Como já vimos antes, a concepção de Eliade acerca da História das Religiões é a de que ela corresponde a uma disciplina autônoma e integral, que aborda seu objeto - o fenômeno religioso - em sua totalidade, tanto histórica quanto fenomenologicamente, considerando-o como uma esfera autônoma entre outros objetos do espírito, devendo ser estudado em seu próprio plano de referência, o plano das criações espirituais em geral e, mais particularmente, o plano religioso, isto sem descurar de seu aspecto de historicidade. Reiteramos aqui esta colocação na medida em que ela é importante como marco inicial para o desenvolvimento do presente tema.
Eliade (HCIR/I, p, 7/8) aponta no prefácio do primeiro volume de sua obra em três volumes História das Crenças e das Idéias Religiosas as duas fases em que se desenvolveu sua obra científica, as quais correspondem, segundo ele, às duas perspectivas sob as quais a História das Religiões deve estudar o fenômeno religioso com o objetivo de apreender sua essência sem violentar seu inegável caráter de historicidade, quais sejam, a perspectiva fenomenológica stricto sensu e a perspectiva histórica:
Discuti a dialética do sagrado e sua morfologia nas publicações anteriores, desde o Tratado da História das Religiões (1949) até o pequeno livro consagrado às Religiões Australianas (1972). A presente obra [HCIR, em 3 volumes, tendo o primeiro sido publicado em 1976144] foi concebida e elaborada a partir de uma perspectiva diferente. De uma parte, analisei as manifestações do sagrado dentro de uma ordem cronológica (mas importa não confundir a “idade” de uma concepção religiosa com a data do primeiro documento que a atesta!); de outra parte – e dentro da medida em que a documentação o permitia – eu insisti sobre as crises em profundidade e, sobretudo, sobre os momentos criadores das diferentes tradições. Em suma, tentei iluminar as contribuições maiores à história das ideias e das crenças religiosas.
religião na qual a manifestação acontece. Uma vez que o historiador da religião se põe a tarefa de buscar o significado, ele pode, aplicando o princípio da suspensão do juízo, assumir a estrutura da sincronicidade e, assim, como eu disse antes, reunir os significados evidentes em muitas culturas e eras diferentes. 144 Cf. Allen (1985, p. 28).
Estas duas perspectivas de abordagem do fenômeno religioso correspondem, respectivamente, aos dois grandes eixos em torno dos quais se desenvolve o campo de investigação da História das Religiões tal como a desenvolveu o nosso autor: o da fenomenologia da religião stricto sensu e o da história das religiões, ou, sob outra perspectiva equivalente, o eixo morfológico-sincrônico e o eixo histórico-diacrônico, respectivamente, da referida disciplina.
Neste item, iremos fazer inicialmente uma análise da História das Religiões de Eliade, apresentando em separado as linhas gerais tanto de sua fenomenologia da religião stricto sensu quanto de sua história das religiões.
Feita tal análise, passaremos a mostrar as necessárias articulação e integração que se dão no pensamento eliadiano entre estas duas partes da História das Religiões de modo a que ela se apresenta no final como uma disciplina autônoma e integral.
Uma vez realizado este trajeto, estando devidamente apresentada a História das Religiões de acordo com a concepção que dela tem Eliade, ou seja, como uma disciplina autônoma e integral, que articula e integra a fenomenologia da religião stricto sensu e história das religiões, passaremos a enfocar seu estatuto epistemológico à luz destas suas características, concluindo que a mencionada disciplina se configura como uma fenomenologia existencial da religião de caráter hermenêutico, situando-se, portanto, no campo filosófico.
1.4.2.1. Os dois grandes eixos da História das Religiões eliadiana: a fenomenologia da religião stricto sensu e a história das religiões
Como já mencionamos antes, Eliade construiu sua disciplina História das Religiões em torno de dois eixos, a fenomenologia da religião stricto sensu e a história das religiões.
