Pelo reconhecimento da beleza da língua Guarani, veio através das publicações do Tesoro e de Arte, y Bocabvulario de la lengva gvarani, que tinham como gênese o zelo montoyano pela conversão dos gentios e, também, em sanar as chagas destas tribos1269. A defesa da cultura e da integridade física do indígena estava além da Conqvista. Junto com o Tesoro de la lengva gvarani, Arte, y Bocabvlario são um elogio à linguística dessas tribos contatadas e ouvidas pelo missionário. Da mesma maneira que José de Anchieta, Montoya se mostrou ao longo de seu dicionário um mestre na língua dos seus catecúmenos.
Nesta obra, o trabalho gramatical e linguístico oriundos da sua formação linguística de base bastante sólida, Ruiz de Montoya teve acesso às gramáticas mais utilizadas no século XVII: a Gramatica castellana (1492)1270, de Elio Antonio de Nebrija1271; Grammatica da lingoagem portuguesa (1536)1272, de Padre Fernão de Oliveira1273; Grammatica da língua Portuguefa (1540)1274, de João de Barros1275; Societate Iesv de Institvtione Grammatica (1572)1276, de Manuel Alvares1277; Arte de
1269
A los padres religiosos, y Clerigos, Curas, y Predicadores del Euangelio à los Indios de la Prouincia del Paraguay, y Paranà, etc (sic!). Salud en el Señor (RUIZ DE MONTOYA, Tesoro II..., 1639).
1270
NEBRIJA, Elio Antonio. Gramatica castellana. Salamanca: Typ. Nebrigensis, 1492.
1271
Antonio Martínez de Cala (Elio Antonio de Nebrija) nasceu no ano de 1444, em Lebrija (Sevilla, Alcalá de Henares, Espanha); morreu em 5 de julho de 1522. (THE Encyclopædia Britannica: a dictionary of arts, sciences, literature and general information (Eleventh Edition). Volume XVI. Cambridge, England: University Press, 1911 p. 351).
1272
OLIVEIRA, Fernão. Grammatica da lingoagem portuguesa. Lixboa: em casa de Don Germão Galharde, 1536.
1273
O frade dominicano Fernão ou Fernando de Oliveira nasceu em Aveiro em 1507 e morreu em 1581. Foi responsável pela primeira gramática de língua portuguesa e construtor bélico-naval. Pelas suas posições heterodoxas foi preso várias vezes pelo Tribunal da Santa Inquisição (QUADROS, Rangel de. Aveirenses Notáveis. Aveiro, Portugal: Câmara Municipal de Aveiro, 2000, pp. 8-13).
1274
BARROS, João de. Grammatica da língua Portuguefa. Olyssippone: Lodouicum Rotorigiun Typographum, 1540.
1275
João de Barros nasceu em Viseu (Portugal), no ano de 1496; morreu na cidade de Pombal (Ribeira de Alitém, Portugal), em 20 de outubro de 1570. Ficou conhecido como o Grande ou Tito Lívio Português, por ter escrito a segunda gramática de língua portuguesa (CANTARINO, Nelson. O idioma nosso de cada dia. Revista de História da Biblioteca Nacional, ano 1, nº 8, março de 2006, p.90)
1276
ALVARI, Emmanvelis. Societate Iesv de Institvtione Grammatica. Olyssippone: Excudebat Ioannes Barrerius Typographus Regius, 1572.
1277
Manuel Alvares nasceu em 1526, Ribeira Brava (Madeira, Portugal); morreu em 30 de dezembro de 1583, Évora (Portugal). Ingressou na Companhia de Jesus, 4 de junho 1546, em Coimbra (Portugal); foi ordenado em 1552, Lisboa (Portugal), fez os últimos votos em 9 de junho de 1560, Coimbra (O’NEILL e DOMÍNGUEZ, DHCJ (Volume I), 2001, p. 91).
