III. Influence de dopants sur la microstructure et les propriétés
III.5. Dopage au bismuth
III.5.3. Synthèse sans palier de préfrittage
As diferentes experiências de educação não-formal que fizeram parte da pesquisa de campo deste trabalho, as quais serão exploradas com detalhes nos capítulos seguintes, apresentam como ponto em comum a utilização da linguagem fotográfica enquanto instrumento de arte e educação. Foram analisadas as experiências de formação e prática de cada um dos idealizadores do Programa Imagens do Povo na cidade do Rio de Janeiro (RJ), a Ensaio Brasil Produções ltda na cidade de João Pessoa (PB), e a Associação Fotoativa em
Belém (PA). A escolha das três experiências se deu devido ao processo de arte e educação construído ao longo de vários anos por estas instituições, se tornando uma font de investigação na atuação deste campo específico do ensino das Artes Visuais através da fotografia. Além disso, a escolha está relacionada com o meu próprio processo de trabalho como fotógrafa, artista e educadora que se constituiu a partir do uso da linguagem fotográfica em projetos de arte e educação no âmbito da educação não-formal.
O quadro a seguir mostra as instituições, selecionadas identificando a formação dos artistas e educadores, a localização, institucionalização jurídica, ano de início das atividades e público-alvo.
Descrição das Entidades Instituições Formação dos
Arte/Educadores fundadores Localização Pessoa Jurídica Ano de criação Público-alvo Escola Imagens do Povo Comunicação – opção em Jornalismo – UFRJ
Rio de Janeiro OSCIP 2004 Público diversificado, mas preferencialmente jovens e adultos de comunidades em vulnerabilidade social. Agência Ensaio Brasil Comunicação – opção em Jornalismo – UFPB
João Pessoa Empresa - Produtora Cultural 1990 Público diversificado, mas preferencialmente crianças, jovens e adultos de comunidades em vulnerabilidade social. Associação Fotoativa Engenharia Elétrica – UNICAMP
Belém ONG 1984 Público diversificado,
mas preferencialmente crianças, jovens e adultos de comunidades em vulnerabilidade social. Além desse público, tem sido desenvolvido um trabalho de formação com os professores de artes da rede pública de ensino de Belém.
Com base no quadro acima, constatado a partir da pesquisa de campo, é importante destacar que as três instituições apesar de desenvolverem ações análogas de arte e educação a partir da linguagem fotográfica, possuem diferentes titulações jurídicas, o que não nos permite chamá-las de ONGs, mesmo que tenham como missão e foco de ação atividades relacionadas ao universo das mesmas. Irei, a seguir, fazer uma breve descrição sobre cada uma das instituições, em relação aos dados institucionais e missão que se propõem.
Programa Imagens do Povo
1. Nome da Organização: Observatório de Favelas (OSCIP). O Programa Imagens do Povo é um projeto que faz parte das atividades da OSCIP.
2. Endereço: Rua Teixeira Ribeiro, 535, Maré, Rio de Janeiro – RJ. CEP 21044- 251
Telefone: (21) 3105-4599 ramal 207.
Fundador do Programa Imagens do Povo: João Roberto Ripper. Coordenadora: Joana Mazza.
Endereço eletrônico: www.imagensdopovo.org.br
Missão: O Programa Imagens do Povo é um centro de documentação, pesquisa, formação e inserção de fotógrafos populares no mercado de trabalho. É também um espaço aberto destinado à apresentação e discussão da produção fotográfica contemporânea. Criado pelo Observatório de Favelas, o projeto alia a técnica fotográfica às questões sociais, registrando o cotidiano das favelas através de uma percepção crítica, que leve em conta o respeito aos direitos humanos e à cultura local.
Ensaio Brasil Produções ltda.
1. Nome da Organização: Ensaio Brasil Produções ltda (Empresa - Produtora Cultural).
2. Endereço: Rua Alberto de Brito, 895. Bairro de Jaguaribe. João Pessoa (PB) CEP: 58015-320.
Telefone: (83) 8704-2019 Coordenador: Ricardo Peixoto.
Endereço eletrônico: www.agenciaensaio.blogspot.com.br
Missão: A Ensaio Brasil Produções vem ao longo dos anos revolucionando conceitos do fazer e pensar a arte como forma de transformação e contribuição
social. Tornou-se referência para várias gerações de artistas, criando ações concretas que ganham força na produção independente do país. Marca a passagem do homem no tempo. Cronista da sua história fortalece a democratização da arte e a livre circulação do artista e a sua obra.
Associação Fotoativa
1. Nome da Organização: Associação Fotoativa (ONG).
2. Endereço: Praça das Mercês 19 – Comércio – Belém (PA) – CEP: 66010-110 Telefone: (91) 3225-2754
Coordenação: Miguel Chikaoka.
Endereço eletrônico: www.fotoativa.org.br
Missão: Promover a sensibilização do olhar com transparência, leveza e paixão. Na consecução de tal projeto, ficou estipulado que qualquer atividade da Associação, seus associados e simpatizantes, terá como referência basilar os seguintes valores: justiça, consciência, responsabilidade socioambiental, compromisso com a estética, a experimentação e a crítica, conhecimento como instrumento de transformação e expressão individual e coletiva.
