4.2 Dynamique des collo¨ıdes et potentiel de paire
4.2.1 Techniques exp´erimentales :
Ao longo desta pesquisa, onde nos propusemos a investigar como um grupo de futuros arte-educadores compreende uma obra de arte contemporânea, verificamos por meio de um instrumento de mediação e análise de compreensão crítica abordado por Franz (2003),
que é possível construir conhecimento em Artes Visuais de maneira prazerosa e produtiva para professoras(e) e estudantes. Porque aprender sempre é prazeroso e quando esta experiência é coletiva e colaborativa a satisfação é ainda maior.
Constato também que na educação para a compreensão crítica da arte a avaliação é de extrema importância. E que saber o que dizem os alunos sobre a obra e arte e/ou imagem em estudo é apenas o primeiro na educação para a compreensão crítica, como diz Franz (2008a, p. 4). É um erro pensar que tudo o que dizem os estudantes sobre a arte tem o mesmo valor.
Percebi que o período de estágio docência foi curto para desenvolver o processo de estudos de modo a que todos pudessem aprender ainda mais. A compreensão da arte é complexa e demanda estudo, pesquisa. Muitas vezes temos que começar desconstruindo as marcas deixadas pelas formações anteriores, para que possamos adentrar num campo de ressignificação. Por que como bem diz a autora do Instrumento de Mediação e Análise Crítica de obra de Arte: na compreensão da arte desde a iniciação até o domínio do campo há um
considerável caminho a ser percorrido. No entanto, resta a esperança de que os estudantes tenham aprendido a buscar por si próprios compreensões mais complexas da obra em estudo assim como de outras que lhes interessarem. Este é um dos objetivos do uso do instrumento de mediação e Análise crítica de obras de arte proposto por Franz (2003): aprender a aprender. Desenvolver a consciência crítica e a autonomia.
Constatei na prática efetuada no estágio docência aquilo que FRANZ (2008) já aponta, de que existe uma maneira de abordar a educação em Artes Visuais que não passa pela identificação pura e simples do que vemos, e que vai além de uma concepção espontaneísta, de aprender e além do essencialismo estético. Nesta concepção se facilita a aprendizagem a partir do estabelecimento de relações entre as imagens/obras e seus contextos de produção assim como desde seus efeitos nas construções identitárias nas diversas audiências (Franz, 2008a, p.32)
Percebi ainda o quanto a dimensão democrática, emancipatória e critica se faz necessário para que possamos formar alunos que acreditem cada vez mais nos seus próprios processos construtivos, de historicidade, serem sujeitos das suas próprias práticas e histórias.
Vi ainda o quanto as histórias de vida estão relacionadas com as formas pelas quais vamos nos tornando profissionais, o quanto os jeitos de pensar e fazer educação guarda relação com os nossos posicionamentos na vida, com nosso processo de escolaridade, de vivências e relações que mantemos com o outro, com o mundo e consigo próprio.
São estas relações ditas anteriormente que me impulsionam novamente a rememorar aqui o dia do exame de qualificação, momento este onde o trabalho foi avaliado, questões foram apontadas, encaminhamentos sugeridos e aí eu vejo, mais uma vez o quanto o outro tem uma participação intensa na constituição dos nossos saberes, da nossa identidade. É como nos ensinou Paulo Freire, que ninguém educa ninguém, mas ninguém, tampouco, se educa sozinho: o ser humano se educa em comunhão, no contexto de viver sua vida neste mundo, na interação permanente com o outro e consigo próprio, na transformação dos
nossos não saberes em saberes; das nossas buscas em encontros; das nossas faltas que o outro vai aos completando.
E este encontro para a qualificação se deu assim:...Sala de reuniões. Vinte e quatro de abril do ano de dois mil e oito. Treze horas e trinta minutos. Qualificação! Entro na sala e percebo que um raio de sol ilumina a parede na qual terei que projetar os slides para a apresentação. Esse raio de sol atravessando a janela é um sinal importante para mim! Calor. Ligo o ar-condicionado e dou início aos preparativos...