Grammatica da Lingoa mais vfada na cofta do Brafil (1595)1278, de José de Anchieta; Rhetoris Christiani (1619)1279, de José de Arriaga1280. O acesso a estas gramáticas, além do intenso convívio com os jesuítas já envolvidos com as missões entre os índios1281, auxiliou a embasar a sua capacidade ao abordar aspectos teóricos da linguística1282, e, principalmente, os anos em que foi missionário entre indígenas pode ser observado no estabelecimento das normas e composição do idioma indígena.
Assim como a gramática, o dicionário foi o fruto da formação de seu autor no Colegio de San Martín, quando Montoya teve que retornar “como niño a los rudimientos de la gramática”1283. Provavelmente, o seu aprendizado de gramática latina teve como método de ensino gramatical exposto pelo jesuíta Manuel Alvares. Em menos de dois anos, concluiu os estudos de Letras Humanas, Gramática e Retórica e ingressou na Companhia de Jesus1284. Após a sua ordenação como sacerdote, em 1612, iniciou os estudos de Guarani em Assumpción, onde os jesuítas já contavam com uma rica e recente tradição no ensino da língua indígena. Utilizavam, para tanto, a gramática de José de Anchieta, além dos ensinamentos vindos do frei Luis Bolaños que “ha sido el maestro de todos en la lengua Guaraní”1285.
Durante os anos de 1608 até 1612, o jesuíta responsável pelo ensino de Guarani foi Marciel de Lorenzana, único lenguaraz entre os jesuítas que se encontravam no Paraguay. Enquanto o reitor do colégio de Assumpción e comissário da Inquisição, Diego González Holguín, estudava o idioma com afinco,
1278
ANCHIETA, Ioseph de. Arte de Grammatica da Lingoa mais vfada na cofta do Brafil. Coimbra: por Antonio de Mariz, 1595.
1279
ARRIAGA, Pablo José. Rhetoris Christiani Partes setem. Exemplis cum sacris. tum
Philosophis illustratae. Lugduni, 1619. 1280
Pablo José de Arriaga nasceu em 1564, Vergara (Vizcaya, Espanha); morreu em 6 de setembro de 1662, no mar em frente a La Habana (Cuba). Ingressou na Companhia de Jesus, 24 de fevereiro de 1579, em Ocaña (Toledo, Espanha); foi ordenado em 1586, Lima (Peru), fez os últimos votos em 19 de março de 1594, Lima (O’NEILL e DOMÍNGUEZ, DHCJ (Volume I), 2001, p. 195).
1281
O convívio com pessoas como o padre Diego de Torres Bollo, Diego González Holguín e as influências de outros jesuítas como Alonso de Barzana, Diego de Torres Rubio e Ludovico Bertonio, teve bastante relevância nos estudos linguísticos de Antonio Ruiz de Montoya. Existe a possibilidade que Montoya conhecesse o estudo sobre a língua Guarani feito pelo padre Alonso D’Aragona, que é considerado a primeira gramática escrita sobre a língua dos Guarani estabelecidos no sul do continente americano (MELIÁ, Antonio Ruiz de Montoya..., 2011, pp. 15-25).
1282
MELIÀ, Antonio Ruiz de Montoya…, 2011, p. 16.
1283
JARQUE, Ruiz de Montoya en Indias… (Volume I), 1900, p. 142.
1284
Idem, p. 163.
1285
“Certificación del Padre Juan Romero, profeso de la Compañía de Jesús”, In: PASTELLS,
para escrever uma Arte e Vocabulario. As influências de sua arte e vocabulário em Quechua1286, não são evidentes em uma primeira leitura do Tesoro. As duas obras são análogas. Ambas correspondem às necessidades e preocupações em relação aos métodos utilizados, além de trabalharem com novas possibilidades na seleção de palavras que auxiliariam no aumento do caudal de expressões e vozes. Porém, a semelhança se encerra nesta questão, pois Ruiz Montoya não possuía uma tradição linguística na escrita de dicionários. Contudo, mesmo não estando em meio às culturas “imperiais”, Montoya, escutava muito a pronúncia dos indígenas, inclusive as palavras que pertenciam à língua dos Guañanas ou Gualachos. Se fosse possível, vivia as situações correspondentes àquelas palavras, buscando discernir da melhor forma para o seu significado e que possibilitariam a maior fidelidade à interpretação semântica. O jesuíta percebia que as palavras não poderiam ser analisadas de forma separada, mas dentro das suas relações1287.
