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Tableau B de scénarios de prise en charge de cas

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Almeida

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Universidade Estadual da Paraíba/CAPES Dedico à Cristina da Costa Vieira

Na literatura de hoje reflectem-se os temas pro’prios dos nos- sos tempos – as custas da emancipac¸a⇠o, a solida⇠o, o en- velhecimento, a luta desigual pela biologia desigual, a sua inquietac¸a⇠o social em face das desigualdades, dos efeitos da guerra, dos efeitos nefastos da religia⇠o quando castradora, a sua compaixa⇠o pelos deserdados, a sua conscie ncia em face da rapina sobre os bens da Terra, o desejo de conhecimento, de amor, desejo de criar uma outra grama’tica de entendimento entre os homens, e destes com a Natureza, e assim por diante. Finalmente, as mulheres aprenderam a ler e a escrever as suas vidas por inteiro. E ao falarem de si mesmas, falam do mundo que as cerca.

Lídia Jorge2

Introdução

1 Integrante do GIELLus – Grupo Interdisciplinar de Estudos Literários Lusófonos (UEPB/CNPq): <http://dgp.cnpq.br/dgp/espelhogrupo/3424875769961001>.

Brites de Almeida é uma lenda. Para nosso estudo sobre protagonistas no romance contemporâneo, mais especificamente no romance histórico, Brites, a Padeira de Aljubarrota é mais que uma lenda, pois aceitamo- la como uma representação de tantas mulheres anônimas sobre as quais a História pouco ou nada registrou. Mulheres guerreiras ou mulheres que lutaram apenas para se defenderem das cruéis condições impostas ao mundo feminino, na Idade Média e em tempos subsequentes.

A investigação da qual resulta este artigo aconteceu como Pós-douto- ramento na Universidade de Coimbra3, com o intento de buscar elementos

que subsidiassem uma cartografia da personagem feminina no romance histórico contemporâneo português, por compreendermos ser este um sub- gênero do romance que possibilita uma nova forma de ler a História, pois dentre outros aspectos, põe em cena novos personagens que ficaram à margem da versão oficial deixada pela historiografia, ou ainda, redimen- siona personagens antes tratados como secundários ou meros figurantes das cenas históricas, apresentando, assim, grande importância para a li- teratura atual. Neste sentido, tomamos como objeto de leitura crítica o romance Crónica de Brites4 de Júlia Nery, a fim de observarmos uma

transgressão desta autora para o modelo tradicional feminino em relação à Padeira de Aljubarrota.

Ao tentarmos conjugar os estudos narratológicos aos estudos de gê- nero, encontramos, sobre os principais enfoques da crítica feminina, que estes podem ser apresentados de modo resumido na seguinte divisão: bi- ológico, linguístico ou textual, psicanalítico e, por fim, político-social. A percepção do texto literário em que se analisam as representações da mu- lher, ou as análises sobre autoria feminina são, deste modo, importantes formas dos estudos de gênero para os avanços relacionados às identida- des de gênero, pois ao mesmo tempo que questionam certas tradições e desconstroem certos dogmas do patriarcado, vão proporcionando à lite- ratura inovações no campo estético. Neste sentido, afirma Carlos Magno Gomes:

3 Pós-doutoramento desenvolvido de maio/2014 a outubro/2016 sob a supervisão do Doutor Carlos Reis e da Doutora Cristina da Costa Vieira, no Centro de Literatura Por- tuguesa (CLP) da Faculdade de Letras (FLUC), com apoio da Universidade Estadual da Paraíba e bolsa parcial (seis meses) da CAPES.

Uma leitura que valorize os estudos de gênero deve explorar a in- terculturalidade do texto literário como uma produção cultural con- temporânea. O propósito é mostrar o quanto a leitura literária pode traduzir preocupações sociais quando produzida a partir dos confli- tos de gênero [. . . ]5

Ao acompanharmos tais preocupações, compreendemos que é possível analisar as personagens protagonistas no romance histórico contempo- râneo pelo viés narratológico, somando a este as perspectivas que nos propiciam os estudos de gênero, justamente porque observamos que as protagonistas agora trazem uma outra representatividade diferente da que lhes era comum no romance histórico tradicional.

Trata-se de neste momento, não priorizarmos nosso enfoque sobre questões exclusivamente relacionadas à autoria feminina, mas de com- preender que um romance de autoria feminina apresenta, muitas vezes, aspectos diferenciadores, no plano estético da elaboração da persona- gem, os quais acreditamos relacionados ao espaço conquistado ao longo de muitas lutas, principalmente as lutas iniciadas pelas sufragistas. Todo o percurso destas lutas, sobremaneira a partir das ondas feministas pos- sibilitou redimensionar o lugar e a imagem da mulher, com novos valores permitidos para o feminino que vem adquirindo outro status quo na so- ciedade. Isto porque, na atualidade a mulher tem um papel e um lugar que nem era pensado nos séculos em que viveram Isabel de Aragão, Inês de Castro6, Leonor Teles7 ou a Padeira de Aljubarrota, seja esta última

factual ou lendária

Neste sentido, lembramos que se foram as lutas das feministas para que todo este cenário mudasse, não se pode esquecer mulheres precurso- ras a estas lutas que trouxeram contribuições desde tempos remotos, não 5Carlos Magno Gomes, “Leitura cultural e estudos de gênero”, in Antônio de Pádua e Maria Goretti Ribeiro (orgs.), Rumos dos estudos de gênero e sexualidades na agenda

contemporânea, Campina Grande, EDUEPB, 2013, p. 9.

6Cf. Aldinida Medeiros, Inês de Castro no romance contemporâneo português, Natal, Universidade Federal do Rio Grande do Norte, 2002 (versão eletrônica consultada a 10 de dezembro de 2015, em <http://repositorio.ufrn.br/jspui/bitstream/123456789/16366/1 /AldinidaMS_TESE.pdf>).

7 Cf. Aldinida Medeiros, “Leonor Teles: da História para o romance”, in revista

Graphos, João Pessoa, 2015 (versão eletrônica, consultada a 8 de janeiro de 2016 em

se intimidando com o poder masculino, a exemplo das já bastante conhe- cidas Hipátia de Alexandria, Christine de Pizan, Hildegard Von Bigen, Mary Wollstonecraft, Nísia Floresta, Simone de Beauvoir, dentre tantas outras. Portanto, se é conhecido o quanto estas lutas ao longo de séculos, incidiram sobre questões sociais, econômicas, políticas e culturais, não se pode ignorar que também a questão autoral e a representação da mulher na literatura, sobremaneira no romance, adquiriram novos espaços e novas configurações.

Uma personagem feminina sob uma autoria feminina

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