Da parte de Francisca Nolasco Fernandes não faltaram as suas alunas: carinho, estímulo e compreensão. Palavras suas. “A confiança que me creditavam, em vez de me envaidecer, comovia-me, e estudava, estudava muito para merecê-la.” (FERNANDES, 1973, p. 96). Na direção da Escola Normal, entre as metas da professora Chicuta Nolasco Fernandes estava à valorização das professorandas, a partir mesmo do uso do uniforme completo e da gravatinha – honra da normalista – sempre impecável. “Quando professora, não passei de soldado raso, apenas professora, dando o máximo da minha capacidade.” (FERNANDES, 1973, p. 89).
Crisan Siminéa, homenageada como apóstola da educação pela Secretaria de Educação e Cultura em março de 1998 e pelo jornalista Roberto Guedes com o título de educador do ano em 1996. Em seu discurso para alunas da Escola Normal do Instituto de Educação Presidente Kennedy por volta do ano de 1969, proclamava: dedicação, assiduidade, pontualidade e responsabilidade a suas Normalistas: “O professor primário tem mais oportunidade que o professor no Ensino Médio e o Universitário. Ele é um cultivador, um modulador de almas em formação. Prepará-los bem, é o nosso dever.” (SIMINÉA, [19-?]).
Teresinha Pessoa Rocha, carinhosamente lembrada por Maria Coeli Mollick Brandão, – ex aluna do Jardim de Infância e da Escola de Aplicação – como uma figura alta, magra, loira, de postura elegante. “Bastava ela olhar para se entender o que ela queria dizer. Professora comprometida, que trabalhava com o grupo.” (BRANDÃO, 2015).
Ezilda Elita do Nascimento, professora forte e comprometida. Diretora atuante, preocupada com o desempenho dos professores. Era ao mesmo tempo: orientadora, coordenadora e supervisora (BRANDÃO, 2015). Ezilda Elita também fora mencionada no livro de memórias da professora Francisca Nolasco Fernandes como uma professora que desempenhou bem o seu papel no cenário educacional (FERNANDES, 1973).
Maria Arisneide de Morais, professora/diretora que atuou na Escola Normal de Natal como professora, coordenadora de prática de ensino e diretora, entre os anos de (1970 –
1975). Ou seja, passou por todas as instâncias dentro da Instituição: de aluna à Diretora da Escola Normal de Natal. Diplomou-se também no curso Superior de Pedagogia pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte em 20 de dezembro de 1966, fazendo parte da primeira turma do curso de Pedagogia diplomada no contexto da Federalização (SILVA, 2013). Desempenhou funções também na Secretaria de Educação e Cultura e no Ministério da Educação (MEC).
Segue o quadro de gestores da Escola Normal de Natal a partir da data de sua criação definitiva em (1908) até à ocupação do cargo pela diretora Francisca Nolasco Fernandes. Primeira diretora a gerir a Escola Normal de Natal. “Entre esses, esteve na direção, em substituição de pouco tempo, o Dr. Oscar Wanderley, mas não consta sua nomeação para o cargo, nem quanto tempo durou a substituição.” (FERNANDES, 1973, p. 107).
Quadro 4 – Gestão da Escola Normal, a partir do ano de 1908.
Nº Nome dos Diretores
01 Francisco Pinto de Abreu
02 Ezequiel Benigno de Vasconcelos 03 Nestor dos Santos Lima
04 Teódulo Câmara
05 Luiz Antônio dos Santos Lima5 06 Antônio Gomes dos Santos
07 Clementino Hermógenes da Silva Câmara 08 Francisca Nolasco Fernandes
Fonte: Morais (2006, p. 65).
