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Dans le document Budget 2022 PDI (Page 55-65)

Pesquisas historiográficas tais como a de Aquino (2007), Morais (2006) e Silva (2013) investigam os processos implicados na escolarização primária norte-rio-grandense. Nessa perspectiva, emergem estudos sobre a história das instituições escolares, história da formação docente, personalidades que contribuíram no cenário educacional, presença de professores e professoras que acabam por evidenciar, também, a presença feminina na gestão de instituições de formação de professores em cargos de direção.

No Brasil, o magistério primário sofreu um processo de feminização tanto na frequência das Escolas Normais pelas moças, quanto pela ocupação da profissão pelo sexo feminino (ALMEIDA, 2007, p. 32). Recuperar a trajetória dessas mulheres no magistério se configura em um entrelaçamento entre história das mulheres e história da educação, num momento que a profissão ainda é predominantemente feminina.

A predominância feminina no ensino desde o início do século XX ainda estende-se aos dias atuais apesar da variedade de outras possibilidades profissionais que o mercado de trabalho as propicia. As mulheres, tal qual o início do século permaneceram no magistério, na enfermagem e em ocupações “cuidadoras” onde parece sentirem-se mais confortáveis ou mais em “casa”. “As mulheres permanecem no magistério apesar da ampliação dos leques ocupacionais por força do progresso, da industrialização e da tecnologia.” (ALMEIDA, 1998, p. 30).

E, por paradoxal que possa parecer, um número significativo gostando do que faz, acreditando e resistindo criativamente, o que permite considerar que a dimensão humana comporta uma variedade e extensa gama de análises que não podem deixar de envolver o universo profissional das professoras e das suas vidas no magistério (ALMEIDA, 1998, p. 30)

Traçar à história feminina no campo educacional, contar a trajetória dessas mulheres no magistério e que as levaram a ocupar os quadros de gestão é também buscar delinear e entender como se constituiu o processo de desenvolvimento da História da Educação no Brasil e no Estado do Rio Grande do Norte. “Entre mulheres e educação, o que sempre se esculpiu nas vidas femininas foi um entrelaçamento de destinos incorporando sujeitos históricos aspirando por um lugar próprio no tecido social e uma profissão que se adaptou perfeitamente àquilo que elas desejavam.” (ALMEIDA, 1998, p. 26).

Imagem 2 – The Crèche (1890), Albert Anker.

Fonte: Museu Oskar Reinhart am Stadtgarten in Winterthur, Suíça.

O pintor Suiço Albert Anker, nos brindou com obras de arte belíssimas, dando-nos a prerrogativa de vagar sobremaneira sobre os usos e costumes do seu período de vivência no século XIX, como por exemplo, quando imortalizou essa cena do cotidiano escolar com uma jovem professora e seus alunos em uma creche no momento da refeição. A obra retrata doze crianças sentadas a mesa: algumas estão comendo sozinha, outras necessitando da ajuda da jovem mestra. Podemos observar também um menino (?) afastado das outras crianças próximo a porta solitário. Por que estaria longe das outras crianças? Estaria de castigo e sofrendo alguma punição? Imaginemos o porque do distanciamento da criança.

Após a leitura da obra e prosseguindo a discussão, fica o questionamento: Por que tão poucas mulheres se interessam pelas áreas de exatas ou preferem trabalhar com engenharias e áreas técnicas? A sociedade e a influência cultural é uma das explicações dadas para o desinteresse feminino em determinados espaços, mas, se a cultura fosse a grande influência nas escolhas profissionais entre os sexos, seria de se esperar mudanças em Países que tanto investem nessa busca pela igualdade de escolha profissional entre os sexos, a exemplo dos Países Nórdicos. O Paradoxo é que, apesar de todos os investimentos governamentais orquestrados pelos engenheiros sociais, e da Noruega ter sido escolhido o País com o maior patamar em igualdade de gênero. Homens e mulheres continuam a preferir profissões consideradas como “estereótipos de gênero”. (Exemplo: número significativo de mulheres tende a enfermagem, área da educação; homens a tecnologias, construção civil).

