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Taux sans risque constant

Diante da violência no conjunto escolar, há um comprometimento de todos os componentes que vivenciam estas experiências, numa relação de doação, correção, mantença ou alteração deste quadro.

Numa complexidade de relações humanas que se apresentam, não se pode esquecer que a escola tenha participação efetiva, tanto na busca de soluções, como na afirmação do sujeito. Pode-se neste sentido afirmar que:

A problemática social surge cada vez mais complexa colocando-se frente à escola, que nem sempre tem a possibilidade de dispor da solução de forma imediata, sendo que grande parte das vezes a solução implica em cooperação assim como numa visão multidimensional, a sondar a ação por meio da ação. (SADALLA & CRUZ, 2007).

Vários são os questionamentos de como se deve (re)agir às situações violentas vivenciadas no grupo escolar. Como intervir, como impedir, como desmotivar, enfim, como coibir atitudes violentas é ainda uma temática a ser discutida e investigada. Conforme LEME:

[...] ainda é pouco o que se sabe sobre a interrupção do comportamento agressivo, sendo as principais causas apontadas para a desistência a construção de ligações fortes com instituições adultas, como família, trabalho e comunidade (LEME 2004, p. 175).

O fator violência implica em necessidade de atitudes dedicadas ao conhecimento dos problemas, num compromisso dos atores com diagnóstico e possibilidades. Ter ciência do que acontece, como acontece, quem é atingido e

quem atinge (que muitas vezes também é vítima) é credenciar-se no desafio da transformação.

Pretender significantes incisivos na cultura escolar, implica em ações voltadas para efeitos profiláticos, em que a violência se possa notar com maior facilidade.

As ações educativas capazes de produzir tais mudanças deverão ter necessariamente paradigmas comuns: o valor da paz, a negociação dos conflitos, o respeito ao homem, entendido tanto por um ponto de vista laico quanto religioso, a atenção às raízes e às tradições étnicas e culturais, a integração entre os povos e entre as religiões (CONSTANTINI, 2004, p. 33).

O envolvimento dos educadores sublinha uma importante função na construção de educação significativa. Independente de que função ocupe, precisa estar conscientes de seu papel frente à criança e/ou adolescente, o que requer dedicação com atitude atenta, mostrando-se sensível aos elementos constitutivos do crescimento (CONSTANTINI, 2004).

Família mais escola, precisam atuar de forma conjunta, valorizando a formação, sempre atentos à conservação dos direitos, valoração do respeito e conscientes de que a resolução de conflitos, de forma pacífica, regula emoções, com alternativas de conciliar interesses de todo (LEME, 2004.).

CONSTANTINI (2004) sustenta que não basta reconhecer o outro e seu agir. Participar de forma mais enfática viabiliza o conhecimento do outro:

Crescer próximo ao adolescente significa descobrir, com respeito recíproco e na relação cotidiana, um novo rumo comum, ligado àquilo que acontece na realidade, aos fatos e aos comportamentos concretos, a originalidade de cada um, à troca e ao confronto relacional que pode até ser intenso e conflitual, mas também igualmente importante para aprender a conhecer-se. (CONSTANTINI, 2004. p.80).

Antes de o sujeito decidir sobre sua ação, ele passa por uma análise cognitiva muito complexa. São as emoções despertadas frente às situações sociais, que

conduzem a um processo de diferentes formas e dimensões, que se apresentam envolvidas na situação desencadeadora.

Deve-se salientar que muito do comportamento agressivo é comportamento reflexivo, que vai em defesa dos próprios direitos e opiniões. Citando DELUTY (1995) Leme menciona que:

[...] as pesquisas tem revelado que as crianças agressivas e submissas sabem identificar que comportamentos são inadequados na resolução de conflitos interpessoais, mas tem dificuldades em ver alternativas adequadas, que resolvam o problema preservando o seu e o direito do outro; como se as únicas soluções possíveis se resumissem à luta ou fuga, sem outras opções entre elas. Mesmo quando são capazes de pensar nessas alternativas, alguns acreditam que lucrarão mais apresentando um comportamento agressivo ou submisso (LEME, 2004 apud DELUTY, 1995. 26-27).