A função de administrador é função que depende muito da pessoa que a exerce; depende de quem ele é, do que tenha aprendido e de longa experiência. Mas, que é o administrador? Anísio Teixeira respondeu essa questão em 1961: “O administrador é homem que dispõe dos meios e dos recursos necessários para obter alguns resultados. Resultados
5 No quadro podemos visualizar o Professor, Farmacêutico e Médico. Dr, Luís Antônio que foi professor toda a
sua vida. Começou, como auxiliar da cadeira de Física, na Escola Normal, passando, logo depois de sua formatura em Medicina, a titular da mesma cadeira – Professor de História Natural, no Atheneu, Diretor do Departamento de Educação, Professor, Diretor e Vice-Diretor da Faculdade de Medicina e Diretor do Pronto Socorro do Hospital das Clínicas. Morreu aos 70 anos (FERNANDES, 1973, p. 110).
certos, e isto é um administrador. [...] Sem administração, a vida não se processaria.” (TEIXEIRA, 1961). A administração da escola é também aquela na qual o elemento mais importante não é o administrador, mas o professor: organiza a sua classe, administra a sua classe, faz os trabalhos necessários para que o ensino se faça bem. Ensina aos alunos, guia e dirige. Estão reunidas nas atividades desse professor as três grandes funções que vão passar para a administração (TEIXEIRA, 1961).
Segue agora, biografia e descrição da atuação das professoras e diretoras que estiveram à frente da gestão no Instituto de Educação Presidente Kennedy: Francisca Nolasco Fernandes, primeira Diretora da Escola Normal de Natal, em exercício entre 30 de setembro de 1952 a 30 de janeiro de 1956 e na segunda gestão de 24 de março de 1959 a 1966. Francisca Nolasco Fernandes foi a primeira diretora da Escola Normal de Natal, do Instituto de Educação e Instituto de Educação Presidente Kennedy. Crisan Siminéa, diretora da Instituição entre os anos de 1967 a 1969. Ezilda Elita do Nascimento, diretora da unidade Escola de Aplicação entre 1963 a 1968. Teresinha Pessoa Rocha, diretora do Jardim de Infância Modelo entre os anos de 1960 a 1970 e Maria Arisneide de Morais diretora entre os anos de 1970 a 1975.
Francisca Nolasco Fernandes
Imagem 20 – Francisca Nolasco Fernandes (Década de 1950-1960).
Fonte: Arquivo do Instituto de Educação Presidente Kennedy (2015).
Fotografia pertencente a um dos álbuns de formatura do Jardim de infância modelo, que encontra-se no acervo do Instituto de educação Presidente Kennedy, onde dona Francisca Nolasco Fernandes foi a homenageada da turma. Na imagem, podemos observar o olhar firme da professora que na ocasião usava um colar de pérolas e vestido em corte reto sem muitos detalhes, porém elegante e distinto. Provavelmente nas cores entre os tons branco ou bege: cores neutras.
Francisca Nolasco Fernandes, filha de Pedro Nolasco de Sena e Paulina Maria da Conceição, foi professora, escritora e jornalista; nasceu em Jardim de Piranhas, Caicó, Rio Grande do Norte em 15 de Dezembro de 1908. “Caicó, sua cidade natal, está sempre presente nos seus textos, nas suas memórias.” (MORAIS, 2006, p. 35). Aspectos que a mestra Francisca Nolasco revive em suas crônicas e reminiscências.
Segundo suas memórias, Jardim de Piranhas era uma povoação composta por 200 ou 300 habitantes e era ponto de intercessão entre os caminhos que levavam às cidades limítrofes da Paraíba e os redutos dos senhores feudais deste e do Estado vizinho. Era em torno dessas imediações, que se aquartelavam desde os capitães de mato da ilegalidade, até os morubixabas do cangaço, com as suas milícias sanguinárias (FERNANDES, 1973, p. 31). Segue imagem da prefeitura municipal de jardim de piranhas representando a cidade de nascimento de Dona Francisca Nolasco Fernandes:
Imagem 21 – Prefeitura Municipal de Jardim de Piranhas.
Fonte – Instituto Tavares de Lyra. - Imagem ilustrativa representando a cidade de nascimento de Francisca Nolasco Fernandes.
