III. Influence de dopants sur la microstructure et les propriétés
III.4. Dopage au calcium
Antes de iniciar a reflexão sobre a atuação e o processo de formação dos arte/educadores envolvidos nos projetos de educação não-formal, foco desta pesquisa, considero importante destacar aqui o processo de reivindicações no campo do ensino da arte a partir da educação formal, que foi decisivo para que hoje tenhamos a obrigatoriedade do ensino da arte nas escolas brasileiras. Parto desse princípio porque entendo a valorização de atividades artísticas nos projetos de educação não-formal como mais uma contribuição na compreensão da arte como disciplina de grande valor pela suas diversas possibilidades de reflexão, comunicação e criação dentro e sobre a nossa sociedade, possibilitando dessa forma, transformações sociais. Evitando assim, o entendimento da educação não-formal como oponente da educação formal.
[...] a recente valorização do campo da educação não-formal pode significar ou implicar a desvalorização da educação escolar. Por essa razão, a justificação da educação não-escolar não pode ser construída contra a escola, nem servir a quaisquer estratégias de destruição dos sistemas políticos de ensino, como parecem pretender alguns arautos da ideologia neoliberal (AFONSO, 1989,p.90)
Neste sentido, as várias experiências, a partir da década de 30, de escolas especializadas em arte para crianças e adolescentes, a arte como atividade extracurricular, como por exemplo, a Escolinha de Arte do Brasil, os vários encontros de arte/educadores reivindicando questões a respeito dos cursos de formação em arte como às formações polivalentes, “[...] cursos universitários aligeirados, criados para preparar professores que ensinassem todas as artes ao mesmo tempo, tornando a arte na escola uma ineficiência a mais no currículo” (BARBOSA, 2008, p.10) contribuíram para os avanços hoje alcançados. Outras reivindicações como a luta pela implementação da arte como disciplina obrigatória nas escolas e a criação de cursos de arte/educação em nível de pós-graduação a partir dos anos 80, podendo assim, possibilitar avanços a partir de pesquisas sobre o ensino de arte, foram também processos de afirmação da arte, a partir da educação formal, enquanto importante elemento na formação educacional.O percurso desenhado pelos arte/educadores contribuiu para o número crescente de atividades e ações artísticas existentes hoje na educação não- formal: ora como contraposição ao modelo escolar, ora como substituição, ora com identidade própria.
Atualmente, a grande inserção de projetos de arte e educação na educação não-formal, com um número significativo de experiências bem sucedidas e qualificadas, a arte cada vez
mais se assume enquanto elemento de grande valor na busca de transformações educacionais e sociais. Com as mudanças acontecidas nas últimas décadas no mundo, e as suas influências no Brasil, é possível dizer que o ensino da arte, seja na educação formal ou não-formal, não pode mais ser visto como algo desvinculado dos processos de transformação social, a arte contemporânea se apresenta como um diálogo sem precedentes com o contexto da vida.
Seguindo este raciocínio, é possível compreender o porquê das inúmeras atividades artísticas utilizadas pelos projetos de educação não-formal que atuam na busca de transformação social. Como também, assumir a importante contribuição de algumas dessas ações educativas, no que diz respeito às práticas pedagógicas utilizadas que podem se tornar, através de pesquisas realizadas, material de troca e aprimoramento dos cursos formadores do ensino da arte, por meio da relação de construção de conhecimento, que pode neste movimento, entre educação formal e não-formal, se estabelecer. Campos de atuações distintos, mas que, a partir dos seus profissionais comprometidos com mudanças, convergem para um único ponto, o acesso à educação e à arte, através do avanço das práticas pedagógicas e o respeito à diversidade, seja no âmbito econômico, social ou cultural.
A educação não-formal foi um caminho constituído, como foi discutido no primeiro capítulo, a partir de demandas explícitas de acesso à educação e da ausência de políticas públicas para atender essas demandas, com a intenção de propiciar mais experiências e construção de sentido entre as vivências cotidianas, a educação e a arte.