A fenomenologia da religião stricto sensu foi desenvolvida por Eliade a partir de uma perspectiva morfológico-sincrônica de enfoque dos fenômenos religiosos. Sob esta perspectiva, por meio de um método fenomenológico-hermenêutico, o mencionado autor realizou, primeiramente, o estudo comparativo das formas histórico-religiosas encontradas nas religiões arcaicas com o objetivo de construir uma morfologia do sagrado, estabelecendo suas estruturas mais gerais ou constantes, que correspondem aos diversos sistemas simbólicos ou simbolismos religiosos que foram objeto de estudo em seu THR. Eliade integra estes sistemas simbólicos em um todo unitário, o sistema funcional que corresponde ao simbolismo religioso. Os elementos que compõem o
simbolismo religioso – os simbolismos religiosos - são dotados de autonomia, são regidos por uma lógica e uma coerência internas (que atuam tanto no conjunto que eles formam como no interior de cada um deles) e apresentam um caráter de universalidade. Desta forma, por meio de sua fenomenologia da religião stricto sensu, Eliade apreende a essência, a estrutura e a significação do fenômeno religioso, fazendo-o no plano fenomenológico-descritivo de análise do simbolismo religioso.
É importante observar que em sua fenomenologia da religião stricto sensu, na construção de sua morfologia do sagrado, Eliade leva em consideração o caráter de historicidade do fenômeno religioso o que demonstraremos no subitem 1.4.2.4.2 adiante, na letra b. De outro lado, conformando um arcabouço hermenêutico constituído por estruturas simbólicas universais, ela adota uma postura generalista como se é de esperar de uma fenomenologia da religião que atente corretamente a sua tarefa de extrair a essência, a estrutura e a significação do fenômeno religioso145.
Mencionaremos brevemente, a seguir, as principais obras em que Eliade finca as bases de sua fenomenologia da religião stricto sensu.
Em seu THR146 Eliade desenvolveu programaticamente a morfologia do sagrado e sobre as categorias fundamentais de sua História das Religiões, tais como o sagrado e o profano, a hierofania e sua dialética, mito e símbolo, além de ter paralelamente descrito a ontologia arcaica; já a dialética do sagrado e do profano, que corresponde à estrutura intencional pela qual o sagrado se manifesta pela experiência que dele tem o homo religiosus, foi objeto de um estudo estendido e específico em seu livro intitulado
SP147.
Sobre os temas do simbolismo religioso e dos símbolos religiosos, Eliade os desenvolveu ainda, de uma forma concentrada embora não exaustiva, em sua obra IS e ainda no ensaio intitulado Observações sobre o simbolismo religioso, este integrante de seu livro MA 148.
145
Veremos tudo isto em detalhe ao discorrermos sobre a metodologia empregada por Eliade na conformação de sua História das Religiões.
146 Utilizamos neste trabalho a tradução portuguesa de Traité d’Histoire des Religions (Paris: Payot, 1970), tradução esta publicada em Lisboa, por Edições Cosmo em 1990.
147
Utilizamos neste trabalho a tradução portuguesa do texto original em alemão intitulado Das Heilige und Das Profane, tendo a tradução citada sido publicada em Lisboa, por Edição ‘Livros do Brasil’, s.d..
148 Utilizamos, neste trabalho, a tradução brasileira do texto original em francês intitulado Mefistófeles et
l’androgine, tendo a tradução intitulada MA sido publicada em São Paulo, pela Livraria Martins Fontes Editora em 1991; e a tradução brasileira do livro IS feita a partir do original em francês intitulado Images et Symboles, tendo a tradução citada sido publicada em São Paulo pela editora Martins Fontes em 1991.
Também na primeira fase de sua obra científica, Eliade desenvolveu os seus estudos específicos sobre o mito, abordando-o sob várias perspectivas:
a) como narrativa mitológica, constituindo uma das categorias estruturais das hierofanias (ao lado do rito e do símbolo);
b) sob a perspectiva de sua significação religiosa ou gnosiológica, como correspondendo à sede da chamada ontologia arcaica, o repositório dos paradigmas, dos modelos exemplares de todas as atividades responsáveis a que o homem arcaico se dedicava, que lhe foram “revelados” no começo dos tempos, e, ainda, como o receptáculo de imagens arquetípicas;
c) como mito vivo, neste último caso enquanto dizendo respeito a formas de pensamento e de vida específicas das sociedades arcaicas e tradicionais.