Os primeiros anos de sua vida transcorreram na cidade de Caicó. Seus pais deixaram a cidade de Jardim de Piranhas e fixam residência nessa cidade. Morou no velho sobrado da pracinha ‘que só de varandas de ferro tinha oito, e aqueles com cara de dragão, aonde as andorinhas vinham fazer ninho depois do inverno’. (MORAIS, 2006, p. 29).
Francisca Nolasco Fernandes escreveu cartas, rimas, crônicas, conferências e discursos. Legou muitos escritos que hoje permitem reconstituir parte de sua trajetória como professora e primeira diretora da Escola Normal de Natal, do Instituto de Educação e do Instituto de educação presidente Kennedy. Em seu livro Menina feia e amarelinha
(FERNANDES, 1973), relata suas memórias e narra sua vida desde a infância. Brincadeiras e recordações familiares.
Da sua entrada nos estudos na Escola Doméstica6, à ocupação no Magistério Público do Estado. Segundo suas memórias as moças na escola doméstica de Natal estudavam além das letras e dos estudos avançados: prendas, piano ou violino, varrer, cozinhar, costurar, fazer hortas e jardins, cuidar de crianças, desde recém – nascidas, aprendiam boas maneiras ao falar, sentar, receber, comer e conviver. Recebiam com distinção as pessoas e conversavam com qualquer um, homem ou mulher (FERNANDES, 1973, p. 18).
Imagem 22 – Alunas da Escola Doméstica trabalhando na horta da escola, na Ribeira.
Fonte: Blog. Eloy de Souza. Centro de documentação cultural Eloy de Souza.
Podemos observar através da fotografia alunas da escola doméstica de natal cuidando da horta e da jardinagem da escola; como menciona Francisca Nolasco Fernandes em suas memórias quanto ao currículo da escola que fez parte da sua formação. Exatas doze alunas estão compondo a imagem.
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Escola Doméstica: Foi fundada em 1 de setembro de 1914. O fundador da ED – como a Escola Doméstica de Natal também é conhecida – foi o poeta, político e arauto da educação feminina Henrique Castriciano, o qual por anos viajou para a Europa com o objetivo de pegar informações para uma escola doméstica com o objetivo de valorizar a família.
Imagem 23 – Dona Francisca Nolasco Fernandes.
Fonte: Morais (2006).
Aprendi a ser professora sem as metodologias tão necessárias. Analisando minhas ex-professoras, já então colegas, selecionei vários – Deve-se e Não se deve fazer – para uso comum das minhas tarefas. Considerava o aluno a matéria prima do meu trabalho. Voltei-me para ele com amor e recebi amor e estímulos. Gostava de saber mais e mais para transmitir. Era esta a minha vaidade, Deus me perdoe. (FERNANDES, 1973, p. 87).
Em acordo com as reminiscências de dona Francisca Nolasco retratadas no livro da professora Maria Arisnete Câmara de Morais. - Sobre seu ingresso no Magistério Público do Estado, no dia 04 de Junho de 1951, quando nomeada professora da Escola Normal da cadeira Português, a referida professora relata: “[...] naquele tempo as pessoas alcançavam o magistério por três caminhos: a) tempo útil de serviço público; b) mérito provado no magistério; c) um bom pistolão. Ela, embora relutante, incentivada pelo então diretor da Escola Normal, o professor Clementino Câmara, embarcou na categoria C.” (MORAIS, 2006, p. 64).
E assim, no dia 04 de junho de 1951, foi publicada a minha nomeação para exercer, interinamente, o cargo de professor, Padrão L, Tabela 1 – Parte permanente do Quadro único do Estado, da Cadeira de Português, da Escola Normal de Natal, na vaga existente em virtude da exoneração do Bel. Raimundo Nonato Fernandes. Foi assim o meu ingresso no Magistério Público do Estado (FERNANDES, 1973, p. 96).
Na Escola Normal de Natal de tanto conceito, tradição e que titulara os elementos mais representativos da vida educacional do Estado, ela passa a partir do ano de 1951 a fazer parte do corpo docente como professora interina.