Abre-se a porta. É a presença tensa de Sandra (secretária do programa de mestrado da UDESC), entendo, sou a última mestranda a me qualificar e o processo burocrático da instituição lhe origina inúmeras responsabilidades. Carrega com ela um pedaço de papel pardo e uma régua, estes com um único intuito, tampar a janela por onde entra o maravilhoso raio. Necessário, porém frustrante. Cumpre a tarefa e em instantes se retira.
Não demora muito para a professora Rosângela chegar, me cumprimenta cordialmente, senta à mesa, inicia uma leitura. O silêncio instaura-se... Novamente a porta abre-se, professora Teresinha entra acompanhada do professor Ronaldo. Estes sorridentes e afáveis cumprimentam-me, para logo após saudar a referida professora. Sentam-se. Inicio a minha explanação...
O professor Ronaldo é o primeiro a discorrer seu parecer sobre o relatório de qualificação, e à medida que vai expondo as suas contribuições, sinto que ainda terei muito para ler. Muito que rever. Gentilmente agradeço e este me entrega as orientações em forma de relatório...
A palavra passa para a professora Teresinha que rapidamente explana alguns pontos nos quais necessitamos deter-nos e aprofundar-nos. Logo após toma a palavra a professora Rosângela, colocando que o relatório possui uma linguagem sedutora e que, apesar de não conhecer os teóricos que sustentam o estudo, principalmente os da área da educação, sentiu claramente onde pretendo chegar com a dissertação. Coloca-se à disposição para eventuais dúvidas e encerra-se a qualificação.
Vinte e três horas. Estou em casa, o cansaço toma conta do meu corpo... Inicio uma leitura do relatório do professor Ronaldo e encontro alguns livros de autores com os quais terei que dialogar. Mas os que me inquietam, são os relacionados às histórias de vida dos professores...
Os olhos partejam e já não conseguem ler, as linhas se embaralham. Caio em sono profundo...
Vinte e oito de abril, universidade, biblioteca. Ansiedade na procura da bibliografia recomendada. Encontro o livro do Nóvoa e rapidamente leio a apresentação da obra. Não consigo acreditar que as palavras que estou lendo venham de encontro ao meu “ser”, pessoal e profissional. Como explicar a sensação de bem estar e de acolhimento que sinto? Como elucidar através de palavras esse encontro do meu “eu” na escrita do “outro”? Assim, o autor citado comenta:
Esta profissão precisa de se dizer e de se contar: é uma maneira de a compreender em toda a sua complexidade humana e científica. É que ser professor obriga a opções constantes, que cruzam a nossa maneira de ser com a nossa maneira de ensinar, e que desvelam na nossa maneira de ensinar a nossa maneira de ser (NÓVOA,1992, p.10).
Infelizmente não encontro o livro de Marie-Christine Josso, procuro nas livrarias da região, mas sem êxito, obrigo-me a ir mais longe. Recorro então à minha filha Laura, para que esta o compre em Porto Alegre. Passados alguns dias, ela liga entusiasmada dizendo: - Mãe este livro tem tudo a ver com a tua dissertação! À noite te ligo para te passar alguns trechos interessantes...
Chego da aula, o telefone toca e a presença dela através do toque da campainha manifesta-se. Mas antes de pegar no aparelho me pergunto: Como (ela) poderá escolher dentro do universo do livro o que me interessa? Inicia a leitura de um dos trechos que acredita ser “eu” e à medida que vai lendo a emoção nos toma, o choro é inevitável. E a constatação de perceber o quanto me conhece é ainda mais maravilhosa! Josso (2004) comenta:
No início do meu empenho consciente na busca de sabedoria de vida, pensei, muitas vezes, que se tratava apenas de uma utopia para o comum dos mortais e que seria mais “razoável” deter-me nesse caminho. Tinha impressão de que a sabedoria estava
reservada a seres excepcionais que levavam uma vida de exceção, desviada do “barulho e do furor do mundo” e que esta “perfeição” na sua maneira de ser no mundo se obtinha por um “efeito de graça”. Não fazendo parte dos “eleitos”, restava-me meditar sobre as razões pelas quais existiam tais seres e sobre aquilo que os seus ensinamentos podiam significar para mim, para nós (p.107).
Sinto que através do relato de fragmentos de minha própria história de vida como professora e ser humano, não só me encontro como me reconheço!
