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PALLADIUM / NORBORNENE DUAL CATALYSIS

1.3 Results and discussion .1. Objectives of the project

1.3.2. Synthesis of the coupling partners 1. Synthesis of naphtyl triflates

1.3.2.2. Synthesis of o-bromobenzylamines

acho necessário problematizar sobre algo que me provoca desde que fui apresentado a essa perspectiva de pesquisa e que considero importante nesse momento: Por que só agora, no doutorado, eu ouvi falar sobre pesquisa narrativa?

Se quisesse ser breve na resposta, sem problematizar, diria de imediato que essa perspectiva de pesquisa é recente22 em comparação a outras mais tradicionais. No entanto, acredito que seja interessante retomar uma questão histórica por considerá-la importante não só para entender o lugar da pesquisa narrativa, mas de toda perspectiva qualitativa. Além de possibilitar que vocês, caros leitores, compreendam esse percurso. Vamos lá?

Por muito tempo, como nos apresentam Barreiro e Erbs (2016, p. 75), as pesquisas qualitativas beberam suas bases teóricas no positivismo e só depois houve um desprender-se e um ligar-se a outras perspectivas. Os modos de se fazer pesquisa, como a partir de uma abordagem quantitativa, por exemplo, tão valorizada nas últimas décadas, apontava para uma neutralidade, método único, separação entre pesquisador e sujeito de pesquisa, que não respondiam tão bem aos fenômenos eminentemente humanos e situados em contexto, como é para as pesquisas na área de Educação. O desprender-se dessa perspectiva fez-se, portanto, necessário.

A pesquisa qualitativa, a partir de então, passa a ser apresentada como um tipo de pesquisa que se relaciona a uma variedade de métodos e faz uso de um grande

21

Calma, querido leitor. Falarei mais sobre isso no final desse capítulo;

22 Para ilustrar isso, acredito que seja interessante trazer o que destacam Barreiro e Erbs (2016, p. 75), em

relação à aceitação e o interesse da pesquisa com história de vida, no Brasil, por exemplo, apresentar um crescimento contínuo nos últimos anos;

número de materiais empíricos que descrevem momentos, rotinas e significados da vida dos indivíduos. Os pesquisadores qualitativos passam a estudar coisas em seu ambiente natural, buscando sentido ou a interpretação dos fenômenos, a partir do significado que as pessoas lhe atribuem (BARREIRO e ERBS, 2016). A “camisa de força” que sufocava certos tipos de pesquisa começa a ser rompida.

A “camisa de força” a que me referi anteriormente trata também, mas não exclusivamente, da distância considerada necessária entre o pesquisador e os participantes da pesquisa. Reconhecemos, hoje, a importância dessa relação e sabemos o quanto, em perspectivas de pesquisas mais tradicionais isso continua sendo um tabu.

Não sei se houve um rompimento definitivo e um desprender-se por completo dessas amarras, como a que apresentamos no parágrafo anterior. Ainda hoje percebemos traços do positivismo em algumas pesquisas em Educação. Acredito, na verdade, tratar- se de “camisas de força”, por que além de afetar essa relação entre o pesquisador e os sujeitos se traz implicações para os tipos de informações coletadas e consideradas como relevantes, o foco no particular e o reconhecimento de outros tipos de conhecimentos, por exemplo.

E nesse processo de rompimento e aproximação com outras correntes teóricas, como a fenomenologia, por exemplo, as narrativas se tornam mais presentes como estratégias em pesquisas qualitativas. Importante, nesse momento, como nos apresenta Barreiro e Erbs (2016), perceber as narrativas não como apenas uma ou outra estratégia presente em pesquisas qualitativas, mas, também, como uma metodologia. A pesquisa narrativa, portanto, como sinaliza (PINNEGAR; DAYNE, 2007) apud Barreiros e Erbs (2016, p. 70), precisa abraçar as narrativas, simultaneamente como método e como fenômeno a ser estudado.

Mas nem sempre foi aceitável o uso de narrativas. Infelizmente, como nos apresenta Pineau (2016, p. 13), “o uso da linguagem cotidiana nas narrativas, histórias, testemunhos de vida servia como principal argumento para marcá-las não apenas como insignificantes, mas, além disso, como ilusórias, imaginárias, até mesmo perigosas e sem nenhuma objetividade científica”. E daí você, querido leitor, me questiona: mas isso que destaca só era comum no passado? Hoje em dia a comunidade científica já percebe isso diferente?

O pior que não. Hoje em dia, ainda, algumas pessoas usam esse tipo de argumento para desconsiderar o uso de narrativas. Pode ser esse, por exemplo, um dos motivos para não ter ouvido falar de pesquisa narrativa há mais tempo.

A crescente utilização das narrativas para as pesquisas, como nos apresentam Weller e Zardo (2013), se deve ao fato da necessidade de compreender a relação entre indivíduo e estrutura e o esquema construído de maneira significativa pelos sujeitos ao relatarem suas experiências e trajetórias. Nessa direção, portanto, a pesquisa narrativa precisa ser vista como uma das formas de compreender a experiência. Para mim, hoje, a melhor forma de compreender a experiência, diga-se de passagem. Sabemos que a pesquisa narrativa, como destacam Clandinin e Connelly (2015), é uma tentativa de fazer sentido da vida como vivida e nessa direção, a pesquisa qualitativa, como assevera Maffioletti (2016), é reconhecida como o método mais fiel do que os métodos quantitativos para abordar a experiência humana, que é o nosso foco.