Admirei a Escola Normal, muito antes de nela ter ingressado, pelo alto padrão de austeridade e pelas exigências morais e intelectuais a que submetiam os que desejavam ingressar nas suas fileiras de alunos ou nos seus quadros do magistério. Por isso e por diversos outros fatores é que ali tiveram trânsito tantas figuras ilustres. Não que essas exigências não perdurem ainda em todas as escolas, mas o abrotamento dos costumes facilita muito, certos comportamentos indesejáveis e tolerados como comportamento ‘pra frente’. (FERNANDES, 1973, p. 103).
Quando Francisca Nolasco Fernandes ingressou na Escola Normal como professora, o curso era composto por 3 anos. Obedecia a Lei Orgânica do Ensino Normal nº 8.530, de 2 de janeiro de 1946, que dividia o curso em dois ciclos, como o secundário. O primeiro ciclo era o curso de Regentes de Ensino Primário em 4 anos e o segundo, curso de formação de professores, em 3 anos. Havia ainda o curso de pós-graduação que especializava os professores primários e habilitava os administradores escolares de grau primário e era dado em Institutos de Educação (FERNANDES, 1973, p. 99).
Com a Reforma Capanema, de abril de 1942, foram criados os cursos de ensino médio – Ginasial, Clássico e Cientifico, embora já existisse o sistema de ensino secundário, mas sem aquelas características específicas da Lei Orgânica do Ensino Secundário, nº 4.244 de 9 de abril de 1942 e suas disposições transitórias que vieram alterar, inclusive o próprio curso Normal. Só então cada colégio procurou se ajustar a Lei, reformulando currículos, modificando a duração dos cursos etc. (FERNANDES, 1973, p. 97)
A Reforma do sistema educacional Brasileiro chamado de Reforma Capanema foi realizada durante o governo Getúlio Vargas - Era Vargas (1930 – 1945), sob a idealização de Gustavo Capanema, – a época de sua implementação, Ministro da Educação e Saúde. Foi um período de fortes mudanças no cenário educacional. A educação deveria estar a serviço da
Nação: realidade moral, política e econômica. Dessa maneira, a preocupação com a moral, responsabilidade e o civismo trouxeram para a esfera educacional os objetivos propostos pelo Estado Novo. O Ministério da Educação aprovou nesse período, a criação de uma série de órgãos, como o Instituto Nacional de Serviços Pedagógicos (INEP), o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), e o Serviço Nacional de Radiofusão Educativa.
Quadro 5 – Constituição do Currículo da Escola Normal (1951).
Série Matérias
Primeira série
Português Matemática Física e Química
Anatomia e Fisiologia Humanas Música e Canto
Desenho e Artes Aplicadas
Educação Física, Recreação e Jogos
Segunda série
Biologia Educacional Psicologia Educacional Higiene e Educação Sanitária Metodologia do Ensino Primário Desenho e Artes Aplicadas Música e Canto Ofeônico
Educação Física, Recreação e Jogos
Terceira Série
Psicologia Educacional Sociologia Educacional
História e Filosofia da Educação Higiene e Puericultura
Metodologia do Ensino Primário Desenho e Artes Aplicadas Música e Canto
Prática de Ensino
Educação Física, Recreação e Jogos Fonte: Fernandes (1973, p. 99).
O Regimento da Escola, publicado em 1950, nos “Atos do Governo”, registra esse currículo, que se manteve com algumas alterações, feitas a titulo de experiência e sancionadas pela Congregação plena até 1966 (FERNANDES, 1973, p. 100).
Sobre as diferenças de currículos a que estava habituada como ex aluna da Escola Doméstica de Natal (essencialmente prático) e a que se confrontava a partir do ingresso na Escola Normal de Natal com os extensos programas, dona Francisca Nolasco relatou em seu livro de memórias o seguinte episódio:
Habituada na Escola Doméstica, onde o nosso ensino era essencialmente prático e não havia o rigorismo de tão extensos programas, nem tão áridas matérias, eu tive a verdade de estabelecer comparações e a irreverência da imaturidade de comentar publicamente o fato, que me valeu uma grande mágoa de um eminente e Douto professor. E se mais não houve é que do alto da sua sabedoria ele preferiu atribuir o ‘deslize’ a minha juventude afoita e ignorante. O que era uma verdade. (FERNANDES, 1973, p. 100).