Refletindo sobre as ideias de SASTRE e MORENO (2002), LEME destaca o conflito trabalhado em sala de aula em situações diferentes, onde os sujeitos envolvidos possam refletir com tranquilidade sobre as emoções, motivos e sentimentos vivenciados nas situações de conflito. Pois “não é no calor do conflito, que as boas soluções são encontradas e aprendidas, mas na prática repetida em contextos que favoreçam a reflexão” (LEME 2004, p.182).

Os conflitos precisam ser recebidos e compreendidos pelo sujeito. Aí reside também a formação do indivíduo convivente, ambientado e incorporado ao social.

Formar pessoas para desenvolver satisfatoriamente seus conflitos consiste em não evitar os conflitos, mas desenvolver a capacidade de tratá-los como elementos que fazem parte da convivência e com base nos quais é possível aprender muitas coisas sobre si mesmo e sobre outras pessoas (LEME, 2004, p. 181).

Como espaço social e numa perspectiva de gestão democrática, o ambiente escolar inevitavelmente vai gerar conflito, mas não necessariamente ações de violência, especialmente se as pessoas nele inserido estiverem atentas observando e captando as mudanças apresentadas pelos educando.

Neste sentido LA TAILLE (1992, p. 58), trazendo a definição posta por PIAGET, menciona que “Para ele, assim como não existe “o indivíduo”, pensado como unidade isolada, também não há “a sociedade”, pensada como um todo ou um ente ao qual uma só palavra pode remeter”.

Desafios se mostram como forma de cuidar e construir um trilho com responsabilidades, que implique ter nele o reflexo do que se faz, o norte do que se busca, com aprimoramento de potenciais ações humanas, que se revistam de sonhos, mas onde se reconheça a existência de barreiras limitadoras.

O esforço a ser feito é o de conseguir construir junto ao adolescente um percurso de alguns anos, original e criativo, do qual deve participar com seu próprio modo de ser. Adultos e jovens devem ter a consciência de estarem empenhados em construírem um caminho que requer a atribuição de responsabilidade e sentido as próprias ações. O fim ultimo é o desenvolvimento das potencialidades pessoais que ajudem o adolescente a tornar-se um adulto com fantasia e noção de limite. (CONSTANTINI, 2004, p. 209).

Se faz necessário uma reviravolta educacional. Ou seja, muitas das questões que se apresentam frente a este cenário, são atribuídas aos fatos sociais e que estão em constante movimento. Porem, a carência de um enfrentamento pedagógico real entre pais, familiares, professores e educadores, requer novas condições de posicionamento no tempo de hoje, através da comunicação e de relacionamento (CONSTANTINI, 2004, p.199).

Segundo JUSTO, apesar do enfrentamento de sérias dificuldades diante da problemática social contemporânea, a escola consegue com os parcos recursos resistir aos moldes que se encontra, e busca saídas para o quadro de violência vivenciado no cotidiano escolar:

[...] no conjunto das instituições modernas tradicionais em franco declínio ou desprestigiadas, a escola continua sendo, ao contrário, extremamente valorizada e preservada. Ela resiste aos ventos dos novos tempos, mais do que até mesmo a família (JUSTO, 2004, p. 45).

Os valores que outrora eram apenas ensinados e cultivados em casa, na atual estrutura complexa da sociedade, são repassados para a escola que transmite, além de valores, padrões de comportamentos.

Não se pode esquecer que o aluno é peça fundamental neste “ tabuleiro”

denominado escola. Se por um lado, se vê como espectador de um aprendizado, por outro, tem como obrigação e respeito a si mesmo responder às expectativas que lhes são demandadas. Assim, precisa colaborar também para coibir a violência, tornando o ambiente saudável e prazeroso, compreendendo o outro no mesmo ambiente com os mesmos direitos. E a família, exerce papel importante:

É preciso que escola e família atuem de modo conjunto, no sentido de valorizar a formação de indivíduos autônomos e conscientes da importância do respeito pelo direito do outro, do poder de resolver situações de conflito de modo pacífico, regulando suas emoções, escolhendo alternativas de ação que conciliem os interesses de todos (LEME, 2004, p. 181).

Então se faz necessário o resgate da responsabilidade familiar na constituição do sujeito, posto que é preciso ter consciência da imposição de limites da

importância de fazer a lei, entenda-se a partir da metáfora paterna “O Nome do

Pai4”. A vida familiar e a escolar, são simultâneas e complementares.

Esta falta de Lei se constitui como um dos fatores desencadeantes da rotineira violência escolar, que pode se dar por conta da formação familiar, degradação ou desestrutura o que abala a estrutura escolar.

