O objetivo desta fase foi investigar a estrutura incorporada nas subjetividades dos agentes. Para isso, foi realizada reformulação no roteiro de pesquisa (Anexo 3). Para a coleta das informações foram utilizadas entrevistas em profundidade, precedidas ou procedidas de observações não participantes, e, posteriormente foram realizados grupos focais. Esses instrumentos foram utilizados de forma conjugada. As observações caracterizadas na primeira fase, também serviram para coleta de dados para este segundo momento. Spradley (1980) argumenta que observações não focalizadas são úteis para dotar o pesquisador de uma visão mais ampla sobre a situação, familiarizando-o com os grupos sociais e os processos-chave que nela operam. Após essa familiarização, pode-se proceder com estratégias de coleta de dados mais focalizadas. Nesse sentido, na segunda abordagem do campo social da prática de pesquisa, os dados obtidos a partir das observações serviram como direcionadores para as demais coletas, que foram realizadas por meio de entrevistas e grupos focais.
As questões das entrevistas (Anexo 3) foram formuladas de forma semiestruturada e com abordagem em profundidade. Foram constituídas a partir do roteiro de pesquisa e das análises parciais dos dados obtidos anteriormente, conforme orienta Triviños (1995).
As principais vantagens oferecidas pelo tipo de entrevista realizada foram: a flexibilidade de permitir ao agente entrevistado definir os termos de suas respostas, a liberdade do entrevistador para ajustar suas perguntas e o foco na profundidade da investigação, explorando mais a intensidade das respostas que sua frequência, valorando assim a experiência subjetiva do agente entrevistado (DUARTE; BARROS, 2006).
Além disso, a flexibilidade oferecida pela técnica de entrevista semiestruturada permite explorar algumas questões obtidas a partir das observações, bem como acessar outras questões não cogitadas levantadas pelos agentes entrevistados (MATTOS, 2005; TOMAR, 2007).
As questões propostas para as entrevistas foram previamente analisadas quanto à adequação da linguagem e à relação com os temas mais abrangentes que se buscava investigar. As entrevistas foram gravadas após autorização dos entrevistados e o preenchimento dos dados populacionais.
Foram entrevistadas 17 pessoas envolvidas na prática de pesquisa, selecionadas intencionalmente por critérios de representatividade, estabelecidos a partir das observações realizadas até então. Dentre esses critérios estão: área de atuação, de forma que as principais etapas da prática foram incluídas na investigação, o tempo de empresa, o cargo ocupado, o sexo, a liderança exercida no projeto, o perfil de captador de recursos e a ocupação de cargos burocráticos. Dessa forma, objetivou-se compreender a prática através de vários ângulos, não se restringindo ao olhar de grupos sociais específicos.
Os grupos focais coletam dados provocando interações grupais na discussão de um tópico sugerido pelo pesquisador. Dessa forma, caracteriza-se como uma técnica que intenta capturar a constituição das percepções, atitudes e representações dos grupos sociais (VEIGA; GONDIM, 2001). A estratégia de utilização de grupos focais teve como objetivo observar, por meio da interação dos grupos formados, os processos psicossociais que emergiam a partir da
discussão de um determinado tema, ou seja, a defesa da ortodoxia, da heterodoxia e o jogo de interinfluências e posições assumidas nesse debate. Nesse sentido, interessava tanto os dissensos como os consensos na referida discussão.
A modalidade de grupo focal utilizada objetivou uma proposta multimétodos qualitativos, no intuito de integrar seus resultados com os da observação e da entrevista (MORGAN, 1997). Para esse autor a utilização de grupos focais após a realização de entrevistas individuais facilita o entendimento sobre as diferenças de opinião, visto já se possuir entendimento das opiniões isoladas. Após observações, os grupos focais possuem a vantagem de permitir comparar os conteúdos produzidos no grupo com as interações observadas no cotidiano dos participantes, com a possibilidade de aprofundar a análise de comportamentos específicos a partir do resgate de determinados temas.
Foram realizados dois grupos focais de composição diferente dos grupos entrevistados, com uma sessão para cada grupo. O primeiro foi selecionado a partir da homogeneidade do grupo quanto ao cargo de pesquisador, variando apenas nos critérios de sexo, tempo de empresa e área de atuação (recursos naturais, produção, agricultura familiar e agronegócio). Para participar desse grupo foram convidados pessoalmente e relembrados por e-mail nove pesquisadores, tendo comparecido ao encontro seis deles. Além desses, estavam presentes a pesquisadora no papel de facilitadora da discussão e uma relatora para auxiliar nas anotações. A reunião teve início após solicitação de permissão para gravações e breve apresentação dos papéis esperados de cada um, dos objetivos da pesquisa e do grupo focal, bem como das questões a serem discutidas pelo grupo. O segundo grupo focal foi selecionado atentando-se para a heterogeneidade do grupo denominado transferência de tecnologia. Buscou-se inserir no grupo a diversidade de cargos, funções e tempo de serviço. Foram convidados pessoalmente, por telefone e e-mail 10 empregados lotados na
transferência de tecnologia para compor o segundo grupo, tendo comparecido todos à reunião. Como no primeiro grupo, a reunião teve início após solicitação de permissão para gravações e breve apresentação dos papéis esperados de cada um, dos objetivos da pesquisa e do grupo focal, bem como das questões a serem discutidas pelo grupo (as mesmas apresentadas e discutidas no grupo focal 1).
As informações anotadas e gravadas nos grupos focais foram sistematizadas e integradas às informações levantadas pelas demais técnicas de coleta. Ao final de outubro de 2011, a pesquisa de campo teve fim, iniciando-se as transcrições das entrevistas e a pré-análise das informações.
3.3.3 Análise das leituras realizadas sobre a prática de pesquisa no CPAC,