Embora a pesquisa narrativa, enquanto metodologia, seja nova no campo das ciências humanas, como nos apresentam (CLANDININ; ROSIEK, 2007) apud Barreiro e Erbs (2016), ela tem suas raízes na área de humanas e de outros campos. O argumento central que impulsiona o desenvolvimento e uso das pesquisas narrativas está assentado na visão de que a experiência humana é construída pelos seres humanos, individual e socialmente.

O professor Guilherme Prado costumava dizer, quando fiz a disciplina “Diálogos entre perspectivas Sócio-Históricas e Narrativas” lá na Faculdade de Educação da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), no primeiro semestre de 2017, que alguns pesquisadores ainda apresentam essa visão23 das narrativas. Daí, sobretudo, é importante perceber que perspectiva de ciência eles querem atender? Se for a uma etnociência, por exemplo, a percepção em relação às produções narrativas será diferente do que é em pesquisas mais tradicionais.

Só para ilustrar o que eu digo, acho interessante trazer algo que aconteceu comigo e que provavelmente possa ter acontecido, em algum momento, com vocês. Conversei, certa vez, com uma amiga que pesquisa na área da Bioquímica. Em nossa conversa ficou claro o seu aceite ao pouco financiamento a pesquisas da área de educação e o considerar que dificilmente nas áreas de humanas se faz ciência. Nítido que partimos de concepções de ciência diferentes.

23 Nesse momento retomo o que construí anteriormente a partir da citação de Pineau (2016, p. 13) de que

“o uso da linguagem cotidiana nas narrativas, histórias, testemunhos de vida servia como principal argumento para marcá-las não apenas como insignificantes, mas, além disso, como ilusórias, imaginárias, até mesmo perigosas e sem nenhuma objetividade científica”.

Em nossa conversa fica claro a relação que a sua pesquisa tem com aquela perspectiva mais tradicional, a que apresentamos em outro momento deste texto. Nessas discussões, com pessoas que são de áreas diferentes da nossa, fica ainda mais “gritante” as diferenças no modo de se fazer e pensar a pesquisa. Por exemplo: A perspectiva de pesquisa narrativa busca ampliar o olhar sobre o objeto de pesquisa e não fazer generalizações24, o que é diferente em perspectivas mais tradicionais. “[...] Na pesquisa narrativa o pesquisador tende a escapar ao papel de controlador de hipóteses que podem ser testadas ou provadas”25

, mais uma vez, algo provavelmente feito por ela, pela minha amiga.

A pesquisa que a minha amiga da Bioquímica realiza, portanto, é diferente das nossas pesquisas e não cabem hierarquizações. E quando eu digo que é diferente não estou me referindo apenas ao processo de produção de dados. Refiro-me, principalmente, ao nosso papel enquanto pesquisadores.

Como nos apresentam Clandinin e Connelly (2015), não trabalhamos, enquanto pesquisadores, apenas com os participantes, mas também conosco mesmos. Trabalhar nesse espaço significa que nos tornamos visíveis com nossas próprias histórias vividas e contadas. Ao contarmos alguma história lembramo-nos de nós mesmos, seja sobre épocas antigas, assim como histórias mais atuais. Todas essas histórias fornecem roteiros possíveis para nosso futuro

.

“Na pesquisa narrativa é impossível (se não impossível, então obrigatoriamente decepcionante) como pesquisador ficar silencioso ou apresentar um self perfeito, idealizado, investigativo, moralizante” (op.cit, p. 98).

Vou apontar mais um elemento que, de certa forma, diferencia a pesquisa narrativa de outras mais tradicionais, tudo bem? Na pesquisa narrativa, como nos apresenta Clandinin e Connelly (2015), não existe uma única verdade ou uma versão correta dos fatos, como estão acostumados a buscar em modelos de pesquisa mais tradicionais. Nessa perspectiva, nossos textos de campo [que explicarei depois o que é] são sempre interpretativos, sempre compostos por um indivíduo, e num determinado momento. “O sentido subjetivo que tem uma ação para o ator é único e individual, por que se origina de uma situação biográfica única particular” (WELLER e ZARDO, 2013, p. 132).

Vocês, queridos leitores, devem ter percebido que sempre pontuo o texto e o situo com um “nesse momento”. Penso ter ficado claro, pela discussão que construímos

24 Clandinin e Connelly (2015); 25

no parágrafo anterior, o motivo de utilizá-lo com tanta frequência, né? Exatamente por isso: “Todos têm sua própria interpretação dos eventos e cada uma é igualmente válida. A pesquisa perde sua qualidade narrativa, pois a tensão entre a experiência e o significado que lhe damos é perdida” (CLANDININ e CONNELLY, 2015, p. 124).

O que penso, nesse momento, pode não ser o mesmo que você pensa. O que penso hoje pode não ser o mesmo que pensarei amanhã, uma vez que minhas leituras e experiências de vida implicam nesse movimento de mudança. As experiências, portanto, constituem-se como algo importante para nós pesquisadores narrativos. Lembre-se: O reducionismo transforma o todo em algo inferior26. Para os formalistas, portanto, as experiências são coisas que precisam ser ignoradas27. Para nós não.