Antes da pesquisa de campo, investiguei sobre os espaços educativos através dos sites citados anteriormente, com informações disponíveis online, além de matérias e entrevistas sobre os fotógrafos, artistas e educadores em questão. A pesquisa de campo nos espaços, Imagens do Povo, Ensaio Brasil Produções e Fotoativa, foram definidas para serem realizadas, cada uma delas, com duração de uma semana, por meio da vivência e observação da administração da instituição, das aulas e oficinas, e de entrevistas realizadas com os três fotógrafos, artistas e educadores fundadores. A intenção foi investigar o processo de formação e prática desenvolvidas por estes profissionais.
A experiência da vivência no local onde os respectivos projetos acontecem, incluindo o contato com estes artista e educadores no seu dia a dia de trabalho, assim como as demais pessoas que fazem parte destas ações, como educandos, educadores, administradores, colaboradores e as comunidades onde atuam, foram de vital importância para o processo de análise das entrevistas, atribuindo às palavras, um caráter de vivacidade, colocando os elementos, discurso e prática, em diálogo e sintonia, viabilizando assim o processo teórico sobre as práticas.
Em cada local permaneci por um período de uma semana, somando 35 horas de trabalho de pesquisa. Essa vivência também agregou mais elementos que dão ao objeto de pesquisa um caráter de complexidade, fazendo com que seja necessária a utilização de metodologias condizente com a pesquisa realizada, que passa pela vivência e observação, análise do discurso e história de vida dos fotógrafos, artistas e educadores em questão. A partir do cruzamento destes três elementos metodológicos é possível criar uma metodologia para análise dos dados que possa contribuir para a geração de conhecimento científico, neste novo campo do ensino das Artes Visuais, no que diz respeito à formação e prática dos respectivos profissionais. Além de abrir possibilidade para o estudo comparativo que pode ser explorado na análise dos dados, tanto no que diz respeito às práticas e processos de formação, quanto às metodologias específicas da linguagem fotográfica.
Dentre os principais tipos de entrevistas qualitativas na educação temos as classificadas como estruturada, semiestruturada e livre. Optei pela entrevista semiestruturada. As questões, nesse caso, deverão ser formuladas de forma a permitir que o sujeito discorra e verbalize seus pensamentos, tendências e reflexões sobre os temas apresentados. O questionamento é mais profundo e, também mais subjetivo, levando ambos a um relacionamento recíproco, muitas vezes, de confiabilidade. Frequentemente, elas dizem respeito a uma avaliação de crenças, sentimentos, valores, atitudes, razões e motivos acompanhados de fatos e comportamentos. Exigem que se componha um roteiro de tópicos selecionados. As questões seguem uma formulação flexível, e a seqüência e as minúcias ficam por conta do discurso. (ROSA, ARNOLDI, 2006, p. 30-31)
Nesta perspectiva as entrevistas foram semiestruturadas permitindo que outras perguntas fossem acrescentadas de acordo com a condução do debate sobre o tema. As entrevistas foram transcritas de acordo com as declarações dos pesquisados na íntegra e anexadas no final da dissertação. As mesmas foram enviadas para os respectivos pesquisados, para que pudessem ler o material e assinar um termo autorizando a divulgação neste documento, assim como também para uso de todas as imagens, de autoria deles e dos acervos dos respectivos espaços educativos, aqui utilizadas. É importante também ressaltar que os artistas e educadores, assim como os demais envolvidos nas ações, mostraram-se muito disponíveis para a realização da pesquisa, contribuindo para todo o processo de vivência no local.
Os autores utilizados no 1° e 2° capítulo, que fundamenta nesta pesquisa a discussão teórica sobre os processos artísticos contemporâneos e a educação popular, práticas presentes nos processos de formação do educador na educação não-formal no campo da arte e da educação, proporcionaram suporte para a observação em campo, sobre o domínio da técnica
artística, da utilização das metodologias baseadas no diálogo, na afetividade, na reflexão crítica sobre a prática do entendimento da educação como uma forma de intervenção ideológica no mundo. Relatarei a seguir, nos capítulos seguintes, 3°, 4° e 5°, as ações desenvolvidas e observadas nestes espaços educativos, em paralelo à trajetória profissional dos fotógrafos, artistas e educadores e as entrevistas realizadas, para no 6° capítulo, analisar os dados como elementos construtores da formação destes profissionais na área do Ensino de Artes Visuais.
Encerrando este capítulo é importante ressaltar o potencial da linguagem fotográfica no que diz respeito à sua possibilidade artística e reflexiva, acrescidas do desejo de compartilhar e criar por meio desta linguagem de forma coletiva, fazendo dessa prática mais um elemento nessa teia complexa de formação que constitui o artista e educador da educação não-formal aqui abordado, para adentrarmos nos próximos capítulos, onde irei relatar as pesquisas de campo realizadas nos três espaços educativos com os respectivos fotógrafos, artistas e educadores, objetos da pesquisa, para investigar seus processos de formação e prática no campo de Ensino das Artes Visuais, no âmbito da educação não-formal.