Num primeiro momento, antes da concretização das seis sessões, fizemos um levantamento sobre os conhecimentos prévios dos alunos acerca de aspetos relacionados com as artes, nomeadamente, os que se relacionam com a linguagem plástica, de modo a adequar as ações futuras a esses conhecimentos. Este levantamento foi feito com base em desenhos realizados pelas crianças (ver anexo 2 – desenhos realizados no diagnóstico inicial) e num diálogo/debate com a turma.
Explicámos o motivo pelo qual iríamos desenvolver a sequência e, de seguida, solicitámos aos alunos que representassem, através do desenho numa folha de papel A4, algumas ideias sobre as artes. O suporte no qual os alunos realizaram o desenho, foi
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retirado e adaptado do manual Anti-Colouring Book de Striker e Kimel (s.d.). Durante esta atividade, como forma de facilitar a concentração e inspiração, os alunos escutaram várias obras de compositores reconhecidos como: Ludwig Van Beethoven; Edvard Grieg; Antonio Vivaldi; Luigi Boccherini; W.A. Mozart e Ennio Morricone. Fizemos esta opção porque se julgou que a música ambiente iria facilitar a concentração dos alunos na tarefa proposta e complementar o momento de expressão e comunicação que iriam vivenciar.
O debate/diálogo sucedeu ao momento da realização dos desenhos e foi estruturado com as seguintes questões: 1. O que é arte? 2. O que é um artista? 3. O que é um pintor? 4. Que tipos de materiais usa um pintor?5. O que é um museu? 6. O que é um quadro? 7. Onde podemos ver quadros?
De forma resumida, apresentamos o conteúdo das respostas:
Tabela 4. Conteúdo das respostas dos alunos no diagnóstico inicial
Questões Respostas
Q.1 A resposta que predominou foi que “a arte é fazer desenhos e pintar”.
Q.2 A maioria dos alunos respondeu que um artista é “alguém que pinta quadros e que faz desenhos bonitos”.
Q.3 Foram várias as respostas. Um pintor é: “um artista”, “um senhor que pinta quadros”, “alguém que pinta paredes”, “um senhor que faz pinturas em várias coisas como no chão e nas escolas”. Q.4 Um pintor usa: “pincéis, papel, tinta, lápis de cor, tesoura, cola, borracha, afiadeira e água”. Q.5 A resposta que prevaleceu foi que um “museu é um local onde podemos ver quadros e pinturas para os outros verem”. Q.6 Para os alunos um quadro “é uma coisa que é utilizada para escrever para os meninos aprenderem e onde tem pinturas”. Q.7 As respostas foram: “podemos ver quadros nas escolas, nas paredes e nos museus”.
Apesar de as sessões estarem mais direcionadas para a EEP, pretendíamos apresentar aos alunos uma visão mais global sobre as artes que também contemplasse outras linguagens artísticas. Assim sendo, recorremos a uma obra de literatura infantil intitulada “A Matilde descobre arte”, para fazer esta abordagem. Para tal, construímos um material didático – uma apresentação em PowerPoint – cujo conteúdo foi selecionado e adequado às finalidades do trabalho a desenvolver (ver anexo 3 – “ A Matilde descobre arte”). A apresentação incluiu a história e a leitura das ilustrações e imagens representativas de obras de arte. Ao longo da narração, fomos colocando questões aos alunos, principalmente quando aparecia representada alguma obra de arte. Relativamente à obra “Retrato de Fernando Pessoa” da autoria de Almada Negreiros colocámos algumas questões: (1) “O que veem?”; (2) “O que é que ele estará a
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escrever?”; e (3) “Como é que o artista terá feito este quadro?” De forma resumida as respetivas respostas foram: (1) “Um senhor a escrever”; (2) “O senhor estava a escrever para a namorada ou para a mãe”; e (3) A maioria das crianças respondeu que o artista utilizou como material de desgaste “o lápis de cor”. Ao acrescentar obras de arte à narrativa pretendíamos que as mesmas fossem distintas, daí termos apresentado uma obra realista, e de fácil identificação dos seus elementos e outra de carácter abstrato. Assim sendo, a segunda obra de arte observada pelos alunos foi de Kandinsky, com o título “Composição III”, e a pergunta colocada aos alunos foi: “ O que vos parece que está neste quadro?”. Algumas das respostas foram: “parece que está ali um prédio a cair”, “tem figuras geométricas”, “tem um bico de um pássaro e parece que o senhor fez o jogo do galo”.
