• Aucun résultat trouvé

III. Influence de dopants sur la microstructure et les propriétés

IV.3. Discussion

A pesquisa de campo na Escola Imagens do Povo ocorreu entre os dias 24 e 30 de abril de 2012 na cidade do Rio de Janeiro, somando um total de 35h de trabalho no local. Como sugestão do próprio fotógrafo, artista e educador João Roberto Ripper, que enfatiza a importância da vivência com a comunidade no trabalho em questão, fiquei hospedada na Favela da Maré, na casa de um casal, Elisângela Leite e Adriano Rodrigues, ex-alunos, formados pela Escola de Fotógrafos Populares Imagens do Povo, que continuam envolvidos nas atividades e nas ações desenvolvidas pela Escola.

A vivência na comunidade atribuiu à experiência um caráter de intensidade, de imersão, possibilitando o convívio diário com a mesma e com os envolvidos no trabalho de execução da Escola Imagens do Povo. Neste processo, a observação, respectivas anotações e a escuta atenta foram importante elementos, que agregados às entrevistas e o registro

37Entrevista concedida por Ratão Diniz à pesquisadora Judivânia Maria Nunes Rodrigues, no Rio de Janeiro, em

fotográfico, resultaram em material para construção deste relato e posterior análise dos dados. Em específico, nesta experiência, a entrevista não ficou restrita ao fotógrafo, artista e educador em questão, mas foram ampliadas, para se ouvir outras pessoas que participam do processo, pois as atividades da escola apresentam um caráter coletivo, onde os ex-educandos têm um papel importante como colaboradores e multiplicadores das ações e conhecimentos adquiridos, tornando-se assim outros agentes de ensino das Artes Visuais através da fotografia, no âmbito da educação não-formal. A escuta de cinco ex-alunos da escola, Ratão Diniz, Adriano Rodrigues, Elisângela Leite, Fabio Caffé e Rovena Rosa, assim como também da atual coordenadora do Projeto Joana Mazza, mesmo que não seja o objeto direto da pesquisa aqui em questão, permitiu mais elementos para se analisar o processo de formação e prática de João Roberto Ripper, objeto da pesquisa.

De início, o contato com o local, conhecer e observar as instalações da Escola, assim como os arredores da comunidade, entre o Programa Imagens do Povo e a rua em que estava hospedada, que percorrendo o caminho a pé, levava entre 10 e 15 minutos. Elisângela, ex- aluna da Escola que me recebeu com muita hospitalidade na sua casa, me levou para caminhar pela comunidade, contando sobre o lugar e me situando sobre o local onde estávamos, pois o Complexo da Maré inclui 16 favelas do Rio de Janeiro, dentre as quais a Vila Holanda situada na frente do Morro do Alemão, onde se localiza a Escola Imagens do Povo.

As imagens fotográficas que registrei da comunidade foram muito poucas, necessitava um tempo bem maior de convívio no local para que a câmera fotográfica fosse utilizada sem representar uma ameaça de uma pessoa desconhecida, pois a favela da Maré é uma área de conflito entre o tráfico de drogas e a polícia. Sontag (2004) nos possibilita a reflexão sobre a ação do fotógrafo, colocando em destaque que na maioria das vezes, o mesmo é um superturista, uma extensão do antropólogo, que visita comunidades e produz imagens exóticas. Esta reflexão me fez entender que naquele momento o registro das cenas ficaria só na minha memória, para que também não corresse o risco de reproduzir estereótipos através do “olhar aligeirado” sobre o lugar. Assim como também, perceber o trabalho fotográfico do Programa Imagens do Povo como necessidade de desconstrução deste olhar estereotipado, através do diálogo com a comunidade.

