4.3 Étapes de la méthode d’annotation rhétorique
4.3.4 Détermination de l’arbre RST le plus descriptif
MODELO DA INVESTIGAÇÃO
7. Concetualização do Estudo Empírico
7.1. Domínio e Pertinência do Estudo
O presente estudo insere-se no domínio da investigação científica da psicologia da gravidez e da parentalidade debruçando-se particularmente, sobre os determinantes da vinculação pré-natal materna e paterna.
O estudo da vinculação pré-natal constitui um campo de investigação científica bastante atual e pertinente. O conceito de vinculação materna pré-natal tem sido um conceito revestido de alguma polémica, uma vez que constitui um fenómeno unilateral e subjetivo da representação dos pais, cujos fatores determinantes são alvo de discussão e investigação científica recente. Os estudos psicométricos deste âmbito científico têm-se centrado na procura e identificação dos fatores que poderão determinar essa vinculação pré-natal e que melhor poderão avalia-la. Segundo Condon (1993), esta vinculação pré -natal pode ser mensurável quer em termos totais, quer de qualidade e de intensidade.
Apesar de todos os avanços técnicos, nomeadamente ao nível das ultrassonografias fetais que têm permitido uma aproximação mais real no contacto com o feto, mantém-se ainda em discussão quanto à reciprocidade, que é inerente ao conceito clássico da vinculação. Desta forma, fica em aberto natureza da ligação pais-feto, uma vez em que não há contato visual
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concreto entre o feto e os pais. Por outro lado, a mãe tem um contato mais sensorial com o feto uma vez que sente os seus movimentos, contrações etc., de forma diferente do pai, que está privado dessa experiência. Assim, sabemos ainda muito pouco sobre a possível contribuição que o comportamento do feto poderá dar para a qualidade e intensidade da vinculação pré-natal tanto por parte do pai como por parte da mãe. O domínio de investigação científica da vinculação pré-natal tem trazido à discussão vários pontos de vista entre os teóricos do desenvolvimento da vinculação, inspirados por Bowlby (1975), os teóricos da vinculação que o sucederam, bem com os teóricos das relações de objeto e da psicologia do
Self. Sabemos que os teóricos da psicologia do Self e das relações de objeto enfatizam o papel
das representações mentais da gravidez (Lebovici, 1987, 1998). Segundo esta perspetiva, um bebé imaginado (de natureza fantasmática, imaginária e real) vai, paralelamente ao feto que se desenvolve no útero materno, sendo criado no mundo das fantasias maternas e também paternas. À medida que a gravidez vai avançando e o nascimento se aproxima, o bebé imaginário dá progressivamente lugar ao futuro bebé real, o qual vai ocupando espaço mental em futuros cenários familiares imaginados pelos pais. (Stern, 1997; Stern & Stern, 1998)
Apesar das várias conceções teóricas preconizarem a importância do papel materno na determinação da vinculação, mais recentemente também o papel do pai tem vido a ser preponderante nesta matéria, existindo contudo a necessidade de alargar as pesquisas acerca da contribuição das características de ambos os pais e da relação estabelecida entre ambos no estudo da vinculação pré-natal.
7.2. Problema, Questões e Objetivo de Investigação
Tendo em conta a revisão anteriormente realizada, tornou-se pertinente e de inegável interesse, aprofundar conhecimentos sobre o começo da vida e da história de uma criança, considerando que esta se inicia bastante antes do seu nascimento. O bebé, tal como nos referem vários autores acima referidos, nasce antes de mais, na mente dos pais, nos seus desejos, sonhos e pensamentos, através dos quais se vai envolvendo com ele durante o período da sua gestação. A esse envolvimento, a essa ligação ou laço, considerou-se designar por vinculação pré-natal, (Condon, 1993).
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Neste trabalho, pretende-se aprofundar o entendimento deste conceito, procurando para tal estabelecer relações entre outras dimensões afetivas e relacionais dos futuros pais durante o período de gestação.