Quanto à experiência pedagógica construtiva, caminho que escolhi para a construção do instrumento de mediação de análise e compreensão crítica da obra MESA com os futuros arte-educadores da UDESC, perguntas pairam sem respostas definitivas. Por que a atividade de encerramento do processo de construção do instrumento culminou com o plantio da árvore da felicidade? Por que os alunos escolheram o jardim do prédio novo das artes plásticas? Qual foi a minha atitude (postura) perante o grupo que os levou a planejar essa atividade dentre tantas outras? O que essa imagem significa?
Creio que neste momento Paulo Freire (2001), trazido através do relatório do professor Ronaldo, possa auxiliar-me:
As sociedades não se constituem pelo fato de ser isso ou aquilo; Sociedades não são, estão sendo o que delas fazemos na História, como possibilidade. Daí a nossa responsabilidade ética. Na compreensão da História como possibilidade, o amanhã é problemático. Para que ele venha é preciso que o construamos mediante a transformação do hoje. Há possibilidades para diferentes amanhãs. A luta já não se reduz a retardar o que virá ou assegurar a sua chegada; é preciso reinventar o mundo. A educação é indispensável nessa reinvenção. Assumirmos-nos como sujeitos e objetos da História nos torna seres da decisão, da ruptura. Seres éticos (p. 39-40).
No estudo preliminar, a meta era encontrar evidências sobre como os futuros arte-educadores do referido grupo interpretavam obras de arte contemporânea. Desta forma, através das fichas de avaliação (utilizadas na coleta de dados), pude detectar alguns procedimentos que utilizavam. Tais como: a leitura dos elementos formais na obra (linha, cores, nome da obra, materiais utilizados, entre outros); a utilização da “Proposta Triangular” criada pela professora Ana Mae Barbosa, e a linguagem do campo da semiótica.
Nos relatos colhidos destas fichas de avaliação pude perceber que não existia, por parte dos futuros arte-educadores, uma compreensão contextualizada, abrangente e conectada com a contemporaneidade. Isto só se tornou possível a partir da construção do instrumento de mediação e análise de compreensão crítica. Mesmo porque, a obra é compreendida desde diferentes âmbitos. Estes que são chamados de: âmbito histórico/antropológico, âmbito biográfico, âmbito estético/artístico, âmbito biográfico e âmbito crítico/social, e que estão interconectados entre si.
A partir do momento em que a obra MESA foi submetida à aplicação do instrumento, os futuros arte-educadores da UDESC conseguiram não só tecer uma rede de vastas conexões47 em torno desta, mas também avançar do nível ingênuo de interpretação, rumo ao nível de especialista. Segundo Franz (2003, p. 158), qualquer método de leitura de obra de arte pode apenas fornecer visões parciais sobre os fenômenos estudados. Conforme a autora, mais do que leitura e análise de obra de arte, o que precisamos é ensinar os alunos a realizar estudos [...] com o objetivo de buscar elevados níveis de compreensão.
Contrapondo-se às modalidades de leituras acríticas, a educação para a compreensão crítica da arte na perspectiva da Cultura Visual propõe que os professores ajudem seus alunos a compreender a realidade, examinando os fenômenos que os rodeiam e questionando as versões e visões, a fim de avaliar o que é produzido culturalmente, processo válido não somente para obras de arte como para imagens diversas.
Não pretendo com estas breves considerações esvaziar o caudal de conhecimentos no qual estive submersa por dois anos, apenas desejo que esta
dissertação encoraje futuros professores na busca de seus caminhos, da suas histórias de vida, para que desta forma possam tornar-se indivíduos emancipados e críticos.
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Bibliografia Interna48
Henrique, Bárbara, Laura, Maria Angélica, Bettina, Teresinha, Ronaldo, Rosângela, Anita, Luciane, Cátia, Marilei, Sandrinha, Débora, Átila, Zé, Antônio, Vanessa, Lu, Edmilson e a todos os alunos e alunas que passaram pela aventura de compartilhar o conhecimento e os afetos com a minha pessoa.
48 Tomo o sentido de “Bibliografia Interna” expresso por Jean Clark Juliano. A arte de restaurar
histórias: o diálogo criativo no caminho pessoal, acreditando que ele se incorpora à natureza desta dissertação. São estes seres, entre tantos outros, que também me constituem.