O curso de Formação de Fotógrafos Populares do Programa Imagens do Povo tem duração de um ano. Mesmo sendo uma escola de educação não-formal, João Roberto Ripper, busca a parceria da educação formal e atualmente, em parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ concede diploma de extensão universitária para os alunos que se formam. O diploma de extensão universitária que eles disponibilizam aos educandos é uma

forma de questionamento sobre a necessidade de parceria entre estes dois campos do ensino, no intuito de criar possibilidades para “[...] que a universidade possa enquanto instituição ir para dentro dos espaços públicos populares, além de abrir mais portas para que as pessoas dos espaços públicos populares possam ir para dentro das universidades.” 38

O curso de fotógrafos populares se constitui entre técnica e teoria fotográfica e o currículo, segundo Joana Mazza, coordenadora do Projeto, está atualmente em constituição devido às alterações buscadas para que seja possível abordar, com mais qualidade, a fotografia nas suas múltiplas possibilidades, dentre elas, a arte. Segundo ela, em 2010, começa uma aproximação maior entre fotografia e arte no currículo da Escola, em 2011 por falta de financiamento o curso de formação de fotógrafos populares não aconteceu, e na turma em curso, 2012, foi acrescentada ao currículo a disciplina de História da Arte, com carga horária de 60h. A coordenadora conta em entrevista que

“Em 2011 só teve oficina pinhole com crianças e adolescentes, que é um projeto muito mais lúdico com outro campo, e agora em 2012, nós estamos retornando o curso da Escola de Fotógrafos Populares com essa questão da arte muito mais intrínseca. Na primeira semana já fomos ao MAM ver algumas exposições, fomos a outros centros culturais, fomos na exposição do Gustavo Belizon no Centro Cultural Maria Tereza Vieira. Então, nós estamos buscando mais esses espaços da arte e também com as aulas de história da arte, com 60 horas. Eu não sou professora, mas como coordenadora, e formada na área de artes, eu entendo a importância de trazer especialistas nesta área para eles. [...] tem coisas que eu não consigo imaginar fora da vida, eu acho que cultura e arte fazem parte do ser humano, todo mundo quer ter acesso a cultura e arte, não importa a classe social, não importa nada. Talvez algumas pessoas tenham mais necessidade do que outras porque cada um tem seus objetivos, seus interesses, mas isso é um assunto que toca a todos. Trabalhar com a sensibilidade, com o olhar diferenciado, trazer questões novas, isso tudo é super importante. [...] se você tem um espaço que fornece formação na área, vai ter interessados em ter esse conhecimento.”39

Joana Mazza é graduada em pintura pela Escola de Belas Artes do Rio de Janeiro - UFRJ e diz que o objetivo maior do Programa Imagens do Povo não é o ensino da arte, ou seja, formar artistas, mas sim formar cidadãos. Mas a arte, segundo ela, perpassa todas as atividades, o que possibilita o entendimento e prática da fotografia enquanto processo artístico. A Escola tem no curso de Formação de Fotógrafos Populares a sua principal atuação, a condutora da ação. O público atingido são principalmente moradores de

38Entrevista concedida por João Roberto Ripper à pesquisadora Judivânia Maria Nunes Rodrigues, no Rio de

Janeiro, em 25 de abril de 2012

39Entrevista concedida por Joana Mazza à pesquisadora Judivânia Maria Nunes Rodrigues, no Rio de Janeiro, em

comunidades em vulnerabilidade social, na faixa etária entre 15 e 45 anos, não havendo restrição de idade para maiores de 45 anos. A proposta também contempla moradores de outras áreas da cidade, pois segundo João Roberto Ripper

“O ideal era que pudesse ter mais turmas, mais professores, mais espaços, com turmas até bem menores, mas o problema é que na medida em que essa discussão que eu estou te colocando foi tão bem sucedida pela Escola que chamou tanta gente para lá, que um processo de seleção com mais de duzentas pessoas te faz entender que você tem que criar alternativas para um ensino eficaz, e o calcanhar de Aquiles vai vir na hora da aula prática, da realização dos projetos fotográficos, junto das aulas práticas de domínio da informatização, photoshop, como é que vai se dividir a turma para que você tenha uma pessoa por computador e a outra parte da turma documentando a história que escolheu para documentar, outra parte talvez editando, isso vai cobrar muito mais hoje da Joana Mazza que está lá coordenando, como é que ela resolve essa parte. Mas também é muito difícil você não entender o avanço, que inúmeras pessoas que não são de comunidades começaram a aderir a esse discurso, começaram a querer ir para dentro da comunidade, compartilhar, aprender e nós achamos que isso era extremamente positivo, tem dado resultados excelentes. [...] isso tem feito uma interação muito grande, tem trazido a desmistificação da cidade partida, porque também a cidade partida vira uma coisa estereotipada na medida em que é partido mesmo, é quebrado mesmo, não podem caminhar em igualdade, mas é quando as diferenças conseguem se abraçar que você faz as coisas andarem para frente, quando as diferenças não se abraçam se chocam.”40