Na operacionalização das variáveis do estudo, foram consideradas como dimensões que poderiam contribuir para o desenvolvimento deste vínculo: as representações das relações com as figuras parentais, as relações de objeto, os mecanismos de defesa mais presentes no funcionamento dos sujeitos, o ajustamento conjugal, as variáveis sociodemográficas e da história de vida, tais como a idade, tempo de coabitação do casal e a paridade.
Ao debruçarmo-nos acerca do estudo da vinculação pré-natal materna e paterna surgiram várias questões que contribuíram para aumentar o nosso interesse e nos permitiram ir fundamentando a pertinência do estudo:
- Que fatores sociodemográficos, da história pessoal e da gravidez poderão estar relacionados com a vinculação pré-natal materna e paterna?
- Será que existem diferenças entre a vinculação pré-natal materna e a vinculação pré- natal paterna?
- Será que as representações das relações com as figuras parentais dos próprios pais na infância condicionam vinculação materna pré-natal?
- Será que os Mecanismos de Defesa mais predominantes no funcionamento de cada um dos progenitores influenciam o modo como se ligam ao feto?
- Será que o tipo de Relação de Objeto que cada um dos progenitores estabelece, terá influência na vinculação pré-natal materna e paterna?
- Será que o Ajustamento Conjugal entre os pais que esperam um filho irá condicionar a vinculação pré-natal materna e paterna?
- Será que alguma das dimensões estudadas se poderá constituir enquanto preditiva para a vinculação pré-natal materna e paterna?
O principal objetivo desta investigação é então, estudar a relação empírica entre a Vinculação Pré-natal Materna e Paterna no terceiro trimestre de gravidez com quatro constructos: as Representações das Relações com as Figuras Parentais, os Mecanismos de Defesa, as Relações Objetais e o Ajustamento Conjugal, bem como com algumas variáveis
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sociodemográficas e da história de vida ou da gravidez, esperando assim poder contribuir para uma melhor compreensão da vinculação pré-natal, sua génese e vicissitudes.
8. Hipóteses Gerais
Com base na revisão da literatura e para dar resposta ao problema e questões levantadas, e que tiveram o seu enquadramento no objetivo enunciado, definiram-se as seguintes hipóteses de investigação que a seguir se apresentam.
Hipótese 1: O nível de vinculação pré-natal dos pais e mães que esperam um filho está relacionado com variáveis sociodemográficas, da história pessoal e da gravidez, tais como a idade, o tempo de duração da relação e a paridade.
Hipótese 2: Num casal que espera um filho, o nível de vinculação pré-natal do pai relacionam-se com o nível de vinculação pré-natal da mãe.
Hipótese 3: Nos casais que esperam um filho o nível da vinculação pré-natal materno apresenta valores superiores aos da vinculação pré-natal paterno.
Hipótese 4: O nível da vinculação pré-natal, encontra-se relacionado com as representações da relação com as figuras parentais, tanto nos pais expetantes como nas mães, sendo mais elevada nos pais e mães com representações mais positivas ao nível das relações com as figuras parentais na infância.
Hipótese 5: O nível de vinculação pré-natal nos pais e mães que esperam um filho encontra-se relacionado, com os tipos de Mecanismos de Defesa predominantes, sendo mais elevada nos participantes que apresentem predominantemente Estilo Defensivo Maduro.
Hipótese 6: O nível de vinculação pré-natal nos pais e mães que esperam um filho, encontra-se relacionado, com o tipo de Relação de Objeto que estabelecem, sendo mais elevada nos participantes com forte Qualidade das Relações Objetais.
Hipótese 7: O nível de vinculação pré-natal, nos pais e mães que esperam um filho encontra-se relacionado, com o Ajustamento Conjugal entre ambos, sendo mais elevada nos casais com um melhor Ajustamento Conjugal.
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Com base nestas Hipóteses Gerais foram ainda enunciadas Hipóteses mais Especificas, por forma a sistematizar de forma mais clara o resultados esperados. Contudo, uma vez que a elaboração dessas Hipóteses Especificas se baseia nas dimensões dos instrumentos utilizados, considerou-se mais conveniente apresentá-las após a descrição daqueles instrumentos, o que será feita no capítulo 0.
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