Sobre mudanças educacionais, ciclo e currículos, um breve recuo no tempo agora se faz necessário. Em 1928, estudavam-se as seguintes matérias na Escola Normal, com os seguintes e respectivos professores na tabela que segue. Nesse tempo, segundo Francisca Nolasco Fernandes, a Escola, que começara diplomando professores em 3 anos, tinha o seu curso de 4 anos. Os alunos ingressavam com o curso complementar feito e a idade de 15 anos, por isso as alunas saiam diplomadas, quando tudo corria bem, aos 17 ou 18 anos, assim distribuídos; 4, de ensino primário; 2 complementares; 4, do curso normal (FERNANDES, 1973, p. 101).
Quadro 6 – Matérias na Escola Normal de Natal e respectivos professores (1928).
Nº Matérias Professores
1 Português Teodolo Câmara
Antônio Fagundes
2 Matemática Dona Julia Barbosa
3 História Dr. Francisco Ivo
4 Geografia D. Bertilde Guerra
5 História Natural Dr. Luís Antônio dos Santos Lima 6 Física e Química Dr. Júlio Régis
7 Moral e Civismo Dr. Oscar Wanderley
8 Pedagogia Dr. Manuel Varela
9 Pedagogia Dr. Nestor Lima
10 Desenho Dona Chiquita Câmara
11 Trabalhos Manuais Dona Belém Câmara
12 Música Professor Tomaz Balbine
Se acontecesse terminar o complementar antes de completar os 15 anos, e o aluno se sentisse apto, quando era mais bem ou mal orientado, alterava a idade, fazendo novo registro civil. (FERNANDES, 1973, p. 101).
A Lei Orgânica do Ensino Normal, nº 8.530, de 2 de janeiro de 1946, alterou o curso e a Escola voltou a ter apenas 3 anos e exigir o ginasial para o ingresso, o qual de 5, passou a ter apenas 4 anos. Em 1948 não diplomou nenhuma turma, por causa dessa alteração (FERNANDES, 1973, p. 101).
Dona Chicuta, foi a primeira mulher a dirigir a Escola Normal de Natal, após sete direções masculinas, e esteve a frente dessa instituição entre os anos de 1952-1956, retornando novamente a direção entre 1959-1966, inclusive quando essa instituição passou a funcionar no Instituto de Educação Presidente Kennedy. As marcas desse período de significativas mudanças, nos usos e costumes da sociedade natalense, são abordadas no livro de Morais (2006), intitulado Chicuta Nolasco Fernandes, intelectual de mérito.
O ato de nomeação como Diretora da Escola Normal de Natal, saiu no Diário Oficial de 30 de setembro de 1952, conforme o artigo 86 do Decreto-lei n. 123, de 28 de outubro de 1941, ocupando a vaga existente deixada pelo professor Clementino Hermógenes da Silva Câmara. “Corria o mês de 1952. No dia 29, às 12 horas, o Diretor, Professor Severino Bezerra7, manda-me chamar no Departamento de Educação e comunica-me que o meu nome fora indicado ao Governador para substituir o professor Clementino.” (FERNANDES, 1973, p. 118).
Ainda não se exigiam os títulos de habilitação que hoje são indispensáveis, pois somente quando eu já estava encerrando minha carreira, foi criada a Lei nº, 4.024 de 20 – 2 – 1961, a LDB; que hoje foi superada pela Lei 5692 de atualização do Ensino de 11 de agosto de 1961. (FERNANDES, 1973, p. 89).
Francisca Nolasco Fernandes conquistou uma postura de educadora dedicada e atuante frente à instituição que tanto se orgulhara de fazer parte. “A confiança que me creditavam, em vez de me envaidecer, comovia-me, e estudava, estudava muito para merecê- la.” (FERNANDES, 1973, p. 96).