Para além deste curso que apresenta também o caráter profissionalizante, é desenvolvida a oficina pinhole destinada ao público infanto-juvenil. As oficinas são geralmente, ministradas por ex-alunos da Escola, e aqui a faixa etária atendida é de 07 a 15 anos, não ficando restrita a participação para maiores de 15 anos. A não restrição por idade, segundo Ripper, atribui um caráter mais inclusivo para as ações e contribui para a interação entre diferentes gerações. A oficina pinhole tem geralmente a duração de um semestre, mas no período da pesquisa de campo, o curso não estava em execução.

Durante o período em que estive no Programa Imagens do Povo, assisti três aulas do curso de Formação de Fotógrafos Populares. Uma aula de PhotoShop, uma de história da arte e uma aula prática no sábado pela manhã na feira da comunidade, realizada na Avenida Teixeira, onde está localizada a Escola Imagens do Povo.

40Entrevista concedida por João Roberto Ripper a pesquisadora Judivânia Maria Nunes Rodrigues, no Rio de

Foto 8 – Foto Judivânia Rodrigues – aula prática na feira da Avenida Teixeira.

A turma tem mais de 60 alunos. Na aula de Photoshop observei que a Escola investe na qualidade do ensino da técnica fotográfica. A esse respeito Ripper se posiciona, a partir da sua formação como fotógrafo, que se constituiu de forma autodidata por meio da intensa prática ao longo de mais trinta anos, dizendo que

“Dentro do curso entra toda a técnica, quanto mais o fotógrafo domina a técnica e sabe a técnica, mais ele pula a etapa da técnica para poder ir para a etapa da linguagem, a etapa do olhar, do olhar à expressão das pessoas, do reconhecer valores e aprender valores com as pessoas e poder fazer o seu trabalho, quanto mais técnica ele tem mais ele pode concentrar nisso, além disso, atende também a uma discussão que apesar de tudo isso as pessoas não são obrigadas a seguir esse caminho, elas podem simplesmente usarem o que aprenderam e seguir outros caminhos dentro da fotografia. Têm fotógrafos que a partir daí vão fazer fotos de casamento, outros vão fazer fotos de aniversário, vão fotografar festinhas, vão criar mil maneiras de sobrevivência, e isso também está perfeitamente dentro do que se propõe. O sonho que se vive lá e o embrião político que se gera, uma energia, que a gente pode falar dela, que você ouviu e te atiçou a vir aqui, mas que agora você viu de uma maneira diferente, pois é, essa energia fantástica, ela é fantástica, mas ela não é um grilhão, ela não obriga as pessoas a terem que seguir caminhos marcados e só aqui, ela possibilita esses caminhos, mas abre para preparar a pessoa para qualquer caminho profissional dentro da fotografia.”41

41Entrevista concedida por João Roberto Ripper à pesquisadora Judivânia Maria Nunes Rodrigues, no Rio de

Na aula prática observei o trabalho pedagógico de transmitir a técnica fotográfica aliada à ética sobre o objeto fotografado, sobre o outro, o respeito pelo outro e a importância da relação fotógrafo fotografado era sempre ressaltada. Pensando a fotografia como um ato relacional, onde o produto fotográfico, que tem a intenção de ter um resultado a partir dessa interação, resulta no que João Roberto Ripper chama de fotografia compartilhada, a qual faz parte de sua formação, construída na prática, ao longo de sua trajetória profissional. Ele cria o termo a partir da prática artística desenvolvida em comunidades, onde o fazer e o processo de formação acontecem concomitantemente.