Parece antiquado para os dias atuais ainda existir “atividades masculinas” e “atividades femininas” e, sem jamais desconsiderar as intersessões de interesses que existem na maioria das profissões – independente de ser homem ou mulher –, não podemos fechar os olhos ao se mencionar a predominância de interesse em áreas especificas bem definidas pertencente aos sexos. A feminização do magistério perpetuada até os dias de hoje como profissão majoritariamente feminina está aí como exemplo para nós.

O que se sabe é que existem certos fatos cientificamente comprovados sobre homens e mulheres produzirem quantidades diferentes de hormônios. Particularmente, testosterona. Homens podem chegar a produzir cerca de 8 a 10 vezes mais testosterona – o nível do hormônio masculino, que as mulheres. Existem diferenças profundas no cérebro que surgem ao ter os tecidos banhados por esse hormônio. Isso não significa de maneira alguma que um sexo seja superior ou inferior ao outro por produzir uma quantidade superior ou inferior de um determinado hormônio, apenas que são diferentes em suas especificidades e essas diferenças irão emergir de alguma forma tanto interiormente quanto exteriormente.

Recentemente o Conselho Nórdico de Ministros – organização de cooperação interparlamentar entre a Noruega, Suécia, Finlândia, Dinamarca e Islândia – decidiu cortar fundos para o Instituto Nórdico de Gênero (NIKK, sigla Sueca). As pesquisas conduzidas pelo NIKK lançaram as bases para as políticas sociais e educacionais que, a partir dos anos 1970, transformaram os Países Nórdicos nas sociedades com a maior igualdade de gênero do mundo (NIKK, 2014).

A decisão foi tomada depois que o documentário Norueguês chamado, Hjernevask (Lavagem cerebral) expor certa farsa nas pesquisas de gênero em 2010. O Sociólogo Harold Eia estava intrigado com o fato dos constantes esforços de engenharia social para remover os chamados “estereótipos de gênero”, mulheres ainda continuarem em sua maioria a optar por profissões tipicamente femininas e homens continuarem atraídos por carreiras típicas masculinas na Noruega. As políticas de gêneros, longe de reverterem esse quadro, acentuaram as diferenças ainda mais apesar dos investimentos governamentais (HJERNEVASK, 2014).

Quando o programa em Inglês, sob o nome de Brainwash, ganhou fama no mundo inteiro, os cidadãos da Noruega começaram a se perguntar por que era necessário um investimento tão alto, – e com dinheiro dos contribuintes – para uma ideologia sem nenhum crédito científico. Como consequência, o conselho Nórdico de Ministros cortou mais da metade dos fundos que eram gastos com as pesquisas de gênero, em 2011. O NIKK chegou a ser dissolvido, migrando para a Suécia em seguida (HJERNEVASK, 2014).

É interessante, quanto mais livres são as pessoas na sociedade, mais abre-se oportunidade para elas fazerem e serem o que desejarem, e maior a tendência de qualquer tipo de predisposição (genética?) ser capaz de se expressar. Não seria o caso da feminização do magistério tão presente em nossos dias? Uma disposição feminina que se adapta perfeitamente a interesses pertencentes ao sexo biológico? – Apenas uma curiosidade e convite a reflexão: qual a razão das mulheres permanecerem em maioria ainda nos dias de hoje nas salas de aula, quando podem ocupar os cargos que desejarem? Mais além, sentirem- se realizadas com o magistério e a escolha profissional que optaram?

Imagem 3 – A caminhada à escola (1872), Albert Anker.

Albert Anker (Berna, Suíça, 1831 – 1910), Schulspaziergang – A caminhada para a escola (1872).

Essa outra bela pintura do artista Suíço Albert Anker, apresenta uma jovem professora e seus alunos em caminhada para a escola. O campo estava verde, bem cuidado, ensolarado e as crianças felizes, brincando e conversando. As meninas mesclam-se aos meninos em um bailado divertido. Próximo à professora, um garotinho aponta algo na mão para ela: seria um raminho de flores ? a jovem mestra o analisa atentamente. Outra garotinha que encontra-se ao lado direito da professora parece interessada e curiosa com o apontamento do garotinho. Essa imagem pode perfeitamente ser utilizada para representar o significado da palavra pedagogo. O Pedagogo era o condutor das crianças, que ajudava a conduzir o ensino.

A professora conduz seus alunos para a escola e para o conhecimento. A caminhada e passeio acaba por se tornar parte do processo de aprendizagem.

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