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Tableau r´ ecapitulatif

Dans le document Table des mati`eres (Page 38-43)

Observamos que em termos económicos, a relação de custos entre acção humana – acção dos objectos varia nas diferentes sociedades.

Esta observação tem pertinência na medida em que o custo destas variáveis vai influenciar a presença, ou não, de objectos nas tarefas presentes nas diferentes sociedades, e consequentemente o seu desenvolvimento.

a) Sociedade pré-industrial

Observamos que nas sociedades pré-industriais o preço da acção humana era muito inferior ao preço da acção do objecto. Os objectos eram raros e por isso muito caros. O desenvolvimento económico, nesta sociedade, evolui utilizando mais a acção humana do que a acção de objectos. Uma vez que os objectos não estavam disponíveis nos mercados, eram raros e caros.

De salientar que nestas alturas havia trabalhadores disponíveis apenas pelo preço da refeição, além da relação feudal de vassalagem e servilismo que tornavam ainda mais barata a mão-de-obra. O que torna o uso e utilização laboral de objectos nesta sociedade numa atitude quase anti-económica. Neste tipo de sociedade a relação acção humana – acção dos objectos era por isso claramente desfavorável à utilização da acção dos objectos.

Por isso os objectos, alem das armas e objectos de luxo, são pouco desenvolvidos. Como podemos observar:

«O sistema senhorial (…) nada fez para aumentar a produtividade. Pelo contrário, exigia imensa força física de camponeses mal alimentados, mal equipados e mal distribuídos pelas terras produtivas. A mão-de-obra gratuita fazia com que os grandes proprietários estivessem pouco interessados nos melhoramentos técnicos. Era esta a deficiência mais grave do sistema, dando origem à hipótese de que grandes propriedades tenham entravado de forma considerável as tendências de crescimento.»36

«Os escassos excedentes da produção feudal, eram pois canalizados para a residência do senhor e dos seus companheiros, que o

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esbanjavam em objectos de luxo: «A ideia de investir só aflorava nestes ricos quando acompanhada da esperança segura de obter rapidamente um acréscimo de rendimentos, da possibilidade de mais larga despesas. Isto permitiu que os magros capitais criados nos séculos IX e X pelo trabalho camponês acabaram acumulados, sob forma de jóias e adereços no tesouro das igrejas e dos príncipes, (…) Quase podemos desprezar a quantidade de capital que serviu, nessa época, para melhorar instrumentos de produção e aumentar a fertilidade da terra ou a eficácia do trabalho dos homens»37»38

b) Sociedades industriais

Observamos que nas sociedade industriais do ocidente Europeu, o preço da acção humana e da acção dos objectos varia de uma relação inicial, nas industrias primitivas, em que a acção humana é mais barata que a acção do objecto, até ao inverso na fase final da sociedade industrial no ocidente Europeu. Em que a acção dos objectos é mais barata do que a acção humana.

Esta situação está presente no procedimento que se têm quando os objectos se avariam: se no início os objectos eram concertados por artífices que viviam dos concertos de objectos, hoje os objectos são simplesmente substituídos, e são cada vez menos concertados. Uma vez que o preço do concerto não compensa o preço do objecto novo, alem dos progressos que os objectos entretanto sofrem, que tornam as tecnologias precedentes obsoletas e por isso sem peças de substituição. Assim se na década de 1980 compensava mandar concertar uma rádio, hoje esse electrodoméstico quando avaria é substituído, uma vez que o preço dos concertos estão próximos e podem inclusivamente ser superiores ao preço de um rádio novo. Ou seja, o preço da acção (industrial) dos objectos que produzem o rádio novo é claramente inferior ao preço da acção humana de o concertar.

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Duby, Georges (1987) p.82

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c) Sociedades pós-industriais

Num ambiente de opulência de objectos, que permite a existência de uma sociedade pós-industrial, a relação de preço da acção humana – preço da acção do objecto é ainda favorável ao uso e utilização da acção dos objectos. Observamos que com os objectos a serem cada vez mais autónomos (devido ao desenvolvimento de mecanismos de automação) a utilização das acções dos objectos aumenta, à medida que cresce a distância entre a acção humana e a acção dos objectos.

Por exemplo na confecção de alimentos, à medida que passa a haver a disponibilização do serviço de alimentação, como a entrega de pizas ao domicílio, aumenta a distância entre os objectos utilizados na confecção de pizas e os seus consumidores. Observamos que deixa cada vez mais de haver relação entre a acção dos objectos do ambiente de acção laboral, e a acção humana.

A distância criada entre a acção dos objectos do ambiente laboral e a acção humana, iniciada na sociedade industrial, com a automação dos objectos, aumenta à medida do desenvolvimento tecnológico. O que torna a parte dos objectos de acção laboral cada vez mais distante da acção humana, tornando-os numa entidade de objectos à parte e já fora da necessidade de interligação com o ser humano. Mais barata e cada vez mais utilizada. Ou seja, à medida que a tecnologia de automação aumenta, os objectos laborais são cada vez mais anónimos e cada vez mais distantes da acção humana. Observamos por isso que na sociedade pós-industrial a acção humana relaciona-se com outro tipo de objectos, os objectos de lazer e objectos de acção directa no ser humano (desde os objectos de recreio aos objectos comunicação humana).

Constatamos por isso que a importância dos objectos tem vindo a decrescer com a sua proliferação, e que nas diferentes sociedades as pessoas relacionavam-se com os objectos de diferentes ambientes de acção: desde os objectos do ambiente de acção privado (do clero e nobreza) na sociedade pré-industrial, aos objectos do ambiente de acção laboral na sociedade industrial, aos objectos do ambiente de acção de lazer nas sociedades pós- industriais.

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