“Tenho como proposta profissional colocar a minha fotografia a serviço das pessoas e comunidades que fotografo. É o que chamo de “fotografia compartilhada” onde o fotografado sabe o que estou fazendo, porque estou fazendo e participa do processo. Tento produzir imagens não apenas das pessoas, mas junto às pessoas, buscando um olhar comum. Também procuro combater a informação única que leva aos estereótipos. [...] Como exemplo, posso citar a visão majoritária que a sociedade recebe sobre as favelas, com consistente ênfase na violência e na ausência. Isso se repete nas questões agrária, indígena e quilombolas. Uma das informações mais omitidas é o belo e o digno que fartamente existem em todas essas comunidades. Tento criar um elo de bem- querer entre as pessoas que fotografo e a sociedade em geral.”42

Esse processo de trabalho que Ripper nomeia de fotografia compartilhada é esta criação fotográfica que acontece justamente a partir do encontro com o outro, do diálogo com o objeto fotografado. “De fato, entre a coisa e a fotografia opera-se um encontro. E o processo fotográfico é precisamente o acontecimento desse encontro” (ROUILLÉ, 2009, p.72). A imagem, a representação acontece em função desta relação que se estabelece permitindo a criação, tornando visível o que se vive naquele encontro. “A fotografia não expressa exatamente uma coisa preexistente, ela produz uma imagem no decorrer de um processo que coloca a coisa em contato, e em variações, com outros elementos materiais e imateriais” (ROUILLÉ, 2009, p.73).

Esse encontro produz uma nova realidade, que Kossoy (1998) define como segunda realidade, a que se inscreve no documento, a representação, que é criada por meio dos nossos filtros culturais, estéticos e ideológicos, a partir da relação vivenciada. O autor diz que “haverá sempre um complexo e fascinante processo de criação/construção de realidades” que fazem parte dos processos fotográficos, e nesse jogo, “as imagens técnicas tornam as imagens mentais reais” (KOSSOY, 1998, p.46), as imagens relacionais, tornam-se imagens poéticas.

Este processo de formação construído na prática por João Roberto Ripper pode ser observado nas metodologias utilizadas pelos educadores da Escola Imagens do Povo.

Na aula sobre História da Arte, esta é a primeira turma da Escola Imagens do Povo que tem no currículo 60h aula de História da Arte, observei a ênfase dada na relação arte e política, arte e o social, ou seja, entre arte e vida. A arte vinculada à ideologia, fazendo uma leitura da arte como discurso político, social e estético. O tema abordado era arte mexicana e os artistas em pauta eram Frida Kahlo e Diego Rivera.

Em conversa, após a aula, com o professor de arte, Antônio Paiva, o mesmo relata que não tem formação acadêmica em arte. Diz que a sua trajetória de formação foi construída a partir de muitas leituras, vários cursos sobre história da arte, e também a forte influência da Sociedade Fluminense de Fotografia43, onde fez vários cursos e agora ministra aulas.

Para finalizar a vivência, optei por conversar e estar com os ex-alunos da Escola, os quais me concederam entrevistas, como já foi citado anteriormente, alguns deles educadores hoje, inclusive na própria Escola. Neste encontro eles me trouxeram vários elementos que acho relevante constar aqui na pesquisa como a produção do livro Imagens do Povo que foi lançado em junho de 2012 pela editora NAU. No momento em que eu estava realizando a pesquisa de campo, o lançamento do livro se apresentou como um acontecimento muito importante para estes ex-alunos que fazem partedo grupo que constitui o Programa Imagens do Povo.