Este fator é tão notadamente percebido, que rotineiramente “Temos

observado que de uns tempos pra cá, a maioria dos professores está deixando de atribuir à criança e ao adolescente a culpa por sua indisciplina, e passando, no seu lugar, a acusar a família” (SILVA, 2013. p. 79).

4 “[...] o Nome-do-pai é uma designação endereçada ao reconhecimento de uma função simbólica,

circunscrita no lugar de onde se exerce a lei. Esta designação é que é o produto de uma metáfora. O Nome-do-Pai é o novo significante (S2) que, ´para a criança, substitui o significante do desejo da mãe.” pg 92 Joel Dor

Veja-se que, responsabilidade implica em ter compromisso. A violência reflete nos ambientes e condiciona os envolvidos, ainda que indiretamente, a coibir - ao menos tentar coibir- sua manifestação.

A diversidade é situação a ser compreendida em qualquer ambiente, onde a multiplicidade de escolha e de oportunidades surge por perceber no outro valores, reconhecer as diferenças, admitir semelhanças, compreender o novo e valorizar o desconhecido é processo de aprendizagem e integração, em que a alteridade faculta o respeito e dignidade. Neste processo, superar as violências torna-se, ao mínimo, mais plausível:

O processo de integração escola-comunidade, que implica na articulação entre o universal(escola) e o particular (comunidade), tem que acontecer sobre a base do reconhecimento do Outro e não da negação da alteridade, o que exige o estabelecimento do diálogo permanente e do respeito mútuo. De fato, o espaço da integração, entre ambas dimensões do social, tem que ser pensado como locus do diálogo e do respeito” (CODO, 2006. p. 158).

Para MENDA (2014, p.13) “[...] Infelizmente, nossa educação até hoje tem

privilegiado a fuga dos conflitos, não seu enfrentamento. Então ficamos com um monte de conflitos pequenos sem solução que vão se acumulando até que viram quase insolúveis”.

Os conflitos geram crescimento quando bem encaminhados. Não há como extinguir os mesmos, vez que eles são constituintes das relações, quer seja pela diversidade dos sujeitos, de suas vivências, de sua cultura ou de suas experiências. Cabe à escola fazer a mediação, para que se fortaleçam as relações, baseadas no respeito, especialmente das subjetividades.

E um dos grandes desafios é estabelecer um convívio pautado no diálogo com as famílias, convocando-as a sentirem-se pertencentes e partícipes de sua história. Neste mesmo quadro, integram-se alguns profissionais da educação devido aos vários fatores externos (como questões políticas, econômicas e sociais) que levam à desmotivação e a falta de interesse, gerando, muitas vezes, o não envolvimento e a fuga da responsabilidade mediante as inúmeras situações de violência que se apresentam.

Às famílias, portanto, cabe a tarefa de aceitar a busca da identidade de seus filhos, além da responsabilidade de transmitir aos seus, valores morais, princípios éticos e padrões de comportamento.

Estabelecer o diálogo, utilizando-se da palavra como forma de efetiva participação, interação e responsabilidade quando da constituição do sujeito, é atitude de seriedade para com o crescimento.

Pais que legitimam as atitudes negativas dos filhos mediante a figura do professor, boicotam o trabalho deste. Ao acreditarem que só há direitos e não deveres, fragilizam a figura do educador, desautorizando-o, o que remete muitas das vezes à indisciplina, via de regra, à agressividade e atos de violência.

KUPFER (1989, p.37) destacando ensinamentos de FREUD: “[...] um

professor pode ser ouvido quando está revestido por seu aluno de uma importância especial. Graças a esta importância, o mestre passa a ter em mãos um poder de influência sobre o aluno”.

A ideia de transferência mostra que aquele professor em especial foi “investido” pelo desejo daquele aluno. E foi a partir desse “investimento” que a palavra do professor ganhou poder, passando a ser escutada. (KUPFER, 1989, p.41).

Portanto, é preciso que haja uma transferência5 entre professor e aluno, para

que as relações se estabeleçam, não só no sentido de aprender conteúdo, mas de se passar valores morais e de respeito, onde se perceba o outro, de igual forma com o psicólogo sua intervenção somente será viável se houver a transferência.