Possuindo as noções fundamentais das categorias gramaticais e o conhecimento dos modos de como elaborar os métodos necessários de análise de uma palavra, Montoya buscou na companhia dos índios e mestiços de Assumpción, donos da língua, a compreensão que lhe faltava. A pronúncia diária da língua, como princípio e o fundamento para o seu verdadeiro entendimento, foi contínuo e serviria para as situações onde a regra gramatical ou o sentido de uma palavra gerassem dúvidas. Em seus anos como missionário, anotava tudo o que escutava e, quando não compreendia bem o significado do que estava sendo dito, questionava insistentemente até entender a essência daquela palavra em questão. Suas anotações foram sempre guardadas em um baú que o acompanhava em suas viagens. Nestes papéis, constavam os símbolos fonéticos que denominavam aquela imensa selva e os seus rios1288.
Quando às suas anotações, escritas no calor dos trópicos, saíram do baú para serem impressas no frio de Madrid1289, praticamente depois de 27 anos do início de sua escrita (1612), teve que passar por um longo trabalho de estruturação. Ruiz de Montoya, em meio aos trâmites legais no processo movido contra os bandeirantes e a defesa do armamento indígena, recompôs e arrumou algumas
1286
GONZÁLEZ HOLGUÍN, Diego. Vocabulario de la lengva general de todo el Perv, llamada
leengua Qquichua o del Inca. Ciudad de los Reyes, Lima: Imprenta de Francifco del Canto, 1608 (2
tomos).
1287
MELIÀ, Montoya saca a luz..., 2011, pp. XVI-XVII.
1288
Idem, pp. IX-X.
1289
definições que não estavam muito claras, ou que haviam tido alguma alteração de sentido ao longo dos anos. Arte, y Bocabvlario e Tesoro tiveram que ser impressos com muita paciência pela necessidade da criação de matrizes especiais e caracteres novos para a edição da gramática e do dicionário1290, para imprimir a “língua tão desconhecida”1291. Para a impressão, a gramática teve que passar por uma séria revisão que resultou em muitas páginas de erratas, que dificilmente uma obra pronta desde 1616, não poderia deixar de ter1292. Arte, y Bocabvlario conta com licença e privilégio1293, taxa1294, erratas1295, a aprovação eclesiástica1296, dedicatória à Virgem Maria1297, introdução1298, 23 capítulos dedicados a conjunções e estruturas verbais1299, além de advertências para a leitura da primeira parte do Tesoro1300 e para a compreensão do Bocabvlario.
O trabalho de sistematizar os aspectos gramaticais e lexicográficos do Guarani, em um processo dificultoso de dicionarização e gramatização do idioma, ocorreu pelos problemas encontrados em transformar sons em sinais fonéticos1301. Montoya buscou fazer um cruzamento entre as palavras cotidianas e as palavras bíblicas com aquelas que analogicamente as representassem nos idiomas indígenas. Quando não era possível, pela inexistência da palavra, houve a preocupação de que fossem criados neologismos, a partir de novos verbetes. Essa busca por meios, "para construir una equivalencia relativa, jugando con los
1290
JARQUE, Ruiz de Montoya en Indias… (Volume IV), 1900, p. 43.
1291
MELIÀ, Montoya saca a luz..., 2011, pp. IX-X.
1292
RABUSKE, Antônio Ruiz de Montoya, 1985, p. 48.
1293
Suma del Priuilegio dada por Martin de Segura, escrivão de Camara, em 25 de março de 1639 (RUIZ DE MONTOYA, Arte, y Bocabvlario..., 1640).