7 Professor Severino Bezerra de Melo – Professor do Atheneu, da Escola Doméstica e Diretor do colégio Pedro
II, depois chamado Rui Barbosa, por ele fundado e por ele e a esposa, D. Judith Bezerra dirigido durante 15 anos. Foi Diretor do Departamento, durante 18 anos, tendo servido aos Governos Irineu Joffily, Bertino Dutra, Fernandes Dantas, Georgino Avelino, Ubaldo Bezerra, José Varela, General Orestes Lima, Sílvio Predrosa. Publicou “Como errar menos”, livro sobre normas de Português (FERNANDES, 1973, p. 109).
Enquanto diretora da Escola Normal de Natal, entre as metas da professora Chicuta Nolasco Fernandes estava a valorização das professorandas, a partir mesmo do uso do uniforme completo. A gravatinha próxima ao pescoço teria de estar sempre composta, pois era a honra da Normalista. (MORAIS, 2006, p. 82).
Imagem 24 – Alunas Normalistas em momento de estudo na Escola Normal de Natal.
Fonte: Arquivo do Instituto de Educação Presidente Kennedy (2015)
Dignificar e enaltecer a figura da normalista foram palavras de ordem entre os objetivos da educadora Chicuta Nolasco Fernandes. Pretendia despertar nas suas alunas a consciência da sua valorização profissional, a dignidade da carreira escolhida e o seu papel relevante na sociedade. ‘Elas estão por aí, formadas, mais de setecentas, durante a minha gestão’. (MORAIS, 2006, p. 83).
Francisca Nolasco Fernandes compreendia a docência como vocação. Representava como professora/diretora para suas alunas uma figura que tinha por objetivos e palavras de ordem dignificar e enaltecer a figura da normalista. Despertava nas suas alunas a consciência da valorização profissional, com atos como o de exigir sempre em ordem o uniforme e o uso da gravata que era a honra da normalista: “Aquele uniforme azul e branco, de mangas compridas e o laço no decote, eram o diferencial da normalista.” (MORAIS, 2006, p. 82). Representando uma figura de pulso forte e que tinha a docência como vocação.
Imagem 25 – Dona Chicuta Nolasco entre as normalistas no Instituto de Educação (Década de 1950).
Fonte: Arquivo do Instituto de Educação Presidente Kennedy (2015).
Na fotografia podemos observar Dona Francisca Nolasco entre as alunas normalistas. No acervo do Instituto de Educação Presidente Kennedy, não se obteve informações quanto ao seu ano. A probabilidade seria que a imagem fora tirada durante a década de 1950 em razão no uniforme das alunas e modelo da gravata utilizada. Podemos visualizar 14 normalistas bem apresentadas e a diretora ao centro da fotografia.
Foi a primeira mulher a dirigir a Escola Normal de Natal, o Instituto de Educação e o Instituto de Educação Presidente Kennedy. Iniciou a trajetória administrativa em 30 de setembro de 1952, com a sua primeira nomeação para o cargo de direção da Escola Normal. A partir de então, abrindo caminhos para a nomeação de outras Diretoras na instituição “[...] não pude ser a melhor. Fui apenas a primeira, depois de sete direções masculinas.” (FERNANDES, 1973, p. 151).
Entre os meus gratuitos apelidos de diretora, um era – Diretora Política. Meu marido era deputado Estadual e líder do Governo na Assembléia. Por isso me acusavam de ser diretora política e eu nunca me incomodei, porque eu sabia que isso não me afetava, uma vez que o diretor que me indicara, não misturava política no seu Departamento, por isso serviu 18 anos aos diversos governos e interventorias desse período. (FERNANDES, 1973, p. 130).
O apelido de diretora política surge em razão de seu marido ser deputado estadual e líder do Governo na Assembleia. Tinha proximidade com a área e diante das circunstâncias, Dona Francisca Nolasco passa a lutar pela construção de um prédio fixo para abrigar a Escola Normal de Natal.
Para ilustrar o lado competente e dinâmico de Francisca Nolasco recorro ao