Valores morais, valores éticos e de respeito abrangem, via de regra, a imposição de normas de conduta que inibem o sujeito de tomar atitudes conhecidas e tidas como violentas. Viver em grupo significa multiplicidade de atos e vontades. Um só valor referencial não basta como controlador de uma comunidade.

Por certo que na busca de organizações e comandos, falar em poder é um elemento redundante. O poder precisa se fazer presente nas formas organizadas, ao

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Transferência é um fenômeno essencial para a compreensão dos vínculos e afetos constituídos nas relações humanas e é responsável pelos mais variados acontecimentos” (JUSTO, 2004, p. 63).

exemplo, nas escolas. Ocorre que, a limitação deste poder e a compreensão deste limite, são primordiais e essenciais para a adequação e para um ambiente sadio e democrático:

O professor entenderá sua tarefa como uma contribuição à formação de um ideal que tem uma função reguladora, normatizante, e fundará aí sua autoridade.

A autoridade não se adquire, não vem pronta com a titulação do professor, não é construída pelas regras da escola; ela é cotidianamente construída a partir das relações interpessoais que se estabelecem nos espaços da escola, pautados em valores como o respeito e o autorrespeito (ZLUHN, 2013, p. 92).

Um bom relacionamento é crucial para que ocorra uma relação de confiança e se construa vínculo entre quem ensina e quem está aprendendo. Ocorrendo a transferência nesta relação, o professor adquire papel de autoridade: “[...] ele passe a ocupar esse lugar na subjetividade do indivíduo-como diria a psicanálise-, passe a ocupar a posição de pai” (LA TAILLE, 2013, p. 111).

Esse lugar na subjetividade, em se tratando de um profissional da psicologia, não se institui de forma aleatória, mas sim quando em sintonia com a necessidade da escola que chama à atividade o psicólogo ouvinte, oportunizando lhe um espaço de desenvolvimento de trabalho:

A partir do momento em que um psicólogo se dispõe a ouvir, a demanda de trabalho psicológico feita por uma escola, já se inicia o desenho desse espaço. A escola autoriza o psicólogo a ocupar determinado lugar, e essa autorização indica o estabelecimento de uma transferência (KUPFER, 1989, p. 63).

Já o professor, ao tempo que transmite conteúdos e conhecimento, se torna uma figura importante no coibir da violência, à razão de que se faz respeitar pela transferência estabelecida em conexão com o aluno, numa relação de coação ou cooperação, que gere obediência (LA TAILLE, 2013).

De salutar importância aqui, esclarecer, que o professor hoje não encontra mais um lugar de reconhecimento, a sociedade não reconhece esta profissão como de excelência, e sim como apenas mais uma. O profissional se sente também desvalorizado, desmotivado e desrespeitado, o que o sublima a ser possível vitima de violência.

A relação professor-aluno-escola-pais-comunidade indica um modo de trabalho. Sendo o ensino-aprendizagem o grande produto esperado, o cotidiano do professor é cercado de condições específicas para que isso possa ocorrer. Voltamos aos gestos, às tarefas, às relações internas e externas do trabalho. O valor social que ele representa enquanto trabalho e o valor social que representa quanto ao trabalhador. A identidade do professor é cunhada nessa relação de trabalho e subjetividade. Tem uma marca (CODO, 2006. p. 370).

Soma-se a isso o fato de que o educador vive apartado no seu papel, trabalha com personalidades enquanto deixa de escutar as suas próprias dificuldades, donde suas demandas seus problemas e desejos, bem como emoções ficam condicionadas ao esquecimento.

Por certo que todo trabalhador busca uma compatível e necessária remuneração para com o trabalho que desenvolve. Com o professor não é diferente é um profissional que se dedica à nobre causa de ensinar e criar no ser humano valores subjetivos variados, os mais diversos e profundos, que possivelmente podem ser perpassados por outras pessoas, ou não. Porém sabido que o trabalho do professor não tem a reconhecida valoração, o que o conduz á exaustão. CONSTANTINI (2004 apud JAN – UWE ROGGE, 1999. p. 208).

Tal fator contribui para o entristecerimento, desânimo, conflitos internos e por que não, conflitos no trabalho:

A exaustão é sintoma do conflito que se arma entre o trabalhador e o seu trabalho, entre a necessidade de fazer de a impossibilidade de fazer; [...] A ruptura nas relações sociais aumenta os conflitos no trabalho e com eles a energia necessária para lidar com cada um, aumentando a possibilidade de derrota, e com isto sobrevêm frustrações, que outra vez exaurem (emocionalmente) o trabalhador (CODO, 2006. p. 276).