A principal obra de Eliade que versa sobre o mito, por seu caráter abrangente é a intitulada MER149. Como obras complementares que versam sobre o estudo do mito, mas nem por isso menos representativas do pensamento de Eliade sobre este tema, temos ainda as obras intituladas MSM150, AM151 e IS152, sendo que esta última enfoca o mito a partir do simbolismo religioso.
As obras aqui nominalmente citadas concentram a abordagem que se pode adjetivar como sendo concentrada que foi feita por Eliade acerca de temas que envolvem a morfologia e as estruturas arquetípicas do sagrado, o simbolismo religioso, o símbolo religioso e também o mito; de outro lado, os demais escritos da primeira fase da obra eliadiana também abordam essas temáticas, embora o façam sem que haja por parte de seu autor preocupação com sua sistematização.
A história das religiões eliadiana constitui o segundo eixo em torno do qual se desenvolve a História das Religiões eliadiana; ela corresponde à história universal das manifestações do sagrado construída sob o ponto de vista da cronologia das suas significações desde os tempos mais primitivos de que se tem conhecimento até a época
149
Utilizamos neste trabalho a tradução brasileira do texto em inglês intitulado The myth of the Eternal Return or Cosmo and History, tendo a tradução citada intitulada MER sido publicada em São Paulo, por Editora Mercuryo, 1992.
150 Utilizamos neste trabalho a tradução portuguesa do texto do original em francês intitulado Mythes,
Rêves et Mystères, tendo a tradução citada intitulada MSM sido publicada em Lisboa por Edições 70 em 1989.
151
Utilizamos neste trabalho a tradução portuguesa do texto em inglês intitulado Myth and Reality, tendo a tradução citada intitulada AM sido publicada em Lisboa por Edições 70 em 1989.
152 Como já referido, utilizamos neste trabalho a tradução brasileira do texto do original em francês intitulado Images et Symboles, tendo a tradução citada intitulada IS sido publicada em São Paulo pela editora Martins Fontes, em 1991.
da Reforma Protestante153, não se limitando apenas ao universo espiritual das culturas arcaicas ou de qualquer outra religião em particular154.
O simbolismo religioso constitui também o instrumento hermenêutico que é utilizado por Eliade na conformação de sua história das religiões, esta que se desenvolve no plano de análise histórico-diacrônico do fenômeno religioso: interpretando os fenômenos religiosos concretos com o emprego do simbolismo religioso, isto no manejo de uma hermenêutica filosófica dos símbolos religiosos155, Eliade constrói a história universal das crenças e ideias religiosas, alinhando cronologicamente as diversas manifestações históricas das estruturas arquetípicas, que, como já assinalado, constituem os núcleos de significação dos simbolismos religiosos. A história das religiões eliadiana desenvolve-se, portanto, no plano hermenêutico-filosófico de análise do simbolismo religioso.
O simbolismo religioso é o instrumento hermenêutico que Eliade utiliza também no chamado processo de desmistificação ao reverso, que, na verdade, nada mais é do que uma utilização particular da hermenêutica filosófica dos símbolos religiosos para desvelar o sagrado no Mundo ocidental contemporâneo dessacralizado. Utilizando tal processo interpretativo, Eliade desvela os elementos religiosos, ou melhor, cripto ou pseudo-religiosos, camuflados no inconsciente, no universo onírico, no imaginário, nas artes plásticas, na literatura e em outras realizações artísticas e culturais do homem contemporâneo, que vive num Mundo que ele insiste em manter dessacralizado. O resultado do emprego deste processo de desmistificação ao reverso integra a história das religiões eliadiana, mostrando como o sagrado se apresenta nas sociedades ocidentais contemporâneas dessacralizadas.