Houve bastante participação quando se falou em escultura, nomeadamente, um aluno referiu que um dos seus familiares foi escultor, referindo alguns trabalhos realizados por este. Porém, para alguns alunos foi a primeira vez que ouviram falar desta forma de arte. Apresentámos alguns trabalhos elaborados por crianças na Fundação Calouste Gulbenkian construídos com materiais de desperdício. Os alunos tiveram alguma dificuldade em perceber que tipos de materiais tinham sido utilizados, no entanto, à pergunta: “Que materiais os meninos precisaram para construir as suas esculturas?”. Alguns alunos responderam: “os meninos utilizaram uma boneca velha, caixotes e pinturas”. De salientar, que ao longo do diálogo as crianças estiveram com muita atenção e com curiosidade.
Vários alunos souberam dizer quem foi Pablo Picasso e Fernando Pessoa, identificando Picasso como pintor e Pessoa como poeta. Quando se falou que a música é outra forma de arte, houve alunos que nomearam Beethoven e Mozart. Ao longo da apresentação, os alunos fizeram algumas leituras pessoais sobre as imagens que observavam. Registámos uma grande diversidade de ideias que os alunos transmitiam com enorme fluidez e vivacidade. Observámos que a maioria dos alunos não reconhecia a dança, o teatro, a literatura ou o cinema como sendo formas de “arte”.
Em suma, este levantamento permitiu-nos perceber que, em termos globais, (1) os
alunos associam o significado de “arte” à pintura, ao desenho e à escultura; (2) os alunos nomeiam alguns artistas, ainda que em número pouco significativo; (3) os alunos apenas associam às artes o uso de materiais convencionais e manifestaram surpresa
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quando observaram obras com materiais reaproveitados ou “de desperdício”; (4) apurámos que os alunos nas suas experiências com a linguagem plástica conhecem e usam materiais e utensílios como pincéis, papel, tesoura, tintas, lápis de cor, cola, borracha, afiadeira e água.
Para concluir, após esta atividade, os alunos manifestaram-se curiosos sobre o que iriam fazer nas aulas seguintes e por saberem que iriam colaborar connosco neste trabalho de investigação. Quando lhes foi solicitado que fizessem um desenho sobre o que achavam ser as “artes”, alguns alunos ficaram “hesitantes” no sentido de não saberem em que consistia e como iriam representar as suas ideias. Citamos um dos alunos: “professora, ajuda-me, não sei o que é para fazer!” Foi necessário enunciar várias vezes a mesma proposta, procurando que todos a compreendessem. Ao longo da atividade, verificámos alguma incerteza e insegurança em algumas crianças, pois perguntaram-nos se o que estavam a fazer estava “certo” ou “errado”, apesar de termos frisado, anteriormente, que todas as respostas seriam válidas e importantes pois representavam o que cada um sabia sobre o assunto.
Após a análise dos desenhos, pudemos verificar que a maioria dos alunos desenhou árvores, sol, nuvens, flores, e casas. Ou seja, os mesmos elementos que habitualmente constituem os seus desenhos, não tendo portanto, representado outros relacionados com o enunciado proposto. Todavia, houve um aluno que desenhou uma bailarina justificando que “o ballet é arte”. Além deste, três alunos desenharam algo bastante semelhante – alguém a pintar numa tela. Uma destas composições incluía, para além do sol e de duas nuvens, uma figura humana a utilizar um cavalete e uma tela. No interior dessa tela, representou o que tinha desenhado anteriormente (sol e duas nuvens). O aluno pretendia transmitir que, arte poderá ser alguém que tenha um cavalete e uma tela e que pode desenhar a paisagem que observa.
É pertinente salientar as competências que foram nomeadas na planificação e confrontar os resultados com mesmas. Neste sentido, as competências referidas foram: O aluno utiliza lápis de cor ou lápis de cera, para desenhar e pintar na folha A4; o aluno responde a questões acerca do que ouviu; o aluno ouve os outros e espera pela sua vez para comunicar; o aluno conhece várias formas de arte quando a dialoga com os seus pares/professora paralelamente à visualização da história “Matilde descobre arte”; e o aluno manifesta ideias, sensações e sentimentos suscitados pelos discursos ouvidos. No
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que concerne à primeira competência, todos os alunos utilizaram, com material de desgaste, o lápis de cor para pintar o desenho e o lápis de carvão para desenhar. Quanto à segunda e terceira competências, o grupo na sua maioria, respondeu às questões formuladas por nós com entusiasmo e tentaram respeitar a sua vez para comunicar, no entanto, por vezes, havia uma sobreposição das participações orais.
Ao apresentar as várias formas de arte que existem, verificou-se, tal como foi realçado anteriormente, desconhecimento quanto ao teatro, literatura, cinema e dança. Contudo, uma criança sabia que esta última pertencia ao grupo das artes. Após a narração da história, alguns alunos por iniciativa própria, mencionaram as várias formas de arte que aprenderam. O que poderá significar que a proposta educativa foi significativa.
No que respeita à última competência, algumas crianças mencionaram quais as formas de arte que mais gostavam e porquê; referiram alguém próximo que praticava uma destas artes e mostraram algum interesse por conhecer um pouco de cada uma delas.