De igual forma, não se pode fechar os olhos para uma realidade que assola o cotidiano escolar: O vandalismo. Inegável que o vandalismo, que carrega em si violência e agressividade, atinge todo o grupo escolar, alunos, dirigentes, funcionários e professores. É uma barbárie que bate à porta de forma sorrateira, deixa o professor, assim como os demais inseguros:

[...] De local relativamente representado como seguro e protegido, a escola passa a ser tida como um local inseguro e abandonado à logica de uma certa “ilegalidade”. Os retalhos da construção da “intimidade” do professor na escola são invadidos por essa lógica. Este último processo incide desvalorizando o local do trabalho aos olhos dos educadores, arrebatando- lhes a possibilidade de se esforçar por fazer da escola (em termos afetivos) uma continuidade do lar (CODO, 2006. p. 317).

No entanto, em que pese a violência se apresente, o professor é uma figura que precisa trabalhar para coibi-la. Ainda que vítima, é ele uma figura forte que precisa fazer respeitar-se e na ação de transferência, perceber as ações de violência, diagnosticá-las - se possível - viabilizando soluções com profissional adequado.

É ele que está diretamente ligado ao aluno, e que precisa ter a sensibilidade e a disposição de enfrentamento desta situação. Ou seja, já não mais basta hoje ser um profissional transmissor de conteúdos, precisa compreender as situações, ser um viabilizador de soluções.

Conquistar o respeito na relação escolar é tarefa do professor. Deve ele perceber características da turma, demonstrando autoridade sem mostrar-se violento:

[...] E quanto a relação professor-aluno, o professor tem que se fazer respeitar e respeitar o que a turma sabe, tomar cuidado para não ser violento nos seus atos e nas suas palavras. Ele precisa dar conta de que as questões da violência têm que ser trabalhada diariamente e permear todas as atividades realizadas na escola (ABRAMOVAY, 2006, p. 12).

Ao igual modo que um pai restringe um filho agredido a devolver uma agressão, deve o professor não excitar o aluno a fazê-lo, motivando o mesmo a refletir sobre a situação errada da conduta do agressor e sobre a correta conduta de

não reagir com nova agressão. Nestes casos, pai e professor criam filtros, limites que estimulam crianças e jovens (SILVA, 2013. p. 104).

A escola adquire um papel extremamente importante na disciplina. Ausentar- se desse papel por conta dos impasses que a violência cria, é ceifar da sociedade uma das possibilidades de enfrentamento da violência.

A figura do adulto tem uma representatividade muito grande na vida da criança. Se o modelo de família mudou - e mudou - o professor é referência desta presença adulta, que muitas crianças buscam e encontram somente no espaço escolar. Resta estabelecida ali, uma relação que define muito a vida do aluno, uma vez que nesta interação há oportunidade de sentir-se socializado, confiante, reconhecido e protegido.

CALLIGARIS destaca a importância da busca empreendida pelo jovem adolescente no seu reconhecimento:

[...] Ora, quando um pedido não encontra uma palavra que no mínimo reconheça sua relevância, normalmente seu autor levanta a voz. Numa progressão linear, grita, quebra vidros e pratos, coloca fogo na casa e pode até se matar para ser levado a sério. Ou seja, ele tenta impor pela força, ou mesmo pela violência, o que aparentemente não é ouvido” (CALLIGARIS, 2011, p. 39).

O jovem busca o diálogo. Ele quer um espaço onde possa ser ouvido, um lugar para colocar suas questões, e quando isto não acontece, sente sensação de angustia. Muitas vezes não encontra este espaço em casa, tampouco na escola, remetendo-lhe a um sentimento de frustração.

A dualidade do bem e do mal, justaposta pelo consumo que promove o gozo a ser exercido o tempo todo, promove o estranhamento, numa sublimação da felicidade, como já referido em capitulo em anterior, ao referir a busca do êxito.

Os papéis dos envolvidos no cenário da educação (escola, família, aluno, professor) devem, em todos seus espaços, primar pelo respeito às diferenças e primordialmente, deixar aberto os canais do diálogo, agindo com equilíbrio e maturidade.

Portanto o papel de cada um não é estanque, nem vitalício; depende muito do contexto em que o conflito acontece e quem esta envolvido nele. Pode

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