Por meio da história das religiões, utilizando os sistemas simbólicos que foram objeto de conformação na fenomenologia da religião stricto sensu, Eliade (FJ/1, p. 398) procede a uma anamnese das tradições religiosas da humanidade, que é mais do que um empreendimento simplesmente historiográfico, e isto na medida em que é uma anamnese das significações dos fenômenos religiosos; a história das religiões, para
153
O quarto volume de HCIR projetado por Eliade para chegar até os dias atuais não foi por ele terminado, como já observamos antes.
154
Segundo Eliade, o historiador das religiões não pode restringir-se aos fatos religiosos arcaicos ou tradicionais sobre os quais construiu sua morfologia do sagrado ou a outra religião qualquer em especial, sob pena de estar reduzindo a religião a um momento da história da consciência, retornado, assim, a concepções positivistas.
Eliade, corresponde à compreensão da história das situações existenciais, dos tempos pré-históricos aos nossos dias.
A história das religiões constitui, desta forma, um inventário histórico das significações existenciais do fenômeno religioso, tendo por base os fenômenos religiosos históricos interpretados por Eliade de acordo com a morfologia, as estruturas e as significações gerais e atemporais do sagrado, que foram fruto do primeiro momento da mesma obra, no qual ele conformou sua fenomenologia da religião stricto sensu.
A história das religiões eliadiana corresponde, portanto, não a um alinhamento cronológico de fatos religiosos históricos ou, em outras palavras, a uma história historicizante, estritamente factual, como seria o caso de uma historiografia tradicional; mas sim, uma história das religiões que vem construída como uma “compreensão da história das situações existenciais dos tempos pré-históricos a nossos dias” de modo a configurar uma história religiosa da humanidade que traz à luz “a unidade espiritual que subjaz aos esforços dos homens de todas as épocas e culturas em viver em um Mundo real e significativo”; esta unidade espiritual, segundo o citado autor, “é dada, em última análise, pelas experiências religiosas fundamentais, primordiais”, experiências estas que “foram permanentemente revalorizadas ao longo da História através de novas criações religiosas, razão pela qual a religião tem não apenas uma morfologia, mas também uma história156.
Fica evidente, assim, que também em sua história das religiões, Eliade privilegia o aspecto histórico do fenômeno religioso; e o faz levando em conta, ao mesmo tempo, seu caráter simbólico.
Este segundo momento da obra de Eliade está configurado em sua obra inacabada em três volumes intitulada HCIR.
HCIR constitui a contrapartida histórica do THR; e o último constitui o
prolegômeno indispensável ao primeiro, na medida em que, como afirma Eliade, não seria possível compreender a história das criações religiosas sem haver antes descoberto a morfologia e as estruturas do sagrado, tal como, analogamente, também segundo ele, não seria possível compreender a origem e a evolução das espécies (ou a “história das criações biológicas”) sem se ter descoberto antes a morfologia das espécies157
.
156 O quarto volume desta obra em que Eliade iria abordar as situações existenciais do homem moderno não foi por ele concluído em razão de sua morte, como já referido antes, o que repetimos mais uma vez em razão do contexto.
Fazemos aqui a utilização de termos cunhados por Guimarães (2000, p. 501; 339). 157 Apud Guimarães, (2000, p. 501/502).
Verifica-se, assim, que a história das crenças e das ideias religiosas concebida por Eliade, consubstanciada em sua obra HCIR é tanto original como inovadora frente às outras abordagens históricas da religião, isto seja pela forma de abordagem histórico- fenomenológica dos fenômenos religiosos, seja por seu papel de constituir uma anamnese das crenças e das ideias religiosas da humanidade, seja por corresponder a uma história universal das religiões.