Seria uma forma de poder divulgar o trabalho, que estava sendo construído ao longo dessa trajetória que teve início em 2004, inclusive fora do Brasil, pois 14 imagens do livro iriam fazer parte da exposição Ginga da Vida, na Galerie Fondation Alliance Française, em Paris, em junho de 2012 para o lançamento oficial do livro do Programa Imagens do Povo. Os fotógrafos e ex-alunos, AF Rodrigues, Elisângela Leite e Ratão Diniz, além de Joana Mazza, estiveram presentes representando o Programa. A mostra compôs a programação do festival “Alianças em ressonância – Brasil”, uma homenagem à cultura brasileira da Fundação Aliança Francesa. A publicação do livro teve o patrocínio da Secretaria de Estado de Cultura do Rio de janeiro (SEC), que criou o edital de Artes Visuais, que contemplava projetos de exposição de arte, intervenções urbanas e publicações de arte, no intuito de incentivar a criação artística, bem como a integração cultural, a pesquisa de novas linguagens, a formação e o aprimoramento de pessoal de sua área de atuação. São 102 imagens produzidas por

43Sobre a Sociedade Fluminense de Fotografia e os cursos oferecidos acessar o site www.sff.com.br/historia.htm.

Esta instituição contribuiu de forma significativa para o desenvolvimento e divulgação da fotografia carioca e brasileira fora do país.

educandos que ao longo desses oito anos passaram pelo processo de formação da Escola de Fotógrafos Populares.

Dentre os educandos que compuseram, com suas produções fotográficas, o livro Imagens do Povo, Marcos Diniz, na comunidade e em artes Ratão Diniz, morador da favela da Maré e formado pela primeira turma da Escola de Fotógrafos Populares/Imagens do Povo em 2004, me apresentou um fato que na ocasião da pesquisa de campo se tornou também relevante para constar nesta dissertação. Ele iria participar, em julho de 2012, de uma residência artística em Londres por meio do Projeto Rio Occupation (London/UK), que selecionou 30 artistas brasileiros, com produções no Rio de Janeiro. Atualmente, é um dos integrantes da Mostra Travessias 2 - Arte Contemporânea na Maré, que estará em exibição entre os dias 13 de abril a 23 de junho de 2013, no Galpão Bella Maré, na Favela da Maré. Segundo o curador da mostra Raul Mourão, o fotógrafo tem consistência e maturidade para integrar qualquer exposição de arte contemporânea44.

Foto 9 – Foto Ratão Diniz – imagem da Mostra Travessias 2 - Arte Contemporânea na Maré.

Em entrevista pergunto a Ratão Diniz sobre o processo de formação dele na Escola Imagens do Povo e como isso se reflete agora nas oficinas que desenvolve em comunidades, no papel de fotógrafo, artista e educador e ele relata que

44Mais informações sobre o artista e a Mostra Arte Contemporânea na Maré acessar

http://observatoriodefavelas.org.br/noticias-analises/prata-da-casa/ ou http://focusfoto.com.br/fotografo-nascido- e-criado-na-favela-expoe-ao-lado-de-renomados-artistas/

A essência da fotografia que eu vejo é a paixão, eu resumo numa só palavra e minha mãe me ajudou nisso, recentemente eu dei uma entrevista ao lado dela, e a minha mãe nunca deu entrevista. Ela tem até mesmo vergonha quando eu faço foto dela e isso para mim é um desafio, porque para um fotógrafo, um processo de se reconhecer é fotografar a tua própria casa, tirar, descolonizar esse olhar viciado, esse é o desafio. Mas minha mãe me ajudou nisso, quando eu estava dando a entrevista para o fotógrafo italiano que faz parte do Projeto Fotógrafos Sem Fronteiras, e ele perguntou para ela como era ter um filho fotógrafo, como é que ela enxergava isso, ela disse, eu vejo que isso é amor, ele tem paixão pela fotografia, ela resumiu muito bem essa coisa que é paixão que eu vivo. E eu acho que essa essência, além da paixão, vai transmitir esse sentimento que eu tenho pela fotografia e esse papel de dar oficina, de poder estar compartilhando com outras pessoas essa linguagem que a gente aprendeu com Ripper, Funaro, Dante e tantos outros fotógrafos convidados que a gente teve na Escola é, sem dúvida, um prazer muito grande. Você está compartilhando conhecimento, é essa a essência, e a ideia de que essa história possa ter continuidade, essa paixão, essa essência, essa história, esse amor, para poder dar

Documents relatifs