1294
Suma de la Taffa despachada pelo escrivão de Camara, Martin de Segura, em 5 de dezembro de 1639 (RUIZ DE MONTOYA, Arte, y Bocabvlario..., 1640).
1295
Erratas (RUIZ DE MONTOYA, Arte, y Bocabvlario..., 1640).
1296
Licencia del Ordinario Lorenço de Iturrizarra; Aprovacion del Padre Diego de Boroa, Prouincial de la Prouincia del Paraguay, de la Compañía de Iesvs; Aprovacion del Licenciado Gabriel de Peralta, Canonigo de la Fanta Iglefia de Buenos Ayres, y Comiffario de la Santa Cruzada; e, Aprovacion del mvy iluftre Doctor D. Lorenço Hurtado de Mendoza, Prelado del Rio de Ianeiro (RUIZ DE MONTOYA,
Arte, y Bocabvlario..., 1640). 1297
Beatissimæ Virgni Mariæ sine labe conceptæ (RUIZ DE MONTOYA, Arte, y Bocabvlario..., 1640).
1298
Arte de la lengva gvarani. Preludio (RUIZ DE MONTOYA, Arte, y Bocabvlario..., 1640, ff. 1r-2r).
1299
RUIZ DE MONTOYA, Arte, y Bocabvlario..., 1640, ff. 2r-100r
1300
Advertencias para la inteligência defta primera parte del Vocabulario Guarani (RUIZ DE MONTOYA, Tesoro I..., 1640, ff. 101r-102r).
1301
MELIÀ, Bartomeu. Etimología y semántica en un manuscrito inédito de Antonio Ruiz de Montoya (1651). Actes Du Colloque Internacional: La “découverte” des langues des écritures d’Amérique. Paris: Association d’Ethnolinguistique Amérindienne, 1995, p. 331.
elementos denotativos y connotativos”1302, visou encontrar as possibilidades de extensão e de compreensão, necessárias à interpretação dos códigos. No entanto, dependendo da tribo e do grau de conhecimento linguístico do missionário que a empregaria, poderiam causar percepções e interpretações confusas. Essa ressignificação do idioma seria capaz de fortalecer ou colocar em crise as “percepções espirituais de ambos os lados, colaborando, com isso, na geração de verbertes com significados específicos no processo missional”1303.
Montoya não seguiu o padrão de escrever livros bidimensionais, tendo como base a língua de partida para traduzir a língua de chegada, como aconteciam com as gramáticas e os dicionários bilíngues da época1304. O missionário percebe que a gramática deve ser escrita do Castellano (língua de partida) para o Guarani (língua de chegada); enquanto o dicionário deveria ter a ordem inversa: língua de chegada como forma de “traduzir” a língua de partida. Por isso, a organização hierárquica dos campos semânticos e suas relações etmológicas, nem sempre foram corretas dentro de uma terminologia científica1305. Com isso, o dicionário e a gramática apresentam alguns lapsos de impressão que podem ser percebidos ao longo da leitura. O conjunto de frases e expressões tomou a forma com que Montoya observava e ouvia o modo de falar dos indígenas. Esta constante presença é reconhecida pelo missionário, ao descrever, aos padres e religiosos, como os livros foram elaborados. Arte, y Bocabvlario foi estruturado segundo o modelo das gramáticas (castellana, brasílica e latina), que leu, transformando algumas estruturas para que a gramática conseguisse abacar devidamente as particularidades do idioma indígena em dois livros separados. No entanto, como os recursos financeiros na época de sua impressão eram escassos, Montoya optou em juntar os dois volumes em um. Por isso, se fez necessária a utilização de uma vírgula no seu título, para que o leitor observasse que se tratava de dois volumes impressos conjuntamente. A gramática divide a oração em oito partes básicas: nome, pronome, verbo, particípio, preposição ou posposição, advérbio, interjeição e conjunção. A partir disso, Montoya explica as quatro formas de pronúncia do Guarani: nasal, gutural, naso-gutural e gutural
1302
ACERO DURÀNTEZ, Isabel. La técnica lexicográfica empleada por el franciscano Maturino Gilberti en su Vocabulario en lengua Michoacán (1559), In: BUENO GARCÍA, Antonio; VEGA CERNUDA, Miguel Ángel. Lingua, cultura e discorso nella traduzione dei francescani. Perugia: Università per Stranieri di Perugia, 2011, p. 654.