1.4.2.2. A articulação e a integração entre a fenomenologia da religião stricto sensu e a história das religiões no seio da História das Religiões eliadiana
Eliade enxerga na religião o modo de ser mais autenticamente humano e vê o sagrado como um dado permanente da consciência do homem, dado este que corresponde à expressão da estrutura de transcendência que ele considera como constituindo um elemento integrante da consciência humana. Por isso, para o nosso autor, estudar o homo religiosus equivale a estudar o homem em sua totalidade158.
Porque para Eliade o homo religiosus representa o homem total, o referido historiador das religiões considera que a História das Religiões deve ser uma disciplina total no sentido de que ela deve utilizar, integrar e articular os resultados obtidos pelos vários métodos de se abordar o fenômeno religioso para estudá-lo em sua integralidade.
Na consideração de que a História das Religiões deve ser uma disciplina total, Eliade afirma que não basta ao historiador das religiões, por meio da fenomenologia da religião stricto sensu, apreender o sentido de um fenômeno religioso numa certa cultura e decifrar sua mensagem; segundo o referido autor, o fenômeno religioso deve ser estudado também sob a perspectiva de sua história, isto é, o historiador das religiões deve deslindar as modificações das ideias e das crenças religiosas no decurso do tempo, desde a época da humanidade arcaica até os nossos dias; em última análise, o mencionado estudioso deve esclarecer a contribuição do fenômeno religioso para a cultura de uma forma abrangente e completa.
Portanto, sob o enfoque da história das religiões, Eliade considera que ela não pode prescindir das significações arquetípicas dos dados religiosos, que são o resultado do trabalho realizado no campo fenomenológico, já que sua tarefa é a de mostrar como estas significações arquetípicas foram sentidas e vivenciadas nas diversas culturas e em
158 E é por esta mesma razão que ele considera que o símbolo, o mito e a imagem são a substância própria da vida espiritual, e que podemos na nossa vida de seres humanos que somos camuflá-los, mutilá-los ou degradá-los, mas jamais podemos extirpá-los.
diferentes momentos históricos, como elas se transformaram, se enriqueceram ou se empobreceram ou até mesmo foram “esquecidas” no curso da história.
De outro lado, sob o enfoque da fenomenologia das religiões stricto sensu, os significados arquetípicos dos símbolos religiosos que se mostram na morfologia do sagrado enriquecem-se em razão do aporte dos resultados dos estudos realizados no campo da história das religiões sobre os fenômenos religiosos históricos, esta que descreve como as significações gerais e atemporais dos sagrado foram vividas e valorizadas ao longo da história dos povos.
Desta forma, a fenomenologia das religiões stricto sensu e a história das religiões se alimentam uma à outra com a comunicação recíproca dos resultados dos trabalhos realizados nos campos respectivos: a fenomenologia da religião permite a construção de uma história das religiões que alinha cronologicamente as variações históricas das estruturas arquetípicas construídas pela primeira; a história das religiões realimenta a fenomenologia da religião com o levantamento das inúmeras modalidades pelas quais o sagrado vem se expressando ao longo da história e suas significações, permitindo que se interprete o fenômeno religioso em toda sua inesgotável e perene riqueza.
A ilustração da articulação e integração que se dão entre fenomenologia da religião e história das religiões que se dá no âmbito do trabalho desenvolvido pelo historiador das religiões pode ser lida no seguinte trecho de autoria de Eliade (MA, p. 208-209):
As vias de abordagem do historiador das religiões são empíricas. Ele lida com fatos histórico-religiosos que ele se propõe a compreender e a tornar inteligíveis aos outros. Ele é requisitado, ao mesmo tempo, pela significação do fato religioso e por sua história; esforça-se por não sacrificar nem um nem outro. É certo que também o historiador das religiões é levado a sistematizar os resultados de suas pesquisas, a refletir sobre a estrutura dos fenômenos religiosos. Mas, então, completa seu trabalho de historiador das religiões com um trabalho de fenomenólogo ou filósofo da religião. No sentido lato do termo, a ciência das religiões abarca tanto a fenomenologia religiosa quanto a filosofia da religião. Porém o historiador das religiões, a rigor, nunca