Falar em educação em termos gerais e por diferentes vias é um possível caminho para atentar para alguns pontos da educação não-formal não como alternativa ao ensino formal, pois que isso nem é possível legalmente e nem desejável. O intuito é buscar mostrar a contribuição - e os limites, os avanços, os riscos, os desafios – de outros modos de construir os processos de ensino e aprendizagem, tanto em locais institucionalizados como fora deles, transgredindo o que é instituído – quando for interessante e necessário – e buscando novas formas de estabelecer relações com o mundo, com o outro e consigo (SIMSON, PARK, FERNANDES, 2007, p.14-15)
Nesta perspectiva, a pesquisa aqui apresentada, atenta para questões que dizem respeito tanto as controvérsias, engodos e limites existentes neste campo da educação, quanto aos avanços, aos riscos e as boas experiências apresentadas pela educação não-formal, enfatizando a formação e prática dos profissionais envolvidos, em específico no campo das Artes Visuais. Nesta formação parto do princípio que na educação não-formal o essencial é a valorização do saber de uma determinada comunidade na qual se pretende desenvolver uma atividade, para a partir destes conhecimentos ampliar formas de conhecer o mundo mediadas pela arte. Assim, esse processo exige uma parceria que envolve artistas, educadores e
comunidade. Essa perspectiva teórica é conhecida como arte/educação baseada na comunidade. Bastos (2005) nos diz que essa perspectiva possibilita que os vários fazeres artísticos existentes nas comunidades sejam valorizados, incluindo as tradições regionais, artesanato, arte tradicionalmente produzida por mulheres, arte popular, entre outras manifestações presentes num determinado local, pois fazem parte da cultura da comunidade, sendo assim significativas na construção de qualquer projeto educacional. A percepção das diferentes realidades dos alunos a partir de um contato intenso com a vida diária das comunidades possibilita a organização do espaço pedagógico de modo inclusivo.
Baseado nessa perspectiva teórica de Bastos, citada acima, que considero fazer uma relação direta com muitos dos projetos desenvolvidos pela educação não-formal no Brasil, esse campo de ação, que não é regido por regras e determinações governamentais específicas, como é o caso da educação formal, acolheu vários educadores detentores dos saberes e práticas tradicionais para participarem do processo de educar através da arte, assim como artistas com técnicas e linguagens diversas, apesar dos mesmos não possuírem necessariamente certificados formais em arte ou arte/educação. Se por um lado isso significa um avanço enorme no que diz respeito à democratização da arte, na manutenção das práticas artísticas tradicionais e dos saberes da cultura local, por outro representa também uma lacuna no que concerne aos processos de formação no ensino da arte, constituído a partir do saber formal, acumulado ao longo da história. Essa dualidade existente no ensino de arte nos apresenta muitas vezes, experiências frágeis, completamente destituídas de embasamento sobre os propósitos do ensino da arte e suas técnicas, assim como em outras atuações, constituem experiências muito significativas no campo da arte e da educação.
Pensar sobre essa situação nos faz refletir sobre as diversas experiências de arte/educação e entender que a formação constituída pela educação formal não é sinônimo de uma atuação condizente com as necessidades de democratização da arte e respeito pela diversidade, que geram transformações sociais, elementos estes que urgem na educação diante da contemporaneidade social e seus processos de exclusão. Porém a essa reflexão não se pode omitir a importância do saber construído ao longo da história e que nesse caso precisa também ser socializado para que as ações de arte e educação sejam desenvolvidas com mais propriedade e assim se construa um conhecimento que respeite as contribuições e particularidades destas diferentes áreas de construção da educação. Que alternativas podem ser apresentadas para estes questionamentos? Como é possível avançar no que diz respeito aos processos de formação tanto na educação não-formal como na educação formal? São desafios que entrelaçam prática e instituição e provoca os profissionais comprometidos com
mudanças sociais, nas duas áreas de atuação. Formações político-sociais e técnicas são necessárias para que as ações no campo da arte e da educação possam se tornar significativas neste processo de mudanças sociais. Os projetos de extensão das universidades brasileiras podem assumir um importante papel nesta mediação de troca entre os diferentes saberes constituídos nestes dois campos da educação, que envolve saberes práticos, técnicos, científicos, políticos e populares. Compreendendo que a formação dos educadores é um processo permanente que vai sendo acumulando ao longo da vida, englobando todas as aprendizagens, de forma contínua e não necessariamente cronológica.
2.2 Educação Não-Formal: Metodologias a Partir de Formações Comprometidas com