1303
BAPTISTA, O eterno, 2009, p. 132.
1304
ACERO DURÀNTEZ, La técnica lexicográfica…, 2011, pp. 653-654.
1305
contraído. Para uma visualização conjunta sobre as gramáticas utilizadas por Montoya para a elaboração de Arte, y Bocabvlario de la lengva gvarani recorremos à utilização do quadro abaixo:
Institvtione Grammatica
Lingoa mais vfada na cofta do Brafil
la lengva gvarani Libro primero en que trata
de ía orthographia:
I. Gramatica en partes II. De la primera invencion de las letras.e de donde vinieron primero a nueftra efpaña III. De cómo las letras fueron halladas para reprefentar las bozes
IIII. De las letras e pronunciaciones de la lengua latina
V. De las letras e pronunciaciones de la lengua caftellana
VI. Del remedio que fe puede tener para efcrivir puramente el caftellano
VII. Del parentefco e vecindad que las letras entre fi tienen
VIII. De la orden de las vocales cuando fe cogen en diphthongo
IX. De la orden de las confonantes entre fi
X. En que pone reglas generales del orthographia del caftellano
Libro fegundo en que trata de la profodia e filaba:
I. De los accidentes de la filaba
II. De los acentos que tiene
Libro tercero, que es de laetimologia e dicion:
I. De las diez partes de la oración que tiene la lengua caftellana
II. Del nombre
III. De las efpecies del nombre
III. De las efpecies del nombre
IIII. De los nombres denominativos
V. De los nombres verbales
VI. De la
figura.genero.numero.declina cion e cafos del nombre VII. De los nombres que tienen plural o fingular VIII. Del pronombre IX. Del articulo X. Del verbo
XI. De los circunloquios del verbo
XII. Del gerundio del caftellano
XIII. Del participio
XIIII. Del nombre participial infinito
XV, De la prepoficion XVI. Del adverbio XVII. De la conjuncion
Libro cuarto que es de fintaxi e orden de las doze partes de la oracion:
Prima nominum declinatio De pronominum
De pronominum primitivorum declinatione
De verborum conjugatione Rudimenta, seu de octo partibus orationis
De octo partium orationis conftructione liber II
Gramatica institutione liber III Ad lectorem admonitio Index totius artis
I. Das letras
II. Da orthographia ou pronunciação
III. De acentu IIII. Dos nomes V. Dos pronomes VI. Dos verbos
VII. Annotações, na Conjugção
VIII. Da construição dos verbos actiuos
IX. Dalgunas maneiras de verbos em que esta auphibologia (sic!) fe tira X. Das præoifições II [XI]. De fum, es, fui
XII. Dos verbo[s] neutros feitos actiuos
XIII. Dos actiuos feitos neutros
XIIII. Da compofição dos verbos
XV. Da repetição dos verbos XVI De alguns verbo[s] irregulares de Aé
Arte de la lengva:
I. Declinacion de los nombres
II. Declinacion de los pronombres
III. Del nombre comparatiuo, superlatiuo, diminutiuo, numeral, ordinario, diftibutiuo, y partitiuo
IV. De los relatiuos, y reciprocos, y primero del relatiuo H. y recíproco Gu V. De la conyugación de los verbos
VI. De la tranficion del verbo actiuo
VII. Explicacion de los reciprocos G. O.y relatiuos H.Y.
VIII. Del verbo pafsiuo IX. Del verbo neutro
X. De la formacion de los verbos neutros em actiuos com la partícula (Mo) vel (Mbo) (Ro) l. (No.)
XI. Del verbo fubftantiuo fum, ef, fui, y de las negaciones XII. De la frequentacion, y repetición de los verbos, y nombres
XIII. De la compoficion de los verbos
XIIII. De algunos verbos irregulares
particulares del acento del verbo
IIII. En que pone reglas particulares de las otras partes de la oración
V. De los pies que miden los verfos
VI. De los confonantes e cual e que cofa es confonante en la copla
VII. De la finalepha e apretamiento de las vocales VIII. De los generos de los verfos que eftan en el ufo de la lengua caftellana: e primero de los verfos jambicos
IX. De los verfos adonicos X. De las coplas del caftellano.e como fe componen de los verfos
II. De la orden de las partes de la oracion
III. De la conftrucion de los verbos defpues de fi IIII. De la conftrucion de los nombres defpues de fi V. Del barbarifmo e folecifmo VI. Del metaplafmo
VII. De las otras figuras
Libro quinto. De las introduciones de la lengua caftellana
para los que de eftraña lengua querrán deprender:
I. De las letras filabas e diciones
II. De la declinacion del nombre
III. De la declinacion del pronombre
IIII. De la conjugación del verbo
V. De la fomacion del verbo reglas generales
VI. De la formacion del indicativo
VII. Del imperativo VIII. Del optativo IX. Del fubjunctivo X. Del infinitivo
XI. Del gerúndio participio e nombre infinito
XVIII. Del aduerbio XIX. De la interjecion XX. De la conjuncion
XXI. De la naturaleza de los verbos
XXII. De las letras, que faltan en efta lengua, y mudança de algunas
XXIII. De la ortografía, y del accento
Vocabulario Guarani:
Parte primera: Vfos, y modos de fraffes
Parte fegunda: Lo qye fe dize del hombre
O Tesoro, seguindo a tradição latina dos Thesaurus, foi o primeiro grande dicionário escrito em língua Guarani. Teve como influência para o seu título o Tesoro de la lengva castellana, o española762, por sugestão de Luis de la Palma763 e Eusebio de Nieremberg. A ideia do uso do título vinha das semelhanças, quase ficcional, onde as palavras necessitam de muitos exemplos para serem compreendidas764. Dicionário feito por uma mão e muitas vozes, sobretudo femininas, tornou-se um livro vivo e de ação765. Como se descrevesse um teatro da vida, as palavras se enchem de significado com exemplos quase cênicos, para explicar as coisas e as suas relações entre si e com as pessoas. A língua indígena, para Montoya é o corpo766, o palácio ou uma fronteira viva767, em suas múltiplas expressões (aproximadamente duas mil).
O honesto reconhecimento da contribuição dada pelos indígenas na elaboração do Tesoro tornou esta obra uma das mais ricas dedicada ao léxico Guarani. Os indígenas, como Ticú Yeguariyá e Juan Cumbá, participaram do processo de elaboração ao pronunciarem as palavras de forma pausada ou sendo interpretes na comunicação com índios de outras tribos. O resultado deste esforço e colaboração de várias pessoas contribuiu para a escritura e impressão de um rico dicionário no idioma dos nativos768. Ruiz de Montoya percebeu, como poucos, as pequenas diferenças na pronúncia e no sentido das palavras, dependendo da região e da tribo contatada. As tribos pertencentes ao mesmo grupo linguístico poderiam apresentar diferenças na pronúncia e no significado de determinadas frases.
Para o Tesoro de la lengva gvarani, fizemos igualmente um quadro comparativo para uma visualização melhor do Tesoro de la lengva castellana, na sua composição:
762
COBARRUUIAS OROZCO, Sebasftian de. Tesoro de la lengva castellana, o española. Madrid: Luis Sanchez, 1611.
763
Luis de la Palma nasceu em 1560, na cidade de Toledo (Espanha); morreu em 20 de abril de 1641, em Madrid (Espanha). Ingressou na Companhia de Jesus, no dia 19 de maio de 1575, em Alcalá de Henares (Madrid, Espanha); foi ordenado em 1584, em Alcalá de Henares, fez os últimos