 2008), com uma amostra total de 207 participantes (103 mulheres e 104 homens) casados ou a viver maritalmente com o companheiro/a há pelo menos seis meses. Os resultados de análises fatoriais confirmatórias revelaram um bom ajustamento da estrutura multidimensional originalmente proposta, com α de Cronbach de .85 para o Consenso, .83 para a Satisfação, de .72 para a Coesão, de .66 para a Expressão de afeto e de .90 para o total da escala. Esta versão apresentou igualmente boa estabilidade temporal, com teste-reteste a vaiar entre .54 (Coesão) e .80 (Satisfação).