Sobre uma definição acerca de desenvolvimento, Singer (2003) acredita que este se caracteriza pela ausência de uma conceituação universalmente aceita e o simplifica em duas correntes: as que identificam desenvolvimento como crescimento econômico e as que distinguem desenvolvimento de crescimento. Porém, a dinâmica econômica é invariavelmente a mesma em seus fundamentos.
Assim, passo a passo, o crescimento econômico é um processo contínuo de progresso científico e sua aplicação é baseada em técnicas de produção, mediante acumulação de capital. A existência de sistemas econômicos diferentes não é casual nem desvinculada da problemática do desenvolvimento e, cada sistema permite determinado grau de crescimento econômico, explica o autor.
Num mundo em que existem diferentes sistemas econômicos, alguns se mostraram mais suscetíveis que outros para adotar novas técnicas de produção. No entanto, para Singer, desenvolvimento se traduz usando a temática dos diferentes sistemas econômicos existentes. Ele explica que o subdesenvolvimento é o resultado da ausência de crescimento ou do desnível entre índices de crescimento de países diferentes. “O mero crescimento econômico não se identifica com o desenvolvimento”.
Singer (2003) exemplifica tal afirmação dizendo que a renda per capita não é suficiente para que haja desenvolvimento e sim crescimento. Pode-se dizer que desenvolvimento e crescimento econômico são sinônimos em sua essência, mas quando não ocorre o crescimento, não há desenvolvimento, e sim subdesenvolvimento.
Por outro lado, Sachs (2004) trata sobre essa conceituação fazendo inferência aos países do terceiro mundo. Para ele, o desenvolvimento deve ser abordado:
Como processo histórico, o que pode, no estado atual, esclarecer as normas de ação, não para fornecer fórmulas feitas, mas para introduzir um determinado modo de pensar, ajudando a levantar questões pertinentes que não são nada evidentes e que não seriam sem dúvida levantadas sem a contribuição da teoria.
Ele aborda ainda a operacionalização do desenvolvimento e comenta que uma tecnologia do desenvolvimento aplicável deve ser inventada para cada ocasião, levando em conta a realidade histórica do processo social global. A teoria do desenvolvimento deseja que todos os seus protagonistas a reinventem constantemente, e que a confrontem intensamente com a prática, de maneira a enriquecê-la.
O autor aponta que o mais importante é liberar-se da influência de um paradigma mecanicista emprestado das ciências físicas e que se traduz principalmente por uma excessiva concentração da atenção sobre o volume da poupança e do investimento. Mas importa também saber qual será a eficácia social do investimento. De um modo geral, Sachs (2004) mostra o desenvolvimento sob uma ótica um tanto social, bem como política, em que há interferência de bancos e do governo num país, por exemplo.
Os efeitos do crescimento econômico segundo padrões cumulativos, a crescente consciência ambiental e a ineficácia das políticas tradicionais de desenvolvimento, visto os pobres resultados nos países menos desenvolvidos e sua incapacidade para fazer frente a ciclos econômicos recessivos sofridos pelos países desenvolvidos, facilita a aparição de políticas superadoras da concepção quantitativa do desenvolvimento que incorporam variáveis qualitativas irrenunciáveis a vista dos efeitos sociais (desemprego estrutural, marginalização social, pobreza...), ecológicos (ameaças a conservação do meio ambiente), e territoriais (incremento dos desequilíbrios territoriais), dos padrões de desenvolvimento baseados na acumulação, modelos de desenvolvimento que, ademais, não oferecem uma solução clara para as crises que tem contribuído a engendrar (Instituto Universitario de Geografia, Universidad de Alicante, 2001, p.14).
Sob a ótica do desenvolvimento, Sen (2000) trouxe contribuições que perpassam a dinâmica econômica, onde os fins e os meios dessa temática afloram o lado social, humano. O autor acredita que a existência de redes de segurança social para proteger os muito pobres, o fornecimento de serviços sociais para a população, entre outros, são uma consequência do desenvolvimento a partir do ganho econômico, sendo este o ponto de partida à abertura de outros fatores sociais que beneficiam a maioria, ou seja, o desenvolvimento é tido como um processo de expansão das liberdades reais (papel constitutivo e papel instrumental) que as pessoas desfrutam.
Assim sendo, o autor defende que “o processo de desenvolvimento, quando julgado pela ampliação da liberdade humana, precisa incluir a eliminação da
privação dessa pessoa”. A eficácia dessa liberdade como meio e não apenas como fim concerne ao modo como diferentes tipos de direitos, oportunidades e intitulamentos contribuem para a expansão da liberdade humana em geral e, assim, para a promoção do desenvolvimento.
Direitos, oportunidades e intitulamentos instrumentais de liberdade são destacados pelo autor através de cinco componentes que se inter-relacionam, são eles: facilidades econômicas, liberdades políticas, oportunidades sociais, garantias de transparência e segurança protetora, sendo o processo de desenvolvimento extremamente influenciado por elas. É importante apreender essas interligações ao deliberar sobre políticas de desenvolvimento.
A ênfase aos aspectos qualitativos da inclusão social de caráter psicológico, sociológico, político e cultural relaciona-se ao nível de satisfação e felicidade das pessoas e à possibilidade de expressão e realização de direitos de participação nos processos democráticos de mudanças. O poder e autonomia das comunidades é requisito do desenvolvimento regional. Esse processo inicia-se pela consolidação das instituições, cujo conceito transcende a formalização das estruturas, abrangendo os valores culturais da população. Por outro lado, as instituições devem ser paradigmas da ética, desfrutando de idoneidade e credibilidade. Na abordagem sociológica da educação, identificada com a cultura popular, reitera-se o elemento do desenvolvimento humano como premissa do desenvolvimento econômico (TOMAZZONI, 2007, p. 33).
Conforme Sen (2000), desenvolvimentos econômicos foram imensamente favorecidos pelo desenvolvimento dos recursos humanos relacionado com as oportunidades sociais que foram geradas. O autor cita, inclusive, a diminuição da mortalidade em alguns países como fator de desenvolvimento que, associado às liberdades do indivíduo, trouxeram benefícios humanos consideráveis para a população aliado a uma ótica econômica. Nesse processo, outra característica da obra de Sen é destacar a necessidade de envolvimento das pessoas no processo de desenvolvimento, articulando-se com o Estado não só passivamente ao usufruírem dessas liberdades, mas principalmente na construção dessa estrutura, sendo um meio e um fim para o desenvolvimento.
No que se refere ao Estado como detentor de poderes e construtor de políticas públicas que visam ao auxílio na execução de ações em prol da melhoria de vida das pessoas em todos os âmbitos a que lhe confere, pode-se destacar que o desenvolvimento requer integração e atuação eficazes do setor público no trato com as dinâmicas socioeconômicas existentes nas localidades. Especialmente em
turismo, visto como atividade econômica para uns e como fenômeno social para outros, salienta-se que não pode haver turismo sem a existência dessas duas vertentes (social e econômica), o que mostra a importante e imprescindível inter- relação entre os temas abordados.